Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

QUE FAZER COM AQUELES  QUE, PARA PARECEREM MAIS TRADICIONALISTAS, CAEM EM HERESIA?

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Gregório XVI, numa passagem da sua encíclica “Mirari Vos”, promulgada em 15 de Agosto de 1832:

«Dizemos coisas. Veneráveis irmãos, que vós tendes contìnuamente sob vossos olhos, e que por isso deploramos com pranto comum: Triunfa soberba a improbidade, insolente a ciência,  licencioso o descaramento. A santidade das coisas sacras é desprezada, e a Augusta Majestade do culto Divino, que possui grande força e influxo sobre o coração humano, indignamente, é rejeitada, contaminada, e tornada objecto de escârnio por homens tratantes. Então se distorce e perverte a sã doutrina e se disseminam de modo audaz erros de todo o género. Não há leis sagradas, nem direitos, nem instituições, nem disciplinas, por santas que sejam, que sejam protegidas do ardil deles, que expelem apenas malvadezas da sua boca imunda. Esta nossa Sede Romana do Beatíssimo Pedro, na qual Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu a sólida base da Sua Igreja, é feita alvo de incessantes, duríssimos vexames ; os vínculos da unidade fragilizam-se e se diluem, dia a dia, sempre mais. Combate-se a Divina autoridade da Igreja, e conculcando seus direitos, SE QUER SUJEITÁ-LA A RAZÕES TERRENAS, E COM GRANDE INJUSTIÇA SE TENTA TORNÁ-LA ODIOSA AOS POVOS, ENQUANTO FICA REDUZIDA A IGNOMINIOSO CATIVEIRO. Viola-se a obediência devida aos Bispos, oprimindo-lhes os direitos. AS ACADEMIAS E AS ESCOLAS ECOAM HORRÌVELMENTE AS MONSTRUOSAS NOVIDADES DE OPINIÃO, com as quais, não mais de modo oculto, e com secretas ameaças  se ataca a Fé Católica, mas abertamente, e sob os olhares de todos, move-se-lhe horrível e nefanda guerra. Afinal, corrompido o espírito dos jovens alunos, pelos ensinamentos viciados e pelos maus exemplos dos mestres, espalhou-se o desgaste da religião e os costumes perverteram-se. Sacudido assim o freio da Santa Religião, QUE É A ÚNICA RESPONSÁVEL POR MANTER DE PÉ OS REINOS E A FORÇA DA AUTORIDADE DE CADA DOMÍNIO; vê-se aumentar a subversão da ordem pública, a decadência dos principados e a dissolução de todo o Poder legítimo. Mas tão grande acúmulo de desventuras DERIVA DE MODO ESPECIAL DA CONSPIRAÇÃO DAQUELAS SOCIEDADES NAS QUAIS PARECE TER-SE RECOLHIDO, COMO EM IMUNDA FOSSA, QUANTO HÁ DE MAIS SACRÍLEGO, ABOMINÁVEL E ÍMPIO, NAS HERESIAS E NAS PIORES SEITAS.»

*   *   *

A miséria humana, já de si muito profunda, torna-se ostensivamente tão desoladora, tão confrangedora, tão repugnante, que como o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo sublinhou, revelar-se-ia capaz, se acaso não fosse abreviada, de desviar até os próprios eleitos.

A Fé Católica, no seu Dogma e na sua Moral, constitui um Todo de Unidade, Verdade e Bondade, Infinitas; logo também infinitamente coerente; sem que seja possível alterar-lhe um só ponto sem comprometer esse mesmo Todo. A corrupção da Verdade Católica produz na realidade remanescente um dolorosíssimo travo a conto de fadas, invenção de mau gosto, ou pretexto para causar nas almas, um atroz, um espantoso, naufrágio Religioso, intelectual e moral.

Particularmente, a tendência a pretensamente compensar a apostasia liberal e modernista, com verdadeiras heresias, as quais já foram combatidas e vencidas pela Santa Igreja Católica, noutros tempos e noutras circunstâncias, paralelamente à depravação moral que demonstra, constitui uma manobra de diversão da maçonaria internacional para agravar a situação dos verdadeiros católicos, encurralados entre apóstatas liberais e modernistas, de um lado, e apóstatas, de má fé, que para se afastarem de uma heresia – caem noutra, DE IGUAL GRAVIDADE.

