Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

3 – A SEITA CONCILIAR CONTRA A CRISTANDADE (“mais claro em 1960”)

Roncalli-Montini 

Arai Daniele

Repetita iuvent: confirmado que a data de 1960 foi mesmo pronunciada por Nossa Senhora, há que ver a relevância disto na história destes tempos em Portugal, para o qual na mesma Profecia é previsto que «preservará sempre o dogma da fé».

Não se trata simplesmente de rever o processo de descolonização e autonomia dos povos, que é universal e legítima aspiração, mas de como isto ocorreu para efeito de conservação ou a detrimento da Ordem cristã, da Cristandade.

Neste processo, hoje se sabe, houve muita ingerência de poderes obscuros, ligados a planos secretos, dos quais alguns se revelaram favoráveis a governos comunistas, que detêm o poder até hoje. Em Angola, estes recorreram a tropas cubanas para manter o poder contestado também por guerrilhas ligadas a outros poderes.

O resultado para a África e para a Europa está à vista com tanta violência, guerras civis e carestias, que causaram e causam uma interminável imigração desesperada.

Que parte teve nisto a revolução conciliar, mais clara desde 1960, já se viu nos artigos anteriores e devemos continuar a ver aqui para entender a sua influência, que dura na África, na Europa, nas Américas e no mundo, enquanto dura tal «poder de globalização» apoiado pelos «papas conciliares».

Trata-se do «mistério de iniqüidade»; do poder clerical que se serve da denominação católica para implementar poderes mundiais antagonistas da Cristandade. Isto na África, apesar de todos os diagnósticos que de há muito elencavam as quatro ameaças principais contra a Igreja católica em África: do animismo e da macumba tribal, do nacionalismo marxista, do Islamismo ao protestantismo: realidades ecumenistas que, de país a país, ameaçam a sobrevivência da Fé.

Qual seja a parte nisto dos «papas conciliares» já se viu a partir da «Pacem in Terris» (1963) que implicitamente condenou a colonização européia: «Uma vez que todos os povos já proclamaram ou estão para proclamar a sua independência, acontecerá dentro em breve que já não existirão povos dominadores e povos dominados. As pessoas de qualquer parte do mundo são hoje cidadãos de um estado autônomo ou estão para o ser. Hoje comunidade nenhuma, de nenhuma raça, quer estar sujeita ao domínio de outrem.»

Com as iniciativas de Paulo 6 se viu que essa dose teórica se desdobrou na prática com a legitimação, talvez apenas implícita da parte do Vaticano, mas certamente efetiva na ação de governos, a partir da Índia que tomou a força Goa, Damão e Diu.

Ora, depois da viagem de Paulo 6, que deslocara-se a Bombaim no início de dezembro de 1964, por causa do conflito entre o Estado Português e a União Indiana, tal viagem foi vista como uma afronta a Portugal. Todavia, para a imprensa progressista pareceu como fato positivo. O jornal católico «Novidades», que apoiava Salazar, acompanhou a questão, como diário da confiança da hierarquia católica em Portugal, disfarçando a notícia, dando somente relevo ao Congresso Eucarístico e ao sentido missionário da visita papal, e à sagração de 6 bispos por Paulo 6 naquela ocasião.

No entanto é claro que sobre o turbulento clima religioso que pesava no País, foi inevitável o efeito do grande destaque dado nos dias 7 e 10 à nova posição semi-oficial do Vaticano sobre a tomada de Goa pela União Indiana. Conquista que teria a aprovação e mesmo a tácita benção do Vaticano, como afirmou um jornal indiano em artigo assinado pelo respectivo diretor, que se gaba ter sido confidente de Nehru (Diário de Notícias. Nº 35475 (5/12/64), p. 1.2.

“O Vaticano aprovou a anexação de Goa e deu-lhe a sua bênção tácita: afirmou um jornal indiano”. República. (5/12/64), p. 1. Nesse clima de divisão, seguiu a «Nota da Cúria Patriarcal de Lisboa» que foi obrigada a desmentir a notícia republicada em vários jornais portugueses no dia 5 (à exceção do Novidades), na qual se referia as confidências de Nehru ao diretor do jornal indiano sobre a legitimidade («benção tácita») conferida por João 23 à tomada de Goa com o intuito de «restabelecer a lei e a ordem». Esta notícia vinha associada às informações que chegavam ao Vaticano sobre o «ruir quase completo da administração portuguesa».

