Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O SEGREDO DE FÁTIMA SOBRE O «PARRICÍDIO» SERIA INCOMPLETO?

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Arai Daniele

Pode-se dizer que o famoso «Segredo de Fátima» sempre foi e continua a ser mais que tudo dado para a reflexão de sinistros «pensamentos secretos» que trespassaram o Imaculado Coração de Maria (Lc 2, 25-35) porque são, em verdade, portadores de desgraças para todos.

Aqui veremos a relação da «liberdade religiosa» e de «consciência», de cunho liberal e maçônico, com o parricídio simbólico, segundo os Papas e em especial Pio XI; significa o desastroso abatimento atual da ideia do Pai e portanto de toda real autoridade.

O Messias, desejado das nações, veio como «Sinal de contradição» no mundo em que domina a estirpe que segue o plano perene de repúdio do Verbo; para serem como deuses! O Evangelho de São Lucas descreve o momento em que a Virgem Maria o ouviu o efeito dessa revolta humana, organizada na forma desse processo unitário e dominante que é a Revolução: Simeão abençoou o pai e a mãe, maravilhados com o que disse de Jesus e disse a Maria: «Eis que este Menino vai ser causa de queda e ressurreição de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a Ti, uma espada trespassará a Tua alma, a fim de que sejam revelados os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 25-35).

Pensamentos secretos de guerras e revoluções religiosas

Todo homem no fundo de sua alma aspira à felicidade e salvação e sabe que esta só se encontra na Verdade. Mas a Verdade precisa ser reconhecida no plano espiritual, para isto foi instituída por Deus a autoridade da Igreja. De fato, no plano terreno o homem não encontra na sua ciência  sobre a razão da própria vida e seu fim último.

Desde sempre os homens procuraram a resposta numa revelação divina. Perscrutavam todo sinal extraordinário para aproximar esse conhecimento da Verdade. Este veio através da Fé em Deus, no amor do Pai que o velho Simeão reconheceu, ao contrário de muitos em Israel, que esperavam a manifestação de um poderoso rei. O Senhor, porém, não se quis manifestar com o tremendo poder com que criou do nada o universo, mas com a suavidade da Palavra que faz entender aos homens a Verdade; só esta nos fará livres no bem. Os primeiros pais caíram ao falhar no Seu reconhecimento.

Os Seus sinais estão na Revelação e não faltaram ao longo da história, nem nos tempos modernos que vivemos, apesar da demolição do Pensamento Católico por meio dos secretos pensamentos de muitos, movidos pelo orgulho, pela carne e pela ganância. O Princípio revelado do Bem e da Justiça é um só, como o da autoridade e da ordem, que derivam de Deus. De qual outro princípio podem derivar as leis humanas? Assim é que o princípio da justiça concerne à natureza da verdadeira autoridade, não só para as almas, mas para as sociedades de todo tempo e lugar; transcendem a ordem humana.

Estes princípios revelados são guardados na Terra no lugar estabelecido por Deus: na sua Igreja – ela mesma e a sua autoridade são princípios divinos; são realidades; podem ser negados, para desgraça dos desviados, mas não podem ser «reformados», porque vêm do Pensamento de Deus: fundamento da «liberdade das consciências».

Fátima e a liberdade de consciência» revolucionária

Vamos pois falar do grande perigo dessa época moderna republicana, segundo o Papa Papa Pio XI, repetindo excertos da encíclica “Non abbiamo bisogno” promulgada em 29 de Junho de 1931:

«Dizíamos os direitos Sagrados e invioláveis da Igreja. Trata-se do direito que assiste às almas de procurarem o maior bem espiritual, sob o Magistério e a obra de formação da Igreja, divinamente constituída e mandatária única desse Magistério e dessa obra na Ordem Sobrenatural, fundada pelo Sangue do Deus Redentor, necessária e obrigatória para todos, a fim de participar na Redenção Divina. Trata-se do direito das almas assim plasmadas de comunicar os tesouros da Redenção a outras almas, colaborando, neste particular, na atividade do Apostolado hierárquico.

A respeito deste duplo direito das almas, dizíamos há pouco que nos consideramos felizes e ufanos de combater o bom combate pela liberdade das consciências, não (como alguns inadvertidamente nos fizeram dizer) pela liberdade de consciência, frase equívoca, e frequentemente empregada para significar a absoluta independência de consciência, o que é absurdo numa alma criada e remida por Deus.

Trata-se, além disso, do direito não menos inviolável que a Igreja possui de cumprir o Divino Mandato de seu Divino Fundador, de levar às almas, e todas as almas, todos os tesouros da Verdade e do Bem, doutrinais e práticos, que Ele veio trazer ao mundo. “ide, ensinai todas as gentes… ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei” (Mt 28, 19-20). Pois bem, o Divino Mestre, Criador e Redentor das almas, mostrou por Si mesmo, com o Seu exemplo e a Sua Palavra, qual o lugar que a infância e a juventude devem ocupar neste Mandato absoluto e universal: “Deixai as crianças e não as impeçais a que venham a Mim” (Mt 19,13).” Estas crianças que como por um instinto Divino crêem em Mim, às quais está reservado o Reino dos Céus; cujos Anjos da Guarda, seus defensores, vêem constantemente a face do Pai Celestial; ai do homem que escandalizar um destes pequeninos”(Mt 18, 1).

