Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

INDIVIDUALISMO E ORGANICIDADE

casula romana azul

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua Radiomensagem do Natal de 1942, “Con Sempre Nuova Freschezza”:

«A Ordem, na base da vida consociada dos homens, isto é, de seres intelectuais e morais que tendem a realizar um fim adequado à sua natureza, não é mera conexão extrínseca de partes numèricamente diversas: É antes, e há-de ser, tendência e actuação sempre mais perfeita da unidade interior, o que não exclui as diferenças, realmente fundadas e sancionadas pela vontade do Criador ou pelas normas Sobrenaturais.

Uma clara inteligência dos fundamentos genuínos de toda a vida social, tem importância suprema, hoje mais do que nunca, ante o espectáculo de uma Humanidade, que INTOXICADA PELA VIRULÊNCIA DOS ERROS E DESVARIOS SOCIAIS, ATORMENTADA PELA FEBRE DA DISCÓRDIA E PELA COBIÇA, DOUTRINAS E AMBIÇÕES, SE DEBATE ANGUSTIOSAMENTE NA DESORDEM, POR ELA MESMA CRIADA, E SE RESSENTE DOS EFEITOS DA FORÇA DESTRUTIVA DAS IDEIAS SOCIAIS ERRÓNEAS, QUE ESQUECEM AS LEIS DE DEUS OU LHES SÃO CONTRÁRIAS. E já que a desordem não pode ser sobrepujada senão com uma ordem, QUE NÃO SEJA MERAMENTE FORÇADA OU FICTÍCIA, (assim como a escuridão com os seus efeitos deprimentes e medonhos, não pode ser banida, senão pela luz, e não por fogos fátuos; a salvação, o renascimento, e um progressivo melhoramento, não se podem esperar, nem originar-se, senão pelo regresso de generosas e influentes classes à recta concepção social, REGRESSO ESTE QUE EXIGE EXTRAORDINÁRIA GRAÇA DE DEUS, VONTADE INQUEBRANTÁVEL, PRONTA E APRESTADA AO SACRIFÍCIO, ÂNIMOS BONS E DE VISTAS LARGAS. Por estas classes, mais influentes e mais abertas para penetrar e ponderar a beleza atraente das justas normas sociais, passará e entrará, depois, nas multidões, a convicção da origem verdadeira, Divina e espiritual, da vida social. (…)

Da vida individual e social, convém subir até Deus, Primeira Causa e último Fundamento, como Criador da primeira sociedade conjugal, fonte da sociedade familiar, da sociedade dos povos e das Nações. Reflectindo, embora imperfeitamente, o seu exemplar, Deus Uno e Trino, que com o Mistério da Encarnação remiu e exaltou a natureza humana, a vida consociada, no seu ideal e no seu fim, possui à Luz da razão e da Revelação, uma autoridade moral e um absolutismo QUE ULTRAPASSA TODAS AS TRANSFORMAÇÕES DOS TEMPOS; é uma força de atracção que longe de ser reprimida e minguada por desilusões, erros, insucessos, irresistìvelmente move os espíritos mais nobres e mais fiéis ao Senhor a retomar,com renovada  energia, com novos conhecimentos, com novos estudos, meios e métodos, o que noutros tempos e noutras circunstâncias, se tentou em vão.»

 

A Doutrina Católica é, por definição, Essencialista, isto é: Considera toda a realidade e todo o possível, como fundamentalmente medidos por Deus Nosso Senhor; antes de mais pela Inteligência Divina, pois que em Deus a Sua Inteligência é substancialmente a Sua Vontade e ambas são a Sua Essência. Evidentemente que  inteligência não é sinónimo de vontade, mas em Deus, a Sua Inteligência é a Sua Vontade, pois n’Ele todas as realidades são sublimadas no Infinito. Anàlogamente, nos Transcendentais Metafísicos, a Verdade não é a Bondade, mas a Verdade de uma coisa é também a sua Bondade, e vice-versa, pois a medida transcendental de uma é a medida transcendental da outra.  Este tipo de distinção denomina-se Virtual maior. A Inteligência Divina É Substancialmente a Sua Natureza e não uma faculdade mutável. Sendo a Inteligência e a Vontade Divinas Infinitamente perfeitas, não se limitam uma à outra, porque ambas concretizam Pessoalmente o oceano Infinito do Ser.

As Essências imutáveis da Criação residem virtualmente em Deus, pois que o próprio ser do mundo não pode adicionar-se ao ser de Deus, na exacta medida em que o ser do mundo É (não existe, É) VIRTUALMENTE EM DEUS. QUER SE QUEIRA, QUER NÃO, TUDO O QUE EXISTE, É EM DEUS, POSSUI UM FUNDAMENTO ETERNO E IMUTÁVEL EM DEUS; CONSEQUENTEMENTE, O ENTE ESPIRITUAL, NA SUA INTELIGÊNCIA E NA SUA OPERAÇÃO, QUANDO SE AFASTA DE DEUS, NAUFRAGA NO NADA, E QUANDO PERMANECE SOBRENATURALMENTE EM DEUS, DESENVOLVE E ACRISOLA A SUA DIGNIDADE, PARTICIPANDO DA NATUREZA E DA CARIDADE DIVINA.

A doutrina Essencialista implica que o ente espiritual NÃO PODE CRIAR VALORES PRÓPRIOS, COLOCAR-SE À SOMBRA DE DEUS, EXPLORAR ESPAÇOS DE LIBERDADE EM COLISÃO DIRECTA OU INDIRECTA COM A LEI DE DEUS, NEM PESSOAL, NEM FAMILIAR, NEM SOCIALMENTE.

Assim como a vida pessoal não pode opugnar as Leis Divinas – inovando; assim também a vida social não pode controverter as instituições hierárquicas da Criação, individualizando os interesses, as aspirações, e as conquistas das almas. Individualizar, aqui significa, precisamente, desorganizar.

Efectivamente, a Doutrina social da Santa Madre Igreja, foi sempre constitutivamente monárquica e orgânica; monárquica, porque a Criação, enquanto depende absolutamente de Um só Deus, não admite quaisquer princípios estranhos; orgânica, porque o Património religioso e moral das sociedades, ainda que por vontade de Deus seja partilhado entre diversas Nações, tem que participar formalmente na beleza hierárquica da própria Criação.

É conhecido como as moléculas e os átomos do nosso corpo se vão progressivamente substituindo, uns mais ràpidamente do que outros, permanecendo o corpo vivificado pela alma, exactamente sempre o mesmo; isto acontece porque o composto corpo-alma constitui uma UNIDADE ORGÂNICA QUE POSSUI NA ALMA O SEU FUNDAMENTO. Porque os átomos substituídos, são-no mediante uma única e mesma forma, um único e mesmo princípio, que garante a plena identidade e a plena continuidade da pessoa, assegurando igualmente a identidade das funções espirituais e psico-orgânicas. A própria Ressureição final, não exige, evidentemente uma identidade de átomos e moléculas, MAS SÒMENTE O REATAR DA UNIDADE VITAL ENTRE UMA UNIDADE ORGÂNICA E A FORMA SUBSTANCIAL QUE TRANSCENDENTALMENTE LHE CORRESPONDE.

Ora nas sociedades aplica-se análogo princípio: Os seus átomos são as pessoas, as almas, cujas gerações se devem suceder unificadas segundo os princípios da Fé Católica; logo tais sociedades não podem ser individualistas, já que o individualismo liberal concede aos átomos sociais a possibilidade de construírem a sua existência segundo os princípios e os padrões que muito bem quiserem e escolherem; mas a Doutrina Católica ensina-nos que os tecidos sociais não devem romper-se, nem mesmo quando parte de uma Nação, legìtimamente, proclama a sua independência, porque nada obsta a que um mesmo princípio de Fé Católica vigore em Nações polìticamente distintas. Nunca olvidemos que a Santa Madre Igreja é essencialmente superior a todas as Nações da Terra, reais e possíveis, pois deve reinar em todas, proclamando universal e dogmàticamente o testemunho Soberano da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo.   

Quando o Brasil se separou de Portugal, infelizmente as duas Nações já estavam conquistadas pela maçonaria, a qual pontificava de uma forma especial, precisamente, no seio da família real. Mas nada impede, que por um motivo ponderado e sèriamente meditado, uma Nação Católica se divida polìticamente em duas Nações Católicas. Sabemos pela Sagrada Escritura que a divisão da Humanidade em Nações e Línguas constituiu um justo castigo de Deus e uma consequência pelos próprios pecados da Humanidade. A Fé Católica sobrepuja absolutamente todas as cisões terrenas.

