Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

EVANGELHO GNÓSTICO DE SARAMAGO REFERÊNCIA PARA LEANDRO KARNAL

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leandro Karnal

 

 

 

 

 

Arai Daniele

Nas seguintes linhas iniciais do «Evangelho segundo Jesus Cristo», festejado livro do prêmio Nobel José Saramago, encontram-se as figuras através das quais esse autor traça os quadrinhos de suas idéias. E assim como em algumas telas famosas o auto retrato de seu autor aparece ali discretamente de lado como uma assinatura, assim é no início desse livro, onde Saramago revela eleger a figura rectíssima do Mau Ladrão, com inquebrantável consciência de incrédulo, para representá-lo. Vejamos.

 “Tal como José de Arimateia, também esconde com o corpo o pé desta outra árvore que, lá em cima, no lugar dos ninhos, levanta ao ar um segundo homem nu, atado e pregado como o primeiro, mas este é de cabelo liso, deixa pender a cabeça para olhar, se ainda pode, o chão, e a sua cara, magra e esquálida, dá pena, ao contrário do ladrão do outro lado, que mesmo no transe final, do sofrimento agônico, ainda tem valor para mostrar-nos um rosto que facilmente imaginamos rubicundo, corria-lhe bem a vida quando roubava, não obstante a falta que fazem as cores aqui. Magro, de cabelos lisos, de cabeça caída para a terra que o há de comer, duas vezes condenado, à morte e ao inferno, este mísero despojo só pode ser o Mau Ladrão, rectíssimo homem afinal, a quem sobrou consciência para não fingir acreditar, a coberto de leis divinas e humanas, que um minuto de arrependimento basta para resgatar uma vida inteira de maldade ou uma simples hora de fraqueza.”

Na página seguinte temos o quadrinho para a continuação do raciocínio que deveria «justificar» o hórrido pensamento maniqueísta de Saramago:

“Neste lugar, a que chamam Gólgota, muitos são os que tiveram o mesmo destino fatal e outros muitos o virão a ter, mas este homem, nu, cravado de pés e mão numa cruz, filho de José e de Maria, Jesus de seu nome, é o único a quem o futuro concederá a honra da maiúscula inicial, os mais nunca passarão de crucificados menores. É ele, finalmente, este para quem apenas olham, José de Arimateia e Maria Madalena, este que faz chorar o sol e a lua, este que ainda agora louvou o Bom Ladrão e desprezou o Mau, por não compreender que não há nenhuma diferença entre um e o outro, ou, se diferença há, não é essa, pois o Bem e o Mal não existem em si mesmos, cada um deles é somente a ausência do outro.”

Agora vejamos esse passo evangélico, no qual Jesus não “compreendera” que não havia nenhuma diferença entre o Bom e o Mau Ladrão, razão porque nem teria nenhuma diferença com eles e eles com nós e nós com todo o mundo!

 

  • (Lc 23,39-43) Um dos malfeitores crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também!» Mas o outro repreendeu-o, dizendo: «Nem tu temes a Deus, sofrendo a mesma condenação? Quanto a nós é justo, porque recebemos o que merecemos;  mas Ele não fez nada de mal». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de mim, estiveres no teu Reino». Jesus respondeu: «Em verdade Eu te digo: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso».

Este segundo malfeitor, tocado pela divina graça do arrependimento final, chamava-se Dimas; é o «Bom Ladrão», que a Igreja canonizou e serve como exemplo exatamente contrário ao que diz perfidamente Saramago: “que um minuto de arrependimento basta para resgatar uma vida inteira de maldade ou uma simples hora de fraqueza.”

No Mau Ladrão não sobrou nenhum espaço na consciência mal formada pela iniqüidade, para acreditar, nem para lembrar que a consciência reta só pode ser formada no que é justo e bom, a coberta de leis divinas e humanas. De modo que a impenitência final, louvada aqui por Saramago, entra no rol dos pecados contra o Espírito do Bem e da Verdade, que é o Espírito Santo: único pecado sem perdão para quem se julga, retíssimo homem afinal, acima do Bem e do Mal!

Passemos agora ao professor brasileiro que ministra palestras de «sabedoria geral» na internet e alhures, no «café filosófico» e outras tertúlias.

