Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

13 DE JULHO 1917 EM FÁTIMA: SINAL DO REINO NA COVA DA IRIA

 

Getsemani

 

Arai Daniele

Como são poucos os cristãos que ainda querem lembrar que o sentido da vida humana na terra é demonstrado – e sempre de novo provado – pela intervenção direta de Deus na História dos homens. Seu momento culminante foi a encarnação do Verbo, Jesus Cristo e disto ainda se lembram.

Mas esquecem que ao tratar da política, que governa a cidade dos homens, haveria que ter em mente os desígnios divinos no mundo para cada tempo, ligados a este Fato central. Este não haveria que evitar em nenhuma hora sob as mais diversas e adversas circunstâncias. Desde a Hora da Cruz de Jesus Cristo, até a tenebrosa hora presente, do abatimento do Seu Vigário, o Papa, o poder real na Terra só pode ser centrado nos desígnios de Deus para o Seu Reino.

Digo isto porque na situação civil e religiosa que se vive hoje, muitas boas cabeças no mundo, e no Brasil, como o Olavo de Carvalho, o P. Paulo Ricardo, o Carlos Nougué, etc., repetem por ai que é ilusão pensar que o Cristianismo pode imperar na terra. Isto nunca vai acontecer (por princípio) o que parece mais que evidente na atual ordem histórica para essa mentalidade de sociologistas que, «malgré eux» são filhos da hora. E isto, contrariamente ao que pensam os islamitas – da religião «concorrente» – que creem e querem o domínio do Islã no mundo todo, como mandato sagrado.

O que seja mais provável pertence ao contingente, mas o que seja mais desejável pertence à mentalidade cristã, hoje conturbada por tal «derrotismo intelectual», como já dizia o preclaro amigo professor Rafael Gambra. Note-se: dizer que o bem revelado deve prevalecer na Terra, não é utopia mas um justo ideal, especialmente para os fiéis de Jesus Cristo; é ideal ligado à ordem da Caridade. Que seja muito difícil, quase impossível, é conversa intelectual que os missionários nunca aceitaram. Se a ouvissem não haveria Santos, como São Francisco Xavier, nem a pregação do Evangelho pelo mundo, como é Mandato de Jesus.

Basta rezar o Pai Nosso para ter na cabeça: «venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no Céu».

Por isto é claro que a «política» católica não é a do mortiço «possibilismo», que se contenta com pontificar contra ideologias, mas quer o heroísmo, do «instaurar tudo em Cristo».

A Política para São Pio X (ver http://wp.me/pWrdv-Cu e http://wp.me/pWrdv-tQ), não foi outra que a prudência do governo dos povos para o bem comum tendo em vista o fim dos homens seguindo os desígnios divinos revelados e lembrados segundo as épocas. Se a isto segue uma aparente ordem política, como a rutura com governos maçons, este fato é de todo contingente e provisório na ordem do fim do ser humano na terra.

As mentes adentradas na filosofia verdadeira que mira à sabedoria, entendem que todo poder civil procede de um desígnio superior. Este saber permeia a vida e o crer desde tempos imemoriais. É o poder de Deus (Immortale Dei, Leão XIII) e sua lógica não foge à relação causa e efeito; de bem e ordem contraposto ao mal e desordem. Era assim no tempo de Nínive do Profeta Jonas, como hoje no mundo da «nova desordem mundial» e dos falsos profetas conciliares para a grave desordem das almas.

Diz o filólogo: o pensamento do Reino de Cristo imperante na terra é milenarista. Erro. O «milenarismo» condenado é o que professa que Jesus Cristo deve voltar para operar esse milagre final no mundo. Mas como esse Reino é de todo modo utópico, e como os católicos devem acostumar-se a viver com o que lhes passa o grande convento, então hoje pode-se literal e gramaticamente conviver com a presença de um «papa herege»! Melhor do que deixar a grande babilônia romana sem «cabeça»!

A grande crise atual não foge a esta equação, mas no negativo em razão da vasta descristianização que, ignorando o fim da vida humana é prelúdio de castigo para que se volte à justiça do Decálogo, essência da Lei natural e divina.

Quando dois intelectuais que se confessam cristãos tratam da crise mundial, como aconteceu no debate entre Olavo de Carvalho e Alexander Dugin (http://wp.me/pWrdv-UI), não deveria faltar a alusão à essa questão crucial que é o nó da História no seu fim metafísico, seja da sociedade humana que de cada homem: o culto a Deus, primeiro mandamento do Decálogo que fundamenta toda lei.

