Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ASCENSÃO SOBRENATURAL PARA DEUS SERÁ UM CAMINHO DE SOLIDÃO?

graca-santificaante

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, em excertos da sua encíclica “Haerent Animo”, comemorativa do cinquentenário do seu sacerdócio; promulgada em 4 de Agosto de 1908:

 

«Ora, Jesus Cristo não muda com o passar dos séculos. Ele é sempre o mesmo “ontem, hoje e pelos séculos”(Heb 13,8). Por isso valem para os homens de todos os tempos as Suas palavras: “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração”(Mt 11,29); é facto verdadeiro para todos os tempos que “Ele fez-Se obediente até à morte”(Fl 2,8), e enfim para todos os tempos é válida a afirmação decidida do Apóstolo: “Os que são de Cristo crucificaram a carne com os seus vícios e paixões “(Gl 5,24).

(…) Muitos exemplos documentam a salutar eficácia dos livros espirituais. Entre todos sobressai o de Santo Agostinho. Suas altíssimas benemerências em relação à Santa Igreja se iniciaram desse tipo de leitura. “Toma e Lê, toma e lê… Peguei as Epístolas de São Paulo, abri e li  em silêncio… Uma luz de certeza  difundiu-se em meu coração e se dissolveram as trevas de toda a dúvida” (Confissões).

Actualmente, ao invés, infelizmente, com frequência, acontece o contrário. Existem eclesiásticos que insensìvelmente se deixam penetrar pelas trevas da dúvida e se aventuram em seguir os caminhos tortuosos do mundo.  O motivo é este: Ao invés de lerem os livros espirituais e Divinos, preferem ler livros de outro género e grande quantidade de periódicos infectados de erros, quer hàbilmente mascarados, quer pestíferos. Guardai-vos bem, dilectos filhos; não confieis em vossa idade madura;  Não caiais na armadilha de que desse modo podeis ser mais úteis aos outros. Existem limites que não se podem transpor nunca, e que são os estabelecidos pelas Leis da Santa Igreja, bem como os assinalados pela prudência e pelo amor a si próprio. Uma vez que a alma foi infectada desses venenos, raramente poderá livrar-se dos danos mortíferos.

(…) A situação é tanto mais preocupante, à medida que vão sempre aumentando ao redor do sacerdote os maus exemplos que insidiam a sua virtude; e portanto, cada dia mais é preciso vigilância atenta e intenso esforço. Ora, a experiência ensina que quanto mais alguém submete a vigilância rigorosa os seus pensamentos, e as suas palavras e acções, tanto mais adquire energias para odiar e fugir do mal, e para amar e procurar o Bem.

(…)Ocorre frequentemente o caso, ainda que deplorável, do sacerdote que sabe desenvencilhar os outros do pecado com o brilhantismo da sua eloquência, mas ele próprio não sente nenhum temor, porque ele próprio já se habituou a isso; sabe estimular os outros, exortando-os a não adiar a purificação,  com muito cuidado, do pecado da alma, mas ele, pelo que lhe diz respeito, não tem o mínimo cuidado em adiar isso, por meses e meses. QUANTAS CONSEQUÊNCIAS INDIGNAS DE DEUS E DA IGREJA, FATAIS AO POVO CRISTÃO, E INDECOROSAS PARA A ORDEM SACERDOTAL, ACONTECERAM E CONTINUAM A ACONTECER ATÉ HOJE.»

 

Uma das maiores armadilhas lançadas por satanás às almas redimidas por Nosso Senhor Jesus Cristo, foi ter promovido a construção das grandes cidades da era industrial, cidades onde o anonimato de uma vida impessoal, moralmente anómica, desintegradora da própria família, impermeável a toda e qualquer espiritualidade, cria legiões de entes altamente solitários, nos quais não permanece a mais ténue chama religiosa. O século XIX foi o primeiro em que a ausência qualificada de Deus Nosso Senhor, sobretudo nas grandes cidades, se tornou um fenómeno absolutamente óbvio, e ostensivamente irreversível;  

A verdadeira solidão, profunda, blindada, mas mal dissimulada com estímulos sem conta, É A DO HOMEM MODERNO; daquele homem que afirma, repetidamente, NÃO NECESSITAR DE REDENÇÃO.

