Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

«HUMANI GENERIS» DE PIO XII: QUEM CAIU NA CONTRADIÇÃO EVOLUCIONISTA?

Pio XII e Montini

 

Arai Daniele

Visto que cada vez mais ficam demonstradas – cientificamente – as inverdades do que se conhece como «evolucionismo», e visto que Pio XII usou benevolamente esse termo na sua encíclica de 1950, a «Humani Generis», o que se pode concluir, não só sobre essa espinhosa questão, mas também sobre o Magistério papal, que deve ser contrário às inverdades?

Vamos ver em seguida esses textos magisteriais para o entendimento de seus termos.

«I. FALSAS DOUTRINAS ATUALMENTE EM VOGA

  1. Se olharmos para fora do redil de Cristo, facilmente descobriremos as principais direções que seguem não poucos dos homens de estudo. Uns admitem sem discrição nem prudência o sistema evolucionista, que até no próprio campo das ciências naturais não foi ainda indiscutivelmente provado, pretendendo que se deve estendê-lo à origem de todas as coisas, e com ousadia sustentam a hipótese monista e panteísta de um mundo submetido a perpétua evolução. Dessa hipótese se valem os comunistas para defender e propagar seu materialismo dialético e arrancar das almas toda noção de Deus.
  2. As falsas afirmações de semelhante evolucionismo pelas quais se rechaça tudo o que é absoluto, firme e imutável, vieram abrir o caminho a uma moderna pseudo-filosofia que, em concorrência contra o idealismo, o imanentismo e o pragmatismo, foi denominada existencialismo, porque nega as essências imutáveis das coisas e não se preocupa mais senão com a “existência” de cada uma delas.
  3. Existe igualmente um falso historicismo, que se atém só aos acontecimentos da vida humana e, tanto no campo da filosofia como no dos dogmas cristãos, destrói os fundamentos de toda verdade e lei absoluta. 
  4. Os sumos pontífices, dizem eles, não querem dirimir questões disputadas entre os teólogos; e, assim, cumpre voltar às fontes primitivas e explicar com os escritos dos antigos as modernas constituições e decretos do magistério. […]
  1. Esse modo de falar pode parecer eloqüente, mas não carece de falácia. Pois é verdade que os romanos pontífices em geral concedem liberdade aos teólogos nas questões controvertidas entre os mais acreditados doutores; porém, a história ensina que muitas questões que antes eram objeto de livre discussão já não podem ser discutidas.
  2. Nem se deve crer que os ensinamentos das encíclicas não exijam, por si, assentimento, sob alegação de que os sumos pontífices não exercem nelas o supremo poder de seu magistério. Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10, 16); e, na maioria das vezes, o que é proposto e inculcado nas encíclicas, já por outras razões pertence ao patrimônio da doutrina católica. E, se os romanos pontífices em suas constituições pronunciam de caso pensado uma sentença em matéria controvertida, é evidente que, segundo a intenção e vontade dos mesmos pontífices, essa questão já não pode ser tida como objeto de livre discussão entre os teólogos.
  3. ERROS RELATIVOS A CERTAS CIÊNCIAS POSITIVAS
  4. Resta-nos agora dizer algo acerca de algumas questões que, embora pertençam às disciplinas a que é costume chamar positivas, entretanto, se entrelaçam mais ou menos com as verdades da fé cristã. Não poucos rogam insistentemente que a religião católica tenha em máxima conta a tais ciências; o que é certamente digno de louvor quando se trata de fatos na realidade demonstrados, mas que hão de admitir-se com cautela quando se trata de hipóteses, ainda que de algum modo apoiadas na ciência humana, que tocam a doutrina contida na sagrada Escritura ou na Tradição. Se tais conjecturas opináveis se opõem direta ou indiretamente à doutrina que Deus revelou, então esses postulados não se podem admitir de modo algum.
  5. Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), segundo o estágio atual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento, contanto que todos estejam dispostos a obedecer ao ditame da Igreja, a quem Cristo conferiu o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e de defender os dogmas da fé.[ Cf. Aloc. Pont. aos membros da Academia das Ciências, 30 nov 1941;AAS, 33(1941), p. 506] Porém, certas pessoas, ultrapassam com temerária audácia essa liberdade de discussão, agindo como se a própria origem do corpo humano a partir de matéria viva preexistente fosse já certa e absolutamente demonstrada pelos indícios até agora achados e pelos raciocínios neles baseados, e como se nada houvesse nas fontes da revelação que exigisse a máxima moderação e cautela nessa matéria.»

