Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

COMO «NOVAS IDEOLOGIAS TEOLOGAIS» CONTESTAM O REINO DE JESUS CRISTO

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      Arai Daniele     

Já se viu abundantemente como a famigerada «Nova Teologia», acusada pelo Papa Pio XII na Encíclica «Humani generis» de 1950, revolta-se tortuosamente contra o Magistério, que acusa de «manualístico». Todavia, vive-se hoje sob o domínio clerical dessas elucubrações vingadas com o Vaticano 2, num velado retorno às poluídas fontes do gnosticismo arqueológico.

Exemplo disto está no «pensamento ratzingeriano», que no Brasil é difundido sob o aspecto erudito do P. Paulo Ricardo. Que pena! Mas vamos ver o que leva a isto e afasta de maneira inevitável da visão simbólica de Jesus Cristo Rei com toda Realeza humanamente imaginável. Tal poder, representado pelo Pontífice Romano, está no «triregno» a tiara de três coroas do tríplice poder, que em termos atuais podem ser o legislativo, o executivo e o judiciário; ela foi alienada por Paulo 6 em 13 de novembro de 1964 a favor dos pobres.

No Vaticano, o Sr. Montini depõe a tiara papal, símbolo do poder divino concedido por Deus ao membro da Igreja ocupante da Sede de São Pedro.

No Vaticano, Montini depõe a tiara papal, símbolo do poder divino concedido por Deus ao Pontífice da Igreja, na Sede de São Pedro.

Naturalmente poderes assim representados, encerram muito mais nos poderes espiritual, temporal e de Juiz supremo. Mas como sabemos os homens precisam ver as figuras naturais a fim de reconhecerem realidades sobrenaturais. Neste sentido, este escrito apresenta-se sob a mais majestosa imagem de Jesus, como Ele mesmo quis nos dotar no Santo Sudário de Turim, depois de dois mil anos. Não há figura coroada que suscite mais respeito!

No entanto, também sabemos todos como hoje muitas representações da Realeza de Jesus Cristo e de Sua Santíssima Mãe, embaraçam tantos membros das altas esferas teologais. Há o medo de passar por retrógrados; temor ardiloso que faz com que os novos teólogos cuidem de amortecer tais escrúpulos com doutrinas mais «atualizadas», do ponto de vista humano. Conhecendo o perigo do naturalismo, porém, focalizam algo que possa ser bem aceite tanto no mundo religioso como secular, onde a curiosidade, ou seja a tentação do novo, domina.

Pensam contornar assim o risco de ser tido como espírito estreito, sem visão, preso às ilusões que a corrente tradicional autorizava. Levam destarte facilmente os espíritos desprevenidos a se deixar seduzir. Atestava isto um professor, em carta ao Pe. Garrigou-Lagrange, que estes escritos “exercem grande influência sobre os espíritos medianos”, que são a maioria. Podemos acrescentar: que outra grande atração pode ter para um católico de fé profunda os devaneios literários de ficção religiosa, como seja a do jesuíta Teilhard de Chardin, grande… divagador?  Teilhard de Chardin

Aqui vamos seguir um estudo publicado por Dom Antônio de Castro Mayer, São Paulo, na Revista Eclesiástica Brasileira, Dezembro 47. Dom Mayer, por sua vez, segue o Pe. Garrigou-Lagrange, professor no “Angelicum”, que é a Universidade dos Dominicanos em Roma. Este estudioso, que colaborou com o Papa Pio XII na elaboração de sua famosa Encíclica, nos pôs ao par dessa nova orientação teológica  em dois artigos publicados na revista dessa Universidade em 1946. Diz ser “estrita obrigação de consciência para os teólogos tradicionais responderem (a estas aberrações)”, “do contrário faltariam gravemente ao seu dever, falta de que deverão dar contas a Deus”. Portanto, Dom Mayer considerou dever comunicar também aos leitores brasileiros o que se passava na Velha Europa de hostil e perigoso nos arraiais da mesma Igreja.

