Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A EXPLORAÇÃO DA FÉ CATÓLICA PELOS INTERESSES POLÍTICO-SOCIAIS

Rajoy

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Non Abbiamo Bisogno”, promulgada em 29 de Junho de 1931:

«O clero, o Episcopado, e a Santa Sé, não deixam de apreciar a importância do que nos últimos anos se tem feito em prol da Religião, e frequentemente manifestaram um vivo e sincero reconhecimento. Mas como nós, também o Episcopado, o clero e todos os verdadeiros fiéis, e mesmo os cidadãos amantes da Ordem e da Paz, encheram-se de tristeza e preocupação perante os atentados sistemàticamente iniciados, demasiado rápidos,  contra as mais sadias e preciosas liberdades DA RELIGIÃO E DAS CONSCIÊNCIAS, quer dizer: Todos os atentados contra a religião católica, contra as diferentes associações, sobretudo as juvenis, atentados que culminaram com as medidas policiais tomadas contra elas da maneira indicada; atentados e medidas que fazem sèriamente DUVIDAR se as primeiras atitudes benévolas e benfazejas provinham de um sincero amor e zelo verdadeiro para com a Religião. Caso se queira falar em ingratidão, A INGRATIDÃO FOI E CONTINUA A SER CONTRA A SANTA SÉ, OBRA DE UM PARTIDO E DE UM REGIME, QUE NA OPINIÃO DE TODO O MUNDO, DE SUAS RELAÇÕES AMISTOSAS COM A SANTA SÉ, AUFERIU, NO PAÍS E NO ESTRANGEIRO, AUMENTO DE PRESTÍGIO E CRÉDITO, QUE A MUITOS, DENTRO E FORA DE ITÁLIA, PARECEU EXCESSIVO, ASSIM COMO DEMASIADO O FAVOR E A CONFIANÇA DA NOSSA PARTE. (…)

O manifesto traça de novo o paralelo já tantas vezes estabelecido, entre a Itália e os demais países onde a Igreja é realmente perseguida, e CONTRA OS QUAIS NÃO SE OUVIRAM PALAVRAS, TAIS QUAIS SE PROFERIRAM CONTRA A ITÁLIA, ONDE A RELIGIÃO FOI RESTABELECIDA. Já dissemos que somos, e seremos eternamente agradecidos pelo que a Itália tem feito em prol da Religião; EMBORA SEJA VERDADE QUE O BENEFÍCIO NÃO TEM SIDO MENOR PARA ELA QUANTO MAIOR O FOI PARA O PARTIDO E PARA O REGIME.  Dissemos e repetimos que não é necessário (com frequência seria muito nocivo aos fins propostos) fazer saber a todo o mundo o que nós e a Santa Sé, por meio de nossos representantes e de nossos irmãos no Episcopado, na medida em que julgamos oportuno, manifestamos àqueles países em que a Religião é deveras perseguida.

COM INDIZÍVEL PESAR, VEMOS, PORÉM, DESENCADEAR-SE EM NOSSA ITÁLIA E NA NOSSA ROMA, UMA PERSEGUIÇÃO VERDADEIRA E REAL CONTRA O QUE A SANTA IGREJA E SEU CHEFE TÊM DE MAIS PRECIOSO E DE MAIS CARO, QUANTO À SUA LIBERDADE E AOS SEUS DIREITOS, QUAIS SÃO OS DAS ALMAS, E MUITO PARTICULARMENTE DAS ALMAS DOS JOVENS, QUE O CRIADOR E REDENTOR DIVINO CONFIOU À IGREJA DE MODO TODO PARTICULAR.»

 

A mais grave consequência do pecado original, pois de alguma maneira sintetiza todas as outras, consubstancia-se na alienação completa da vida interior em prol de exterioridades, as quais cobrem todo o leque da vida, desde o plano individual, passando pelo plano familiar e social, e possuindo a sua como que apoteose na esfera política.

