Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

FÁTIMA E A DESCRISTIANIZAÇÃO CAUSADA POR UM CATOLICISMO POSTIÇO

Valinhos

 

Arai Daniele

Neste mês de agosto, Fátima não é lembrada no dia 13, mas no 19. De fato no dia 13 os pastorinhos estavam retidos em Ourém pelo administrador mação Artur de Oliveira Santos que queria ouvir deles o «segredo», ainda que fosse sob ameaças. Nada obteve, mas o fato, que pertence à história de Fátima, pode nos fazer meditar sobre a descristianização galopante, que já então avançava num país de grande tradição católica como Portugal. Por exemplo: o administrador foi de certo batizado e provavelmente casado na Igreja, antes de tornar-se um mação roxo que pôs na sua filha o nome de «Democracia»! Isto consta nas efemérides: 4 de janeiro de 1908 – Em Vila Nova de Ourém, realizou-se o registo civil de baptismo de uma filha de Artur de Oliveira Santos que recebeu o nome de Democracia. Ora, toda a história desse País no século XX é constituída de uma série de atos revolucionários de descristianização. Poderia o Céu não intervir através de Maria a Medianeira de Deus? Pois aí começa o Evento de Fátima.

Há que lembrar, porém, que estas aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria e em agosto nos Valinhos, vêm na sequência de outras aparições marianas em vésperas de atos revolucionários contrários à vida e ação da Igreja de Deus. Nesse sentido, Fátima é a aparição culminante das intervenções divinas na história da política moderna, e isto é claro em Portugal, sacudido nesse tempo pelo regicídio de 1908 e o advento da república maçônica e abertamente anticlerical em 1910, iniciando anos de perseguições religiosas e desordens que levaram a Nação ao caos. Este só começou a dissipar-se nos anos da Aparição e depois do assassinato de Sidónio Pais.

Aqui interessa salientar a realidade de uma descristianização que vai muito além do âmbito português; é universal e vai acentuar-se depois da Iª Grande Guerra e disparar depois da 2ª, não só no mundo dito ocidental, mas na mesma Igreja já antes da catástrofe do Vaticano 2. Esta é a história que tentei descrever à luz de Fátima nos meus «Entre Fátima e o Abismo» e mais recentemente em italiano no livro «Nella Profezia di Fatima il Mistero dell’Altra Roma».

A este ponto, é feita a tentativa de descrever uma decadência civil e religiosa que assume dimensões apocalípticas; de fim dos tempos. E tudo enquanto a profecia contida no «Segredo de Fátima» aparece como suspenso, indefinível e indecifrável, apesar de sua clareza singela. Há um vasto mundo católico que não a quer entender, assim como não ousa enfrentar o mal presente que se apresenta nada menos que com o aspecto de uma série de «papas hereges»!

Na data de 1960, que como se apurou pelas memórias da Irmã Lúcia, recentemente publicadas pelo Carmelo de Coimbra, foi pronunciada por Nossa Senhora mesma, um evento decisivo para a Igreja e a Cristandade ficava simbolicamente descrito. Era a «liquidação» do Papa católico, junto a todo o seu séquito fiel; acontecimento «epocal», que não se quer ver.

Esta visão profética foi censurada justamente no seu tempo, isto é quando seria mais clara, e justamente por quem era chamado em causa, pois ocupava a sede do Papa católico abatido. Trata-se de João 23, o modernista filo-mação eleito em 1958 para convocar o infido Vaticano 2 destinado à tentativa de mudar tortuosamente a Doutrina e tudo o mais na Igreja de Deus. É claro que a este ponto, se antes mencionaram-se atos revolucionários de descristianização no mundo, com isto temos a revolução no seio clerical para cobrir a descristianização global.

Falta um aviso profético sobre o maior mal presente?

Segue a pergunta lógica: poderia o Céu não intervir para amparar a fé dos católicos nesse passo de extremo mal, sob o extremo engano de um «papado» contrafeito? Se com Fátima veio esta ajuda, como pode ser que esses «papas» demonstrem um espírito mariano?

