Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

MGR WILLIAMSON SOBRE A TESE DO PAPA HERÉTICO: BREVE PROGRESSO?

williamson

Aqui publicamos a tradução da resposta ao Bispo em italiano, de Fra’ Leone da Bagnoregio, sobre sua « TESI DEL PAPA ERETICO », para comparar o pensamento anterior do bispo ao atual, resumido no «ousado» subtítulo do seu último comentário Eleison:

«Infalibilidade da Igreja: aos Papas conciliares devo “desobedecer”… «Ma che non sono Papi non c’é bisogno di dire».

… Mas que não são Papas não é preciso dizer.»

  • Na verdade é mesmo preciso dizer, especialmente um bispo. O estudo que segue refere-se a comentários Eleison anteriores, mas nele se compreende bem que o Bispo se apoiava defeituosamente em teses amplamente superadas já por S. Roberto Bellarmino.

*   *   *

Queremos iniciar dizendo que não se pretende ensinar a um bispo sua função, porque como bispo é parte integrante da “Igreja docente”, mas quando se constatam certas incongruências e algumas omissões óbvias é dever atá do inferior especificar e reprender mesmo um superior para o bem das almas e por amor da verdade, e é o que vamos fazer.

Recentemente apareceram dois “comentários” (n. 405 e 407) de Mons. Richard Williamson, intitulados “O senso comum sobre a sede vacante”, nos quais o bispo expõe os argumentos formulados por João de St. Thomas relativos à heresia do Papa, esta teoria foi seguida principalmente pelos dominicanos, mas também por outros teólogos. Ora, as opiniões sobre o papa herético podem ser reduzidas a cinco, e não apenas aquela relatada por Dom Williamson e são as seguintes:

1) O Papa não pode cair em heresia. Defendida por muitos teólogos, mas quase todos especificam, com São Roberto Belarmino, que caso ele caísse em heresia cessaria de ser papa “ipso facto”, pois “aqueles que estão fora da Igreja não podem ser a sua cabeça.”

2) Devido à sua heresia, o Papa nunca perde o pontificado. Defendida por um só teólogo (Bouix) e refutada por muitos teólogos.

3) O papa perdeu o papado no exato momento em que se torna um herege mesmo internamente. Defendida pelo Cardeal  João de Torquemada, agora abandonada por todos.

4) perde o pontificado somente após a declaração de heresia da parte de um Concílio, de cardeais ou de um grupo de bispos:

  • a) esta declaração seria realmente uma deposição defendida pelo cardeal de Vio dito Caetano;
  • b) Esta declaração não seria de uma deposição, mas apenas uma simples constatação da perda do pontificado; defendida por Suarez, Billuart, João de St. Thomas e outros, e refutada pelos teólogos que seguem a primeira e a quinta hipóteses;

5 °) O Papa herético perde o pontificado no exato momento em que sua heresia se torna manifesta, “ipso facto”. Defendida pelo cardeal São Roberto Belarmino, Silvius, pelo Cardeal Ballerini, Wernz – Vidal dos cardeais Billot e Journet e muitos outros.

Mons. Richard Williamson pôs em evidência somente a quarta posição, da qual no ponto (b, parece, porém, ignorar o que escreveu o cardeal Bellarmino, que confuta a quarta opinião com argumentos relevantes.

  1. Roberto Bellarmino, que não aprova a quarta hipótese de modo algum, assim a refutava: [1]

«A quarta opinião é aquela de Caetano [2] segundo a qual o papa manifestamente herético não é deposto ipso facto [3], mas pode e deve ser deposto pela Igreja. A meu aviso, esta opinião não é defensável. Porque, em primeiro lugar, é provado por argumentos de autoridade e de razão, que o herege manifesto é ipso facto deposto. O argumento de autoridade baseia-se em São Paulo (Tit. III) que ordena evitar o herege após duas advertências; ou seja, depois que ele demonstrou obstinação manifesta (o que significa antes de qualquer excomunhão ou sentença judicial). É o que São Jerônimo escreve, acrescentando que os outros pecadores são excluídos da Igreja a partir de uma sentença de excomunhão, em vez os hereges se exiliam, separando-se por si mesmos do Corpo de Cristo. Ora, um papa que permanecesse papa não poderia ser evitado, pois como se pode pedir de evitar a nossa cabeça? Como poderiamos nos separar de um membro unido a nós?