Uma das concausas mais frequentes de suicídio, ou pelo menos das doenças psiquiátricas, nas sociedades modernas, sobretudo nas grandes cidades, reside precisamente nessa solidão que a profusão extraordinária de estímulos, em geral pecaminosos, mal consegue disfarçar. Quando esses estímulos falham, a alma vê-se perante si própria, vazia, oca, num abismo sem remédio, o que jamais sucederia se essa alma possuísse a Graça Santificante, quaisquer que fossem as provações a que fosse submetida.

A grande tragédia é que todo o ambiente arquitectónico moderno, constitui efeito do ateísmo, e concomitantemente, produz e multipica o mesmo ateísmo. A desordenada construção em altura é uma realidade satânica, que esmaga as almas, destrói a moral, e materializa completamente a existência.

A ascensão Sobrenatural de uma alma possui coordenadas, em si mesmas, Eternas. Essa ascensão é constitutiva da Predestinação Divina; pois que as almas são boas porque são predestinadas; não são predestinadas porque são boas. Não há em nós qualquer bem, natural ou Sobrenatural, que não promane de Deus Nosso Senhor.

A ascensão Sobrenatural da alma predestinada exige um determinado grau de solidão; mas de uma solidão que está nos antípodas da solidão das grandes massas urbanas inteiramente descristianizadas. A solidão da alma santa, bem como daquela que caminha rumo à santidade, deve significar, antes de tudo, A SEPARAÇÃO DO MUNDO, DO MUNDO ENQUANTO ENTIDADE MORAL ESSENCIALMENTE OPOSTA A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. TAL IMPLICA UMA ROTURA EM PROFUNDIDADE COM A DENOMINADA VIDA SOCIAL NORMAL, E INFELIZMENTE, MUITAS VEZES COM A PRÓPRIA FAMÍLIA MAIS CHEGADA, QUANDO ELA É GRAVEMENTE ÍMPIA. PORQUE SEM ESSE AFASTAMENTO, A GRAÇA DE DEUS NÃO PODE PENETRAR-NOS EFICAZMENTE. UMA ELEVADA SOLIDÃO AFECTIVA É FREQUENTEMENTE (mas nem sempre) INDISPENSÁVEL A UMA UNIÃO SOBRENATURAL MUITO PROFUNDA COM NOSSO SENHOR. TODAVIA ESSA SOLIDÃO NADA TEM QUE VER COM A SOLIDÃO DO MUNDO: PORQUE POSSUI A DEUS, PARTICIPA DA FELICIDADE DIVINA, DA INTELIGÊNCIA DIVINA, MEDIANTE A GRAÇA SANTIFICANTE, AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS, E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO.

É conhecido como a Providência Divina dispôs as vicissitudes da vida natural em proporção EXTRÍNSECA com os acidentes da vida Sobrenatural; por isso é que frequentemente os acontecimentos da vida natural constituem condição extrínseca Providencial à irradiação da Graça Sobrenatural. Por exemplo: A leitura de um bom livro, em si mesma é uma graça natural, mas essa graça é condição extrínseca providencial das Graças Sobrenaturais que Deus quer conceder-nos. Nunca olvidar que a ordem Natural é absolutamente incomensurável com a Ordem Sobrenatural. Assim  aconteceu com Santo Agostinho, o qual foi réu dos maiores erros filosóficos e teológicos, naufragando também nas trevas da carne; mesmo assim Deus Nosso Senhor fez dele um grande santo.

Cumpre assinalar aqui uma propriedade importante da ascensão para Deus: Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, queria a conversão do filho, queria que ele abandonasse as trevas da paixão carnal, mas aspirava para ele um casamento honesto que o estabilizasse como bom cristão. Mas Agostinho sentiu em todo o seu ser, QUE OU ABANDONAVA TOTALMENTE A VIDA SENSÍVEL, CONQUANTO HONESTA; OU TOMBAVA NOVAMENTE NO CONCUBINATO – OU TUDO OU NADA! ISTO SUCEDIA PORQUE AGOSTINHO ERA PREDESTINADO POR DEUS A ALTOS VOOS MÍSTICOS, E A CONSTITUIR UM LUMINAR NA HISTÓRIA DAS LETRAS CRISTÃS E NA HISTÓRIA DA IGREJA. TINHA ASSIM DE SER PROVADO PELA SOLIDÃO, E PELA AUSÊNCIA DE COMPLEMENTO FEMININO, O QUE SOBRETUDO NO PLANO CARNAL, ERA ASSAZ PENOSO PARA AGOSTINHO, MUITO EMBORA TIVESSE SIDO FAVORECIDO POR DEUS NOSSO SENHOR COM O REFRIGÉRIO SOBRENATURAL DAS SUAS PAIXÕES.