Ora, já mencionamos o domínio atingido pela «nova teologia» em questão com o P. Henry de Lubac, Yves Congar, Chenu todos convidados por João 23 para colaborar no Vaticano 2. Dom Mayer, restringe-se ao material fornecido pelo grande teólogo dominicano. Inicia, pois citando o que seria a primeira preocupação da “Nova Teologia”: criar ambiente favorável às suas ideias, que reconhece serem novas e, na aparência, chocantes. É assim que coloca o princípio, à primeira vista sedutor: “Uma teologia que não fosse atual, seria uma teologia falsa”. Em outros termos, , a ciência teológica, como as demais, deve acompanhar o progresso que não é exclusivo das ciências experimentais, mas se faz sentir também nas disciplinas transcendentes, a Filosofia e a Teologia. Ela surge mais como tendência — que, porém, brota de um princípio, de uma convicção, de um sistema, — tendência que reponta aqui e acolá, ora em livros, ora em artigos de revista, ora, quando as ideias são arrojadas, em folhetos datilografados que se espalham, mais ou menos clandestinamente, entre seminaristas, padres e leigos católicos. Este fato torna o perigo maior. Mas note-se: é «teologia» que não se apresenta como um todo sistemático, onde seria mais fácil descobrir-se o erro. É uma tendência que se esboça para atrair o espírito desprevenido, que certamente não aceitaria a consequência lógica, mas não prevista, contida no bojo da orientação. Bastaria dizer que é retorno às autênticas fontes originais dos Padres!

“Ora, acontece que o agrado inicial pode alimentar a simpatia, e quando o indivíduo vir a sequela de sua primeira imprudência, já se sente tão dentro do novo sistema, tão comprometido com ele, que somente com grande humildade poderá voltar atrás.” Parece que seja o caso de muitos anti-sede vacante, assim como do P. Ricardo, muito hostil ao P. Garrigou-Lagrange, que acusa de um «neo-tomismo leonino», por causa da encíclica do Papa Leão XIII. Pelos motivos acima, Dom Mayer «salienta as ideias mestras que formam o arcabouço da nova teologia a partir daquele princípio: “uma teologia que não fosse atual, não seria  Ratzinger_Congar-au-Concileverdadeira», que supõe, no fundo, que a nova definição da verdade pela qual a filosofia contemporânea evolucionista substitui a clássica dos escolásticos. Segundo estes, e o senso comum, a verdade está na conformação de nossa inteligência com o objeto extra-mental. O homem está de posse da verdade, quando aquilo que afirma no seu conceito corresponde, na ordem das coisas, à realidade objetiva, àquilo que de fato existe. Esta noção da verdade liberta-o das ilusões, pois obriga a inteligência a acompanhar as leis imutáveis do ser, e dá substância às concepções mentais. Se o homem apreendeu a coisa extra-mental no que ela tem de próprio, está com a verdade; do contrário, seu conceito será falso ou errôneo. Compreende-se como nesta definição se possa falar na imutabilidade da verdade, uma vez que a essência das coisas goza de uma perenidade, eis que permanece através das variações acidentais.

“A nova filosofia pretende que esta definição seja «quimérica e abstrata», e que deva ceder lugar a uma nova, mais ao sabor da nova visão do universo que tudo engloba numa total evolução. A verdade seria, então, a “adequação real da mente e da vida”. Esta definição não é lá muito clara. Torna-se, no entanto, colocada à luz da filosofia que a engendrou, isto é, a filosofia da ação, ou do fenômeno, do vir-a-ser. Percebe-se, então, por que a definição tradicional não agradava. Ela supõe a distinção entre a pessoa que entende e o objeto conhecido; ao passo que na filosofia nova o conhecimento não é mais do que uma consciência da própria evolução do espírito. E como este evolui sempre, é mister que a verdade o acompanhe, jamais seja algo de fixo e imóvel, mas se absorva no “fieri” contínuo da vida.

