Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

BONDADE NATURAL E BONDADE SOBRENATURAL

 

 

Dom Mayer e a coroaDom Antônio de Castro Mayer (Campinas, 20 de junho de 1904 – 25 de abril de 1991)

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Sertum Laetitiae”, promulgada em 1 de Novembro de 1939:

«O Cristão que respeita a dignidade do seu Nome, nunca deixa de ser Apóstolo; o soldado de Cristo jamais há-de sair do combate, de cuja participação sòmente a morte o pode arrancar. Bem conheceis onde deve ser mais atenta a vossa vigilância, e que programa de acção traçar ao trabalho de sacerdotes e fiéis, para que a Religião de Cristo, removidos os óbices, senhoreie os espíritos, oriente os espíritos, e, Causa única de Salvação, penetre os refolhos íntimos e as próprias veias da sociedade civil. Muito embora o progresso dos bens exteriores e materiais, os confortos melhores e mais copiosos, que dele provêm para a vida, não se devam desprezar, não obstante, de modo algum são eles suficientes para o homem, nascido para coisas melhores e mais sublimes. Feito à Imagem e Semelhança de Deus, A DEUS ANELA POR INELUTÁVEL IMPULSO DA ALMA, SEMPRE TRISTE E INQUIETO, SE ESCOLHE COLOCAR SEU AMOR ONDE A SUMA VERDADE E O INFINITO BEM NÃO ESTÁ PRESENTE. DE DEUS AFASTAR-SE É MORRER, PARA DEUS CONVERTER-SE É VIVER, EM DEUS PERMANECER É ILUMINAR-SE. A DEUS, PORÉM, NÃO SE CHEGA ATRAVESSANDO ESPAÇOS CORPÓREOS, MAS SOB A DIRECÇÃO DE CRISTO, PELA PLENITUDE DE UMA FÉ SINCERA, INTEMERATA CONSCIÊNCIA, E VONTADE RECTA, PELA SANTIDADE DAS OBRAS E PELA OBTENÇÃO E USO DE UMA LIBERDADE GENUÍNA, CUJAS SAGRADAS NORMAS FORAM PROMULGADAS PELO EVANGELHO.

Se, ao contrário, se desprezam os Divinos Mandamentos, não só não se obtém a felicidade posta além do breve espaço assinado à existência terrena, MAS VACILA A PRÓPRIA BASE NA QUAL ASSENTA A VERDADEIRA CIVILIZAÇÃO DA HUMANIDADE; e só se devem esperar lastimáveis ruínas; É QUE OS CAMINHOS QUE LEVAM À VIDA ETERNA CONSTITUEM O SEGURO ALICERCE DAS REALIDADES TEMPORAIS.  

Como, de facto, podem ter garantias o bem público e o decoro da Civilização, se se subverte o Direito e se despreza e ridiculariza a virtude? Acaso não é Deus a Fonte e o sustentáculo do Direito? O inspirador e o prémio da Virtude?

Ele, a Quem nenhum legislador se assemelha? Em toda a parte – segundo a confissão de homens sérios – é esta a raiz amarga e fértil de males: O DESCONHECIMENTO DA DIVINA MAJESTADE; A NEGLIGÊNCIA DOS PRECEITOS MORAIS ORIUNDOS DO ALTO; UMA LAMENTÁVEL INCONSTÂNCIA QUE HESITA ENTRE O LÍCITO E O ILÍCITO, O BEM E O MAL. Daí o cego e imoderado amor próprio; a sede dos prazeres; o alcoolismo; as modas dispendiosas e impúdicas; a criminalidade, mesmo de menores; a ambição do poder; a negligência com relação aos pobres; a cupidez de riquezas iníquas; o abandono dos campos; a leviandade em contrair matrimónio; os divórcios;a desagregação das famílias; o resfriamento do mútuo afecto entre pais e filhos; a desnatalidade; a degenerescência da raça; o enlanguescimento do respeito para com as autoridades; o servilismo; a revolta; a negligência dos deveres para com a Pátria e para com o Género Humano.»  

