Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O AVANÇAR DOS ANOS E O APROFUNDAMENTO DA VIRTUDE

Combates contra la bestia, 1220-70. Biblioteca de Toulouse

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua Epístola Apostólica “Militantis Ecclesiae” dirigida aos Arcebispos e Bispos de Áustria, Alemanha e Suiça, a propósito do III centenário da morte de São Pedro Canísio  – 1 de Agosto de 1897:

«O bem da Igreja militante, assim como a sua honra, convida a celebrar mais vezes, com rito solene, a memória daqueles que, por sua extraordinária virtude e piedade, foram elevados à Glória da Igreja triunfante. Com efeito, mediante esses sinais de honra, insinua-se a lembrança da antiga santidade, coisa sempre oportuna, e muitíssimo útil, nesses tempos infaustos, à Fé e à Piedade. (…)

Quanto tenha sido oneroso o empenho assumido por esse homem zelosíssimo da Fé Católica, aparece fàcilmente àqueles que consideram com atenção o rosto da Alemanha nos inícios da revolução luterana. Modificados os costumes, de dia em dia sempre mais degradados, foi fácil a passagem ao erro, e o próprio erro, depois, levou à ruína definitiva dos costumes. Assim, pouco a pouco, muitos se afastaram da Fé Católica; portanto, o vírus do mal difundiu-se amplamente em quase todas as províncias e contaminou homens de todas as condições e fortunas. (…)

Agora não devemos aqui percorrer todos os aspectos da santidade exemplar deste homem; com qual empenho tenha assumido o cuidado da pátria lacerada por dissídios e sedições, para reconstituir o sentimento comum dos ânimos e a antiga concórdia. Tomemos em consideração sòmente as armas da cultura: Com qual constância se expôs, com qual prudência, com qual sentido de oportunidade! Quando voltou de Messina, aonde fora como mestre da palavra, logo se empenhou, com energia singular, a ensinar as disciplinas sagradas na Universidade de Colónia, Ingolstadt e Viena, e seguindo o caminho para chegar da escola cristã aos doutores de fama segura, ABRIU AS MENTES DOS ALEMÃES PARA OS DOUTORES DE FAMA SEGURA, ABRIU AS MENTES DOS ALEMÃES PARA AS GRANDEZAS DA TEOLOGIA ESCOLÁSTICA. Desde que naquele tempo os inimigos da Fé se mantinham afastados dela COM DESGOSTO SUPREMO, pois sobre ela se fundava principalmente a Fé Católica, procurou Canísio repropor pùblicamente, em auge, esse método de estudos nos liceus e nos colégios da Companhia de Jesus, com que ele próprio havia contribuído com tanta fadiga e trabalho. E ele próprio não se envergonhou de rebaixá-la (a Escolástica), desde a Sabedoria mais Alta, até aos primeiros elementos dos estudos literários, e de acolher meninos para instruir, escrevendo para eles livros de literatura e algumas gramáticas. Contemporaneamente, das moradas dos princípes, nas quais pronunciava as suas orações, voltava muitas vezes à pregação do povo, de modo que ENQUANTO ESCREVIA AS COISAS MAIS ALTAS, QUER EM ORDEM A CONTROVÉRSIAS DOUTRINAIS, QUER SOBRE COSTUMES, PUNHA MÃO TAMBÉM À COMPOSIÇÃO DE OPÚSCULOS QUE FORTALECESSEM A FÉ DO POVO E SUSCITASSEM E NUTRISSEM A SUA PIEDADE.»

 

Um dos maiores bens, na Ordem Natural, que podemos possuir neste pobre mundo, é a unidade psicológica; porque esta unidade confere consistência e coerência a toda a nossa vida, permitindo que, em todas as situações, possamos ser e agir nós mesmos, na integridade de uma perfeição que de alguma forma transcende o tempo, pois que a nossa alma, em si mesma, intrìnsecamente, não vive, nem depende do tempo, mas como realidade espiritual, participa já, de certo modo, da Eternidade Divina, sobretudo se possuir a Graça Santificante; mas mesmo na Ordem Natural, a alma não depende do tempo; só que o nosso materialismo prático, a nossa cegueira, mesmo puramente filosófica, impede que meditemos profundamente no nosso particular modo de duração, que constitui precisamente uma síntese natural entre o tempo físico da matéria e o evo da alma, como forma substancial do composto. O princípio orgãnico da unidade do nosso ser ao longo da vida, é, e só pode ser a alma, porque só esta confere, transcendentalmente, a unidade orgânica, ao aglomerado de átomos e moléculas, que como tais, vão sendo substituídas ao longo da vida. O mesmo deve acontecer à nossa unidade psicológica, o seu fundamento só pode ser constituído pela alma, mas para que o seja é necessário um acto de ser, eminentemente moral. Sem dúvida, a nossa constituição genética-fisiológica determina-nos dentro de certos limites, mas Deus Nosso Senhor sòmente nos pedirá contas daquilo que poderíamos haver realizado – e não o fizemos!

