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SINAL DA BATALHA FINAL: A ABOLIÇÃO DA CONSCIÊNCIA

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Arai Daniele

Um pequeno mas denso livro de C. S. Lewis – «The Abolition of Man», focaliza desde as primeiras linhas a chave do processo mais radical para a destruição da inteligência humana, como criada por Deus. Diz o autor: “Duvido que se preste suficiente atenção à importância dos livros de texto elementares. É por isso que eu escolhi como o ponto de partida para estas palestras um pequeno livro em Inglês destinado a meninos e meninas dos graus superiores das escolas”.

Eis o essencial do que segue: “Eu não acho que os autores deste livro intencionam causar qualquer dano… mas eu não posso ficar em silêncio sobre o que eu acho ser a tendência atual do seu trabalho. [não cita pois nomes e nem o título do livro]…

“Em seu segundo capítulo Caio e Tício citam a história conhecida de Coleridge na cachoeira… havia dois turistas presentes: um chamou de ‘sublime’ e o outro ‘bonita’; e Coleridge aprovou mentalmente a primeira sentença e rejeitou o segundo com desprezo. Caio e Tício comentam: “Quando o homem disse isto é sublime, ele parecia estar fazendo uma observação sobre a cachoeira…Na verdade … ele não estava fazendo uma observação sobre a cachoeira, mas uma observação sobre seus próprios sentimentos. O que ele estava dizendo era realmente tenho sentimentos associados em minha mente com a palavra “Sublime”, em breve, / tenho sublimes sentimentos’ Aqui estão um bom número de questões profundas colocadas numa forma muito resumida. Mas os autores ainda não tinham acabado. Eles acrescentam: “Esta confusão está constantemente presente na linguagem como a usamos. Parece que estamos dizendo algo muito importante sobre algo: e na verdade estamos apenas dizendo algo sobre nossos próprios sentimentos “.

 

  • “In their second chapter Gaius and Titius quote the well-known story of Coleridge at the waterfall. You remember that there were two tourists present: that one called it ‘sublime’ and the other ‘pretty’; and that Coleridge mentally endorsed the first judgement and rejected the second with disgust. Gaius and Titius comment as follows: ‘When the man said This is sublime, he appeared to be making a remark about the waterfall . . . Actually … he was not making a remark about the waterfall, but a remark about his own feelings. What he was saying was really I have feelings associated in my mind with the word “Sublime”, or shortly, / have sublime feelings’ Here are a good many deep questions settled in a pretty summary fashion. But the authors are not yet finished. They add: ‘This confusion is continually present in language as we use it. We appear to be saying something very important about something: and actually we are only saying something about our own feelings.”

 

Eis quando o sentimento subjetivo, a partir do significado de um termo, passa a prevalecer sobre o seu significado objetivo, no mesmo ensino escolar. O resultado dessa «educação» a longo termo, leva àquela visão subjetiva e artificial, pela qual a realidade é substituída  pela «fiction»; a verdade por qualquer ilusão.

Deste modo, não será que hoje, enquanto o mundo angustiado se ocupa de um hipotético aquecimento global, outro sinal, bem mais real e grave, pois concerne à sobrevivência da consciência do homem integral, como foi criado por Deus, não é nem mesmo tido em conta? Sim, permanece esquecido, visto que os homens hoje já seguem livremente suas próprias revelações científicas, ao ponto de decidir até o que deve ser o bem e o mal!

Eis a causa do grande descalabro religioso e civil do nosso tempo: a abusada reivindicação do exercício da «liberdade de consciência» até sobre a verdade concernente o seu mesmo ser!

Lembremos então o engano maléfico de tal «liberdade»: não se trata de liberdade universal de cada consciência para conhecer a verdade, mas daquela reivindicada por alguns intelectuais para impor a própria visão de uma utopia elaborada pelas suas mentes livres em vista do «bem geral» que pretende impor como obrigatório; são as ideologias nascidas de uma «liberdade» pessoal subjetiva, fundadas  sobre um poder dominante, diante da objetividade da verdade!

Em que base triunfaram as ideologias? Na base da ideia que, se o cristianismo não resolveu os problemas da vida no mundo, deve-se deduzir o sistema que, seguindo a evolução da vida moderna, vai ajustá-lo a uma nova consciência (a atualizar)! Eis a alternativa: determinar a nova verdade que se ajuste à modernidade, seguindo a ideia subjetiva deduzida pela consciência livre do detentor do poder!