A Teologia Ascética e Mística é unânime quando conjuga na alma dos santos, a mais perfeita felicidade Sobrenatural com, por vezes, os maiores sofrimentos, sobretudo de ordem moral.

Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua União Hipostática, também conciliava as dores físicas e morais da Paixão, com a Visão Beatífica. Tal sucedia, porque sendo simultâneamente viador e compreensor, vivia na Terra e no Céu, pois que a Visão Beatífica em Nosso Senhor, antes da Sua morte, era Metafísica e não física; isto é: A Visão Beatífica, enquanto fruição, não se repercutia quantitativamente através da essência da Alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, de modo a cancelar, ou mesmo a suavizar as dores da Paixão.

Nossa Senhora, a nossa Mãe do Céu, imersa em Deus, impassível intrìnsecamente, embora sem possuir a Visão Beatífica, não deixou de sofrer, extrìnsecamente, as agruras de um mundo pecador e hipócrita.

Frequentemente se pensa que as pessoas muito perseguidas e com muito pouca sorte, serão predestinadas. É verdade que todos os predestinados terão de sofrer perseguições e ralhos da parte do mundo, bem como abandono e privação afectiva, em maior ou menor grau. Mas tal não significa que quem sofre injustiças da parte do mundo seja necessàriamente predestinado.

O mundo constitui o primeiro inimigo da alma; tal consubstancia Dogma de Fé revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo será nosso inimigo até a consumação dos séculos. É contrária ao Dogma Católico a tese de que todo o mundo se converterá um dia à Fé Católica. Consequentemente, revelações particulares que incorporem tal tese – são falsas! A Sagrada Escritura e a Tradição apontam precisamente no sentido contrário: Nosso Senhor, quando voltar, muito pouca Fé encontrará, MAS SERÃO ESSES POUCOS QUE TESTEMUNHARÃO A INDEFECTIBILIDADE E A INFALIBILIDADE DA SANTA MADRE IGREJA NOS DERRADEIROS DIAS DO TEMPO.

A solidão dos santos, E NO CÉU SÓ HÁ SANTOS, AINDA QUE NÃO CANONIZADOS, embora humanamente custe, constitui não apenas o castigo social e mundano da piedade profunda, como configura aquela condição, de que já falámos, que num mundo ferido pelo pecado, é essencial à purificação interior, ao desbravar da alma, para melhor acolher a semente dos Bens Eternos.

Existem santos em que o abandono e a solidão é mais marcada, como os eremitas do deserto, na Antiguidade Cristã, São Paulo e Santo Antão; Santa Mónica, no século IV; o próprio São Tomás de Aquino, bem como São Francisco de Assis, no século XIII; São Pedro de Alcântara, no século XVI, São Bento José Labre, já no século XVIII; e outros em que a solidão é menos marcante, como Santo Agostinho (354-430) São João Bosco (1815-1888); o próprio São Pio X (1835-1914). Tal não significa que os que mais sentiram a solidão sejam necessáriamente mais santos do que os outros, indica apenas que Deus Nosso Senhor possui a chave das Essências, bem como dos caminhos de santidade, que numa dada época e num determinado lugar, MAIS CONVÊM À SUA MAIOR GLÓRIA E À SALVAÇÃO DAS ALMAS. Todavia, tendencialmente, de um ponto de vista ascético e místico, a um maior abandono, dentro de certos limites, parece corresponder um maior grau de santidade.

Quando digo “dentro de certos limites,” é para me afastar, a mim, e àqueles que me lêem, de certo dualismo, que coloca o extremo formal de uma virtude no seu extremo material – o que é absurdo.

Compete à Virtude Sobrenatural da Prudência – como chave do equilíbrio entre todas as virtudes, NA SUA REALIDADE SUBSTANCIAL, garantindo a encarnação da Verdade e do Bem na acção concreta individual – governar a alma, para que em cada agível individual atinja a PLENITUDE DO SER, EM TODAS E CADA UMA DAS VIRTUDES SOBRENATURAIS.

PODEMOS ASSIM CONCLUIR, CARACTERIZADAMENTE, QUE A ALMA É TANTO MAIS SANTA, QUANTO MAIS PRUDÊNCIA SOBRENATURAL IRRADIA.  

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 26 de Setembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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