Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS CAMINHOS DE DEUS E O ROMPIMENTO COM O MUNDO

ajuda-divina

NUMA SITUAÇÃO TÃO TRISTE E DIFÍCIL, SÓ PODEMOS PEDIR O REMÉDIO AO PODER DIVINO, POIS OS REMÉDIOS HUMANOS SÃO INADEQUADOS AOS MALES.

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em passagens da sua encíclica “Quamquam pluries”, promulgada em 15 de Agosto de 1889:

«Ainda que tivéssemos mandado mais vezes que em todo o mundo católico se fizessem orações especiais, e com a maior insistência se recomendassem a Deus os interesses da Igreja, mesmo assim, ninguém se há-de admirar se neste ano julgamos nosso dever inculcar novamente um tal preceito.

Com efeito, nos momentos difíceis, e particularmente quando o poder das trevas parece tudo ousar para a ruína da Religião Cristã, a Igreja, costuma invocar e suplicar com vigor e constância maior, a Deus, seu Fundador e Protector, interpondo também a intercessão dos santos e especialmente da Virgem Mãe de Deus, porque da protecção deles espera o mais válido apoio aos seus interesses. E cedo ou tarde manifestam-se os frutos das orações piedosas e das esperanças que ela pôs na Bondade de Deus.

Ora Veneráveis irmãos, vós conheceis as adversidades do nosso tempo, que é bem mais prejudicial para a Religião Cristã do que aqueles que passaram. Vemos como num grandíssimo número de fiéis desaba a Fé, fundamento de todas as virtudes cristãs; resfria-se a Caridade, a juventude cresce na depravação dos costumes e das ideias; a Santa Igreja de Cristo é assaltada de todas as partes com a violência e a fraude – faz-se uma guerra feroz ao pontificado, com ousadia crescente corroem-se os próprios fundamentos da Religião. Não é preciso demonstrar, por ser demasiado conhecido, até que ponto se chegou nesta descida nos últimos tempos, e que se quer fazer pior ainda.

NUMA SITUAÇÃO TÃO TRISTE E DIFÍCIL, SÓ PODEMOS PEDIR O REMÉDIO AO PODER DIVINO, POIS OS REMÉDIOS HUMANOS SÃO INADEQUADOS AOS MALES.

Por isso julgamos ser nosso dever excitar a piedade do povo cristão, a implorar com ardor e perseverança maiores a ajuda de Deus Omnipotente. Portanto, ao aproximar-se do mês de Outubro, que já outras vezes declarámos consagrado à Virgem do Rosário, exortamos vivamente os fiéis a transcorrê-lo todo com a maior assiduidade e com o mais alto espírito de devoção e piedade.

Na bondade Materna da Virgem sabemos encontrar refúgio seguro, temos a certeza que a nossa esperança n’Ela não é vã. Se em centenas de outras ocasiões particularmente graves para o Cristianismo, Ela fez sentir a eficácia da sua ajuda, por que deveríamos duvidar que ela queira repetir as provas do seu poder e de seu favor, quando os fiéis, todos juntos em humildade de espírito, e com constãncia, a invocarem?

Até devemos acreditar que sua intervenção será tanto mais admirável quanto mais longamente se tenha deixado suplicar.»

Quem escreve estas linhas passou pela dura experiência, e considera-se vítima, de ter estudado em colégios NOMINALMENTE católicos, já em época conciliar, mas com os sacerdotes ainda trajando batina. O maior crime do Regime do Estado Novo Português (1926-1974) foi a continuada e firme hostilidade que sempre manifestou a ministrar uma educação católica ao povo português, particularmente à juventude. Não constitui injustiça nenhuma a asserção de que, no terreno religioso, Oliveira Salazar (1889-1970) foi um digno sucessor de Afonso Costa (1871-1937). Foi o Estado Novo de Salazar QUE CONSOLIDOU A SEPARAÇÃO DA IGREJA E DO ESTADO.      

Assinale-se que o regime liberal de união entre a Igreja e o Estado, vigente no século XIX, na Europa e na América Latina, CONSTITUÍA UMA FORMA HÁBIL DE PERVERSÃO DESSA UNIÃO, GIZADA PELA MAÇONARIA INTERNACIONAL, COM O OBJECTIVO ÚNICO DE ESCRAVIZAR, E SE POSSÍVEL DESTRUIR, A SANTA MADRE IGREJA.