O princípio seguinte é dos mais certos: o não cristão não pode, de nenhum modo, ser papa como o mesmo Caetano admite (ibid., cap. 26). A razão reside no fato que não pode ser a cabeça se não é um membro; ora o não cristão não é membro da Igreja, e um herege manifesto não é cristão, como ensina claramente São Cipriano (livro IV, Epist. 2), Sant’Atanasio (serm. 2 cont. Arian.), Sant’Agostino (lib. de grat. Cristo, cap. 20), São Jerônimo (Contr. Lucifero.) e outros;  e é por isto que um herege manifesto não pode ser papa.

Caetano responde a isto (in Apol. pro tract. praedicto, cap. 25, et in ipso tract., cap. 22) afirmando que o herege não é um cristão simpliciter mas, secundum quid. Porque, visto que o cristão é composto de dois elementos, a fé e o caráter; o herege que perde a fé, ainda está, de certo modo, unido à Igreja e capaz de jurisdição; assim é ainda papa, mas deveria ser deposto, porque está com a última disposição, a cessar de ser papa; como o homem que não está ainda morto, mas em extremis.

Contra o que foi afirmado pode-se argumentar: de um lado, se o herege, em virtude do caráter restasse em “actu” unido à Igreja, não poderia nunca ser cortado ou separado in “actu”, pois o caráter é indelével. Mas ninguém nega que alguém possa ser separado em “actu” da Igreja. É justamente porque o caráter não deixa o herege em actu na Igreja, mas é sinal que indica a sua pertença e para onde deve voltar. Em modo análogo, quando uma ovelha se perde, erra pela montanha, a marca impressa nela não demostra que está no rebanjo, mas indica de qual grei fugiu e a qual deve ser levada. Verdade confirmada por Santo Tomás dizendo: (S.T. III, 8 3) que aqueles que não têm fé não estão unidos em “actu” a Cristo, mas o são somente em potência (Santo Tomás fala aqui de união interna e não de união externa operada pela confissão da fé e de sinais visíveis). Isto porquê o caráter que é um elemento interno, e não esterno, não basta, segundo Santo Tomás, a unir em “actu” um homem a Cristo.

Pode-se ainda acrescentar, contra o argumento de Caetano: ou a fé é disposição necessária simpliciter para ser papa, ou essa é somente necessária para sê-lo mais perfeitamente (ad bene esse). Na primeira hipótese, esta disposição sendo eliminada pelo seu  contrário que é a heresia, o «papa» cessa imediatamente de ser papa: porque a forma não pode manter-se sem as disposições necessárias. Na segunda hipótese, o «papa» não pode ser deposto por causa de heresia, se não ocorresse que o fosse também por causa de ignorância, maldade ou toda outra causa semelhante que impedem a ciência, a probidade e as outras disposições necessárias para ser um papa mais perfeito (ad bene esse papae).

Ainda, Caetano reconhece (Tract. praed., cap. 26) que o papa não pode ser deposto por falta de disposições necessárias, não simpliciter, mas somente devido a uma maior perfeição (ad bene esse). A isto, Caetano responde que a fé é uma disposição necessária simpliciter, mas parcial, não total; e que, portanto, ainda que desaparecendo a fé, o «papa» pode continuar a ser papa por causa da outra parte da disposição, o caráter que permanece.

Contra este argumento: ou a disposição total constituída pelo caráter e pela fé são necessárias simpliciter, ou essa não é a disposição parcial suficiente. Na primeira hipótese, quando a fé desaparece, não resta mais a disposição necessária simpliciter, pois era o total e o total não existe mais. Na segunda hipótese, a fé seria necessária somente para uma perfeição do modo de ser (ad bene esse), e a sua ausência não justificaria, portanto, a deposição do «papa». Além disso, o que se encontra na disposição próxima da morte, cessa evidentemente de existir logo depois, sem a intervenção de alguma força externa. Um papa herético [morto na fé], do mesmo modo, deixa por consequência de ser papa sem nenhuma deposição.

