Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A RAZÃO DOS COMBATES ENTRE FACÇÕES MODERNISTAS

Papas fantasmas materialiter

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua encíclica “Sempiternus Rex”, promulgada em 8 de Setembro de 1951:

«Bem sabemos que um cúmulo de preconceitos inveterados opõe tenaz  estorvo a que a  prece de Jesus, feita ao Eterno Pai,  na última Ceia, em favor dos discípulos do Evangelho: “Que todos sejam um só” (Jo 17,21); obtenha a almejada realização. Mas sabemos também que é tão grande a força da oração – quando os que oram com Fé inabalável e pureza da consciência se unem em fileiras compactas – que pode mesmo arrastar montanhas e lançá-las ao mar (Mc 11,23). Queremos, pois, e muito desejamos que todos aqueles que têm a peito a volta ao abraço da unidade cristã – e ninguém que seja de Cristo tenha em pouca coisa assunto de tanta importância – elevem preces e súplicas a Deus, Autor da Ordem, da unidade e da beleza, a fim de que os louváveis desejos de todos os bons sejam quanto antes realidade. Aplanam o caminho para alcançar esta meta, as investigações históricas que hoje, mais do que em épocas anteriores, são levadas ao cabo com maior tranquilidade e menos paixão.

Há outro motivo ainda a exigir imperiosamente que os esquadrões de nome Cristão se arregimentem quanto antes sob uma só bandeira, PARA COMBATEREM ASSIM COESOS CONTRA OS RIJOS ATAQUES DO INIMIGO INFERNAL. A quem não aterroriza o ódio e a ferocidade com a qual os inimigos de Deus, em muitas regiões da Terra procuram destruir e ameaçam exterminar tudo o que é Divino e Cristão?

Ante as avançadas adversas, confederadas, não podem permanecer por mais tempos separados e dispersos, quantos, assinalados com o Sagrado Carácter do Baptismo, têm por dever de ofício, a obrigação de pelejar as batalhas de Cristo.

Os grilhões, as agonias, as torturas, os gemidos,  e o sangue, daqueles que, conhecidos ou ignorados – e são multidão imensa – recentemente ainda agora padeceram e ainda padecem pela constância na virtude e pela profissão de Fé, a todos impelem, com voz cada dia mais retumbante, A QUE TORNEM AO SANTO ABRAÇO DA UNIÃO COM A IGREJA.»

Escutemos o Papa Pio XI, numa breve passagem da sua encíclica “Mortalium Animos”, promulgada a 6 de Janeiro de 1928:

«Sem dúvida, estes esforços (do ecumenismo) não podem, de nenhum modo, ser aprovados por católicos, pois eles se fundamentam, na FALSA opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos boas e louváveis, pois embora não de uma só maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingénito e nativo em nós, pelo qual somos levados a Deus e reconhecemos obsequiosamente o Seu Império. ERRAM E ESTÃO ENGANADOS, PORTANDO, OS QUE POSSUEM ESTA OPINIÃO; PERVERTENDO O CONCEITO DE VERDADEIRA RELIGIÃO, ELES REPUDIAM-NA, E GRADUALMENTE INCLINAM-SE PARA O CHAMADO NATURALISMO E PARA O ATEÍSMO.»    
Como encarar as notícias que nos chegam acerca das críticas, inclusive acusações de heresia, públicas a Bergoglio formuladas por seguidores de Karol Wojtyla – a quem chamam “SÃO JOÃO PAULO II”- e cujo testemunho invocam, para justificar essas mesmas críticas.

Na realidade, se estão de boa fé, deveriam aprofundar muito mais, em primeiro lugar, os próprios textos do fraudulento Vaticano 2, e posteriormente as pseudo-encíclicas de Wojtyla; mas se não possuem alguma cultura teológica e filosófica, essa leitura não lhes será de grande utilidade; A MENOS QUE POSSUAM UM SÓLIDO ORGANISMO SOBRENATURAL: FÉ, ESPERANÇA, CARIDADE, GRAÇA SANTIFICANTE E DONS DO ESPÍRITO SANTO; ORGANISMO MEDIANTE O QUAL, DEUS NOSSO SENHOR NOS FACULTA DIRECTAMENTE A VERDADE E O BEM INFINITOS, QUE SÃO ELE PRÓPRIO.