São Pio X  “Percebendo o mal contido nesta estranha noção da verdade, a Santa Sé condenou-a mais de uma vez. Pio X, pelo decreto Lamentabili, proscreveu esta tese dos Modernistas: “A verdade não é mais imutável do que o homem, pois com ele, nele e por ele evolui” (Denz. 2058), e Pio XI, em decreto do Santo Ofício de 1.° de Dezembro de 1924, condena 12 teses da filosofia nova. Eis o teor da tese n. 5: “A verdade não se encontra em nenhum ato particular da inteligência, no qual haveria uma conformidade com o objeto, como dizem os escolásticos, mas a verdade está sempre em “fieri”, e consiste na adequação progressiva da inteligência e da vida, isto é, num certo moto perpétuo, pelo qual a inteligência se esforça por desenvolver e explicar aquilo que produz a experiência ou exige a ação: de maneira, porém, que em todo o progresso nada haja nunca de definitivo e permanente”.

“Previu, portanto, a Santa Sé as consequências desta mudança introduzida na conceituação tradicional da verdade. Estas condenações, no entanto, não impediram que os novos teólogos enveredassem pelo caminho aberto com a definição blondeliana. Nem os atemorizou uma outra proposição proscrita pelo decreto acima citado, a última da série: “Ainda depois de recebida a fé, não deve o homem descansar nos dogmas da religião, e a eles aderir de modo fixo e imóvel, mas deve permanecer sempre nos anseios de progredir para uma ulterior verdade, a saber, evoluindo em conceitos novos, corrigindo mesmo aquilo que creu.

“Não obstante isso que aí está, é dentro desta nova concepção que se situa a nova teologia… que também fala de imutabilidade do dogma; mas concebe-a a seu modo, ajustada ao espírito moderno. Eis como, em termos formais, Bouillard define as condições para que uma verdade conserve sua perenidade: “Quando o espírito evolui, uma verdade imutável não se mantém senão graças a uma evolução simultânea e correlativa de todas as noções, conservando entre elas uma mesma relação”.

“Expliquemos: Numa verdade distinguimos as noções e a relação em que se encontram. As noções são expressas pelo sujeito e predicado de uma proposição; a relação entre elas é ditada pela cópula verbal. Para que a verdade se conserve imutável — dizem eles — é preciso que as noções acompanhem a evolução do espírito, de maneira simultânea e correlata; a relação entre elas, no entanto, deve manter-se a mesma. Não se pense que esta evolução determina apenas uma explicitação maior de um conceito menos claro, de maneira que a uma noção obscura se substitui outra equivalente, mais precisa. Não. A noção nova será “outra”, o que quer dizer: diversa. Neste ponto, o Autor criticado pelo Pe. Garrigou-Lagrange é bem explícito, em que pese aos seus defensores. Ele diz que, «para que a teologia continue a oferecer um sentido ao espírito, possa fecundá-lo e progredir com ele, é preciso que ela também renuncie a estas noções», e explica, como renunciou ao sistema astronômico de Ptolomeu. Portanto: a imutabilidade do Dogma, para estes autores, pede que se abandonem as noções tradicionais, substituídas por outras mais conformes à evolução do espírito, como a astronomia abandonou o sistema de Ptolomeu. congar-chenu

“Nestes termos, qualquer pessoa que reflita um pouco percebe que, o que aí se afirma, é tudo menos uma imutabilidade. De fato, a substância do Dogma não está na nua relação expressa pelo verbo, mas na relação entre estas determinadas noções. Em outras palavras, importa muito mais no Dogma a noção do que a cópula verbal, de maneira que, variadas as noções, já não se pode falar numa mesma verdade, no mesmo Dogma. Se a noção é outra, a proposição será outra, o Dogma será outro. Por exemplo: Se as noções de «natureza» e «pessoa» não são hoje as mesmas como há duzentos anos atrás, ninguém dirá que o Dogma que afirma haver em Deus uma natureza e três Pessoas é o mesmo de duzentos anos atrás, ainda que a fórmula dogmática conserve a mesma relação expressa pelo verbo «ser», ou, em outras palavras, seja idêntica à anterior «em Deus há uma natureza e três Pessoas». Isto posto, a que se reduzem as fórmulas conciliares? Mudadas as noções, não restam senão destroços de um Dogma que o foi algum tempo, e que hoje é lembrado apenas pela identidade externa dos termos em que são expressas as noções novas que substituíram as antigas.”
profezia  Quando se lembra o dogma: fora da Igreja não há salvação, se a noção de ‘salvação’ e de «Igreja» é outra e muito mais geral, é claro que podem «confirmar» o que é uma verdade dogmática, mas que significa bem outra noção. Esta substituição das noções presentes na Tradição demonstrou-se como plano do Vaticano 2. Vê-se isto claramente na alteração da noção da Redenção (Redemptor hominis) de João Paulo 2º, se esta é geral, quer a pessoa o saiba e a queira ou não, porque ela já se tornou universal com a Encarnação de Jesus Cristo, então a Igreja passa a ser a humanidade em caminho. E quem pode estar fora desta?