Entretanto, o Novidades desmentia esta notícia, reforçado com o destaque conferido às afirmações do Mons. Giovanni Moretti, secretário de Mons. Angelo Dell’Acqua, Secretário Assistente para os Assuntos Ordinários da Santa Sé: «Nunca houve qualquer benção implícita ou explícita da Santa Sé à conquista de Goa».

Procurava-se o «esclarecimento e sossego da consciência de muitos católicos», tendo como objeto o aludido apoio de João 23 à tomada de Goa, embora sem referir ao seu entendimento sobre colonialismo e independências. Sim, mas esse entendimento anti-colonialista, contrário a Portugal, ficou confirmado pela posição de Paulo 6.

A Igreja em Portugal não queria agravar a tensão criada entre o Estado português e a Santa Sé porque nos meios católicos se legitimava a guerra em curso, questionando os fundamentos das nova posição internacional «da Igreja ao seu mais alto nível».

Este panorama das publicações católicas evidenciava a delicadeza da posição vivida no catolicismo português a propósito da deslocação de Paulo 6 a Bombaim, isto é, do alcance das reações críticas do Regime perante tal evento.

Era evidente a falta de unanimidade dos católicos perante a questão, dando lugar ao início de um processo de divisões profundas desencadeadas no seio da Igreja.

Chegou-se assim ao Manifesto dos 101 Católicos, em outubro de 1965, onde a Guerra Colonial foi abertamente contestada no âmbito da política ultramarina portuguesa, que assinala um processo de distanciamento mais amplo face ao Regime, notório em círculos restritos de católicos, e que procurava formas e dinâmicas de intervenção. Este documento abrange diferentes aspectos políticos além do problema colonial, em questão de autonomia da organização eclesiástica nas “províncias ultramarinas” e a sua relação com o Estado: «Insiste o Governo no testemunho dado pelo sangue e pelo sacrifício de milhares de jovens que no Ultramar combatem. (…) Seria necessário falar do inegável fato de uma guerra que, se porventura se não perde, também se não vence; da revolta que, apesar dos apoios externos, não é inteiramente fruto do estrangeiro (…); dos estrangulamentos impostos ao Ultramar por uma excessiva centralização metropolitana (…). Argumenta-se com a integração racial (…) Porque não há na Guiné, em Angola e Moçambique, um único bispo africano (…)? Falam-nos de Goa, mas qual o resultado da política ultramarina do Estado Novo para a presença portuguesa em Goa?»

Os signatários apresentam mesmo um excerto duma intervenção de D. Sebastião Soares de Resende no Concílio, onde é invocada a «doutrina sobre a dignidade humana», fundamento para «se proclamarem e se reivindicarem os direitos dos homens à liberdade política e social». Eis pois a verdadeira questão!

Antes do Vaticano 2, a Ordem cristã era o grande bem a ser defendido e implementada em modo correto pelas autoridade civis e religiosas, pois levava ao maior bem e justiça para os povos, portanto, ordem a ser defendida para assegurar os verdadeiros direitos pessoais e sociais de todos.

Depois da eleição de Roncalli, que assumiu o nome do anti-papa João XXIII e do seu Vaticano 2, a «nova ordem» almejada passou a ter por prioridade o «bem da democracia», que descarta o bem do homem, alma e corpo, que é o bem da Cristandade!

Quando Paulo 6 em 1970 recebeu Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amílcar Cabral, líderes dos movimentos independentistas de Angola, Moçambique e Guiné, o Ministério dos Negócios Estrangeiros fez publicar uma Nota onde dava conta da «profunda mágoa do Governo e da Nação Portuguesa».

O Osservatore Romano procurou salvaguardar o «caráter puramente religioso» da audiência. A nota, porém salientava que: «Sua Santidade teria acedido a que os chefes terroristas, em rebelião contra um governo constituído que mantém secularmente relações com a Santa Sé e que são responsáveis pelos atos de violência quotidianamente produzidos em território português com sacrifício de numerosas vidas, se aproximassem da Sua pessoa, dialogando com eles e dirigindo-lhes “palavras de saudação e exortação de fidelidade aos princípios cristãos em que foram educados”» (!?)