Quem escreve estas linhas foi, desde a adolescência, dolorosamente marcado pelo culto social das puras aparências, utilizadas como estruturas propulsoras de ascensão na sociedade, e sempre marcadamente orientadas no sentido único de poder e da riqueza. Sempre me causou a maior repulsa as “missas de sétimo dia” ou os “baptizados finos”, sobretudo na burguesia urbana, cerimónias caracterizadamente vazias de qualquer sombra, mesmo a mais remota, de conteúdo religioso, e sòmente oneradas do mais vincado e ostensivo interesse social. Nem os fariseus do Evangelho, tão àsperamente condenados por Nosso Senhor Jesus Cristo, logravam, quiça, produzir uma tão asquerosa exploração da Fé para avantajar benefícios puramente terrenos.

A utilização da Religião para fins a ela inteiramente estranhos, embora possam ser legítimos em si mesmos, surge como uma realidade presente em todas as épocas e todas as latitudes; É UMA REALIDADE CONSTITUTIVA DO MIMETISMO NOMINALISTA.

Por volta de 1970, os jornais portugueses noticiaram que uma aldeia portuguesa se havia tornado protestante. E na realidade provou-se que o Pároco tinha sido substituído por um pastor. Evidentemente que a proverbial falta de cultura dos jornalistas portugueses impedia ulterior aprofundamento; mas afinal o que é que na verdade ocorrera? A referida aldeia apenas se havia MIMETIZADO com outra representação nominalista. Não havia deixado de ser católica, porque verdadeiramente, substancialmente, nunca o fora, a não ser de nome e Baptismo; também se não tornou protestante, verdadeira e formalmente, até porque nem conhecia o significado do termo; pura e simplesmente alterara a representação dominante e consequente processo de mimetização nominal.

Quando se fala em povos católicos, mesmo antes da revolução de 1789, é necessário proceder a um enquadramento que tenha em conta que a grande massa obedece apenas à referida representação dominante, de uma maneira automática, mecânica, mimético – nominal. Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo, toda a Sagrada Escritura e o Magistério da Santa Madre Igreja sempre  solenemente ensinaram que essa exterioridade não é suficiente, pois que até é amaldiçoada por Deus; que é necessária uma CONVERSÃO INTERIOR, ESPIRITUAL, FUNDAMENTADA NA GRAÇA SANTIFICANTE, NAS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS E NOS DONS DO ESPÍRITO SANTO; O SANTO BAPTISMO, SALVO O CASO DE GRAVE DOENÇA MENTAL, TEM QUE SER RATIFICADO FORMALMENTE PELAS FACULDADES DA ALMA, SOCORRIDA PELA GRAÇA DE DEUS.

Sabemos, infelizmente, que quando D. Manuel I (1495-1521) expulsou os judeus, concomitantenmente,PREMEDITADAMENTE, MALDOSAMENTE, dificultou o mais possível a sua saída do Reino; e preparou cerimónias monstruosas de baptismo forçado para os mesmos judeus; o que demonstra perfeitamente como o rei concebia a Religião em termos exclusivos de meio de coesão político-social. O BAPTISMO FORÇADO É INVÁLIDO E DEMONÍACO, PORQUE NINGUÉM PODE CRER SENÃO QUERENDO. Simplesmente, o rei, que PARA NADA QUERIA SABER DA FÉ CATÓLICA, operava segundo conceitos de mimetismo nominalista OS QUAIS PRODUZEM SEMPRE RESULTADOS POLÍTICOS MUITO EFICAZES, EXACTAMENTE PORQUE MANIPULAM AS MULTIDÕES COMO SE FOSSEM AUTÓMATOS. Por aqui se vê como é rotundamente falsa a opinião de que era a pureza da Fé que dirigia os negócios do Reino; não era, até porque D. Manuel só queria os Judeus por causa dos seus capitais, bem como por causa dos seus conhecimentos técnicos. Quanto ao populacho, também não era verdadeiramente católico, mas supersticioso e fanático, pois também colaborou  no arrastar dos judeus a pias baptismais improvisadas.