ENTENDIMENTO DOS TERMOS DESSES TEXTOS MAGISTERIAIS

Sobre qual seja o «evolucionismo» que Pio XII entendia e seus estreitos limites, fica explicado na mesma Encíclica; não é de certo o «evolucionismo» referido às espécies que está em voga hoje.

O termo que gerou tanta polêmica é o que nas traduções oficiais, acima vai salientado em português: «matéria viva preexistente»;

em espanhol: «materia viva preexistente»;

em inglês: «pre-existent and living matter»;

 em francês : «matière déjà existante et vivante».

Na língua em que o Papa escreveu o documento, isto é em italiano, os termos são outros: «materia organica preexistente».

Ora, em questão extremamente delicada como esta, não seria justo e salutar utilizar o mesmo termo, pois que «orgânico» existe nessas línguas? Seria incidir em alguma «teoria de conspiração» notar essa escolha possivelmente tendenciosa do termo «vivo», que pode induzir confusões? Não há uma grande parte da química nomeada «orgânica» porque ligada aos produtos do carbono, que sempre matéria inanimada é?

Na verdade, sempre com a intenção de aproximar o mais possível o pensamento do Papa, diga-se que dizer «materia viva preexistente» admite mais a ideia de descendência humana ligada à vida (de preexistentes primatas), que «matéria orgânica preexistente».

Isto porque, por exemplo, referir-se ao corpo de um animal vivo, um macaco, seria empolado nomeá-lo matéria orgânica preexistente.

Por outro lado, a forma usada por Pio XII é mais conforme ao pensamento lógico segundo o qual, Deus, criando o corpo humano para viver nesta terra, o tenha dotado da mesma série «orgânica preexistente» para responder às necessidades vitais comuns dos animais que vivem nesta terra.

Pode-se falar então, mais que de «matéria», da «forma material orgânica preexistente», pois que o homem, como qualquer animal, têm sistemas orgânicos análogos, diferenciados, mas para funções comuns aos animais, ou seja, sensoriais e de movimento, de respiração, alimentação, de visão etc., só diferenciam-se nos detalhes; o coração do porco e do homem, são tão semelhantes organicamente, que se projeta, na falta de outros, transplantes parciais do coração de porco no homem! etc.

Hoje sabe-se como o DNA entre o homem e os outros animais é semelhante. Enfim, na criação do homem não se vê porque o Criador não devia partir de matriz orgânica de vida que já criara e é existente em muitas formas nesta terra.

Certamente a vida vem do Espírito. Nesse sentido a vida humana é projeto único e superior de alma espiritual; obra de arte divina para a qual Deus usou o limo da terra, matéria mineral, (que seria também orgânica se composta de carbônio, um elemento dos mais presentes na natureza terrestre).

Assim, nada destoa do escrito na Gênesis sobre a criação do homem, criatura de matriz animal, embora lhe tenha sido dada a vontade livre de elevar-se a filho de Deus.

De todo modo, as palavras de Pio XII sobre o evolucionismo tiveram consequências negativas porque utilizadas por outros para justificar um evolucionismo mitigado modernista que tinha importantes defensores junto ao Papa. Um foi o padre jesuíta Augustin Bea, seu confessor, depois cardeal de João 23 e um dos responsáveis pelos erros ecumenistas sobre os judeus. Outro seria Montini, o todo poderoso que se vê ao lado do Papa na foto acima?

Na «Humani Generis» Pio XII faz restrições às teses evolucionistas, especialmente quanto ao erro de negar o monogenismo ligado a Adão e Eva, favorecendo um poligenismo condenado. Mas suas palavras de prudência foram instrumentalizadas num mundo já impregnado com a mentalidade de um relativismo evolucionista, que permitia qualquer discussão, sem excluir que Adão possa significar não uma só pessoa, mas uma multiplicidade de pais.

Isto, também devido à frase (n. 37): «os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural.» O «antes» ficaria em aberto, como bem notou o Orlando Fedeli (v. Monfort, evolucionismo)?

Devido a imprecisões deste tipo, evolucionistas e modernistas avançaram cada vez mais na alteração doutrinal que explodiu com João Paulo 2º num discurso na Academia Pontifícia de Ciências (outubro de 1996) quando admitiu o evolucionismo, não mais hipótese mas ciência.

