Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A REPARAÇÃO QUE DEVEMOS AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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 Arai Daniele

Admirável a forma como os Papas falam dos dogmas e neste caso do Sinal divino que nos foi dado, do Sacratíssimo Coração de Jesus. Textos que são compêndios atualizados de nossa santa Religião, além do que representam para a norma de vida pessoal e social.

Por exemplo, São Pio X que fala do dogma da Imaculada Conceição de Maria, na época crucial que vivemos…: «Não há mais verdade, nem compaixão, nem conhecimento de Deus na terra; a blasfêmia, a falsidade, o homicídio, o furto, o adultério triunfam».

“No meio deste dilúvio de males, nos aparece diante dos olhos a Virgem clemente, como árbitra de paz entre Deus e os homens – Colocarei o meu arco-íris nas nuvens e será o sinal do pacto entre Mim e a terra. Desabe a tempestade e se obscureça o céu: ninguém desespere. À vista de Maria, Deus se aplacará e perdoará. […] Creiam os povos e confessem abertamente que Maria Virgem, desde o primeiro instante da sua concepção, foi isenta de toda mancha; com isto mesmo será necessário admitir também o pecado original, e a redenção dos homens por obra de Cristo, o Evangelho, a Igreja, e até a mesma lei da dor: assim, quanto semeou o «racionalismo» e o «materialismo» será arrancado e destruído, e permanecerá para a doutrina cristã o mérito de guardar e defender a verdade…” (Enc. Ad diem illum laetissimum, 2/2/1904). 

Tudo isto tem um sentido «teândrico», revelado por Deus aos homens, enquanto a «fé conciliar» é idéia humana sobre Deus, como se lê por exemplo na obra de João Paulo 2 ou de Joseph Ratzinger, cujo «sobrenatural» não existe senão na medida do homem. Trata-se de elucubrações iluministas e evolucionistas, que excluem toda manifestação divina identificadas com a Fé no amor do Sacratíssimo Coração, lembrado por Pio XI:

“O Sacratíssimo Coração de Jesus com a cruz sobreposta resplandecendo entre chamas de esplêndido candor. Nele devemos colocar toda esperança; a Ele há que pedir e Dele se deve esperar a salvação. Tudo isto, veneráveis irmãos, não está talvez contido neste muito fausto sinal e pela forma que o emana, toda a essência da religião e especialmente a norma de uma vida mais perfeita, naquela que mais eficazmente conduz as mentes a conhecer intimamente a Jesus Cristo, e induz os corações a amá-lo mais ardentemente, e a imitá-lo mais generosamente?

Quando se pensa que esta Encíclica surgiu entre duas manifestações de Jesus à Irmã Lúcia de Fátima, isto é do Menino Rei em Pontevedra no dia 10 de dezembro de 1925, e na Teofania Trinitária em Tuy no 13 de junho de 1929, se entende quanto o Segredo de Fátima se dirigia a Pio XI. Basta pensar que no 11 de dezembro de 1925, dia seguinte da manifestação de Jesus como Menino Rei, foi publicada a Quas primas, a Encíclica que instituía a festa de Cristo Rei. Que enorme perda para a Igreja que os Papas não tenham ligado os sinais divinos – dos Sagrados Corações – para sanar nosso tempo de apostasia.

Estes sinais foram dados justamente para… guardar e defender a verdade… para a permanência da doutrina cristã… para que… quanto semeou o «racionalismo» e o «materialismo», até dentro da Igreja seja… arrancado e destruído, a favor do amor pela Verdade que permanecerá na forma dos amantíssimos Corações de Jesus e de Maria.

Entre a Fé dos Sagrados Corações e a doutrina ecumenista do Vaticano 2 há um abismo. De fato esta última se afasta “de modo impressionante” da Teologia católica perene, não menos que o Novus Ordo de Paulo 6 do santo Sacrifício da Missa da Teologia católica repetida no Concílio de Trento, citado nesta Encíclica, lembrando o espírito de sacrifício que foi impresso por Deus na alma dos homens para salvá-los nesta e na outra vida.

Segue a continuação da Encíclica sobre o Sacratíssimo Coração de Jesus.