E a primeira preocupação das ideologias no poder é a de submeter as consciências de todos às «novas verdades» deduzidas pelos novos mestres … em nome da nova «liberdade de consciência»!

Há que prestar atenção a estes «sinais dos tempos» modernos, não no modo como o entende o mundo ou como o queria entender João 23 para mudar a Igreja, mas como ensinado por Jesus Cristo na Revelação divina; são sinais sobrenaturais, essenciais para guiar as consciências através dos labirintos da vida. Estes sinais nunca faltaram. A Sagrada Escritura registra-os, em especial para os tempos do fim no seu último livro, o Apocalipse de São João.

Epilogando o que foi descrito: No plano da história moderna podem ser indicados três momentos cruciais da revolução dessa «liberdade da consciência» subjetiva que atingiu a vida espiritual:

– a Reforma protestante e depois anglicana;

– a Revolução liberal e iluminista, que seguiu;

– o «aggiornamento» do Vaticano 2, que completou ambas com a religiosidade ecumenista.

A primeira com a passagem da consciência da era medieval para a dos novos tempos com Erasmo e Lutero que seguiam a mesma ideia de verdade contida em toda consciência. Apresentavam-se como se divergissem em tudo, mas ambos usavam a mesma linguagem pautada pela subjetividade diante da verdade (teológica) que, segundo eles, os homens já possuem porque infundida por Deus.

 

A segunda, das «luzes» de uma nova consciência europeia. Foi vista na descrição da crise da civilização da Europa pelo historiador Paul Hazard. Ela afetou todo o mundo e caracterizou a história dos tempos modernos e suas revoluções de toda ordem,que culminaram naquela disfarçada do Vaticano 2; lance final da «consciência livre» de seus profetas modernistas abertos ao novo mundo!

A devastação modernista na sociedade e na Igreja

Eis a terceira abertura, na ordem acima citada, surgida com as últimas revoluções que pretendem ser evolução da mesma consciência coletiva. Esta terceira se manifesta, por incrível que pareça, seja na revolução comunistoide, seja na «conciliar», que se quer reveladora de uma «nova consciência da Igreja», não mais na objetividade do dogma, mas na subjetividade de uma livre opinião e sentimento. Sobre estes trabalha o inimigo do homem.

Este suscitou a abertura do poço do abismo, ao levar a declarar a liberdade total encabeçada pela “liberdade da consciência religiosa”, seguindo então o plano de atualização de aberturas revolucionárias. Note-se que o que acarretou os piores efeitos dessas aberturas não se apresentou como uma insuportável blasfêmia, nem como uma fatal heresia, mas como uma «leve» alteração de palavras. E o Papa Pio XI na encíclica «Non abbiamo bisogno» não hesitou em avaliar a troca do conceito de «liberdade das consciências» por «liberdade de consciência» como causa de um «parricídio». Sim, parricídio da autoridade, que redunda também em golpe contra a verdade a favor da opinião, do objetivo a favor do subjetivo, enfim, da Palavra de Deus relativizada nas ideias dos homens.

Seu último espalhafatoso produto é o atual Bergoglio. Basta ver como a Doutrina católica, que é matriz de uma consciência universal formada pela Verdade revelada, é interpretada de modo particular pela livre consciência desse clérigo desvairado. Ele guia-se pelas aberturas precedentes, protestante, iluminista e conciliar.

Ora, a segunda abertura foi  a de uma auto «iluminação»; das mentes, que passaram a deduzir subjetivamente a própria revelação da verdade, a antepor à Revelação objetiva, imutável e universal.

Esta tendência já se manifestava no filosofar europeu com toda sorte de erros e com o predomínio do idealismo kantiano. O problema é que a liberdade anteposta à verdade, passou a ser lei e método educativo com as revoluções modernas, passou a formar a mentalidade geral!

E assim chegamos ao tema que fez com que C. S. Lewis escrevesse sobre a catástrofe de uma educação que põe o sentir pessoal sobre o sentido objetivo das palavras e dos conceitos que estas exprimem. Isto redunda numa verdadeira abolição da mesma perceção humana diante da razão vital de conhecer: a alienação humana da verdade!