Aqui eu poderia continuar com tantas considerações: sobre a marcante feiura dos macacos, providencial para evitar qualquer confusão; sobre o fato da mulher nascer com a virgindade, que nada tem em comum com a vida animal, com a liberdade humana que exclui quase todo instinto, etc… mas na brevidade normal destes artigos vou concluir agora passando ao valor da encíclica e a confusão atual sobre o valor do Magistério católico.

ANALISAR UMA ENCÍCLICA DESRESPEITA O MAGISTÉRIO?

Os Papas sobre tantas matérias, e são deveras inumeráveis as que interessam a vida e o aperfeiçoamento espiritual humano, limitam-se a definir infalivelmente sobre as mais eminentes – como lhes foi concedido por Nosso Senhor. Por isto há também um magistério ordinário que não propõem como infalível. Mas, se este pode ser definido falível, nem por isto é dispensável ou exposto ao risco de ensinar o erro. Portanto as palavras desta encíclica sobre a defesa do magistério ordinário não infalível, como se «não exijam, por si, assentimento», são fortes: O Pontífice legítimo é sempre a Voz de Jesus para a conversão e salvação dos homens.

Inversamente, o magistério abertamente em ruptura com o precedente, mesmo ordinário, desvela a marca para distinguir sua procedência de falsos Cristos e falsos pastores, que não devem ser seguidos mas anatemizados. É mandato evangélico e apostólico.

O sofisma atual de muitos é pensar que o mandato seja repudiar esse magistério de erros e heresias sem repudiar porém os seus autores. Ideia ilógica e vã, pois os falsários da Doutrina continuarão a promover a ruptura em nome da mesma Igreja e papado.

É a situação que vivemos há mais de meio século, com o peso insuportável desse falso magistério conciliar imposto com o rótulo de um «concílio ecumênico». A ele, há que somar o peso assustador do interregno de desvios, perseguições, decadências e apostasias, que perdem multidões.

Toda e qualquer semelhança que alguém queira estabelecer entre essa monstruosidade de erros e heresias sem igual na história da Igreja e uma possível impropriedade no uso do termo «material orgânico» desta importante encíclica, ou outra, é desvario mental e moral; é grave decadência da própria consciência.

 

16 Respostas para “«HUMANI GENERIS» DE PIO XII: QUEM CAIU NA CONTRADIÇÃO EVOLUCIONISTA?

  1. Pro Roma Mariana setembro 6, 2016 às 9:40 am

    Interessante seria examinar o texto latino; penso que tal será possível na Internet. De qualquer modo é verdade que “matéria orgânica” ,de si, significa matéria inanimada, mas apropriada para ser insuflada com o sopro da vida – QUE SÓ DEUS PODE DAR. Mas Pio XII devia ter sido mais cuidadoso.
    Alberto Neves Cabral

  2. Pro Roma Mariana setembro 6, 2016 às 9:57 am

    Pio XII devia ter sido muito mais cuidadoso com seus colaboradores mais próximos como seja Montini (foto), Bea como confessor, Bugnini na Liturgia. Mas naquele tempo legiões de desviados enfronhados já perambulavam no Vaticano, nas nunciaturas e não só; também para traduzir, sem exclusão do Latim: “ex iam exsistente ac vivente materia oriundi…!

  3. henrique setembro 6, 2016 às 3:14 pm

    Prezados Alberto e Araí,

    A propósito das narrativas que os cientistas naturais de hoje nos apresentam, como descrição das eras passadas do mundo, foi dito em publicação recente (de autoria do Alberto Cabral) que se deve ter muito cuidado com as falsas e espetaculares asserções das ciências modernas.

    Com efeito, lendo-se a respeito desses assuntos, a impressão que um leigo tem é que as tais narrativas – por exemplo, a antiguidade da Terra e a descendência comum dos seres vivos – são teses já comprovadas, e tão sólidas que negá-las seria equivalente a negar a esfericidade da Terra.

    Eis portanto que o establishment acadêmico nos apresenta narrativas, alegadamente suportadas por investigações, que contradizem a narrativa revelada. Mas sabemos que a Revelação é infalível e que não pode estar em desacordo com o que se observa no mundo criado pelo próprio Deus, e que embora a Bíblia não seja um livro de ciência natural, não há muito espaço para lê-la de outro modo que não o literal no que tange à gênese do mundo (vide texto do Alberto Cabral).