Na verdade, não só pode ser abertamente contestado que os clérigos em questão possam alegar verdadeiro espírito mariano, como que já esta falha espiritual disfarçada possa indicar aquela real inimizade na fé lembrada por São Luis Maria Grignion de Montfort revelada pelos «papas conciliares» de João 23, Roncalli, até Jorge Bergoglio, alheios à Tradição, à integridade do mesmo Papado e da Fé professada pura e inalterada desde sempre pela santa Igreja.

Vamos ver o que há de verdade nisto através do espírito de verdadeira devoção a Maria. Inútil iniciar pelos promotores do Vaticano 2, porque este foi abertamente anti-mariano, tendo, para agradar os protestantes, em modo deliberado cancelado o esquema da Mediação de Maria!

Vejamos como pensava Karol Wojtyla, João Paulo 2º, sobre a posição revelada da «Mulher», que sabemos pela Igreja e pela História ser Maria, a Mãe de Jesus Cristo.  De fato, Pio IX, na definição dogmática da Imaculada, mais de uma vez refere-se ao poder da Mulher imaculada sobre Satã; começa por citar Gn 3,15: «Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua estirpe e a Sua; Ela pisar-te-á a testa e tu lhe ameaçarás o calcanhar». O Papa lembra-o também na introdução à Bula de definição com as seguintes palavras: “Certamente era conveniente que uma Mãe tão venerável resplendesse sempre ornada do esplendor da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, obtivesse o mais perfeito triunfo sobre a antiga serpente». No fecho da Bula o Papa Pio IX evoca ainda a oposição fundamental, cujo êxito final foi a vitória de Cristo para a salvação dos homens, na qual a Virgem Mãe cooperou; o Papa acentua a luta perene de Cristo revelada na Genesis e a parte de Maria, nova Eva, nela; participando na Encarnação com a sua «mediação materna» e aperfeiçoando-a sob a Cruz, ápice dessa luta, ou seja no coração mesmo do mistério de sua Ora.

Podemos, pois, ver a presença de fundamentos bíblicos no contexto da Imaculada Conceição. Mas isto não foi compartilhado por todos; parece que a Escritura não fala da Imaculada, que é da tradição. Já o cardeal Roberto Belarmino, declarava: “Sob a conceição da Virgem Imaculada, nada temos nas Escrituras, nem mesmo na Tradição”. Contudo, acrescenta, esta doutrina pode ser aceite por todos os fiéis como piedosa e santa na base da Escritura e dos Padres em geral.

João Paulo 2º, diante da alegada falta de fundamento bíblico do Dogma diz, na sua catequese de 29 de maio de 1996, que «para a Igreja do Oriente, a  expressão “cheia de graça” (Lc 1:28) foi interpretada, desde o século VI, no sentido de uma santidade singular que Maria e que para o magistério no chamado Proto-Evangelho de Lucas (Gn 3:15) é indicada uma fonte bíblica da verdade da Imaculada Conceição de Maria, citada também o capítulo 12 do Apocalipse, que fala da “mulher vestida de sol”. A exegese atual concorda em ver nesta mulher a comunidade do povo de Deus […]. Mas junto com a interpretação coletiva, o texto sugere uma afirmação individual […]. A mulher – a comunidade – descrita com a aparência da mulher, Mãe de Jesus.

João Paulo 2º também reitera que a verdade da Imaculada Conceição é classificada como “doutrina revelada por Deus”; em seguida, ao incorporar as palavras de Ineffabilis Deus “, ela deve ser crida firmemente e constantemente por todos os fiéis.” Tudo tradicional? Vejamos isto na sua fala no original italiano.