Flores ao túmulo de Ghandi

Flores ao túmulo de Ghandi

Na análise dos documentos conciliares, salta à vista a radical contradição destas novas noções com as tradicionais. Não só, mas com a razão e missão mesma da Igreja, como foi instituída por Nosso Senhor para a salvação pessoal e consciente na Sua Palavra, questão de fé que nada tem, nem pode ter a ver com uma «fé» ecumenista automática e contraditória. Assim, todo o apostolado evangélico passa a ser dispensável, o que significa que «todo o poder dado a Cristo» perde significado. Se assim é com a Sua Palavra única, o que resta de Seu Reino?

Uma resposta para “COMO «NOVAS IDEOLOGIAS TEOLOGAIS» CONTESTAM O REINO DE JESUS CRISTO

  1. Zoltan Batiz outubro 23, 2016 às 9:41 pm

    No Breviário Romano, o canto para as Vesperas da festa é (em latim e inglês):

    Te sæculórum Príncipem,
    Te, Christe, Regem Géntium,
    Te méntium te córdium
    Unum fatémur árbitrum.

    Scelésta turba clámitat:
    Regnáre Christum nólumus:
    Te nos ovántes ómnium
    Regem suprémum dícimus.

    O Christe, Princeps Pácifer,
    Mentes rebélles súbjice:
    Tuóque amóre dévios,
    Ovíle in unum cóngrega.

    Ad hoc cruénta ab árbore
    Pendes apértis bráchiis,
    Diráque fossum cúspide
    Cor igne flagrans éxhibes.

    Ad hoc in aris ábderis
    Vini dapísque imágine,
    Fundens salútem fíliis
    Transverberáto péctore.

    Te natiónum Præsides
    Honóre tollant público,
    Colant magístri, júdices,
    Leges et artes éxprimant.

    Submíssa regum fúlgeant
    Tibi dicáta insígnia:
    Mitíque sceptro pátriam
    Domósque subde cívium.

    Jesu tibi sit glória,
    Qui sceptra mundi témperas,
    Cum Patre, et almo Spíritu,
    In sempitérna sæcula. Amen.

    The Hymn
    Lord of the ages evermore,
    Each nation’s King, the wide world o’er,
    O Christ, our only Judge thou art,
    And Searcher of the mind and heart.

    Through Sin with rebel voice maintain,
    We will not have this Christ to reign,
    Far other, Lord, shall be our cry,
    Who hail thee King of kings most High.

    O thou eternal Prince of peace,
    Subdue man’s pride, bid error cease,
    Permit not sin to wax o’er-bold,
    The strayed bring home within the fold.

    For this thou hangedst on the Tree
    With arms outstretched in loving plea;
    For this thou shewedst forth thy Heart,
    On fire with love, pierced by the dart.

    And yet that wounded side sheds grace
    Forth from the altar’s holy place,
    Where, veiled ‘neath humblest bread and wine,
    Abides for man the life divine.

    Earth’s noblest rulers to thee raise
    Their homage due of public praise;
    Teachers and judges thee confess;
    Art, science, law, thy truth express.

    Let kings be fain to dedicate
    To thee the emblems of their state;
    Rule thou each nation from above,
    Rule o’er the people’s homes in love.

    All praise, King Jesu, be to thee,
    The Lord of all in majesty;
    Whom with the Father we adore,
    And Holy Ghost for evermore. Amen.

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