    O erro portanto está com o establishment acadêmico. Mas de que modo erra a academia, precisamente? Erra nos homens – que não apresentam os dados com honestidade, que não se corrigem mutuamente como deveriam – ou nas investigações propriamente ditas – equivocadas em alguma de suas fases, na coleta de dados, na reprodução de fenômenos, na posterior interpretação dos resultados? Quer dizer: é um problema moral ou técnico?

    Ambas me parecem assumpções muitíssimo temerárias: que o establishment acadêmico seja composto por uma minoria de fraudadores influentes, seguidos por multidões de cientistas ingênuos; ou que quase todos os homens da ciência se equivoquem em conjunto sobre temas de sua especialidade.

    Suspeito que a verdade esteja em algum ponto no meio disso.

  4. Pro Roma Mariana setembro 6, 2016 às 6:21 pm

    A 4 de Fevereiro de 2014 o Promariana publicou o meu artigo -“Uma pequena deficiência no Magisterio Pontificio.”
    Aí, o termo “orgânico” é realmente interpretado como vida, ainda que de forma genérica. Não creio que Pio XII tivesse utilizado a definição quimica do termo “orgânico “. Em sentido vulgar, “orgânico”, quer dizer : Relativo à vida.
    Alberto Neves Cabral

    Enviado a partir do meu smartphone Samsung Galaxy.

  5. Zoltan Batiz setembro 6, 2016 às 6:35 pm

    O quem caiu na contradição evolucionista? Wojtyla e especialmente Ratzinger com a “continuidade hermenêutica”.

  6. Pro Roma Mariana setembro 6, 2016 às 6:57 pm

    O termo “orgânico” pode ser interpretado como relativo à vida, em forma genérica. Pio XII pode não te-lo utilizado sem pensar em química “orgânica“. Resta que existe o termo em tais línguas, mas preferiram traduzir mesmo vida e basta. E daí seu sentido vulgar passou a ser um corpo vivo de animal, do qual derivou o corpo humano. Tudo numa encíclica papal, que lembra o dever de ouvir o Papa. E daí o sentido vulgar passou a ser que ele erra mesmo, alias como os conciliares neste tempo de trevas. Eu fico com a ambiguidade do «orgânico», também pelas demais razões aduzidas!

  7. Pro Roma Mariana setembro 7, 2016 às 8:01 am

    RESPOSTA À ULTIMA QUESTÃO DO SENHOR HENRIQUE

    Existem no mundo científico determinadas questões que se situam na fronteira da realidade: O princípio e natureza profunda do universo; a origem do tempo e do homem, a finalidade, mesmo física, do Universo; os mistérios do funcionamento do cérebro, etc. Tais questões não podem ser consideradas estritamente científicas, pelo simples facto de que elas também percorrem terreno religioso. Nenhuma inteligência finita poderá alguma vez abarcar todo o conhecimento possível acerca da Criação. Só Deus. Consequentemente, e na medida em que a esmagadora maioria dos cientistas são ateus ou agnósticos, na melhor das hipóteses – deístas; encontram-se assim privados da Luz Sobrenatural que os habilitaria, extrìnsecamente, a interpretar rectamente os dados científicos que possuem. Pior ainda, existe, desde há dois séculos, como que um complot do mundo científico contra a Fé Católica e a Sagrada Escritura.
    A actividade científica é legítima; Nosso Senhor deixou à indústria humana a descoberta da constituição íntima das coisas visíveis, DESDE QUE CONSTITUA UMA ACTIVIDADE ILUMINADA PELA GRAÇA SOBRENATURAL. Isto é tanto mais verdade, quanto a própria sagrada teologia contempla as conclusões teológicas, extraídas de premissas reveladas e de premissas obtidas através da experiência natural. A Revelação projecta uma luz suavíssima sobre as fronteiras da realidade. Nunca pode haver contradição entre a ciência e a Fé, mas para a inteligência finita também nunca haverá perfeita coincidência. Mas isso é maravilhoso, pois faculta-nos a medida transcendental daquela Sabedoria Divina que Se revelou aos homens de duas maneiras: Através da Natureza e suas leis; e através da Revelação positiva, Sobrenatural, pròpriamente dita.

    Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

    2 – De que modo erram essas academias? Em geral a pesquisa parte de uma hipótese de trabalho, que deve ser provada. Mas já nesta inserem-se pressupostos com dados em voga e por isto pouco honestos, como no caso da evolução. De modo que não se corrige o que mutuamente preferem, como deveriam – mas tendem a corrigir a realidade!: um problema moral que se torna técnico. Tudo parte da finalidade da ciência, se conhecimento do real, atividade mais que legítima, pois parte de apetite inato e pode-se por isto dizer querida por Deus, Nosso Senhor. De fato, para vislumbrar o limite do material, a partir do qual só há o incomensurável, deve-se aproximá-lo com a mente, para, com toda humildade, reconhecer a fronteira humana e a maravilha da infinita Sabedoria divina, presente na natureza. Arai

    • henrique setembro 7, 2016 às 12:02 pm

      Agradeço a ambos pela resposta.

      Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

    • henrique setembro 7, 2016 às 1:15 pm

      Uma breve reflexão sobre a “teoria da evolução”.

      A teoria da evolução me atormentou ainda por bom tempo desde que voltei à Fé. Mas livrei-me disso ao constatar que a tal “teoria científica” se trata de uma crença materialista travestida de ciência. Quer dizer: primeiro creem na evolução, e só depois saem à cata de fatos que possam sustentar a narrativa, desprezando os demais. Observem como os fatos que os evolucionistas reclamam em favor da teoria mudam constantemente – como é costume na investigação científica, à medida que aumenta a capacidade dos equipamentos. Pergunte a um deles se ele abandonaria a crença na evolução caso o fóssil “Lucy” fosse provado como fraude; ou caso alguma similaridade bioquímica entre duas espécies vegetais, que se acreditava serem “primas”, fosse provada inexistente. Na verdade, a teoria não seria abandonada: no máximo, o evolucionista mudaria a narrativa da evolução da espécie humana e da espécie vegetal – antes se acreditava que o macaco-homem viveu por aqui e comia tal coisa, agora se julga que ele viveu por lá, e comeu outra coisa; etc.

      Aliás: observem como os naturalistas do século XIX já pregavam a evolução das espécies, embora não dispusessem de quase nenhum dos avançados conhecimentos celulares, bioquímicos, genéticos e paleontológicos que os evolucionistas de hoje reclamam em favor da teoria. Que teoria “científica” é essa, que é imune a todo o avanço da ciência? Há portanto uma “teoria da evolução” que está por trás de todas as narrativas evolucionistas para cada espécie em particular; uma “teoria” que é anterior a toda a investigação científica. O nome disso é CRENÇA MATERIALISTA.

      Mais: mesmo de um ponto de vista irreligioso, a teoria da evolução é incrivelmente temerária. Os evolucionistas querem acreditar que de um simples organismo inicial, digamos uma célula primitiva, evoluíram todos os organismos atuais, incluindo o homem, através de um mecanismo de mutação, hereditariedade e seleção. Mas para estabelecer a continuidade entre duas coisas, A e B, requer-se primeiro que se saiba o que é A e o que é B. Isso é óbvio. Não se prova a continuidade entre duas coisas desconhecidas. Agora vejam como os cientistas de hoje ainda ignoram enormememte o funcionamento de uma simples célula. Muito mais o funcionamento de um homem. Como querem portanto que seja óbvia a continuidade entre uma célula e um homem, se não sabem nem o que é uma célula, muito menos o que é um homem?

      E não obstante é isso o que afirmam, e com altivez: que há continuidade. Mas vá perguntar a eles alguma particularidade do funcionamento de uma simples célula, uma das inúmeras particularidades que ainda ignoramos, e veja se sabem responder. Não sabem responder a particularidade, MAS SABEM QUE DALI SAIU UM HOMEM???

      Um salto desses só é explicável por uma CRENÇA MATERIALISTA, e uma crença muito forte.

  8. henrique setembro 7, 2016 às 1:29 pm

    Mas vou trazer o caso das datações radiométricas – que é, na verdade, um dos que mais me inspira a questão que coloquei no primeiro comentário acima.

    Apresenta-se, nos livros de ciências, datas de milhares, milhões e bilhões de anos com a maior naturalidade, com base na técnica das datações radiométricas.

    Meu conhecimento técnico do assunto não ultrapassa o dos livros de divulgação científica mais elementares, de modo que sempre tive tais datações como uma firme certeza da parte dos cientistas; similar, em termos de certeza, àquela que se pode ter da idade de uma árvore pela contagem dos seus anéis de crescimento.