In cauda venenum

  • «Accanto al racconto lucano dell’Annunciazione, la Tradizione ed il Magistero hanno indicato nel cosiddetto Protovangelo ( Gen 3, 15 ) una fonte scritturale della verità dell’Immacolata Concezione di Maria. Questo testo ha ispirato, a partire dall’antica versione latina: “Ella ti schiaccerà la testa” [ipsa conteret], molte rappresentazioni dell’Immacolata che schiaccia il serpente sotto i suoi piedi.
  • «Abbiamo già avuto modo di ricordare in precedenza come questa versione non corrisponda al testo ebraico, nel quale non è la donna, bensì la sua stirpe, il suo discendente, a calpestare la testa del serpente. Tale testo attribuisce quindi, non a Maria, ma a suo Figlio la vittoria su Satana. Tuttavia, poiché la concezione biblica pone una profonda solidarietà tra il genitore e la sua discendenza, è coerente con il senso originale del passo la rappresentazione dell’Immacolata che schiaccia il serpente, non per virtù propria ma della grazia del Figlio…
  • «L’attuale esegesi converge nel vedere in tale donna la comunità del popolo di Dio, che partorisce nel dolore il Messia risorto. Ma, accanto alla interpretazione collettiva, il testo ne suggerisce una individuale nell’affermazione: “Essa partorirà un figlio maschio, destinato a governare tutte le nazioni con scettro di ferro” (12, 5). Si ammette così, con il riferimento al parto, una certa identificazione della donna vestita di sole con Maria, la donna che ha dato alla luce il Messia. La donna-comunità è descritta infatti con le sembianze della donna-Madre di Gesù.»

No livro da Gênesis, está escrito que vai ser a mulher e sua prole a pisar na cabeça da serpente, inimiga de Deus e dos homens; inimigo que, nos tempos atuais, suscitou uma hidra de muitas cabeças satânicas. A mais feroz impôs a ideologia nascida de erros filosóficos, que se espalhou pelo mundo. Mas a mais enganosa e mortal é aquela que penetrou até o topo da Igreja para abrir as suas portas ao mundo e destruir o rebanho de Cristo com uma pastoral de heresias.

Pio IX na Bula dogmática Ineffabilis Deus sobre a Imaculada Conceição (1854/12/08) interpreta o significado Mariológico Gênesis (3, 15) o Proto-evangelho: “A Santíssima Virgem, foi unida a Jesus Cristo e através de uma ligação extremamente estreita e indissolúvel, estava junto com ele por seus meios a eterna inimiga da serpente cobra venenosa, alcançando um triunfo absoluto sobre ela e, com o pé imaculado, esmagou-lhe a cabeça.” O Papa repete assim a Tradição, não só quanto ao recurso à Virgem Maria, não só para invocar as graças que descem sobre a Igreja através da Mãe de Deus, mas para iluminar o princípio da sabedoria: o da submissão à Vontade divina.

Na exegese ‘conciliar’ de João Paulo 2º de 29.5.96 sobre o texto da Gênese  “… versão que não corresponde ao texto hebraico, no qual não é a Mulher, mas a sua descendência, o seu descendente a pisar a testa da serpente”…

Nesta exegese encontramos pelo menos duas alterações convergentes a uma conclusão de sabor ecumenista. A primeira é a alusão ao texto hebraico cuja concepção bíblica “seria mais esclarecedora que a interpretação dos Papas, representando a Autoridade divina da Igreja, que sempre reconheceram o significado Mariológico deste texto. Em nossa era o Papa Pio XII fez em sua bula dogmática Munificentissimus Deus para a definição da Assunção de Maria Santíssima.

A segunda é que haveria uma interpretação cristológica da Gênesis, que em vez de completar esse sentido Mariológico, o exclui quanto à estirpe da Mulher. Ei-la: a semente da mulher, unida a Cristo por uma ligação muito estreita e indissolúvel, seria a humanidade redimida pelo seu Filho Salvador; união é fixada por toda a eternidade, de modo que os Santos Padres vejam em Maria “a nova Eva estreitamente unida ao novo Adão …” união em uma inimizade comum contra o diabo sedutor e uma vitória total sobre ele. ” (Pio XII, ibid.).