Eis-nos, pois, ante um conjunto de autênticas afirmações e de fatos não menos verídicos, que não deixam dúvida ao propósito, já executado em grande parte, de monopolizar completamente a juventude, desde os primeiros anos até à idade viril, em proveito exclusivo de um partido, de um regime, sobre a base de uma ideologia que explìcitamente se reúne numa verdadeira estatolatria pagã, em flagrante contradição, quer com os direitos naturais da família, como com os direitos sobrenaturais da Santa Igreja. (…) Com efeito, vimos movimentar-se uma religiosidade que se insurge contra as disposições da superior autoridade religiosa e impõe ou anima a rebeldia; uma religiosidade que se converte em perseguição, e pretende destruir o que o Chefe supremo da Religião mais do íntimo encarece e tem mais a peito. Uma religiosidade que permite e deixa proferir palavras e chega a ações insultuosas contra a pessoa do pai de todos os fiéis a ponto de lhe lançar gritos de “abaixo” e “morra” – tirocínio de verdadeiro parricídio.»

*   *   *

Como se vê, aquilo que temos escrito segue a orientação pontifícia sobre o grande engano iluminista que hoje, especialmente por causa do Vaticano 2, tornou-se moeda corrente. No meu livro «Segredo de Fátima ou perfídia em Roma, procuro ilustrar como essa «liberdade de consciência» revolucionária serve essencialmente aos ideólogos tiranos ou reformistas, civis ou religiosos, para impor suas idéias e crenças.

Esta alienação ocorre hoje na «perfídia» dos incubadores do «vírus» modernista, de que foi portador Roncalli, para inoculá-lo no tecido da Igreja. Como um inseto pode ser portador de uma doença que inocula nos homens, a transmissão de certas ideias pode ser pior do que uma doença do corpo: afeta as consciências; comparação rude?

Não foi assim, por exemplo, com as ideias de Lenine e de Hitler?

Pois bem, à periculosidade das iniciativas de João 23 aludiu um dos mais célebres vaticanistas, o conde romano Fabrizio Sarazani, que sobre esse pontificado e suas consequências disse: “… o sinal deixado por Roncalli na história da humanidade supera de muito o impresso pelos Lenine e Stalins. Se estes liquidaram alguns milhões de vidas, João 23 liquidou dois mil anos da Igreja católica” (Nichiraroncalli, p. 49).

Se a citação parece interna aos adidos do Vaticano, eis outra do literato mundano, o inglês Anthony Burgess, autor do tema da «Laranja Mecânica» que, retratando Roncalli no seu romance «The earthly powers», explicou que, por causa de seu pelagianismo, foi mais perigoso do que Hitler. (Entrevista ao «O Estado de São Paulo», 10.1.1982.)

Trata-se de localizar «causas» do mal que reside em ideias mesmo de aspecto religioso, que levam à agonia do Cristianismo no nosso tempo. Esta é evidente, mas não a sua causa, ligada a algo que assume forma de profetismo evocando sinais dos tempos, alheios à espiritualidade humana, mas afins à utopia da evolução ilimitada do homem.

Assim, a débâcle da Ideia cristã no mundo ocidental, no qual serpeia o new age ligado à nova ordem de reconciliação global ecumenista, é efeito da utopia religiosa modernista de marca gnóstica, usada pela Maçonaria para impor «liberdades» em vista de se substituir à Ordem cristã. Eis o programa do profetismo ecumenista que corrói a Cristandade para satisfazer a necessidade de um mundo globalizado. Neste, prevalece o «centro noaquita» planeador da religião humanitarista que aliena o Evangelho de Jesus Cristo! E, visto que toda crise na terra reside na subtil diferença entre a íntima liberdade das consciências, criada por Deus, e a «outra» liberdade de consciência em foro externo, ideada pelo «centro» da revolução anticristã, mas sempre condenada pelos Papas católicos, havia que obter «papas» modernistas.

É a razão porque devemos falar do virus modernista que, em nome do amor, faz fenecer sua fonte, que promana da Verdade. João 23 agiu com essa mentalidade, ou melhor, delirante «ideologia» que continua com os seus sucessores, apoiados no nefasto Vaticano 2, fonte das piores liberalidades diante da moral, da qual a pedofilia é mero produto. Isto responde aos que exclamam: como pode um católico atacar assim um papa? Ora, o Papa católico representa a Palavra e o «Pensamento» de Cristo, que deve confirmar no mundo. Se representa o «outro», não é bom pensador, porque parece «papa». Nem é papa porque parece pio pensador.