Os Santos Padres, por fim, ensinam unanimemente, não s+o que os hereges estão fora da Igreja, mas que ainda por cima estão ipso facto privados de toda jurisdição e dignidade eclesiástica. San Cipriano (livro II, epist. 6) defende: “Afirmamos que absolutamente nenhum herege ou cismático tem nem poder nem direito”; e ele ainda ensina (livro II, epist. 1) que os hereges que voltam para a Igreja devem ser recebidos como simples leigos, mesmo se antes foram padres ou bispos na Igreja. Sant’Optato (livro I, Contr. Parmen.) ensina que os hereges e os cismáticos não podem ter as chaves do reino dos céus, nem ligar nem desligar.

Santo Ambrósio (livro I, Di Pœnit., cap. 2), Santo Agostinho (In Enchir., cap. 65), San Jerônimo (livro Contr. Lucifero.) entinam o mesmo (…).

Papa São Celestino I (Epist. ad loc. Antioch., inclus. nel Conc. Ephes., tomo I, cap. 19) escrevia: “É evidente que restava e resta em comunhão connosco e que não consideramos como se fosse destituído, aquele que foi excomungado ou privado de seu cargo, tanto episcopal como clerical, ou bispo, pelo bispo Nestório ou por aqueles que o seguiram depois que começaram a pregar a heresia, pois a sentença de quem que já se revelou como deponendo não pode depor ninguém”.

Numa carta ao clero de Constantinopla, o papa San Celestino I confirmava ainda: “A autoridade de nossa Sede apostólica determinou que o bispo, o clérigo ou o simples cristão, depostos ou excomungados por Nestório ou pelos seus seguidores, depois que estes começaram a pregar a heresia, não serão considerados como depostos ou excomungados. Pois quem se apartou da fé sobre tal ensino não pode depor ou expulsar ninguém.”

São Nicolau I (Epist. ad Michael) repete e confirma a mesma coisa. Santo Tomás, enfim, ensina também (S.T., II-II, 39 3) que os cismáticos perdem imediatamente toda jurisdição e que, tudo o que tentam fazer baseando-se sobre qualquer jurisdição que seja, será nulo.

Alguns respondem a isto, afirmando que estes argumentos não apoiam-se em nenhum fundamento: porque estes Padres apoiavam-se na velha lei, enquanto hoje, por decreto do Concílio de Constança, só perdem a jurisdição aqueles que são excomungados nominalmente ou que atacam os clérigos. Afirmo que esta alegação não tem valor algum, pois estes Padres, afirmando que os hereges perderiam a sua jurisdição, não citaram nenhuma lei humana que, além disso, já não existisse sobre esta questão, mas argumentavam sobre a mesma base da heresia. O Concílio de Constança trata somente dos excomungados, isto é daqueles que perderam a sua jurisdição com sentença da Igreja, enquanto os hereges, antes mesmo de serem excomungados, estão fora da Igreja e privados de toda jurisdição, porque condenaram-se já pela própria sentença, como ensina o Apóstolo (Tit. III, 10-11), quer dizer, que se separaram do Corpo da Igreja antes da sentença de excomunhão, explica São Jerônimo. [4]

Ainda, a segunda afirmação de Caetano, segundo a qual um papa herético pode realmente e com ato de autoridade ser deposto pela Igreja, não é menos falsa da primeira. Porque se a Igreja depõe o «papa» contra a sua vontade, está certamente sob esta; todavia o mesmo Caetano, no mesmo tratado defende o contrário; responde que a Igreja, depondo o «papa» não exerce uma autoridade sobre ele, mas unicamente sobre a ligação que une a sua pessoa ao pontificado. Igualmente a Igreja, ligando o pontificado a uma certa pessoa, não é, todavia, superior ao pontífice, portanto, do mesmo modo, pode-se também separar o pontificado de uma pessoa no caso de heresia sem alegar ser superior ao papa.

Ma contrariamente a isto, deve-se notar, em primeiro lugar, que pelo fato que o papa depõe um bispo, deduz-se que o papa é superior a todos os bispos, embora depondo um bispo, o papa não destrua a jurisdição episcopal, mas a retire somente de uma determinada pessoa. Em segundo lugar, depor alguém do pontificado contra a sua vontade é certamente uma punição; portanto a Igreja, depondo o «papa contra a sua vontade o pune sem contestação; todavia punir é próprio de um superior ou de um juiz.

Em terceiro lugar, dado que, segundo Caetano e outros tomistas, o todo ou as partes tomadas como um todo são na realidade a mesma coisa, quem tem autoridade sobre as partes tomadas como um todo, sendo capaz de separar uma da outra, tem também autoridade sobre o mesmo todo, que constitui estas partes.