O jornal Novidades publicava nessa ocasião um editorial relativo ao assunto onde além do repúdio pelo impacto dado por «certa imprensa» e o desejo de esclarecimento do sucedido, era evidente a delicadeza da questão. Oscilando entre «dois ideais: o ideal de Deus e o ideal da Pátria», o artigo manifestava o incômodo causado, afirmando que «o Papa pode enganar-se neste campo»: condenando desde sempre o terrorismo pelo que «seria absurdo que o Papa se negasse a si próprio».

Seguiu o culminar de uma série de conflitos diplomáticos entre o Estado Português e a Santa Sé, os quais estiveram na origem de diferentes tipos de posicionamentos no interior do catolicismo face à Guerra Colonial: por um lado, contestação em crescendo ou indignação e perplexidade; por outro, a defesa dos interesses nacionais perante iniciativas conotadas ao terrorismo. As fraturas nos meios católicos eram evidentes, como é evidenciado no referido editorial do Novidades a propósito da recepção de Paulo 6 aos líderes dos movimentos independentistas.

Outros sinais de distanciamento dos católicos perante a política do Regime resultariam da legitimação da dependência das Igrejas africanas face às européias. Basta citar a carta dum grupo de padres de diferentes proveniências ao Episcopado de Moçambique, onde é contestado, nomeadamente, o «conceito governamental do missionário», em relação com a questão do clero autóctone.

O próprio regime concordatário da presença eclesial em Moçambique era questionado: «Uma Igreja comprometida com o Estado – pela atribuição de privilégios sociais, de monopólios escolares, de representação sociológica – como é, em parte, o caso da Igreja em Moçambique, tem poderosamente limitada a sua liberdade religiosa, a sua capacidade de denúncia profética.»

No interior de algumas missões católicas, estas questões iriam assumir uma premência cada vez mais evidente. A Congregação dos Padres Brancos viria mesmo a decidir retirar-se de Moçambique em maio de 1971, perante a «ambiguidade» e a «confusão» estabelecida entre a Igreja e o Estado em Moçambique.

No fundo, era a liberdade da ação missionária, quando perspectivada em termos de «promoção da justiça social», que estava em causa. Nesta questão dos Padres Brancos, o Governo Português antecipar-se-ia com ordem de expulsão, cuja notificação foi feita pela PIDE e seria tornada pública, a 27 de maio, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício. O fundamento para esta expulsão era a acusação, dirigida a dois missionários, de colaboração com a FRELIMO.

A problemática da autonomia dos Estados africanos arrastava consigo outros níveis em que assentava a questão colonial portuguesa. O quadro da legitimação da Guerra Colonial era ameaçado nos seus fundamentos pautados numa identificação entre missionação e civilização, e na particularidade do caso português (Províncias ultramarinas) de uma valorização da unidade dos católicos. Esta começava a ruir, passando a ser a razão da impossibilidade de uma intervenção política organizada.

As relações institucionais entre a Igreja Católica e o Estado Novo e o alargamento da intervenção cívica dos católicos, particularmente na contestação à Guerra Colonial, contribuíram para acelerar o processo de redefinição dos contornos da questão religiosa.

Sem serem manifestações maioritárias no interior do catolicismo português, as instâncias e os conteúdos dos protestos assumiram algum impacto na Igreja e na sociedade, de tal forma que a questão da pluralidade interna dos católicos ao nível de suas incidências políticas, se afirmou como incontornável nos debates eclesiais.

Rompia-se um determinado modelo de relação entre a Igreja Católica e a sociedade, marcado pela necessidade de homogeneidade interna, e afirmava-se lenta e gradualmente um outro paradigma de pluralidade interna no espaço de participação política dos católicos, experimentadas como uma realidade que não permitia a construção de concepções unitárias, mas das mais disparatadas nos diferentes domínios sociais.

Isto se tornou evidente no início da década de 70, como ocasião para a consolidação dum conjunto das novas perspectivas conciliares no interior do catolicismo português, com fundamento no pensamento de Paulo 6, a propósito da construção da paz. A sua visita para os cinqüenta anos de Fátima seria um sinal a mais para dividir os católicos. É o que veremos em seguida.

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