Vem isto a propósito de uns tais irmãos Peter e Michael Dimond que pretendem ressuscitar a heresia do Fineísmo, a qual exige absolutamente a recepção do Baptismo de água para a salvação Eterna, negando despudoradamente o denominado Baptismo de sangue e o Baptismo de desejo, tombando assim na mais requintada das heresias, ou antes, apostasia, visto que transformam a Fé Católica numa horrenda superstição; pois que a salvação Eterna jamais poderia ficar exclusivamente dependente de contingência de um evento temporal, o que significaria que a causa instrumental secundária possuiria hegemonia absoluta sobre a Causa Eficiente Principal da Graça e da Salvação.

Tudo isto só demonstra a sevandija, o analfabetismo teológico completo desses irmãos Dimond, que não são sacerdotes, e que se intitulam sedevacantistas porque assim lhes ordenou a maçonaria internacional.

Leonard Finney (1897-1978) foi excomungado pela Santa Sé em 13 de Fevereiro de 1953, por rebelião contra a autoridade eclesiástica, pois que arregimentara um grupo que persistente e obstinadamente contestava Dogmas de Fé definida, EXPLICITADOS DESDE A MAIS REMOTA ANTIGUIDADE CRISTÃ. Efectivamente, os primeiros a morrerem por Nosso Senhor Jesus Cristo foram os Santos Inocentes; e a Santa Madre Igreja celebrando os seus mártires, jamais distinguiu entre catecúmenos e baptizados. Negar a possibilidade de almas rectas – MESMO VIVENDO MATERIALMENTE NA HERESIA, MAS QUE SEM CULPA, JAMAIS OUVIRAM FALAR DE NOSSO SENHOR E DA SUA IGREJA – serem beneficiadas directamente pela Graça Divina que lhes foi merecida por Jesus Cristo, e assim ordenarem-se Sobrenaturalmente à vida Eterna mediante o próprio Organismo Sobrenatural formado pela Caridade Perfeita, negar isso, corresponde a RENEGAR e destruir a Fé Católica desde os seus mais íntimos fundamentos.

A Fé Teologal Habitual encerra no plano lógico Sobrenatural, Transcendental, ao menos virtualmente, toda a Revelação; por isso mesmo a recepção do Santo Baptismo é DE NECESSIDADE DE MEIO RELATIVA PARA A SALVAÇÃO. Por exemplo: A Graça Santificante é de necessidade de meio absoluta para a salvação, PORQUE NADA A PODE SUPRIR. Mas o santo Baptismo pode ser suprido, pelo Baptismo de desejo, que já referimos, e pelo  Baptismo de sangue; na realidade o catecúmeno que, tendo atrição dos seus pecados, sofre o martírio, formal e materialmente considerado, recebe a Graça Santificante com o perdão de todos os seus pecados, e inclusivamente é-lhe perdoada toda a pena temporal devida a esses pecados, o que não acontece no Baptismo de desejo em que essa pena temporal não lhe é perdoada.

Sabemos que antes do pecado original, e sem o pecado original, não existiriam, nem podiam existir, Sacramentos; e a razão profunda reside no facto do pecado haver de alguma maneira submetido a vida espiritual do homem ao império da criatura, e consequentemente ser justo que ele, homem, receba a Graça de Deus, também com o concurso instrumental da mesma criatura.

Mas tal não significa que a Graça não venha até nós, mesmo sem os Sacramentos; cumpre todavia assinalar que, mesmo nesse caso, a Graça irradia da Natureza Humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, como Causa Instrumental absolutamente eminente e primária de todos os Bens Sobrenaturais.

Os ditos irmãos Dimond atrevem-se a proclamar que o Baptismo de desejo e o Baptismo de sangue constituem “TRADIÇÕES DO HOMEM”???. Seria até o caso de obrigar esses senhores A ESCREVEREM COM O PRÓPRIO SANGUE TODO O CATECISMO DE SÃO PIO X. Registe-se que apenas o Baptismo de água é Sacramento, e só este imprime Carácter.

O Sagrado Concílio de Trento declarou que: “Após a promulgação do Evangelho o lavacro da regeneração é necessário para a salvação, in re ou in voto.

Outra aberração destes senhores Dimond é a asserção de que “as almas das crianças mortas sem baptismo VÃO PARA O INFERNO!”