Evidentemente, EXISTE UMA UNIDADE PSICOLÓGICA SOBRENATURAL, TAL COMO EXISTE A UNIDADE PSICOLÓGICA NATURAL; AS DUAS SÃO ABSOLUTAMENTE INCOMENSURÀVEIS, AINDA QUE A ÚLTIMA POSSA CONSTITUIR CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA PRIMEIRA.

Exactamente por isso, a unidade psicológica Sobrenatural só nos pode ser facultada por Deus Nosso Senhor, quando Ele quiser, e na medida em que quiser.

Em Nosso Senhor Jesus Cristo, A UNIDADE PSICOLÓGICA FOI INFINITA, não de uma maneira física, porque a Natureza Humana do Senhor, enquanto Tal, é finita; mas pela Dignidade Moral Infinita da União Hipostática, A Qual faz de Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, UMA PESSOA INFINITA.

No Paraíso Terrestre os homens possuíam uma condição, absolutamente privilegiada, na qual a virtude brotava, sem qualquer esforço, do próprio fluir de uma vida Sobrenatural, Preternaturalmente protegida e elevada. TODAVIA EXISTIA PROGRESSO NA VIRTUDE AO LONGO DA VIDA TERRENA, PORQUE SERIA ABSURDO, QUE PELO FACTO DE NÃO HAVER PECADO, FOSSE IMPOSSÍVEL A ASCENSÃO CONTÍNUA DA ALMA NA HIERARQUIA DOS BENS CELESTES.

Cumpre registar, que no Paraíso Terrestre não haveria morte nem sofrimento, logo as pessoas passariam da Terra ao Céu um pouco como Nossa Senhora, embora seja certo que Ela morreu, porque embora não contraísse pecado original, intrìnsecamente, viveu contudo num mundo, que além de fìsicamente corrompido, constitui um verdadeiro oceano negro de pecados e de crimes; E TUDO ISSO INFLUÍA EXTRÌNSECAMENTE NO SER DE MARIA SANTÍSSIMA, COMO MESMO NO SER DE NOSSO SENHOR. O progresso na virtude seria assim Lei comum no Paraíso Terrestre; mas não só, pois cada geração recolheria com absoluta integridade o progresso na virtude Sobrenatural que a geração anterior houvesse produzido.

Mas neste nosso desgraçado mundo, não acontece, nem uma coisa, nem outra: Não só as almas não aproveitam a vida mortal para crescer incessantemente na virtude Sobrenatural, como, valha-nos Deus Nosso Senhor, parece suceder precisamente o oposto. Anàlogamente, é mais do que evidente, que nenhuma geração aproveita qualquer progresso moral pretérito, conquanto recolha todo o progresso científico e técnico.