Carta Encíclica Miserentissimus Redemptor do Sumo Pontífice  Pio XI (8.5.1928)

“Embora a copiosa redenção de Cristo, “tenha perdoado nossos pecados” (Cl II, 13)  abundantemente, todavia, devido àquela admirável disposição da divina Sabedoria, pela qual há que completar-se em nossa corpo o que falta à paixão de Cristo em Seu corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24), podemos, aliás, devemos acrescentar as orações e satisfações “que Cristo ofereceu a Deus em nome dos pecadores”, também as nossas orações e satisfações. Mas convêm sempre lembrar que todo o valor da expiação depende unicamente do cruento sacrifício de Cristo, o qual se renova, sem interrupção em nossos altares de modo incruento; porque, “uma mesma é a Vítima, um mesmo é agora quem A oferece mediante o ministério dos sacerdotes, o mesmo de Quem se ofereceu na cruz; somente é diferente o modo de oferecer a hóstia” (Conc. Trid., sess. XXII, c. 2). Por este motivo, ao augusto sacrifício Eucarístico deve unir-se a imolação dos ministros e dos fieis para que também se ofereçam como “Hóstias vivas, santas e agradáveis a Deus” (Rm 12, 1). Assim não duvida São Cipriano afirmar “que o sacrifício do Senhor não se cumpre com a satisfação devida se a nossa oblação e o nosso sacrifício não corresponder à Paixão” (Ep. 63, n. 381). Por isto nos admoesta o Apóstolo “trazendo em nosso corpo a mortificação de Jesus” (II Cr 4, 10), e sepultados e plantados com Cristo, à semelhança de sua morte, não só crucificamos a nossa carne com seus vícios e paixões (Cf. Rm 6, 4-5), “fugindo do que no mundo é corrupção e concupisciência” (Cf. Gl 5, 24), senão que “em nossos corpos se manifeste à vida de Jesus” (II Pt 1, 4), e feitos partícipes de seu sacerdócio eterno possamos oferecer “dons e sacrifício pelos pecados” (II Cr  4, 10). Não somente são os que participam deste sacerdócio e do ofício de oferecer satisfações e sacrifícios aqueles de quem o Pontífice Nosso Senhor Jesus Cristo se serve como ministros para oferecer a Deus uma oblação imaculada em todo lugar desde o oriente até o ocidente” (Mal 1, 11), senão toda a multidão dos cristãos, chamada com razão pelo Príncipe dos Apóstolos “Raça eleita, sacerdócio régio” (I Pt 2, 9), deve oferecer sacrifício pelos pecados por si e por todo o gênero humano, quase da mesma maneira que todo sacerdote e pontífice “tomado entre os homens e a favor dos homens em tudo o que diz respeito a Deus” (Cf. Hbr 5, 1).

Quando nesta oblação e sacrifício tiverem mais perfeitamente correspondido ao sacrifício do Senhor, ou seja tivermos imolado nosso amor próprio e nossas paixões e crucificado a nossa carne com aquela crucificação mística de que fala o Apóstolo, tantos e mais abundantes frutos de propiciação e de expiação recolheremos para nós e para os outros. De fato, um admirável vínculo estreita os fieis com Cristo, como o que há entre a cabeça e os demais membros do corpo, e assim como a misteriosa comunhão dos Santos que pela fé católica professamos, pela qual os indivíduos e os povos não só se unem entre si, mas também com o mesmo Jesus “Cristo, que é a cabeça da qual todo corpo é composto e ligado mediante a coesão de todas as suas junturas e segundo a operação própria de cada membro recebe força para crescer de modo a edificar-se na caridade” (Ef  4, 15-16). Este foi o pedido que o mesmo Jesus Cristo, mediador entre Deus e os homens, próximo à morte fez ao Pai: “Eu neles e Tu em mim, para que sejam consumados na unidade” (Jo 17, 23).

Assim, pois, do mesmo modo como a consagração professa e confirma a união com Cristo, assim a expiação, purificando das culpas, dá início à mesma união, e com a participação nos padecimentos de Cristo a aperfeiçoa, e com a oblação dos sacrifícios a favor dos irmãos a leva ao último cumprimento. Tal foi, certamente o desígnio da misericórdia de Jesus quando quis revelar seu Coração com os emblemas da sua paixão, aceso pelas chamas do amor, a fim de que nós, meditando, de um lado a malícia infinita do pecado e do outro admirando a infinita caridade do Redentor, detestássemos mais vivamente o pecado e mais ardentemente correspondêssemos ao Amor.

Em verdade o espírito de expiação e reparação teve sempre a primeira e principal parte no culto com que se honra o Sacratíssimo Coração de Jesus; nenhum é mais conforme à origem, natureza e eficácia, às virtudes próprias dessa devoção particular, como a historia e a prática confirmam, pela sagrada liturgia e pelos atos dos Sumos Pontífices. Quando Jesus Cristo se manifestou a Margarida Maria, ao mesmo tempo que insistia sobre a imensidade de Seu amor, se lamentou com expressão doída, de tantos graves ultrajes que recebe pela ingratidão dos homens com as palavras que haveriam de estar sempre gravadas no coração das almas boas de modo incancelável nas sua memórias: “Eis aqui o Coração que tanto tem amado os homens, e os cumula de tantos benefícios, mas em troca de seu infinito amor, ao invés de encontrar gratidão, não encontra senão esquecimento, indiferença, ultraje, e tudo isto causado por vezes também da parte de almas que Lhe estão obrigadas pelo mais íntimo débito especial de amor».