   

Uma das mais revoltantes, e ANIQUILANTES, declarações de Bergoglio refere-se a uma suposta indiferença do factor religioso, em particular da crença em Deus, na classificação moral de um homem. Cumpre, prioritàriamente, assinalar que o homem moderno possui uma conceituação e uma semântica totalmente subvertida, ou seja: O homem moderno, antes de tudo o mais, NÃO TEM CONCEITO ALGUM DO DEUS VERDADEIRO. Enquanto que os atenienses do tempo de São Paulo tinham consciência de que desconheciam algo de fundamental, os homens de hoje – exauridas que foram todas as suas potencialidades Sobrenaturais – julgam possuir tudo; e a tal ponto, que identificam o conceito de Deus, ou com o Universo em geral; ou com a humanidade em evolução vital, científica e cultural; ou com qualquer forma de vida extra-terrestre. Em particular, quando Bergoglio fala de Deus, não é de Deus que fala, mas de “deus” ou seja, uma vaga síntese subjectivista e imanente do que possam ser as melhores disposições morais e culturais de uma humanidade em evolução, como já foi referido – PORQUE BERGOGLIO NÃO POSSUI CONCEITO ALGUM DO DEUS DE ABRAÃO, ISAAC E JACOB, DA SANTÍSSIMA E INDIVISÍVEL TRINDADE; POR ISSO DIZ QUE NÃO HÁ UM “deus” CATÓLICO.

Na realidade, a crença nesse “deus” não torna o homem melhor – TORNA-O PIOR! Na exacta medida em que o homem se faz “deus” de si próprio, salvo raríssimas excepções, tal acaba por transformá-lo numa peste de homem, até mesmo num criminoso de delito comum, mau cidadão, mau filho, mau marido e mau pai. Estou falando de varões, porque é no varão que as consequências do pecado original se repercutem com mais virulência, pessoal, familiar e social. Não olvidemos que o próprio pecado original se transmite pelo sémen de Adão, isto é, por via masculina, e não feminina.

Entre o “deus” ocidental, que é o próprio homem, e o “deus” oriental muçulmano, que é o próprio demónio, o que se poderá afirmar? Não olvidar que o Islão não possui quaisquer princípios cognitivos dignos desse nome; o Islão, hoje como ontem, CONSTITUI FUNDAMENTALMENTE UMA ESTRUTURA DE PODER E DE RIQUEZA. Deve-se contudo reconhecer, que certas elites islâmicas, as mais cultas e mais honestas, embora prestem culto ao demónio, porque os falsos deuses são demónios, são, contudo, orientadas num sentido objectivista já extinto no Ocidente.

Regressando a Bergoglio, o facto deste energúmeno, deste macaqueador das coisas Divinas, PENSAR QUE A RELIGIÃO NÃO FAZ DIFERENÇA À QUALIFICAÇÃO MORAL DE UM HOMEM, TAL SIGNIFICA QUE: RELIGIÃO = 0. Efectivamente, não é necessário ser muito inteligente para deduzir que se um factor é completamente irrelevante, que tanto pode existir como não, então não é nada, não representa nada, não serve para nada. Mais uma prova, se acaso ainda fosse necessária, daquilo que vamos repetindo desde 1981: A SEITA CONCILIAR, SEUS FALSOS BISPOS E SEUS FALSOS PAPAS, UTILIZAM AS REFERÊNCIAS CULTURAIS CRISTÃS, EXACTAMENTE COMO LUÍS DE CAMÕES UTILIZOU NOS “LUSÍADAS” A MITOLOGIA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA – UM SIMPLES ORNAMENTO.

Muito pelo contrário, a Santa Madre Igreja sempre ensinou que constitui um verdadeiro crime, e uma terrível apostasia, separar, ou pretender separar, o Dogma da Moral; neste particular, o próprio Garrigou-Lagrange sempre condenou a tendência verificada desde o Sagrado Concílio de Trento, de publicar, isoladamente, livros de Teologia Dogmática e livros de Teologia Moral. Uma vez abatido o Dogma, toda a moral cai irrefragàvelmente; no espantoso naufrágio a que estamos assitindo com a pederastia carcomendo as entranhas, corrompidas e ateias, da seita conciliar. Por outro lado, a Santa Igreja sempre ensinou que nem todas as acções do pagão ou do herege são pecados, pois podem possuir uma bondade natural, mas que uma tal bondade se proporciona como puramente MATERIAL face à BONDADE FORMAL DAS OBRAS SOBRENATURAIS, AS ÚNICAS QUE SE ORDENAM À SALVAÇÃO ETERNA.

Porque nós fomos criados por Deus Nosso Senhor, não numa Ordem Natural, mas numa Ordem Sobrenatural, a qual é estritamente gratuita da parte de Deus, e integralmente obrigatória da parte do Homem. A Bondade natural não glorifica formalmente a Deus; não confere às virtudes aquela unidade, aquela sublimação, aquela verdade de Deus, que só se encontram na Bondade Sobrenatural, pois só esta participa, acidental, mas realmente, na bondade de Deus. A bondade natural não é semente e penhor da felicidade de estar com Deus, de viver com Deus e para Deus; quando muito facultará a felicidade muito imperfeita que os filósfos gregos conheceram, nomeadamente os aristotélicos e os estóicos. A bondade natural não evita muitas quedas no abismo, e muitas incoerências, que sòmente a vida da Graça pode sarar.