Podemos também citar as dragonadas do ímpio, até mesmo ateu, rei Luis XIV (1638-1715), pelas quais se esperava, mediante a visita de “missionários fardados”, a “conversão” dos protestantes. Não era a conversão em sentido religioso que interessava ao desgraçado rei, MAS SIM UMA SUBMISSÃO À REPRESENTAÇÃO MIMÉTICO-NOMINAl CATÓLICA, POIS TAL APROVEITAVA SOBREMANEIRA AO PODER POLÍTICO ABSOLUTO QUE O REI ALMEJAVA. Registe-se que a Santa Madre Igreja condenou sempre as teorias políticas da monarquia absoluta. NEM MESMO O ROMANO PONTÍFICE POSSUI PODER ABSOLUTO; PODER SUPREMO SIM, MAS NÃO ABSOLUTO. ABSOLUTO, SÓ DEUS NOSSO SENHOR.

Acrescentemos, que a origem medieval da Santa Inquisição radica-se na iniciativa dos soberanos em reprimir os hereges POR MOTIVOS EXCLUSIVAMENTE POLÍTICOS, com o inevitável cortejo de injustiças; a intervenção da Santa Madre Igreja processou-se sempre no sentido de remediar essas injustiças, proclamando a Verdade Católica.

No trecho da encíclica, acima transcrito o Papa Pio XI lamenta verificar que os Acordos de Latrão (1929) haviam sido concretizados, pela parte do Estado, sem qualquer espírito religioso, fundamentalmente com objectivos políticos, quer internos, quer externos. Efectivamente, assim foi: O Fascismo Histórico constituía uma dissidência irracionalista do socialismo, uma canalização medíocre e pagã da energia de móbil acumulada durante a I guerra mundial pelas massas profundamente descristianizadas. No entanto, o Papa Pio XI agiu muito bem em aproveitar as disposições do Estado Italiano para assim reconstituir a sua Soberania Internacional; sem ela os padecimentos civis da II grande guerra, INCLUINDO OS DOS JUDEUS, teriam sido bem maiores.

Na Espanha de Franco, processou-se a tentativa mais séria – depois da do Presidente Garcia Moreno (1821-1875), no Equador – para restaurar instituições cristãs que a História moderna regista. Fracassou, todavia, em virtude da grande descristianização das massas e das elites, e porque também houve forças anti-católicas a tentarem explorar a missão Sagrada da Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo, nomeadamente a facção falangista, tributária do nazismo, e que constituiu a razão pela qual o Papa Pio XI nunca gostou do Generalíssimo Franco; aliás, o regime ressentiu-se sempre, acentuadamente, dessa componente pagã; consequentemente, as suas instituições acabaram por degenerar em formas vazias de conteúdo Sobrenatural, e dissolveram-se, sem deixar vestígios, em apenas dezoito meses, logo após a morte do Caudilho, em 20 de Novembro de 1975.

Em Portugal, ao contrário de Espanha, jamais houve qualquer tentativa, séria e honesta, de restaurar instituições cristãs. O Regime do Estado Novo (1926-1974) jamais se confessou, ou agiu, como católico, bem pelo contrário. O Presidente do Conselho António de Oliveira Salazar (1889-1970), quando foi nomeado para esse cargo (1932), comunicou ao Cardeal Patriarca de Lisboa, seu velho amigo pessoal, que a partir desse momento os destinos de ambos se separavam completamente e que os interesses da Igreja só contariam para ele, Salazar, enquanto não colidissem com os interesses do Estado e que este era independente e soberano. E cumpriu o prometido, utilizando diuturnamente a Santa Igreja como MERO INSTRUMENTO DE COESÃO POLÍTICO-SOCIAL, E NUNCA A CONSIDERANDO NA SUA QUALIDADE INTRÍNSECA SOBRENATURAL.

Oliveira Salazar comportou-se sempre como um ateu, digno sucessor dos políticos da primeira República. Foi até ao ponto de recusar, obstinadamente, a inserção do Santo Nome de Deus na Constituição, e a depreciar, com espírito e prática verdadeiramente laicista, a Consagração do Monumento a Cristo Rei, em 1959, e de forma tão ostensiva, que o Presidente da República Almirante Américo Tomás, tentou o mais possível suavizar os ímpetos laicistas do Presidente do Conselho, EMBORA ESTIVESSE IMPEDIDO DE VINCULAR OFICIALMENTE O ESTADO PORTUGUÊS À REFERIDA CONSAGRAÇÃO. E não se afirme, fraudulentamente, que Salazar condenava assim a política progressista dos Bispos Portugueses; PORQUE EM 1959 O EPISCOPADO PORTUGUÊS, COM UMA OU OUTRA EXCEPÇÃO, AINDA NÃO ERA PROGRESSISTA, DEMONSTRANDO ALIÁS GRANDE PACIÊNCIA PARA COM O LAICISMO DE SALAZAR.