    Então pergunto ao senhores, ou a algum leitor esclarecido, qual é, verdadeiramente, o grau de certeza que se pode ter das referidas datações.

  9. henrique setembro 7, 2016 às 2:04 pm

    Sobre a pergunta anterior: bem sei da margem de erro nas datações radiométricas; não é na precisão que as comparo aos anéis de crescimento das árvores, mas na certeza do princípio que as fundamenta. Isto é: assim como é absolutamente certo que ano após ano as árvores crescem um anel de lenha, de tal modo a se poder determinar com certeza indiscutível a idade da árvore pelo número de anéis, pois não se admite que um anel cresça por outro motivo além da passagem de um ano; também é certo, pergunto, que a medida radiométrica de um material esteja relacionada apenas à passagem do tempo? Não se admite, pergunto, que a medida radiométrica dos materiais, frequentemente datados de milhões de anos nos livros de ciência, seja influenciada por outros fatores além da passagem do tempo?

  10. Roberto setembro 7, 2016 às 7:08 pm

    Creio que o problema do evolucionismo seja querer provar que a evolução seja feita por si só. Uma transformação sem uma causa inteligente, Deus.
    Ora, isso é impossível. O evoluir, ou seja, passar de algo inferior para algo superior, teria que partir de um determinado ponto no tempo, onde houvesse um estado muito primitivo, entretanto, nesse inicio da evolução teria que haver um ato intelectual e racional para compreender e operar esse aperfeiçoamento. O evolucionismo nega isso, nega que seja necessário inteligência para que algo atinja sua perfeição. A própria ´natureza´ se encarregaria de fazer tudo, o macaco em pura questão de tempo e simples arranjo biológico, desceria da árvore e começaria a fazer um cálculo de trigonometria.
    Fazendo isso e impondo esse ensinamento, o evolucionismo elimina a causa inteligente do princípio de toda a criação, Deus. Enfim, alcança seu objetivo, eliminar Deus.

    • Pro Roma Mariana setembro 8, 2016 às 8:40 am

      Pois é, querem que seja o uso e a necessidade da vida a modificar e aperfeiçoar os orgãos, causando a evolução por ex. da inteligência simiesca em humana. Na verdade, a capacidade da inteligência humana é desconhecida pelo mesmo homem, que só a utiliza em parte. Quem é a pessoa capaz de usar muito além dos 20% da sua própria inteligência? Mas para as ideias invertidas dos evolucionistas, tais raciocínios, pelo qual o mais não pode ser tirado do menos, não há problema; tanto tudo vem do acaso (ou do caos), que em bilhões de anos torna real até esses deslavados absurdos. Tudo, a fim de que o ser humano não fique extasiado diante de Quem lhe é infinitamente superior.

      • Alberto Cabral setembro 8, 2016 às 6:02 pm

        Seja como for, está revelado na Sagrada Escritura que o homem foi criado independentemente das plantas e animais -DO PÓ DA TERRA – logo a partir da matéria inorgânica, no sentido de matéria não viva.E foi criado homem e não antropoide preparado para evoluir.
        Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

  11. Pro Roma Mariana setembro 8, 2016 às 8:30 pm

    De Zoltan Batiz
    Caro Arai, quis fazer um comentário mas perdeu-se de novo. Lendo os outros, me ocorreu dizer o seguinte:
    O quem caiu na contradição evolucionista?
    Wojtyla e especialmente Ratzinger com a continuidade hermenêutica.

    Mesmo que o evolucionismo possa explicar a vida sem Deus, isto não tem relevância alguma, porque existe um argumento ontológico: se a existéncia do Deus for possível, é uma necessidade. Pois os de tipo Richard Dawkins deviam primeiro provar que esta existência é impossível. Aí vem a descrição deste argumento por David Wood:
    http://www.acts17.net/2016/08/the-ontological-argument-for-existence.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Acts17+%28Acts+17%29
    Pax et bonum.

    • Pro Roma Mariana setembro 8, 2016 às 9:07 pm

      Toda a vida vem do Espírito Criador; toda vida la terra vem – DO PÓ DA TERRA – logo a partir da matéria inorgânica, no sentido de matéria não viva. E foi criado o homem em outro dia, portanto separado das demais criaturas. De todo modo, isto não quer dizer que sua «estrutura» orgânica não seja semelhante a dos outros animais.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: