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Fátima e a Paixão da Igreja

SUPRESSÃO DO SACRIFÍCIO PERPÉTUO E ABOMINAÇÃO DESOLADORA

papa lupo

Tomás Tello-Corraliza

«Entre estes dois fatos existe uma íntima conexão, por isso costuma-se e deve-se expô-los conjuntamente. Esta conjunção de ambos os fatos é um sinal a mais que Cristo oferece em seu Discurso escatológico, como anúncio da proximidade de sua volta. Eis aqui o vaticínio, segundo transcrito pelos Sinópticos:

Quando virdes – escreve Mateus – posta no Lugar santo a Abominação da desolação, anunciada pelo profeta Daniel, (quem leia entenda), então, os que estejam na Judeia fujam para os montes; o que esteja no terraço não desça para socorrer os de sua casa…» (24, 15-18).

Marcos oferece uma ligeira variante: «Quando virdes… onde não devia estar… » (13, 14-16). Muito interessante é a versão de São Lucas, por contribuir a uma melhor compreensão da profecia:  «Quando virdes Jerusalém sitiada, sabei, então, que chegou a sua desolação. Os da Judeia fujam para as montanhas e os que estejam dentro da cidade saiam dela…» (21,20-21).

São Lucas se refere, em concreto, ao cerco de Jerusalém pelas tropas romanas. Fala só da desolação, adiciona que os que estejam fora não entrem. Para uma correcta interpretação das profecias do Novo Testamento, costuma-se recorrer a profecias do Antigo Testamento; já que como disse S. Paulo, as profecias e fatos do A. T. eram «sombra futurorum» ou seja, «uma sombra da realidade futura» (Cl. 2, 17 e Hb. 8,5). Mas, neste caso concreto, incita-nos a acorrer ao profeta Daniel; e assim fazem tanto Cornelio a Lapide, como o Cardeal Billot.

«Mas vejamos o teor do reiterado vaticínio de Daniel.

«1 – “Ainda se ergueu contra o príncipe do poder, e tirou-lhe o sacrifício perpétuo e destruiu o seu santuário. Foi-lhe dado poder contra o sacrifício perpétuo, por causa dos pecados, e a verdade será deitada por terra; ele compreenderá tudo e tudo lhe sucederá como quis. Então ouvi falar um dos santos, respondendo a outro que perguntava: ‘Até quando vai durar esta visão da supressão do sacrifício perpétuo e da assoladora prevaricação e da profanação da fortaleza do santuário?’

Disse então: ‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs. Depois o Santuário será purificado’ (Dn 8,11-14).

«2 – “Depois das sessenta e duas semanas, o Cristo será morto e a cidade e o santuário serão destruídos por um príncipe que virá… e até o fim haverá guerra e estão decretadas desolações. Confirmará a aliança para muitos, e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oblação, e haverá no santuário uma abominação desoladora até que a ruína decretada venha sobre o devastador” (9, 26-27).

«3 – “A sua ordem se apresentaram tropas que profanaram o santuário e a fortaleza, e farão cessar o sacrifício perpétuo e lançaram a abominação da desolação (11, 31). 4 – “Daniel pergunta: Meu Senhor, qual será o fim destas coisas? Ele respondeu: Anda, Daniel, que estas coisas estão ocultas e seladas, até o tempo do fim… Depois do tempo da cessação do sacrifício perpétuo e do alçar da abominação desoladora, haverá 1290 dias” (12, 8-11).

Note-se como Daniel, em seus reiterados vaticínios, associa os sintagmas «supressão do sacrifício perpétuo » e «abominação da desolação».

«Antes de expor a exegese dos vaticínios de Jesus e de Daniel, convém esclarecer, separadamente, o significado destas expressões.  «Sobre a «Abominação da desolação ou desoladora», expressam-se assim os Professores de Salamanca: “seja qual for sua natureza específica, trata-se evidentemente de algo desconcertante para os judeus ortodoxos (sublinho), ao ver convertido o templo de Javé em um antro de ídolos. Isto era uma abominação horrível… Deuses pagãos tiraram de Javé a propriedade do altar onde antes lhe eram oferecidos sacrifícios.

Era a primeira vez que se cometia tão horrendo Crime” (Comentario al Libro I de los Macabeus, 1, 57). A primeira vez que se cumpriu a profecia de Daniel, foi nos tempos dos Macabeus, quando o rei Antíoco IV Epifanes empreendeu uma cruel perseguição, para erradicar o culto e religião judaica.

No Iº Livro dos Macabeus (1, 57ss.) se descreve em que consistiu tal abominação desoladora no templo. Lendo esta passagem e outra do IIº Mac. (6, 2-5), se pode ter uma ideia clara e exacta do alcance da expressão: instalação de ídolos no templo e sua profanação, com libertinagens, orgias e improbidades, altares cheios de imundices e de coisas execradas pela Lei. Há quem considere a Abominação da desolação como consequência da Supressão do Sacrifício. Chasmatloj opina que a instalação da Abominação da desolação = Supressão do Sacrifício perpétuo. Outro autor moderno se expressa assim “Usurpar o lugar de Deus, desalojá-lo de sua morada, é o ato mais abominável que se pode cometer contra Ele”.

O que é o Sacrifício perpétuo? «O Holocausto (sacrifício) perpétuo se estabeleceu nos tempos de Moisés (Cf. Ex. 29, 38-42). O Holocausto perpétuo era o tributo que, duas vezes ao dia, Israel devia oferecer no altar de seu Deus. Não se omitia nem nos dias mais solenes, em que se ofereciam outros sacrifícios.

«O mesmo preceito se repete detalhadamente em Números (28, 3-8, Cf. Comentários dos Professores. de Salamanca sobre estes trechos). Tendo em conta que ditos e fatos do Antigo Testamento eram figura da realidade do Novo, o exemplar perfeito do sacrifício perpétuo celebrado no A. Testamento, não é outro que o Sacrifício da Missa, segundo profetizou Malaquias, “Porque desde o nascer ao pôr-do-sol… e em todo lugar entre os povos, há-de oferecer-se um sacrifício e uma oblação pura, pois grande é o meu nome entre as nações, disse Javé dos exércitos” (Mal. 1,11). Assim sempre entendeu a tradição católica. Com estes antecedentes, já podemos entrar na exposição da exegese da profecia de Cristo, que nos dá um sinal da proximidade de sua segunda vinda como Juiz.

«É necessário dizer que, diferentemente dos sinais já expostos, em que as divergências entre a exegese apriorística e a empírica são, às vezes, abismais, para estes, felizmente, a exegese é homogénea. Com efeito, a opinião comum dos SS Padres, segundo registrou Cornelio A Lapide, em seus Comentários a Daniel, entendeu por Sacrifício perpétuo (juge sacrificium) o Sacrifício da Eucaristia, ou, o que é o mesmo, a Santa Missa. “É perpétuo – diz – porque, na Missa, Cristo se oferece, diariamente, em todo o ‘orbe’, como outrora se oferecia, diariamente, o sacrifício do cordeiro”. Como apoio a esta tese, cita São Jerónimo, Teodoreto, Irineu, Primasio e Hipólito.

Outros autores citam outros Padres, a saber, São Metódio: “No sétimo tempo semanal, grande parte do clero prevaricará também, e se verá suprimido e cessará na Igreja o Santo Sacrifício (destaco)” (Cf. R. Pijoan, p. 258).

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