E se é certo que foi Salazar que, com a sua inteligência e vigor de personalidade, salvou Portugal e até a Espanha de se envolverem na II guerra mundial, ele deveria ter sido o primeiro a render Graças a Deus Nosso Senhor e a Nossa Senhora De Fátima, Rainha de Portugal, pelo facto de Portugal ter permanecido à margem do grande conflito. Repetidamente, o Cardeal Cerejeira, particularmente, repreendia Salazar, pelo seu orgulho, pela sua descomunal ausência de espírito Sobrenatural, pela dívida de gratidão, não reconhecida, que ele, Salazar, como chefe do governo Português, tinha para com Nossa Senhora de Fátima.

Em síntese: Aquela Nação que foi governada pelo denominado  Rei Fidelíssimo, TÍTULO SÓ PARA SATISFAZER O ORGULHO HUMANO DO TORPE REI D. JOÃO V, nada fica a dever a outras Nações na exploração abusiva do Sagrado Nome CATÓLICO para finalidades meramente políticas e sociais, AS QUAIS, SENDO TAMBÉM LEGÍTIMAS, SEM DÚVIDA, DEVEM CONTUDO SABER HIERARQUIZAR-SE COMO ESSENCIALMENTE SUBORDINADAS E MEDIDAS PELAS SANTÍSSIMAS FINALIDADES DA SOCIEDADE PERFEITA EM SENTIDO EMINENTE QUE É A SANTA MADRE IGREJA – A GLÓRIA DE DEUS E A SALVAÇÃO DAS ALMAS; NÃO PROCEDER ASSIM CONSTITUI VERDADEIRA APOSTASIA PÚBLICA DA FÉ CATÓLICA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Junho de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral       

Uma resposta para “A EXPLORAÇÃO DA FÉ CATÓLICA PELOS INTERESSES POLÍTICO-SOCIAIS

  1. Zoltan Batiz junho 28, 2016 às 2:50 pm

    O Alberto diz: “Por aqui se vê como é rotundamente falsa a opinião de que era a pureza da Fé que dirigia os negócios do Reino; não era, até porque D. Manuel só queria os Judeus por causa dos seus capitais, bem como por causa dos seus conhecimentos técnicos. Quanto ao populacho, também não era verdadeiramente católico, mas supersticioso e fanático, pois também colaborou no arrastar dos judeus a pias baptismais improvisadas.”

    Daí vê-se que não tudo é o que parece; mesmo na dita “idade da fé” tudo era podre por dentro; e, ainda por cima, alguém ainda esta espantado quando ove que “multi vocati, pauci electi, id est, muitos chamados, poucos eleitos/escolhidos”. Um pensamento assustador, mas mais assustador é o facto que a maioria nem sabe, nem quer saber disso. A salvação hoje em dia nem parece ser a preocupação nem sequer da maioria dos ditos tradicionalistas. Talvez o Alberto quer dizer-nos o que o Concílio de Trento diz sobre a presunção … .

    Os meus comentários sobre: “Sempre me causou a maior repulsa as “missas de sétimo dia” ou os “baptizados finos”, sobretudo na burguesia urbana, cerimónias caracterizadamente vazias de qualquer sombra, mesmo a mais remota, de conteúdo religioso, e sómente oneradas do mais vincado e ostensivo interesse social”: é para acrescentar, que, no Leste, no comunismo, uns baptizados fizeram-se aos escondidos, mas isto também é superstição, mais que religiosidade verdadeira, e de carácter social (moda, id est), tal e qual o islão paquistanês e os baptizados finos.

    Fazendo a coisa certa mas pelos motivos errados não tem qualquer valor moral, ou mérito.
    O nosso inimigo, por isso que nos deixa de fazer também boas obras, se for com a intenção errada (o espírito de compromisso dele, que ela pareça bom e aceitável aos modernistas).

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