  • Diz João Paulo 2º : «Il parallelo, istituito da Paolo fra Adamo e Cristo, è completato da quello fra Eva e Maria: il ruolo della donna, rilevante nel dramma del peccato, lo è altresì nella redenzione dell’umanità. Sant’Ireneo presenta Maria come la nuova Eva che, con la sua fede e la sua obbedienza, ha controbilanciato l’incredulità e la disobbedienza di Eva. Un tale ruolo nell’economia della salvezza richiede l’assenza di peccato. Era conveniente che come Cristo, nuovo Adamo, anche Maria, nuova Eva, non conoscesse il peccato e fosse così più atta a cooperare alla redenzione. Il peccato, che quale torrente travolge l’umanità, s’arresta dinanzi al Redentore e alla sua fedele Collaboratrice. Con una sostanziale differenza: Cristo è tutto santo in virtù della grazia che nella sua umanità deriva dalla persona divina; Maria è tutta santa in virtù della grazia ricevuta per i meriti del Salvatore.»

A conclusão ecumenista. A este ponto, pode-se perguntar porque fazer pairar sombras sobre a interpretação tradicional da Igreja do texto base para a compreensão da missão de Maria na obra da Redenção? A resposta pode ser obtida considerando a palavra “linhagem”, estirpe (descendentes). Há duas, na verdade: a primeira de Eva, isto é, toda a humanidade; e a segunda de Maria, que é a dos que creem e vão renascer na fé do Redentor, ou seja, os cristãos de sempre. É claro que para uma “nova teologia”, cristãos anônimos, que nem sabem da Fé e de Maria, desfrutam da redenção universal, pois existe apenas uma linhagem, dos filhos da primeira Eva, para eles é garantida, que o saibam e queiram ou não, a vitória na fé sobre o «inimigo», não pela própria virtude, mas pela graça «para todos» de Cristo”. Para a redenção do Pecado original, até a segunda Eva teve que ser preservada, mas o seu benefício seria para todos, seria a «redenção universal» da «Redemptor hominis» e do Vaticano 2. Esta a nova «exegese» que assenta as suas raízes na “nova consciência conciliar”, boa para todas as crenças e até para a mais negra incredulidade.

Vista a tortuosa alteração operada por João Paulo 2º na compreensão da parte de Maria SS. no Mistério da Redenção, não pode admirar que ele tenha querido encampar também para si a posição central de «papa vítima» no Segredo de Fátima; um passo falso que o próprio texto da terceira parte desse Segredo desvenda: a verdadeira vítima foi o Papa católico com todo o seu séquito fiel, que não caem nas tramoias de novos evangelhos, com novas falsas redenções.

Assim, pode-se compreender como a Profecia de Fátima nos defende das mentiras a serviço dessa descristianização final para o qual colabora, um catolicismo invertido admitido por outro… postiço, que mesmo sem querer, o aceita como vindo de um papa herético mas legítimo! Basta ver a posição equívoca de tantos diante de Bergoglio!

Na verdade, continuamos a viver um problema cujo aspecto prático tem dimensão enorme, devido ao aumento da indiferença, da descrença, do oportunismo, de erros e heresias diante da Fé da Igreja. Em breve, devido à apostasia geral. Tudo isso faz com que a solução teológica e canônica – sempre possível em tempos cristãos – parece no nosso impossível, quando, até mesmo ao testemunho público da verdade, de toda a verdade sobre esta falsidade que se vive hoje, são padres a opor-se. No entanto, não pode haver dúvida sobre a necessidade de prestar este testemunho fiel para recorrer a Nosso Senhor. E desde que a Igreja é uma sociedade visível, está aí o testemunho público que deve aumentar em número e lucidez.

E que não se diga faltar para isto o aviso profético sobre o maior mal que é a vacância atual, porque é um fato, o Papado foi abatido e isto é o que está na visão do Segredo de Fátima!

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