Os textos amaldiçoados do Vaticano 2, antropolátricos e panteístas, encerram, FORMALMENTE, todas as perversões, todas as obscenidades, que actualmente observamos em Bergoglio; aqui, o advérbio “formalmente” opõe-se ao advérbio “virtualmente” e significa que as monstruosidades de Bergoglio encontram-se, realmente, verdadeiramente, na sua espécie própria, nos textos conciliares, ainda que de uma forma implícita. Num silogísmo típico, por exemplo: Todos os homens são mortais (premissa maior); Pedro é homem (premissa menor); Pedro é mortal (conclusão); vemos perfeitamente que na premissa maior está já incluída, FORMALMENTE, MAS IMPLÌCITAMENTE, A CONCLUSÃO. A natureza humana, composta por corpo e alma, e em que a inteligência depreende essências inteligíveis a partir do singular concreto, que ao contrário do que defendem as teses escotistas, NÃO É INTELIGÍVEL EM ACTO, MAS EM POTÊNCIA; essa mesma natureza impõe a mediação do raciocínio (dedutivo e indutivo) no processamento do conhecimento humano. É evidente que no silogismo acima apresentado, o príncipio da absoluta universalidade da mortalidade humana, muito impressivo na nossa inteligência, implica que contemplemos a conclusão imediatamente inscrita na premissa maior, sem necessitarmos de mediação racional; aliás, os Anjos, pela sua constituição ontológica, não necessitam, nem podem necessitar, de qualquer mediação racional, pois tudo contemplam nas espécies infusas. Todavia, em territórios intelectuais mais complexos, a mediação racional, neste caso a dedução, é para o homem absolutamente necessária, POIS SÓ ASSIM O INTELECTO TORNA EXPLÍCITO, O QUE ANTES ERA IMPLÍCITO, EMBORA FOSSE PLENAMENTE REAL.

Neste quadro conceptual, ao consagrar e legitimar plenamente o princípio da liberdade religiosa, o dito concílio:

1- Assevera que o factor religioso, qualquer que ele seja, ou não religioso, ou anti-religioso, é NA SUA SUBSTÂNCIA,  ESSENCIALMENTE IRRELEVANTE, seja a nível pessoal, seja a nível familiar, ou social, nacional ou internacional.

2- Faculta inteira cobertura institucional, por parte da Santa Igreja, às consequências MORAIS, FAMILIARES E SOCIAIS, da referida liberdade religiosa.

3- Exige do poder civil que mediante a força pública do estado, outorgue cobertura ao referido princípio da liberdade religiosa, com todas as suas consequências privadas e públicas, e isto mesmo em países de antiga Tradição Católica. 4- Finalmente declara, solenemente, que o referido princípio integra a Revelação como um direito humano basilar e universal.

Consequentemente, se a profissão PÚBLICA de qualquer religião, ou de nenhuma, ou a profissão PÚBLICA DO ATEÍSMO, constitui, FORMALMENTE, na sociedade PARTE ESSENCIAL DO BEM COMUM, E SE TAL É AFIRMADO COMO PARTE DA REVELAÇÃO, ENTÃO A SANTA IGREJA ENGANOU-SE DURANTE VINTE SÉCULOS, PROCLAMANDO PRECISAMENTE O CONTRÁRIO – E SE SE ENGANOU NISSO, ENGANOU-SE EM TUDO! Sustentamos assim, como corolário, que o dito concílio aniquilou-se a si mesmo FRANQUEANDO PASSAGEM PARA TODOS OS ERROS, TODAS AS APOSTASIAS, E TODO O NIILISMO. O nivelamento de todas as ditas religiões É VERDADEIRO E PRÓPRIO ATEÍSMO, E ATEÍSMO NIILISTA E ANARQUISTA. As monstruosidades de Bergoglio não comportam novidade alguma; apenas explicitam os textos do Vaticano 2 e os textos de karol Wojtyla. Efectivamente, se todos os homens se salvam, tese estruturante do modernismo, ENTÃO PARA QUÊ A MORAL? PARA QUÊ OS ESFORÇOS ASCÉTICOS PARA TORNAR-SE MELHOR?

Não se deve olvidar, que mesmo a heresia e o ateísmo privado deve ser reprimido e punido pela lei civil, enquanto braço secular da Santa Igreja, desde que se manifeste externamente. Santo Tomás, justamente, considerava dignos de pena de morte aqueles que violassem a Religião, mesmo independentemente do dano público que pudessem causar, apenas em virtude da ofensa a Deus Nosso Senhor externamente manifestada.   

Cumpre todavia assinalar, que faz parte do plano da maçonaria internacional para destruir a Santa Madre Igreja, o disseminar a palavra de ordem de que todos os homens se salvam, precisamente porque a maçonaria sabe que aniquilando o conceito de castigo positivo Eterno, ACELERA EXTRAORDINÀRIAMENTE A EXTINÇÃO DO PRÓPRIO CONCEITO DE IMORTALIDADE DA ALMA. Analisando com mais profundidade, é legítimo concluir que o conceito modernista de imortalidade é, e foi sempre, tendencialmente impessoal, como o foi em Espinosa e Teilhard de Chardin.