Nosso Senhor garantiu-nos que se não fôssemos como crianças não entraríamos no Reino dos Céus. Mas o comum dos homens, em lugar de pretender salvaguardar, Sobrenaturalmente, as impressões religiosas da sua infância, as mais puras, as mais marcantes, em lugar disso – RIDICULARIZA-AS, DIZ QUE SÃO COISAS DO PAI NATAL; e assim despreza um património de grande riqueza, que lhe permitiria, com o auxílio de Deus, ascender na sociedade dos santos e na hierarquia celeste. O GRANDE MAL DOS HOMENS DITOS COMUNS É HAVEREM-SE TORNADOS ADULTOS NA CEGUEIRA TOTAL PARA AS BELEZAS SOBRENATURAIS DA INOCÊNCIA. Consequentemente, em geral, quanto mais velhos, mais torpes, mais carnalões, mais ímpios; estou referindo fundamentalmente os varões, pois é por eles que se transmite o pecado original, sendo eles, por isso mesmo, os mais atingidos pelo dito.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu o Reino dos Céus àqueles que permanecerem crianças, não procedeu assim por mero simbolismo; é que as crianças podem ser fingidas, mas nunca podem ser hipócritas, na exacta medida em que a hipocrisia pressupõe um pesado lastro de uma perversidade moral que Jesus sempre combateu com a maior energia, e À QUAL PROMETEU O INFERNO – A HIPOCRISIA FARISAICA; A QUAL CONSTITUI UM DOS MAIS REPULSIVOS SINTOMAS DO PECADO ORIGINAL, SINTOMAS QUE SE AGRAVAM SUBSTANCIALMENTE COM A IDADE, À MEDIDA QUE A ALMA VAI PERDENDO A FLUIDEZ INTERIOR DA JUVENTUDE.

Não sofre qualquer dúvida, que com o passar dos anos, a alma vai perdendo em quantidade o que ganha em qualidade; há irreversibilidades ontológicas inultrapassáveis, mas com o auxílio de Deus, sobretudo com os Dons do Espírito Santo, podemos e devemos haurir de todas as vicissitudes da nossa passagem pela Terra, UM SUBLIME NUTRIMENTO SOBRENATURAL, UMA REFERÊNCIA INCESSANTEMENTE MAIS RICA AOS BENS ETERNOS, À LUZ DO QUAL TUDO CONTEMPLAMOS. ACIMA DE TUDO, A IDADE DEVERIA INCULCAR-NOS, COMO PARTE INTEGRANTE DE NÓS MESMOS, QUE A ÚNICA FELICIDADE LEGÍTIMA É A FELICIDADE DE AMAR SOBRENATURALMENTE A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, CUMPRINDO FIELMENTE A SUA SANTÍSSIMA VONTADE. ORA ISTO É VÁLIDO PARA OS INDIVÍDUOS, PARA AS FAMÍLIAS, PARA A SOCIEDADE, E PARA A VIDA INTERNACIONAL. SIM, A IDADE DEVE PROPORCIONAR-NOS ESTA CERTEZA ABSOLUTA, QUE NÃO É DESTE MUNDO, E QUE SÓ PODE SER ACOLHIDA COMO DOM MARAVILHOSO DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

Nunca olvidar que mesmo aquele desenvolvimento legítimo da natural experiência da vida, aquela sabedoria dos “cabelos brancos”, apenas se efectiva formalmente numa alma moralmente íntegra, e muito especialmente numa alma adornada com a Graça Santificante. Existe, sem dúvida, uma sabedoria de vida estritamente natural, legítima, que numa alma bem formada cresce com a idade. Mas essa sabedoria nada é comparada com Aquela inteligência Sobrenatural que só Deus pode dar, e que é a única a que não podemos reprovar no exame da Eternidade.

São Domingos Sávio, o mais jovem santo confessor, aluno do grande São João Bosco, falecido aos 15 anos de idade, em 1857, escreveu um dia na redacção escolar cujo tema era constituído pela formulação de um desejo: DESEJO QUE DEUS ME FAÇA SANTO. Assinale-se que o jovem Domingos não dizia que queria ser santo, MAS QUE DEUS O FIZESSE SANTO! Ora este jovem conhecia apenas o catecismo, e no catecismo nem por sonhos se envereda pelo Mistério Teológico da Predestinação; mas Domingos já conhecia, PELA FÉ E PELOS DONS DO ESPÍRITO SANTO, QUE NÃO SOMOS PREDESTINADOS POR SERMOS BONS, MAS SOMOS BONS, SOBRENATURALMENTE, POR SERMOS PREDESTINADOS. O jovem Domingos não necessitou de amadurecer com a idade a sua inteligência natural e a sua sabedoria de vida, porque possuiu, já desde os verdes anos do início da sua adolescência, aquela Sabedoria que o mundo jamais poderá arrebatar, porque também a não pode facultar – AQUELA SUBLIMAÇÃO INFINITAMENTE PROFUNDA DO CONHECER E DO AGIR, QUE SÓ EM DEUS UNO E TRINO SE PODE CONTEMPLAR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 6 de Julho de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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