Acima temos a fotografia, em pose de pensador, de Leandro Karnal, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo, ministra aulas na Unicamp na área de História da América. É autor de Pecar e Perdoar ? Deus e Homem na História (Nova Fronteira). Foi curador de exposições, como A Escrita da Memória.

O historiador Leandro Karnal  frequenta centros espíritas, candomblés, sinagogas,  mesquitas, igrejas católicas e as pentecostais. Mas não tem religião. Acredita que entre as coisas mais definidoras das sociedades humanas está a expressão religiosa, daí seu interesse estrutural, antigo, histórico, pela questão, diz nesta entrevista concedida no fim de maio, na Casa do Saber, em São Paulo.

Leandro fala como a religião pode destruir ou salvar vidas «por tabela», em nome de Deus. Diz «religião», mas naturalmente pensa em uma indiferenciada «religiosidade». Ou será que ambas são a mesma coisa para esse doutor?

Por ser um signo aberto, em que tudo cabe ? pode-se destruir ou salvar vidas em nome de Deus ? A religião, a seu ver, sempre terá mais adeptos que a ciência, pois é pouco mutável. E ainda oferece todas as respostas que o ser humano quer, suprindo a carência de encontrar sentido onde não tem e preencher o vazio deixado pelo fim das utopias do século XX. Para Karnal, tanto a espiritualidade como as religiões institucionais estão em um momento pendular de ascensão, exercendo grande influência sobre o imaginário e a vida material. Podem ser usadas, portanto, como instrumento poderoso de conservação ambiental.

  • E por que o sagrado e o profano? Temos essa dualidade?  “Como brinca o [José] Saramago no Evangelho Segundo Jesus Cristo, não existiria Deus sem o Diabo. É fundamental para definir o sagrado a existência ou a possibilidade do profano. As religiões sempre trabalharam com a ideia de um perfeito inimigo de Deus, de um plano oposto, especialmente as religiões monoteístas, como o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo.

A afirmação irônica de que não existiria Deus sem o Diabo, devido a existência desse basilar antagonismo entre o Bem e o Mal, teria algum sentido para eles além do âmbito terreno? É claro que para a Religião revelada Deus Criador vai muito além disso, ou estes pensadores querem ver o Diabo até na infinidade do céu estrelado?

  • “A religião é mais forte que o empirismo, que a busca da verificação do real. Poderia haver uma etiqueta Made in China no Santo Sudário, que as pessoas continuariam acreditando nele.”

Esta afirmação demonstra a sua falta de base lógica, onde seu «pensador» de internet parece satisfeito atirando a esmo suas tiradas de efeito. De fato, entre os milhares de interessados na autenticidade do Santo Sudário, grande parte dos que acreditam nela são justamente os que a isto chegaram na “busca da verificação do real”, dos fatos objetivos. Por exemplo, os que levam em conta a lei matemática das probabilidades:

Aqui em Fátima tivemos recentemente uma conferência sobre «O Santo Sudário de Turim e o Sudário de Oviedo»; “quase com inteira certeza envolveram o cadáver da mesma pessoa”, concluiu uma investigação que comparou as duas relíquias com base na Antropologia Forense e na Geometria.

O trabalho foi realizado pelo doutor em Belas Artes e professor de Escultura da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro, no contexto de um projeto do Centro Español de Sindonología (CES) sediado em Valencia, Espanha.

O estudo acresce aquilo que é afirmado há séculos pela tradição: que os dois tecidos pertenceram ao mesmo personagem histórico: Jesus de Nazaré.

Também confirma que o Santo Sudário teria sido o lençol funerário que envolveu o Corpo de Jesus quando Ele foi depositado no sepulcro, enquanto o Sudário de Oviedo seria o tecido que cobriu seu rosto na Cruz logo após morrer.

«Os dois tecidos seriam aqueles que São Pedro e São João acharam no sepulcro logo após a Ressurreição, segundo narra o Evangelho de São João (20, 1-9).

«A investigação identificou um número de coincidências entre ambas as relíquias que “supera com abundância o mínimo de pontos significativos ou de provas exigidas pela maioria dos sistemas judiciais do mundo para a identificação de pessoas, que é entre oito e doze, enquanto a nossa análise descobriu mais de vinte”.