Justamente em reparação destas culpas Ele, entre muitas outras recomendações, fez estas especialmente caras a Si: que os fiéis com tal ânimo de reparação comunguem, é o que chamamos de «Comunhão Reparadora», e durante uma hora inteira pratiquem atos e preces de reparação, que propriamente se chama «Hora Santa»; devoções estas que a Igreja não só aprovou, mas enriqueceu com copiosos favores espirituais.

Mas como se poderá dizer que Cristo reina ditosamente no Céu se pode ser consolado por estes atos de reparação? Respondemos com as palavras de Santo Agostinho, que explicam bem a questão; “Da-me um coração que ame e compreenderás o que digo” (In Ioannis evangelium, tract. 26, 4).

Toda alma verdadeiramente inflamada no amor de Deus, se considera o passado, vê e contempla Jesus Cristo sofrendo angustiado pelo homem, no meio das penas mais graves “por nós homens operando e pela nossa salvação”, quase esmagado pela tristeza e opróbrios dos “nossos delitos” (Is. 53, 5), e curando-nos com suas chagas. Quanto mais profundamente as almas piedosos meditam esses mistérios, porque os pecados e os crimes dos homens em qualquer tempo cometidos, foram a causa pela qual o Filho de Deus se entregou à morte: e ainda hoje causaria a Sua morte, com as mesmas dores e tristezas, pois de novo cada pecado se sabe que renova a seu modo a paixão do Senhor: “Novamente crucificam o Filho de Deus e o expõe a vilipêndios” (Hbr 6, 6). Também por causa dos nossos pecados futuros, mas previstos, a alma de Cristo esteve triste até a morte, mas se pode crer que algum conforto possa ter, já então, provado pela nossa futura reparação, quando “o Anjo do céu Lhe apareceu” (Lc 22, 43) para consolar o seu Coração oprimido pela tristeza e pelas angústias.

Assim, mesmo agora podemos e devemos consolar de modo admirado mas veraz aquele Coração Sacratíssimo, continuamente ferido pelos pecados dos homens ingratos, porque – como se lê também na Sagrada Liturgia – o mesmo Cristo se queixa de ser abandonado pelos seus amigos, dizendo pela boca do Salmista: “Opróbrio despedaçou meu coração e esmoreci, esperei que alguém se condoesse de mim; mas não houve ninguém; busquei quem me consolasse e não encontrei” (Ps 68, 21).

Acrescente-se que a paixão reparadora de Cristo se renova e de certo modo continua no seu Corpo místico, que é a Igreja. Servimo-nos de novo das palavras de S. Agostinho (In Ps 86): “Cristo sofreu tudo o que deveria sofrer; nada falta à medida de sua Paixão. Logo os sofrimentos foram completos, mas no Chefe;  ainda faltavam os sofrimentos de Cristo a cumprir no corpo”. Nosso Senhor mesmo declarou isto quanto a Saulo, ainda “inspirador de ameaças e massacres contra os discípulos” (At 9,1), lhe disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9, 5); significando claramente que as perseguições contra a Igreja vão gravemente ferir a mesma sua Cabeça divina. Portanto, com razão, Jesus Cristo que ainda sofre no seu Corpo místico, quer nos ter como participantes da sua expiação; assim requer também a nossa união com ele sendo nós “o corpo de Cristo como membros unidos” (I Cr 12, 27), necessário é que o que sofre a cabeça sofre isto com ela os  membros (Cf. I Cr 12, 26).

Quanto seja urgente, especialmente neste nosso tempo, a necessidade da expiação ou reparação, não pode ignorar quem com os olhos e a mente, como dissemos, considere este mundo “todo submetido ao poder do mal” ( I Jo 5, 19). De fato, de todo lado nos chegam o brado dos povos, cujos reis ou governantes em verdade se sublevaram e juntos conspiraram contra o Senhor e sua Igreja (Cf. Ps 2, 2). Nessas nações nós vemos aviltados os direitos  divinos e humanos; destruídos os templos desde suas bases, os religiosos e as freiras expulsos de suas casas, presos, submetidos à fome, magoados com infames sevícias; multidões de crianças arrancadas do colo da Mãe Igreja e induzidos a renegar e blasfemar Jesus Cristo, e encaminhados aos piores delitos da luxúria; todo o povo cristão ameaçado, oprimido e em contínuo perigo de apostasia da Fé, ou de morte atroz. Fatos tão penosos parecem, com tais desgraças já anunciadas, antecipar “o início das dores” que manifestará “o homem iníquo que se levanta contra tudo o que se chama  Deus, ou que é adorado” ( II Ts 2, 4).

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