Para o referido concílio, como para Karol Wojtyla e Ratzinger, e assim em todo o modernismo, a “fé”é um sentimento hediondamente cego e estéril, o qual pode assim conduzir a tudo, a todas as excentricidades intelectuais e morais, PORQUE FORAM SUPRIMIDAS TODAS AS BARREIRAS, OBJECTIVAS, ETERNAS E IMUTÁVEIS, QUE SEPARAM O A VERDADE DO ERRO, O BEM DO MAL. As pseudo- encíclicas de Wojtyla, até são mais letais do que as asserções de Bergoglio, visto inocularem o mal de forma mais requintadamente dissimulada de bem.

Uma derradeira questão se coloca: Estas críticas dos partidários de “São João Paulo II” a Bergoglio não integrarão um plano destinado a circunscrever, social e intelectualmente, a resistência Católica na linha do Vaticano 2, interpretado à Luz da Tradição, INCORPORANDO-LHE JÁ, DEFINITIVAMENTE A NEO-FRATERNIDADE?

É muito provável que assim seja, como estratégia geral do modernismo para eliminar perpètuamente qualquer veleidade de contestação ao Vaticano 2, e aparentemente, só aparentemente, sacrificando Bergoglio. Porque se trata de uma estratégia de aparências, que inclui a colaboração do mesmo Bergoglio, procurando, e conseguindo, assimilar e digerir e dissolver na seita conciliar a Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, fazendo acreditar aos tradicionalistas de todo o mundo, que se devem reunir, sim, mas em torno do Concílio Vaticano 2, interpretado à luz da Tradição, na síntese concebida pelas encíclicas de “São João Paulo II”.

MAIS UMA VEZ A MENTE PERVERTIDA DE SATANÁS A CONSPIRAR CONTRA O REINO E DE DEUS E SUA JUSTIÇA.  

São Tomás de Aquino, no final da sua relativamente curta vida, e depois de ter escrito, ou ditado, o que de mais intelectualmente profundo e salvìficamente belo foi alguma vez elaborado pela mente humana, São Tomás foi favorecido por Deus Nosso Senhor com uma visão Sobrenatural tão celestial e imensamente rica das realidades da Fé -porque vinda de Deus, evidentemente, ultrapassava infinitamente todos os pensamentos humanos – que o próprio Tomás resolveu não escrever mais, depreciando até o que até então havia escrito. Mas nessa visão Nosso Senhor disse-lhe: TOMÁS, ESCREVESTE BEM SOBRE MIM; quer dizer – naquilo que é possível a um homem mortal, mesmo sustentado pela Graça.  

Por mais negras que nos pareçam as horas amargamente vividas pela Santa Santa Madre Igreja, não olvidemos que os desígnios da Eterna Providência Divina, constituem uma Verdade e um Bem, infinitamente acima da nossa compreensão, tanto aqui na Terra como no Céu. Que este pensamento nos conforte nestes momentos, que são os mais trágicos da História da Santa Igreja.    

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 13 de Outubro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

2 Respostas para “A RAZÃO DOS COMBATES ENTRE FACÇÕES MODERNISTAS

  1. henrique outubro 22, 2016 às 3:01 pm

    É o que tenho notado: está surgindo um tipo de sedevacantista que abomina Bergoglio, mas não se perturba tanto com os antecessores pós-conciliares. Na verdade, até os admira. Mas qual a diferença entre eles? A diferença é a falta de vergonha com que ensinam os erros. A sensibilidade das pessoas diminui com o tempo, de modo que podem ousar cada vez mais. Mas não diferem em nada de fundamental: todo Bergoglio já está em Roncalli, e nos demais.

    “Interpretado à luz da Tradição” – que bobagem! E repetem essa asneira sem parar. Subentende-se portanto que há outras luzes, às quais se pode interpretar os documentos conciliares, que não a da Tradição? É isso? Linguajar confuso, sorrateiro… típico dos modernistas deninciados pelo Papa São Pio X. E se acham muito “tradicionalistas”! É de dar nojo. Alguém já falou “luz da Tradição” para interpretar o Concílio de Trento? Por que essa bobagem seria aceitável agora?

    • Zoltan Batiz outubro 23, 2016 às 9:36 pm

      Estimado Henrique, tem razão com certeza. Claro que não era preciso interpretar o Concílio de Trento na luz da Tradição porque era inteligível, e nem admite interpretações. A ambiguidade é para disfarçar a heresia (diziam os papas anti-modernistas), por isso é que interpretar o V2 na sua mesma luz significa “jogá-lo fora, na sua totalidade,” pela janela, como também o Pe. Floriano Abrahamowitz concorda.

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