Paralelamente ao referido desinteresse profundo do Estado Novo na educação católica, os colégios NOMINALMENTE católicos só agravavam a condição religiosamente desesperada da juventude portuguesa durante o Estado Novo.

Um adolescente compreende perfeitamente quando um adulto, neste caso um sacerdote, transmite uma doutrina que não sente nem vive. Isto na melhor das hipóteses. Além disso, de que serve ter uma cadeira de Religião e Moral, se nas disciplinas profanas, a começar pela de filosofia, os alunos reconhecem que os professores não querem saber rigorosamente para nada da Religião, sendo, inclusivamente, agnósticos ou deístas? Pois tudo isto se passava nos estabelecimentos de ensino frequentados nos anos sessenta pelo autor destas linhas.

O Papa Pio XI, na encíclica “Divini Illius Magistri” proclamou solenemente que o ensino católico deve abarcar todas as disciplinas, em todos os graus de ensino, em todos os cursos, e em todos os estabelecimentos de ensino, públicos e privados.

Os caminhos de Deus, ou são perfeitamente íntegros, ou não são. A Santa Madre Igreja sempre considerou o mundo como o inimigo fundamental da alma. Mais ainda: A ALMA QUE QUER SALVAR-SE TEM QUE ESTAR DISPOSTA A INVERTER RADICALMENTE O SENTIDO AOS CAMINHOS DE VIDA CONSIDERADOS NORMAIS PELAS PESSOAS DO MUNDO.

Não é possível, metafísica e teològicamente, abraçar, unívoca e paralelamente, Deus e o mundo. Karol Wojtyla, nas suas pseudo-encíclicas considera ser este abraço a grande novidade do Vaticano 2; o que significa que a sua metafísica e a sua teologia eram intrìnsecamente falsas, e que ele próprio era panteísta, e o panteísmo é umna forma evoluída e elegante de ateísmo. Porque uma recta concepção do mundo e do homem só se pode processar, hierárquica e anàlogamente, à Luz Sobrenatural de Deus Nosso Senhor.

Romper com o mundo, significa formalmente: Excluir de nós, totalmente, o espírito do mundo, que depois do pecado original é, essencialmente, uma recusa obstinada, não apenas da Ordem Sobrenatural, mas também de pontos fundamentais da Ordem Natural.

Antes e sem o pecado original, o mundo não seria um inimigo da alma, pelo contrário, seria um aliado na nossa ascensão para Deus. Todavia, e porque haveria sempre a possibilidade de queda, num mundo sobrenatural e preternaturalmente transfigurado, mas contingente e finito, jamais se poderia amar Deus e o mundo num acto do mesmo nível ontológico e moral, sem cair no referido panteísmo.

Tudo, absolutamente tudo, na seita anti-Cristo, na seita saída do Vaticano 2, afasta de Deus Nosso Senhor, eliminando-O, precipitando-nos no lodaçal moral deste mundo corrompido e seduzido por satanás.

Antes do pecado original, a vinculação às coisas de Deus e às realidades Sobrenaturais, era fácil e espontânea; porque a constituição ontológica do mundo e do homem possuía uma elevação Sobrenatural e Preternatural que apelava universalmente à virtude.

Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu, foi a mais santa de todas as criaturas, todavia n’Ela a virtude era fácil e espontânea, apesar de viver num mundo corrompido, a sua adesão às realidades celestiais constituía um movimento suavíssimo, dulcíssimo, totalmente iluminado, e sem qualquer sombra de hesitação ou tentação. Porque em Nossa Senhora, as maravilhas da Graça Divina, dos Dons do Espírito Santo, das Virtudes Teologais e Morais, constituíam, em absoluto, o Princípio e o Fim de toda uma existência não maculada pelo pecado, original e actual.