Isto foi o que vi como uma ausência, que só fui lembrar noutro artigo «Podem o Olavo de Carvalho e o P. Paulo Ricardo ignorar a suma Revolução?» (http://wp.me/pWrdv-WU). Porque a Revolução, que é para os povos o que a revolta é para cada um, sempre teve em mira abater o seu contrário, que é o Culto a Deus. Este sempre esteve presente no mundo exprimindo-se com cultos intermediários. Já dizia Plutarco: “Viajando podeis encontrar cidades sem muros e sem letras, sem reis e sem casas, sem riquezas e sem o uso da moeda, privadas de teatros e de ginásios. Mas uma cidade sem templos e sem deus, que não tenha nem orações nem juramentos, sem profecias e sacrifícios para impetrar bens e deprecar males, ninguém nunca viu, nem nunca verá” (Adv. Col. 31). Sim, mas a Caridade quer que seja visto e praticado só na Religião verdadeira: que salva!

A esta justa constatação há, porém, que acrescentar que, assim como nunca houve sociedade humana sem religião para o culto divino, também nunca faltaram os seus opositores do culto humano-divino no sentido gnóstico. Tal confronto faz parte da dialética da liberdade humana, mas tem a natureza de um luta metafísica que se trava desde o início da história, com rebeliões pessoais e revoluções sociais. Estas pretendem justificar-se como meta para um bem maior, de justiça e paz perfeitas!

Na verdade, todo impulso de libertação humana implica uma consciência inquieta e uma mente tanto altiva quanto vulnerável à sedução do espírito que suscita conflitos para dominar consciências; para incutir uma atração por “verdades” desta vida que afastam da Verdade para a qual foram criadas as nossas almas. Sim porque estas, criadas à imagem divina, representam o valor que transcende qualquer outro no universo; a questão do seu controle é a chave do Pecado original, que condiciona toda a vida e história humana.

Ora, se é verdade, como cremos, que a religião revelada fornece a verdadeira resposta às nossas inquietudes, então, assim como a aversão rebelde e pertinaz a esta é causa de crises pessoais, uma oposição organizada e demolidora da religião revelada, que priva o ser humano da objetiva “explicação divina” – do Verbo encarnado -, representa a pior crise para a humanidade. É a que vivemos até na cabeça dos melhores.

Se no mundo moderno predomina a ideia que pode haver várias religiões verdadeiras, mesmo se opostas, insinua-se que a “explicação divina” é contraditória e que haveria um deus que se compraz a dispensar mentiras e a suscitar confusões entre os homens: seria o Deus ruim dos cristãos. Não seria pois o caso de crer na existência do Verbo encarnado de Deus, nem na revelação sobrenatural do Cristianismo, cujo Deus pode querer a escravidão humana. É a blasfêmia implícita nesse modernismo ecumenista.

A esta luz, a nova “superstição ecumenista”, equiparando as revelações das diversas religiões, demonstra ser a mais pérfida manobra dessa revolução total, que passou dos métodos violentos à sedição encoberta para abater a raiz da fé religiosa: da unicidade da Verdade divina. Tem, pois, parte substancial na origem da crise mundial iniciada no século XX, com a Iª Grande Guerra e a Revolução comunista de 1917.

Em artigo anterior, cito como melhor cabeça, no caso entre os crânios lavados da FSSPX, seu ex bispo Dom Williamson, que escreveu: “No início do século vinte, Deus seguramente deu ao mundo moderno duas grandes luzes: uma no campo teórico, em 1907, por meio de Pio X: a Encíclica Pascendi, visando a denunciar o erro chave do subjetivismo; e outra no campo da prática, em 1917, por meio de sua Mãe: as aparições de Fátima, a fim de prover um remédio para a monstruosa praga do comunismo. Mas o Demônio desviou a atenção que deveria ser dada à Pascendi, e levantou uma série de objeções para pôr Fátima em descrédito.

Ora, as «duas luzes» dadas por Deus são na verdade uma quando se trata de denunciar erros e pragas contra a Fé, seja do modernismo como do comunismo e a do atual «conciliarismo do papa herege mas legítimo». Teriam estas bestialidades a força que assumiram se a Cristandade não tivesse sido minada pela falsa cultura sociologista, devido à qual mais tarde até a sua Sede romana teria sido ocupada por um como Bergoglio?