Se Portugal não tivesse deixado de ser uma Nação Católica, pela apostasia dos seus governantes, há já cerca de 250 anos, nada impediria a que de forma amadurecida, na sua época própria, o Brasil, Angola e Moçambique, se fossem separando polìticamente da Mãe Pátria, COMO FILHOS MUITO AMADOS, ALCANÇADA A IDADE ADULTA, RESULTANDO TODA UMA IDENTIDADE CATÓLICA, INTACTA, TODO UM PATRIMÓNIO RELIGIOSO, MORAL, E HISTÓRICO CULTURAL, CONSERVADO, E ATÉ UMA MESMA FAMÍLIA REAL, CONSAGRANDO UMA COMUNIDADE PORTUGUESA, COM UM MONARCA COMUM, OU UM CHEFE DE ESTADO COMUM.

Já assimilámos como a Doutrina Católica se opõe, vigorosamente, a todo o liberalismo, religioso, político, social, económico e cultural. Contemplámos como uma rígida hierarquia das sociedades se deve manter viva através das gerações, proscrevendo todo o corporativismo dinâmico e toda a mitologia liberal da “igualdade à partida”. É caracterizadamente a negação dessa “igualdade à partida” que permite proteger o mais fraco da prepotência do mais forte.

A organicidade, enquanto Doutrina Católica da sociedade, é aquela que garante a verdadeira liberdade, definida pela FACULDADE DE SE MOVER NA VERDADE E NO BEM. O individualismo constitui um fermento anárquico que destrói o tecido social, a família e a sociedade. Até o ímpio Oliveira Martins (1845-1894) não duvidou no reconhecimento do individualismo liberal como elemento destruidor das mais profundas tradições portuguesas aglutinadoras do corpo social.

A organicidade permite manter a vitalidade religiosa, moral, e histórico-cultural de uma sociedade através das gerações; tal acontece porque impede O DESVIO INDIVIDUAL, QUE É A BASE DO LIBERALISMO, BEM COMO DO PERSONALISMO MODERNISTA E ONANISTA.

A Santa Madre Igreja e o seu braço secular devem combater com a maior veemência, e o maior ardor, ESSE DESVIO INDIVIDUAL, QUE EM TEOLOGIA MORAL SE DENOMINA PECADO, E EM DIREITO PENAL SE DEVE APELIDAR DE CRIME DE LESA MAJESTADE DIVINA, E NUM ESTADO VERDADEIRAMENTE CATÓLICO, TAMBÉM LESA MAJESTADE HUMANA.

No plano biológico, o desvio individual das células de um tecido, DESFUNCIONALIZANDO-AS e comprometendo o todo orgânico – CHAMA-SE CANCRO! Ora exactamente o mesmo se passa no tecido social.

A princípio da organicidade NÃO É TOTALITÁRIO, porque o totalitarismo considera o individual finito sem acto metafísico próprio, completamente absorvido pela totalidade da qual constitui apenas um “momento finito”. Mas o princípio da organicidade é PESSOAL E CONTEMPLA O PERSONALISMO TEOLÓGICO E METAFÍSICO, PORQUE ENQUADRA E COMPROMETE NA VERDADE E NO BEM ENTES ESPIRITUAIS, COLOCADOS SOB A PROVIDÊNCIA DIVINA.

É contra este nefando perigo, que a Santa Madre Igreja nos tem advertido desde a dita “Reforma” e de uma forma especial desde a Revolução de 1789. O NAZISMO E O COMUNISMO FORAM OS PRINCIPAIS CONSECTÁRIOS DESSE “DESVIO INDIVIDUAL”.

Ora, o nunca suficientemente amaldiçoado concílio Vaticano 2 CONSAGROU FORMALMENTE O DIREITO AO DESVIO INDIVIDUAL, CANONIZANDO ALIÁS, DE FORMA ESPECIAL, O DIREITO POLÍTICO E SOCIAL A PROPAGAR LIVREMENTE ESSE DESVIO, ESSE CANCRO. PRETENDENDO ABOLIR, E DE FACTO ABOLINDO, TODO O DIREITO PÚBLICO ECLESIÁSTICO E TODA A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA.  

Bergoglio e Fellay, constituem apenas o estado de decomposição última do processo que acabamos de sintetizar.

 

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 12 de Junho de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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