Mas para nós, que contraímos o pecado original, que nascemos com ele; pelo menos os movimentos iniciais da nossa ascensão para Deus Nosso Senhor, ainda que plenamente sustentados pela Graça Divina e pelos Dons do Espírito Santo, são difíceis e dolorosos, custa-nos abandonar as vaidades do mundo, as curiosidades do mundo, os interesses desordenados do mundo. Só após nos havermos desenvolvido copiosamente no amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, só então, a prática dos Mandamentos se tornará fácil, e tanto mais fácil quanto mais ascendermos na vida Sobrenatural. Cumpre registar que essa facilidade é puramente intrínseca – eliminando por isso as tentações intrínsecas, mas não as extrínsecas, das quais nem Nosso Senhor se livrou – incorporando-se e traduzindo-se sobretudo na conservação da castidade de cada um segundo o seu estado, na moderação na comida e na bebida, bem como no afastamento do mundo; tudo isto, em lugar de ser penoso, torna-se, sobrenaturalmente, altamente gratificante. Evidentemente que as perseguições, os abandonos, os ralhos do mundo, continuam a causar-nos sofrimento, como causaram ao próprio Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora.

Constitui gravíssimo erro teológico, considerar que a penosidade é a medida da perfeição Sobrenatural de uma obra. Poderá sê-lo, depois do pecado original, para o início do nosso caminho para Deus, sustentados pela Graça, a qual tem que vencer as consequências mais graves do pecado original, desbravando o caminho para Deus; mas a felicidade profunda da vida na Graça de Deus é a condição própria dos santos.

Não olvidar que os Hábitos naturais dos primeiros princípios do conhecimento, bem como dos primeiros princípios da vida moral, enquanto tais, ontològicamente, não foram atingidos pelas sequelas do pecado original, o qual é, essencialmente, uma tendência qualificada para o mal. O que foi gravemente diminuída foi a competência moral para a aplicação desses Primeiros Princípios às vicissitudes concretas da existência.

Mesmo no Paraíso Terrestre, era possível e desejável um aumento da Santidade; bastaria para isso que a alma se abismasse sempre e cada vez mais na felicidade Sobrenatural que já usufruía pela presença da Graça Divina facilitada pelos Dons preternaturais. Pelo contrário, o pecado surgiu, quando por orgulho, Adão e Eva se deixaram naufragar, com grande esforço moral negativo, na treva e no sofrimento da ausência de Deus. Beneficiados com a Graça obtida pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, Adão e Eva recuperaram a Graça de Deus, mas não a condição ontológica absolutamente privilegiada do Paraíso Terrestre.     

Na ascensão espiritual dos santos podemos apurar duas fases fundamentais; a primeira, quando temerosos do mundo, se propõem um corte absolutamente radical, não apenas formal, mas também material com esse mesmo mundo, cometendo alguns excessos próprios de principiantes (como por exemplo, o culto da miséria – e não da santa pobreza – falha inicial de São Francisco de Assis, depois moderada por influência do Cardeal Hugolino, futuro Papa Gregório IX);a segunda, quando elevados ainda mais nas maravilhas da Graça Divina, são já capazes de governar Sobrenaturalmente os Bens Criados, o que os habilita a um equilíbrio de ordem superior na sua relação com o mundo.

O puritanismo, frequentemente considerado como a mais alta expressão de perfeição moral; É NA REALIDADE A MAIS BAIXA E SOEZ, porque não apenas demonstra privação qualificada de virtude, como denota hipocrisia.

A verdadeira santidade olha de frente, serenamente, não tem tiques, nem se faz desentendida.

Nosso Senhor Jesus Cristo solicitou-nos que tivéssemos confiança e Paz n’Ele, porque Ele, Verbo Encarnado, havia vencido o mundo (Jo 16,33).

Em certo sentido, a nossa ascensão para Deus, QUE É OPERADA PELO PRÓPRIO DEUS, mais do que uma negação, DEVE SER UMA SUPERAÇÃO E UMA SUBLIMAÇÃO. Porque também os Mistérios Sobrenaturais, não negam a nossa inteligência – SUPERAM-NA INFINITAMENTE!

Por isso mesmo a Santa Madre Igreja quando honra os santos, honra-os como obras-primas da Graça Divina, como expressões sublimes da Bondade de Deus. Porque tudo o que somos na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, tudo devemos a Deus Nosso Senhor.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 30 de Agosto de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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