A sagração episcopal de Dom Williamson não se deve justamente a necessidade da oposição a esses «anticristos no Vaticano»? Que estes fossem a praga maior, que do campo «teórico» passou ao «prático» se viu com o advento dum clero guerrilheiro e de um «papado acéfalo». De modo que parece claro serem os perigos apontados em Fátima, no Segredo dado na terceira parte de sua Mensagem dia 13 de julho de 1917.

Tanto isto é claro que nesta parte do «Segredo», depois de apontar ao horror das guerras e da revolução, faz ver o Papa católico que sempre invocou à conversão à Fé  universal «eliminado» junto a todo o seu séquito católico. E como se sabe, nenhuma «eliminação» é completa sem uma substituição. Trata-se pois da substituição do Papa Católico por «papas» que pregam a fé ecumenista, que dispensa as conversões visto que todas as religiões são igualmente boas, como quer a doutrina conciliar varada pelo Vaticano 2. Essencialmente esta tem um só alvo: ir contra os dogmas da Fé católica, que chamam todos os homens e povos à conversão ao Reino de Jesus Cristo.

Quanto à Rússia, trata-se de sua conversão, não a uma paz mundana, mas à Igreja Católica, Apostólica, Romana, à qual hoje talvez a «Igreja ortodoxa» esteja mais próxima do que a nova igreja ecumenista conciliar, que apostatou de sua Fé e acrescentou mais uma fragorosa derrota na História da Cristandade.

Então, depois de mais esta colossal decimação conciliar do rebanho de Jesus Cristo Rei, como se pode ainda falar no triunfo final de Seu Reino? No tal comentário do Bispo Williamson sobre a Mensagem de Fátima, ele lembra bem a dimensão do massacre das guerras para falar do outro mil vezes pior.«Mas em que o Castigo material poderia ser pior do que o castigo espiritual de nossos dias? É verdade que depois da queda de Adão e Eva, o Vaticano 2 foi o pior desastre em toda a história da humanidade. A maioria dos homens o vê como uma libertação. “Paus e pedras quebrarão meus ossos, mas as palavras nunca irão me ferir”, diz o velho ditado. Punições espirituais são em si mesmas muito maiores, mas elas provêm coisas materiais para que nós, homens, compreendamos (cf. Mt. IX, 6, e Jo , 27).

Sim, compreendamos a necessidade da intervenção divina, que suscita reações e atos humanos, no caso a Consagração pedida da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, que nunca foi bem entendida e menos ainda cumprida pelos Papas.

Os intelectuais que pregam a impossibilidade do Reino de Cristo na terra, podem acrescentar todas estas derrotas para demonstrá-lo. Mas só deveriam ainda lembrar que foi na «derrota da Cruz» que o Cristianismo vicejou; que foi no martírio dos Apóstolos e discípulos que se alastrou; que foi na pobreza e mortificação dos Santos que consolidou-se. E agora, parece, deve ser no desprezo da Profecia de Fátima que deverá ressurgir. Sim porque na mesma Mensagem desse 13 de julho de 1917, depois que muitas “nações estão sendo aniquiladas” e a obra de liquidação do Papado foi completada para a total demolição religiosa operada desde a mesma Roma, depois de toda desta terrível maquinação destrutiva… Depois do assalto ao «Sacrifício perpétuo» de que falou o Profeta Daniel, depois de tudo ainda é dada a luz da intervenção divina. Mas esta não dispensa que se confesse alto e claro: se não for o Cristianismo a difundir o Bem e a Verdade de Jesus Cristo na terra, na Política, na cultura, na formação das consciências na verdade, então será o Islamismo a impor a sua para desgraça geral.

Sem essa confissão a Fé e a Caridade são mortas, como morto está o Papado (na visão do «Terceiro Segredo») dos conciliares que inverteram essa missão, censurando a Profecia de Fátima, onde está viva a esperança para o nosso tempo que devemos lembrar: “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

– Nossa Senhora da Mensagem de Fátima, rogai por nós!