«As linhas craniométricas permitem identificar rostos. No caso do Homem do Sudário um rosto muito deformado pelas lesões. A investigação registrou “importantíssimas coincidências” nas principais características morfológicas (tipo, tamanho e distâncias entre as pegadas), o número e a distribuição das manchas de sangue, as pegadas peculiares das diversas lesões registradas nos dois lençóis e as superfícies deformadas.

«Há “pontos que evidenciam a compatibilidade entre ambos os lençóis” na parte da fronte, onde há restos de sangue, no dorso do nariz, no pômulo direito e no queixo, que “apresentam diversas contusões”.

É claro que a este ponto um católico acaba por ocupar-se muito mais com realidades verificáveis, que podem confirmar um milagre, do que com as críticas dos «retíssimos» que duvidam até da distinção verbal do correto e do errado; do bem e do mal.

*   *   *

Em outros tempos, a matéria séria a estudar e a aprofundar era tanta que nem se prestava atenção às versões desses sofistas do «pensamento débil». O fato é ser tanto verdade que o mal seja apenas carência do bem, que estes autores tornam-se credíveis pelo que ainda de bom pensam, sem o que, nem o mal do sarcasmo sobre o que é sagrado, que os deleita, teria onde vingar.

É um fato: o erro, o desvio, o mal por si não vingam senão onde há verdade, retidão e bem. O fato de um Saramago ser atraído pelo Evangelho, para nele encravar sua descrença, não é casual; neste sentido é obrigatória. E o mesmo para Karnal; senão onde etiquetar sua tirada brilhante do «Made in China»?

É a escolinha iluminosa a de Voltaire, que entre uma risota amarga e outra ferina, não perde de vista sua marca maldita: «écrazez l’infâme!», razão da esterilidade de suas vidas, que no final de contas nos revela algo: que muitos precisam mesmo do Diabo para se sentirem por aqui como deuses»!

3 Respostas para “EVANGELHO GNÓSTICO DE SARAMAGO REFERÊNCIA PARA LEANDRO KARNAL

  1. henri julho 8, 2016 às 12:52 pm

    Nosso Senhor poderia aparecer em carne e osso na frente de alguns, mostrando as chagas e dizendo que as tocassem, que continuariam não o acreditando. E zombariam de quem o acreditasse.

    O ateu materialista não acredita em Deus não porque Ele não passe na “verificação do real”, mas por simples má vontade. Evidência que conduz à Fé não falta: curas milagrosas, milagres eucarísticos, aparições e eventos inexplicáveis como os de Lourdes e Fátima, profecias que se cumprem. Só não acredita quem não quer.

    Este senhor é um homem culto. Já deve ter lido a respeito do Sudário e dos milagres. Será que ele sempre aceitou cegamente, sem qualquer ponderação, o que os ateus militantes dizem a respeito deles? Sendo culto, nunca se preocupou em buscar o que o outro lado, os cristãos, tem a dizer sobre o assunto, isto é, que tais eventos são inexplicáveis senão à luz da Fé?

    Este senhor serve de exemplo de como toda a cultura do mundo não vale nada sem o amor pela Verdade. O amor pela Verdade deve anteceder o estudo. O conhecimento é uma ferramenta, que pode ser usada para o bem ou para o mal, para esclarecer ou para confundir. E estudar sem antes amar a Verdade é como colocar uma arma nas mãos de um desequilibrado.

    • Pro Roma Mariana julho 9, 2016 às 3:12 pm

      De pleno acordo, embora diria de outro modo: O amor pela Verdade deve anteceder o estudo, porque o conhecimento segue e não precede o bem da verdade estudada. De sorte que estudar sem antes amar a Verdade é como colocar uma arma nas mãos de um desequilibrador que não quer distinguir, mas confunde argutamente o bem do real com o mal do elucubrado. É a vocação dessa mestria fundada no próprio saber, cujo conhecimento quer preceder e superar toda realidade, na qual um milagre não pode existir, para não incomodar.

  2. Zoltan Batiz julho 9, 2016 às 2:31 pm

    Saramago morreu durante o campeonato Mundial de futebol em 2010. O fanatismo pela bola eclipsou a morte dele; o povo mal se apercebeu do que se passou. Logo, não houve um funeral de tipo Cunhal, graças à bola, que agora é a religião oficial de Portugal (religião de bidé tal e qual como o islão). Eis uma ocasião quando um campeonato me agradou.

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