Um filosofar atualizado aos tempos se viu nas parcas ideias de Roncalli, na invertida doutrina social de Montini, na trapalhada literária de Luciani, nas ideias existencialistas e antroposóficas de Wojtyla; hoje, na apologia do iluminismo de J. Ratzinger, que chegou a recomendá-lo aos muçulmanos (22.12.2006)! Tudo de acordo com as aberturas ecumenistas conciliares em todas as direções, ação que deveria trazer a paz ao mundo moderno, já profusamente descristianizado!

O mundo esqueceu que a Religião, ligada ao Pensamento divino, é guia também ao bem pensar, do qual a heresia é desvio ruinoso. No entanto, uma série de mestres modernistas foram festejados pelo mundo liberal, mesmo se religiosos, como Sangnier, Loisy, Duchesne, Mounier (de Esprit), antecessores dos vários Maritain, Rahner, Kung, Ratzinger etc., que almejavam controlar a Sede suprema, de onde inocular suas ideias através de quem ocultasse tais ideias sob o aspeto pio, para depois aplicá-las a um concílio. Eis como Roncalli, descrito de “genial simplicidade”, pelo seu cúmplice e amigo Guitton, galgou o trono para abrir a Igreja ao perverso Modernismo, dominante nas versões intelectuais de Montini e Wojtyla, cujos matizes conciliares de existencialismo e personalismo foram ampliados por Ratzinger e Bergoglio.

Abrem ao iluminismo do direito à liberdade de consciência e de religião, como quer o mundo moderno. É o filosofar de aparência religiosa que mina profundamente o reto pensar e toda fé e o faz em nome do Cristianismo na Sé apostólica da Verdade, que evoluiria conforme a agenda mundial e as visões pessoais. Deviam, pois «atualizar» essa verdade e «purificar» toda fé com o pensamento evoluído que elucubraram subjetivamente. Qual perfídia pode ser mais consumada?

O Modernismo operou essa fatal inversão de juízo da unicidade da Verdade; não mais viver como se pensa e pensar segundo se crê, mas crer como se pensa e pensar com as ideias do mundo, o carpe diem; novo metro do «bem» hedonista e da verdade iluminista e conciliar.

A visão do “Terceiro Segredo de Fátima” seria incompleta?

Temos a notícia recente que “o teólogo alemão padre Ingo Döllinger, sacerdote desde 1954 e amigo pessoal de Bento 16, autorizou Maike Hickson a publicar uma confidência de Ratzinger durante conversa sobre o «Terceiro Segreto»: Não muito tempo depois da publicação do Terceiro Segredo de Fátima, em junho de 2000, pela Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger disse a Pe. Dollinger, durante uma conversa pessoal, que ainda há uma parte do Terceiro Segredo que eles não publicaram! “Há mais do que nós publicamos”, disse Ratzinger. Ele também contou a Dollinger que a parte publicada do Segredo é autêntica e que a parte inédita do Segredo fala sobre “um mau Concílio e uma má Missa” que estavam por vir num futuro próximo.

Que pensamentos secretos (que trespassaram o Imaculado Coração de Maria) estão censurando com silêncios e contradições de um mundo em processo de apostasia?

O «parricídio simbólico» do papado é o tremendo evento confirmado pelo «Segredo». Se ele também confirma as suas consequências em outra parte ainda mantida secreta, não vai ser algo que não esteja já gravado na história da Igreja nestes tempos. Quem não quer acreditar no tremendo evento central da visão do «Segredo», devido à possibilidade de uma sua parte ainda escondida, como poderá entender o essencial do conteúdo da Profecia de Fátima ignorando a causa de sua ocultação, que também é a causa da traição de ordem apocalíptica (Ap 13)? Em outras palavras: que haja uma sua parte mantida em segredo, mas negada, é credível, mas seria a contraprova que a sua parte central, conhecida em 2000, representa mesmo o «parricídio simbólico» da suprema Voz que era obstáculo, até antes dos tempos conciliares de João 23, diante de qualquer mentira e falsidade como essas exercidas contra a Profecia de Fátima.

2 Respostas para “O SEGREDO DE FÁTIMA SOBRE O «PARRICÍDIO» SERIA INCOMPLETO?

    • Pro Roma Mariana maio 23, 2016 às 7:16 pm

      Ratzinger mandou desmentir o padre amigo, mas este hoje desmentiu o desmentido. Miguel, o que interessou neste artigo foi que o «Segredo» publicado em 2000, fazia ver o principal do «parricídio papal», que é simbólico mas enquadra a situação atual da Igreja, da ausência do Papa católico desde então. Os fatos que seguem não são nenhum segredo, nem a grande apostasia presente, consequências do «parricídio». Sim, foi «liquidada» a Voz do Papa defensor da verdade contra tanta falsidade.

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