O exemplo dado por Caetano dos eleitores que têm poder para designar uma certa pessoa para o pontificado, sem todavia ter nenhum poder sobre o eleito papa é privado de valor. Porque quando se faz algo, a ação è exercida sobre a matéria desse algo futuro e não sobre o conjunto (matéria e forma), que não existe ainda; mas quando algo é destruído a ação é exercida sobre o conjunto, como torna indiscutível a consideração das coisas da natureza. Isto porque, indicando o pontífice, os cardeais não exercem a sua autoridade sobre ele, porque não existe ainda, mas sobre a matéria, isto é sobre a pessoa que através da eleição, será disposta a receber de Deus o pontificado. Mas se depusessem o pontífice, exercitariam necessariamente a própria autoridade sobre o conjunto, ou seja sobre a pessoa dotada de poder pontifício, o pontífice».[5]

A permanência de autoridade nos “papas conciliares”, ou em qualquer individuo eleito ao supremo pontificado, portador da heresia modernista, resultaria não “na tranquilidade da Igreja e do bem comum” (João de St. Thomas), mas num desmoronamento das fundações da mesma instituição eclesiástica ou da Igreja mesma. Um papa herético que preservasse a sua autoridade na Igreja iria usar essa autoridade para abusar e levar à perdição uma multidão de fiéis, em quanto iria impor como doutrina católica, por meio da sua «autoridade», o que na realidade é erro e heresia, além disso criaria novos cardeais “eleitores habituais” também fautores de heresias ou pelo menos não opositores a estas, perpetuando-as deste modo.

É o que ocorreu do «pontificado de Paolo 6» em diante: tendo sido alterado o número  dos eleitores, foram criados cardeais, pessoas claramente heréticas, e impedido às católicas de participar ao conclave, não há, portanto, de que surpreender-se que os “eleitores habituais”, desviados na fé, não tenham eleito nenhum papa católico em cinco conclaves. Ora, visto que os cardeais não outorgam a jurisdição ao papa, mas só escolhem o individuo, pode-se aplicar neste contexto o princípio filosófico: “nemo dat quod non habet”, os hereges não podem eleger ou escolher seja internamente ao sacro colégio, seja fora dele um papa católico.

Os atos realizados pelos “papas conciliares” não podem ser consideradas como “heresia proposta por um doutor privado, mesmo se pública e manifesta” [como querem alguns], mas como heresia realizada com atos e documentos oficiais da (contra) Igreja, fato que nenhum teólogo do passado jamais poderia contemplar. Por esta razão, muitos, que em outros tempos contestavam esses atos pontifícios chegando às justas conclusões, acabaram por aceitá-los.

Há mais: são os atos promulgados pelos “pontífices conciliares” a fazer suspeitar dessa legitimidade; o papa, é de fato infalível na sua infalibilidade reflexa ou no objeto secundário do seu Magistério quando promulga determinados atos: canonizações de santos, promulgação de leis universais, seja em campo disciplinar que litúrgico, aprovação de ordens religiosas e a interpretação de fatos históricos ou dogmáticos.[6]

Ora, é evidente que os “papas conciliares” promulgaram leis, seja em campo litúrgico seja disciplinar, nas quais são encontrados, com os erros ou pelo menos graves omissões, chegando mesmo a realizar canonizações de indivíduos, cuja fé e virtudes heroicas não são provadas mas contestáveis.

Sobre a eleição dos «papas conciliares»

A questão do “papa herético” podia ter valor no tempo de Paulo 6. Os seus sucessores não entram na mesma questão, de fato, sendo já hereges públicos e manifestos tendo avalizado todas as heresias derivadas do Vaticano 2 em diante, já não eram elegíveis. Por esta razão a tese sedevacantista é uma tese fundada em pressupostos de fé e de direito da Igreja, não em simples conjeturas de ordem pessoal.

Em primeiro lugar a Constituição Apostólica “Cum ex Apostolatus officio” do Papa Paulo IV não é uma simples norma disciplinar e portanto, não foi jamais abrogada por São Pio X com a Constituição «Vacante Sede Apostolica» de 25 de dezembro de 1904, nem por Pio XII com a Constitução «Vacantis Sedis Apostolicae» de 8 de dezembro de 1945, porque nestes atos pontifícios ficavam excluídos só os cardeais que tivessem recebido sanções canônicas e que assim pudessem ter permanecido nos seus cargos [nunca por causa de heresia ou cisma].