Aqui se viu que a silenciosa «revolução conciliar» tem afinidade com a devastadora revolução do comunismo porque em ambos os casos não se trata mais da consciência pessoal criada para ser elevada a Deus, mas de uma consciência coletiva concebida pela intelligentzia liberal ou socialista para a sociedade, ou modernista para a religião; se trata de um auto progresso do homem, por fim adulto e emancipado!

Hoje temos a contradição final: se foram as mentes mais doutas e adultas a conceber o sistema iluminado para o futuro humano, como é que agora não há mais a quem recorrer para obter Justiça e Paz? Basta a crescente desordem mundial para revelar a falência das revoluções iluministas emancipadas dos Princípios e da Fé!

Vivemos na sociedade descristianizada, do vazio da autoridade real.

A obra corrosiva que é o aggiornamento doutrinal do Vaticano 2, o concilium malignantium (cfr. Sl. 21), completa-se com venenos capilares em todos os campos. Almeja-se a humilhação final da Igreja católica com um mea culpa pela sua bimilenar história, confessado em seu mesmo nome, mas só para encobrir e justificar a perversidade geral.

Estava profetizada uma completa lapidação das testemunhas católicas. “Seus cadáveres ficarão na praça da grande cidade, chamada simbolicamente Sódoma e Egipto, onde também o Senhor deles foi crucificado” (Ap. 11, 8). A grande cidade é Roma, nova Jerusalém, mas a outra é a própria Jerusalém, onde morreu Jesus e onde se planejou bater no peito da Igreja, num ato de restituição do julgamento da Verdade aos Judeus; a perfídia da terceira alienação histórica; depois da original e da judaica, é a «cristã» dos tempos finais!

O outro nome dessa «alienação» é «apostasia», e apostasia ecumenista, pela qual toda fé pode ser verdadeira, porque subjetiva, Eis o maligno vento impetuoso que hoje, com a liberdade religiosa declarada pelo Vaticano 2, parece sem um sentido preciso. Mas de fato, tratar-se-ia de abandonar a mesma ideia de religião verdadeira, pois cada um mantém a sua, como sentimento subjetivo.

Justamente a ideia que penetrou e prevaleceu em Roma, a perfídia pela qual os atuais ocupantes da Igreja são os piores inimigos de todos os homens e especialmente dos israelitas, que não se queriam converter, e agora são justificados nessa negação.

Embora a missão objetiva dos consagrados em Jesus Cristo seja a de converter todo homem à Verdade que salva, hoje uma inteira classe clerical segue os próprios sentimentos subjetivos de verdade e de «bem» comum. E o fazem nas pegadas de seus «papas conciliares» que, na etapa final de cunho bergogliano, são totalmente dedicados à relativização religiosa ecumenista; toda crença se equivale no direito à liberdade de consciência!

O plano do inimigos dos homens completa-se na mesma Sede da Igreja de Deus! Um sinal apocalíptico terminal do fim dos tempos!

E pensar que tudo começou com o «leve abuso» de moldar o sentido das palavras segundo a própria escolha subjetiva! Desse modo o ser humano hoje acaba por perder o significado da própria inteligência, e assim da própria vida pessoal e social; o suicídio como a eutanásia passam a ser as portas de saída de um mundo pessoal sem sentido.

E se assim é para cada um, porque deveria ser diverso para a vida social, nacional e internacional? Não será essa mentalidade que está atrás dessa guerra sem precedentes que aponta no horizonte? Nada mais vale a pena preservar intacto porque a mesma consciência do homem parece abolida; o terrorismo global!

Eis que o mundo das luzes humanas vai certamente soçobrar para demonstrar o vazio e o niilismo intrínseco de que foi portador. Então voltará a vicejar no meio das ruínas a Fé que Jesus Cristo trouxe à Terra para salvação das almas através de suas consciências. Esta devemos conservar e propagar apesar – e ainda mais – no meio de tais trevas, porque ela nasce do Amor que dura para sempre.

 

Uma resposta para “SINAL DA BATALHA FINAL: A ABOLIÇÃO DA CONSCIÊNCIA

  1. Zoltan Batiz junho 17, 2016 às 4:42 pm

    Sim, como já tinha escrito num artigo antigo, eles querem também anular todo conceito de verdade objectiva (mesmo nas ciências da natureza) e até o sentido comum. Porque se existir verdade objectiva num ramo, pode existir no outro, e como eles não querem isto na religião, o conceito da verdade não é permissível em lado nenhum.

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