Poderá um ateu possuir bondade natural? Pode, sem dúvida, mas muito raramente e entrecortada de muitas misérias.

Neste quadro conceptual, sustentar que a religião, neste caso a Fé Católica, não significa, nem pesa nada, para aquilatar o valor moral de uma pessoa; É ALGO TÃO BÁRBARO, TÃO ABSURDO, QUE NEM MESMO GIORDANO BRUNO PODERIA PROFERIR TAL BLASFÉMIA.

Bergoglio anda, positivamente, a gozar com o pessoal, e já nem disfarça. Todavia, tal pode ser providencial, não apenas para denunciar os falsos tradicionalistas agentes da maçonaria, mas ainda para acordar definitivamente os tradicionalistas, de boa fé, mas sonolentos, que ainda nutrem receio de “pecar contra o papa”. Em última análise e quase paradoxalmente, um usurpador abertamente apóstata, pode ser menos perigoso do que um usurpador envolvido em aparências cristãs. Não esqueçamos que satanás, sempre que se apresenta como é, conquista menos adeptos, e são muitos os que dele se afastam, repugnados.

A técnica do Vaticano 2 foi sempre a de disfarçar o veneno com um excipiente de chocolate de aparência cristã. Exactamente por isso, e neste centenário de Fátima, as monstruosidades de Bergoglio podem bem detonar um contra ataque fulminante, de todos aqueles que sentirão, finalmente, o sagrado ónus da responsabilidade.  

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Junho de 2016
Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves CabraL        

4 Respostas para “BONDADE NATURAL E BONDADE SOBRENATURAL

  1. henrique junho 19, 2016 às 2:26 pm

    O receio de “pecar contra o papa”!

    Todo católico entende que a obediência à autoridade é um fundamento de sua Religião. O católico, fora da autoridade, é como um peixe fora d’água. Não existe católico anarquista. Rebeldia à autoridade é coisa de protestante. Daí que muitos católicos, mesmo cultos, têm este receio: não querem “julgar o Papa”, “pecar contra o Papa”. Afinal de contas, o sujeito lá ocupa a Santa Sé, sucedeu nela aos papas desde Pedro, está vestido de Papa, todos o reconhecem como Papa. Toda essa imagem, esses símbolos, essas manifestações exteriores da autoridade papal, exercem uma força muito grande no católico. Então ele conclui: “ainda que ensine erros, devo obedecê-lo, porque é o Papa!”

    Mas fica a seguinte questão: que deus sádico é esse, que brinca com seus filhos, exigindo deles a obediência a uma autoridade que os incita a pecar, sob pena de rebelar-se contra a autoridade? Está o homem condenado a pecar, faça o que fizer? Pode isso vir do Deus verdadeiro, justo e misericordioso?

    • Alberto Cabral junho 21, 2016 às 10:46 am

      No dia 3 de Maio o Promariana publicou o artigo “A impossibilidade de contradição na operação moral”, o qual pode lançar alguma luz sobre a questão que coloca.
      Muito obrigado
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

  2. Roberto junho 20, 2016 às 2:35 pm

    O tradicionalismo nada mais é que uma Igreja governada por um papa herege.
    Ora, isso é impossível, digo, existir um papa que seja herege, pela simples razão de que um herege não pode ser papa e um papa não pode cair em heresia.
    Entretanto, a existência do tradicionalismo é baseada nessa impossibilidade. Para um ignorante do Novus Ordo, é até compreensível que em certa medida ele seja enganado, culpável sim, mas não em estado mortal de pecado. Já para o católico dito tradicionalista, esse tradicionalismo que sabe que seu sumo pontífice é um herege, passa então, a desobedecer a esse suposto vigário de Cristo, caindo em cisma e heresia. Uma conclusão lógica que poderíamos chegar é a de que o tradicionalismo seja uma heresia.
    Isso na mente do tradicionalista sincero, digamos, um tradicionalista temporário, passageiro, passa então a gerar uma espécie de dissonância cognitiva. Ele, com orações e graças recebidas, sempre procurando manter seu estado de graça, pode, por exemplo,através de uma melhor compreensão da doutrina do papado, chegar enfim à conclusão correta.

    • Pro Roma Mariana junho 20, 2016 às 3:32 pm

      “Isso na mente do tradicionalista sincero, digamos, um tradicionalista temporário, passageiro, passa então a gerar uma espécie de dissonância cognitiva.”
      Boa definição do que é também e antes um grave problema de consciência.
      Nesse sentido devemos publicar em seguida a Carta de um Padre nestas condições

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