A heresia não é só uma questão canônica, é um impedimento inamovível, é questão de fé que determina se um indivíduo possa ou não possa ser considerado “matéria apta” ao pontificado. Entre as condições necessárias para assumir o pontificado é necessário: ser batizado, ser de sexo masculino, ser são de mente e ser católico. Todos os canonistas e teólogos, o afirmaram, desde Suarez a São Roberto Bellarmino, não último o mesmo Card. Journet, os canonistas dos anos 40 embora vivesse escrito depois da promulgação das citadas constituições apostólicas, univocamente insistiram sobre este ponto, que os hereges e os cismáticos estão excluídos do supremo pontificado. «Eligi potest masculum, usu rationis pollens, membrum Ecclesiae. Invalide ergo eligerentur feminae, infantes, habituali amentia laborantes, não baptizati, haeretici, schismatici»[7]

Lendo atentamente a Constituição Apostólica citada, papa Paolo IV, como depois São Pio V com a Bolla “Quo primum tempore”, declara abertamente que ninguém ouse mudar o que foi afirmado e estabelecido no ato: “Portanto a nenhum homem seja lícito (liceat) infringir esta folha de nossa aprovação, inovação, sanção estatuto derrogação, vontade e decreto, nem contradize-lo com temerária audácia. Se alguém tivesse a presunção de tenta-lo, saiba que isto o fará incorrer no desagrado de Deus Todo-Poderoso e seus Santos Apóstolos Pedro e Paulo”.

Isto pode ser dito por um papa só se no interno do ato promulgado foram estabelecidas regras inerentes à fé, de fato, não pode vincular com um ato disciplinar os seus sucessores, salvo se desconheça os seus limites previstos pela lei canônica. Todo o contexto da Constituição “Cum ex Apostolatus officio” tem o caráter da infalibilidade e não pode ser uma simples norma disciplinar. “Com esta nossa Constituição válida em perpétuo (perpetuum valitura), em ódio a tão grave crime, em relação ao qual nenhum outro pode ser mais grave e pernicioso na Igreja de Deus, na plenitude do poder Apostólico (de Apostolica potestatis plenitudine), sancionamos, estabelecemos, decretamos e definimos (et definimus)”.

O que é evidente é que a sanção “ipso facto” por heresia não é cominada pelo papa, assim o cardeal ou bispo herético não têm direito de serem eleitos ao sumo pontificado, não porque incorreram em sanções disciplinares, mas porque não são católicos! Seria come se fosse eleito papa um indivíduo de sexo feminino que com tramas várias tivesse obtido o cardinalato.

Certamente o presente estudo não tem caráter exaustivo mas quer ser uma contribuição para testemunhar a verdade nessa questão crucial… que atormenta esta geração.

Notas

[1] No testo citado em seguida, S. Roberto Bellarmino apresenta e refuta as razões principais colocadas por Caetano para defender a quarta opinião. Ao leitor que deseja conhecer mais detalhadamente a posição de Caetano concernente um papa herético, indicamos as obras: “Apologia de comparata auctoritate papae et concilii”, Roma 1936; “De comparatione auctoritatis papae et concilii”, Roma, 1936.

[2] Card. CAETANO, “Apologia de comparata auctor. papae e conc.”,, cap. XX e XXI.

[3] Lembramos que o termo “deposição” foi utilizado por S. Roberto Bellarmino, em senso genérico da perda do pontificado, e não no senso habitual de ato mediante o qual um poder humano, priva alguém de seu cargo.

[4] Para compreender melhor o que foi dito por S. Roberto Bellarmino, particularmente em relação às deposições atuais do Código de Direito Canônico (1917).

[5] S. Roberto BELLARMINO, De Romano. Pontifice – Opera omnia, Vol. I, Ed. Battezzati Milão 1858, livro II, cap. XXX, pp. 418 – 420.

[6] Esta não é simples opinião de um teólogo, mas é definida por todos os teólogos pelo menos como “sententia certa”, disto galamos em diversos articolos já publicados: «A infalibilidade da Igreja e do papa», «La nouvelle theologie del sedeplenismo», «Fallibilismo: L’inconsistenza teológica».

[7] Stefano SIPOS,  Enchiridion Iuris Canonici,  Pecs 1940, p. 191.

Artigo publicado em 19 de maio 2015, agerecontra.it

 

3 Respostas para “MGR WILLIAMSON SOBRE A TESE DO PAPA HERÉTICO: BREVE PROGRESSO?

  1. henrique setembro 20, 2016 às 4:23 pm

    A quem porventura se sentir intimidado dainte de tantas teses, de tanta argumentação, de tantas referências; diante de tanta erudição, de tanta leitura que dificilmente seria possível cobrir e absorver mesmo numa vida inteira debruçada sobre os livros, eu digo o seguinte: comparemos esses autores de teses a um matemático muito estudado, o qual nos apresentasse uma equação repleta de conceitos da mais alta complexidade, como cálculo infinitesimal, e resolvesse esta equação de tal modo que o resultado apresentado fosse 1=0. Pois bem, ainda que não soubéssemos de matemática mais do que adição e subtração, poderíamos afirmar sem medo: o matemático errou. Não sabemos onde, em que parte da longa e complexa resolução do problema está o erro. Seria necessário um outro matemático para mostrar o erro em tal detalhamento. Mas sabemos, infalivelmente, que ele está errado, porque um não é igual a zero. E toda a argumentação deste matemático em favor de sua resolução seria vã, pois a demonstração matemática deve servir à Verdade, segundo a qual uma coisa não é igual a seu oposto; não é a Verdade que deve servir à demonstração matemática.

    Assim é com esses autores de teses sobre a atual situação da igreja. Eles podem falar o quanto quiserem, mas a Verdade é que ou os sucessores de Pio XII são papas e devem ser obedecidos em tudo o que compete a um Papa, ou não devem ser obedecidos e portanto não são papas. Ponto final. Todas as teses devem servir a esta verdade, e não a Verdade às teses.

    Todo o conhecimento humano, adquirido nos livros, deve estar orientado à Verdade, QUE O ANTECEDE. E o amor da Verdade não vem da leitura de livros, mas vem da Graça de Deus. Antes do conhecimento humano, antes da leitura de livros, vem o amor da Verdade. Os livros são apenas auxílio; apenas registram aquilo que outros amantes da verdade já discerniram, em auxílio dos sucessores. Os livros são como lanternas, que podem ajudar a iluminar um objeto, mas diante do qual o estudioso deve antes se colocar. Quem estuda sem antes amar a Verdade, é como quem joga luz sobre algo que não está na sua frente. Ou como um navegador que se munisse de tudo o que há de mais potente em matéria de navegação, exceto a bússola.

    Se o amor da Verdade dependesse de estudos, Deus não teria escolhido como seus prediletos os mais humildes entre os homens; os eruditos não estariam tão em desacordo sobre inúmeras questões, mas todos de acordo; e o Céu não estaria, como é razoável supor, povoado de analfabetos, nem o inferno de intelectuais.

    Amemos pois a Verdade antes de nos entregarmos aos estudos.

  2. henrique setembro 20, 2016 às 4:42 pm

    Prezado Arai, como se afirmou recentemente neste site, um suposto papa que manifestasse heresia não cessaria de ser papa, apenas se revelaria que ele nunca foi, pois Cristo rogou por Pedro. Não é assim?

  3. Pro Roma Mariana setembro 20, 2016 às 6:23 pm

    A Verdade é que ou os sucessores de Pio XII são papas e devem ser obedecidos em tudo o que compete a um Papa, ou não devem ser obedecidos e portanto não são papas. Ponto final. O que querem essas hipóteses e teses? Querem justificar a situação atual da Igreja, e nisto é implícita também a justificação da própria passividade diante da heresia, da apostasia e das blasfêmias em ato cada vez mais. Um suposto papa que manifestasse heresia não cessaria de ser papa, apenas se revelaria que ele nunca foi, pois Cristo rogou por Pedro? A exegese da Oração de Jesus Cristo por Pedro refere-ase só à infalibilidade. Assim, os teólogos ainda discutem se o papa pode cair em heresia. A resposta é sim, mas isto pode significar simplesmente que pode ser investigado e julgado por esta razão. Dai vale o que já foi definido, se já professava a heresia quando foi eleito, a eleição foi nula. Nunca foi Papa. É o que vivemos hoje.

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