Como já se referiu, tudo isto é para que os julguem mais tradicionalistas; coitados, caíram na mais repugnante das aberrações.

Não houve jamais evolução no magistério da Santa Madre Igreja referente ao Limbo das crianças, pois que se manteve plena continuidade específica na negação da visão beatífica para todos aqueles, mesmo adultos doentes, que falecessem sem Baptismo e sem o uso da razão. Acontece apenas que alguns Padres, mesmo até Santo Agostinho, realmente colocaram no Inferno essas almas, ainda que sem a pena do sentido. O engano provinha em parte do termo “Inferno” designar, em princípio e genèricamente, as zonas inferiores da Terra, cuja parte superior seria ocupada pelo denominado “Seio de Abraão,”lugar de permanência dos justos do Antigo Testamento até à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia os grandes paladinos da Teologia Católica, tais como São Tomás, explanaram claramente que sendo o pecado original, cujas consequências se transmitem por via da natureza – São Tomás refere o sémen de Adão como veículo – de espécie diferente do pecado pessoal, as penas têm igualmente de ser especìficamente diferentes. E isto é tanto mais verdade quanto a privação da visão beatífica em seres NÃO ELEVADOS AO ESTADO SOBRENATURAL PELA GRAÇA, não produz sofrimento algum, não podendo de forma alguma ser equiparada a essa mesma privação em seres Sobrenaturalmente tocados pela mesma Graça. Consequentemente, não houve evolução do Dogma, mas dificuldade, sobretudo terminológica, em proceder à explicitação do mesmo Dogma, aliás não definido, porque integrante do Magistério Ordinário da Santa Madre Igreja.  Como é que agora esses senhores  vêm com essa tese asinária de meter as criancinhas abortadas no Inferno, mesmo sem pena do sentido. É que o limbo não é lugar de sofrimento mas de felicidade natural, felicidade idêntica aquela que os homens virtuosos gozariam se o mundo tivesse sido criado num estado de pura natureza, e consequentemente não fosse, nem sobrenaturalmente elevado, nem decaído, nem remido.

Todavia, os referidos irmãos Dimond, também para simularem maior integrismo, insistem em críticas a Pio XII, muito menos graves, mas mesmo assim colocadas de má fé.

Em primeiro lugar, afirmam que Pio XII aprovou a evolução darwinista, o que é medularmente falso, pese embora a inexactidão e debilidade manifestadas por Pio XII na encíclica “Humani Generis” quando afirmou: “Quanto à proveniência do corpo do homem, o qual teria tido origem nalgum organismo inferior”. Ora isto não é aprovar a evolução, até porque Pio XII ressalva essencialmente “que a alma espiritual foi directamente criada por Deus, porque assim no-lo ensina a Fé Católica. Contudo, é certo que Pio XII perdeu uma rica oportunidade de reafirmar – E ATÉ MESMO DE DEFINIR –  irrevogàvelmente o ensino Bíblico, quando expende que o corpo do homem se formou a partir do “pó da terra”, ou seja, da matéria inorgânica.

Os ditos irmãos acusam igualmente Pio XII de “promover o controlo da natalidade por meios naturais”. Ora isso é rotundamente falso, porque Pio XII, na esteira de Pio XI, apenas manifestou a plena legitimidade do acto conjugal, também em período agenésico, acrescentando, todavia, que em caso de impossibilidade permanente de procriação, por razões de saúde ou económicas, o único meio imaculado para tal reside na perpétua continência.

No que concerne, porém, ao problema do Baptismo, os ditos irmãos, na sequência da seita fineista, acusam a Igreja pré-conciliar de haver abandonado a tese de que “fora da Igreja não há salvação” e também acusam diabòlicamente Monsenhor Lefebvre da mesma “heresia”.

Evidentemente que quem pensa, ou finge pensar, que sem o Baptismo físico de água é totalmente impossível a Salvação Eterna, não pode aceitar a asserção católica DE QUE É POSSÍVEL, EMBORA MUITO DIFÍCIL, ALGUÉM VIVER MATERIALMENTE NO SEIO DO PAGANISMO, E SEM ADERIR FORMALMENTE A ELE, PERMANECER DÓCIL À GRAÇA DE DEUS, E AOS DONS DO ESPÍRITO SANTO, E EMBORA SEM CONHECIMENTO ACTUAL DE JESUS CRISTO E DA SUA IGREJA, SER VERDADEIRAMENTE CATÓLICO NA FÉ, NA ESPERANÇA, E NA CARIDADE, POIS POSSUI O PRINCÍPIO TEOLOGAL SOBRENATURAL NA SUA ESSÊNCIA TRANSCENDENTAL E VIRTUAL SUPERIOR – E POSSUINDO ISSO, POSSUEM TUDO.

Mas os fineístas e quejandos não possuem, em absoluto, a Fé Católica, E INSISTE-SE – ESTÃO DE MÁ FÉ.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Maio de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral         

 

4 Respostas para “QUE FAZER COM AQUELES  QUE, PARA PARECEREM MAIS TRADICIONALISTAS, CAEM EM HERESIA?

  1. henri maio 26, 2016 às 4:03 am

    Fui por certo tempo simpático ao ensinamento desses dois “irmãos Dimond”. De fato, para um homem que recém tenha saído do ateísmo ou da seita modernista, os textos e os vídeos desses dois parecem extraordinariamente esclarecedores. Destaco a firmeza com que proclamam as suas doutrinas: isso seduz o novato que está em busca da verdade, já que é típico de quem proclama a verdade fazê-lo com firmeza. Destaco também o trabalho minucioso que fazem ao citar trechos de documentos pontifícios e comentá-los longamente, pretendendo provar, por meio dessas citações e comentários, suas falsas doutrinas. Isso enche o novato de um certo respeito, pois aparentam muito eruditos.

    Mas pela graça do Senhor e pela intercessão de Nosa Senhora, logo vi que tudo isso não passa de afetação e vaidade. Não vejo no trabalho deles amor pela Verdade, mas só vaidade. Nem erudição alguma, apenas afetação.

    Não estou bem certo sobre o que intentam esses dois: a contrariedade de suas doutrinas com o Magistério da Igreja é evidente demais para não ser notada, mesmo por um principiante no estudo das verdades da Fé. De modo que não vejo espaço para ingenuidade. O que querem?

  2. henri maio 26, 2016 às 4:34 am

    É assombrosa essa obstinação, quando pensamos bem a respeito. Porque partindo de um erro, para mantê-lo, precisam eles incorrer em novos erros, cada vez mais grotescos e patentemente anticatólicos.

    Certa vez, tratei de observar que seria de esperar a mais feroz oposição às doutrinas do Batismo de Desejo/Sangue, ao longo da história da Igreja, caso ela fosse falsa. Pois se um teólogo eminente comete erro no ensino da Doutrina, não faltam outros que desmentem tal erro; e se a disputa for intensa, colocando em risco a unidade da Igreja, logo vem o Papa e encerra a questão. E no caso das doutrinas do Batismo de Desejo/Sangue, temos vários teólogos que as ensinam; mas em contrapartida, nenhuma oposição. Uma Igreja que errasse por tanto tempo e em questão de tamanha gravidade, poderia ser aquela guiada pelo Senhor?

    Então eles replicam: “a doutrina do Batismo de Desejo está condenada pelo Concílio de Trento, há que ler o enunciado apropriadamente”. Ainda que o enunciado do Concílio de Trento não estivesse claro o bastante, perguntar-se-ia: como pode o Papa e os bispos subsrever, no Concílio, a condenação a uma doutrina que antes aprovavam, e para logo em seguida ao Concílio voltarem a aprová-la? Acaso pode o Papa subscrever algo que não compreende?

    E ao que parece eles pensam isso mesmo: os Papas subscrevem doutrinas que não necessariamente compreendem, e mesmo negam. A infalibilidade papal seria assim comparável a uma possessão.

    É impressionante como alguém ensina coisas tão estranhas, tão contrárias ao bom senso com que o Senhor dotou cada um de nós, e ainda se diz católico.

  3. Alberto Cabral maio 27, 2016 às 6:32 pm

    Na realidade o senhor Henry possuiu o “sensus Fidei” para discernir e separar o trigo do joio, num caso de aparências católicas e tradicionalistas muito intensas.Receba as minhas mais sinceras felicitações.
    Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

  4. Alberto Cabral maio 27, 2016 às 6:44 pm

    Na realidade o senhor Henry demonstrou possuir o “sensus Fidei” e saber distinguir o trigo do joio, num caso de aparências católicas e tradicionalistas muito intensas. Receba as minhas sinceras felicitações.
    Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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