4 Respostas para “13 DE JULHO 1917 EM FÁTIMA: SINAL DO REINO NA COVA DA IRIA

  1. Zoltan Batiz julho 13, 2016 às 2:51 pm

    “Digo isto porque na situação civil e religiosa que se vive hoje, muitas boas cabeças no mundo, e no Brasil, como o Olavo de Carvalho, o P. Paulo Ricardo, o Carlos Nougué, etc., repetem por ai que é ilusão pensar que o Cristianismo pode imperar na terra. Isto nunca vai acontecer (por princípio) o que parece mais que evidente na atual ordem histórica para essa mentalidade de sociologistas que, «malgré eux» são filhos da hora.”

    Pois. Muitos chamados e poucos eleitos, o que pode se concluir de novo. O livro do Arai explica que os cristãos nunca ultrapassaram os 20% da humanidade, nem sequer no passado, na altura das alturas da Igreja. Agora, a esperar isto no momento de eclipse … .

    O facto que “são poucos os cristãos que ainda querem lembrar que o sentido da vida humana na terra” conduz à mesma conclusão. E também muitos preferem uma mentira conveniente à verdade.

    “Mas esta não dispensa que se confesse alto e claro: se não for o Cristianismo a difundir o Bem e a Verdade de Jesus Cristo na terra, na Política, na cultura, na formação das consciências na verdade, então será o Islamismo a impor a sua para desgraça geral.”

    Pois é. Os que não preferem uma Missa no domingo com cheiro de incenso ficam a aceitar 5 cultos diários em cheiro de chulé. O humor de Deus é este: em vez de irem para o inferno grátis, vão pagar também o transporte.

  2. Zoltan Batiz julho 13, 2016 às 3:06 pm

    “E isto, contrariamente ao que pensam os islamitas – da religião «concorrente» ”

    Eles estão a sobrestimar-nos. Não têm noção que a cristandade está dividida, (ortodoxos e católicos, protestantes e seitas neo-protestantes). No caso deles o muçulmano é de religião muçulmana e de orientação sunita (90%deles, ou shiita 9%, ou maniqueus, ou sufi o resto mais ou menos 1%), no nosso caso trata-se mesmo de religiões diferentes. As divisões entre eles têm uma importância muito menor que entre nos. Pois claro que não distinguem entre a verdadeira Igreja e a seita conciliar. Mas o que eu consegui uma vez, foi convencer um deles que Ratzinger não era papa verdadeiro. Se eles fizessem essa distinção, podiam lutar melhor contra nós.

  3. alberto carlos rosa ferreira das neves cabral julho 14, 2016 às 1:28 am

    SENDO O MUNDO, O DEMÓNIO E A CARNE OS INIMIGOS DA ALMA. É CERTO QUE O MUNDO NUNCA DEIXARÁ DE SER MUNDO; ISTO É – NUNCA SE CONVERTERÁ, PORQUE ENTRARÁ SEMPRE PELA PORTA LARGA, QUE CONDUZ À PERDIÇÃO, MAS ISSO NÃO IMPEDE UMA IGREJA INTRÌNSECAMENTE FORTE, MESMO NO PLANO TEMPORAL, NEM IMPEDE ESTADOS CATÓLICOS A CEM POR CENTO, SEM ESPAÇO PARA A TOLERÂNCIA DO ERRO E DO MAL.
    ALBERTO CARLOS ROSA FERREIRA DAS NEVES CABRAL

  4. Pro Roma Mariana julho 14, 2016 às 9:50 pm

    Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para salvar todos os homens. Sabia que nem todos, e talvez nem muitos, e provavelmente sempre menos se salvarão. Mas a intenção da misericórdia divina resta, assim como o seu mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a humanidade. Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado.» (Mc 16, 16) O mandato é para o mundo inteiro ser convertido. É difícil, improvável, quase impossível? A intenção e o mandato não mudam. embora seja plena a consciência cristã da oposição deste mundo; oposição persistente na mesma Igreja, que nunca abrigou só bons cristãos, e talvez nem muitos, e provavelmente sempre menos, até a miséria da apostasia atual. Hoje até ensinam que ela pode ter um «papa heresiarca»; um herege não pode ser eleito papa, mas para estes mestres pode «ser papa»; seria questão disputada, como tudo o mais! Mas antes do Vatican d’eux a Igreja tinha por cabeça terrena um Vigário de Cristo, que confirmava o Seu mandato no Seu Reino, questões perenes na Ordem da Fé e da Caridade.

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