Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A EXTRAORDINÁRIA CRONOLOGIA DA PROFECIA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

piusxii-evolution

Arai Daniele

Este ano foi o do centenário das três aparições do Anjo aos Pastorinhos em Aljustrel, a fim de prepará-los para as aparições do ano seguinte.

O próximo 2017 será o do grande centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Sendo certo que esta intervenção de Deus na História através de Maria Santíssima ainda está presente, pois não se exaure a sua devoção, assim como não se cumpriram as suas promessas. Isto porque não foi devidamente atendida até a morte do último Papa de Fátima, Pio XII.

Como já se escreveu, o Evento Mariano de Fátima não é ocasional e avulso dos precedentes, mas em continuação íntima com eles no contexto da História humana e da Igreja. Assim a aparição de Nossa Senhora e o que revelou na Montanha da Salette, que “Roma perderá a fé e tornar-se-á sede do Anticristo”, pedia outra que indicasse o período dessa catástrofe. De fato, se foi anunciado tal perigo, poderia o fato mais grave, o de sua realização, não ser avisado para benefício das almas? Muitos diriam que isto seria evidente para todo o mundo fiel; – engano, o mal final, como predito por Jesus, será acobertado pelo maior engano de todos os tempos.

Basta considerar a grandeza do Evento de Fátima e no entanto as tramas criadas em torno desse Milagre e de sua Mensagem profética, no seio da mesma Igreja. Seria iniciado o tempo da grande apostasia, no qual ninguém entende mais nada de essencial na Fé. Se tivesse sido dada uma data no tempo de La Salette ou Lourdes, esta assumiria para os católicos a maior importância. Ora, foi dado mais do que isto, ocorreu a aparição de Fátima.

Esta Aparição foi dada com mensagens e visões proféticas, que seguem datas significativas, até a principal delas, dada para o período de 1960, quando a terceira parte do Segredo profético, do grande castigo, seria mais claro. À luz das palavras de Nossa Senhora em La Salette, isto se entende, pois quando Roma perde a fé e torna-se sede do Anticristo, o mundo imerge no maior castigo; pior que o de grandes guerras e revoluções juntas, pois essa máxima hecatombe ocorre no silêncio dos enganos e dentro dos mesmos muros da Cidadela do Vaticano.

Lembremos então estas datas sucessivas que nos levaram e esse período fatal de 1960. Comecemos por considerar que esse supremo flagelo, mais claro … para quem conservou a fé … em 1960, era condicional desde 1917 a 1958, quando morreu Pio XII. Estava ligado à palavra: “se farão o que Eu vos direi”… senão … e ainda os outros «se» condicionais, que de fato não foram atendidos devidamente.

Em 1943 era já previsível esse mal devido à desatenção diante da profecia. Mas permanecia secreto o desenlace da Proferia relativa ao Papado. De fato, em 1942 palavras da Mensagem profética de Fátima foram deliberada e publicamente manipuladas com aprovação implícita de Pio XII. Assim, de 1945 em diante o clero encontrou-se na encruzilhada: de um lado a invasão do americanismo na Europa, do outro do comunismo no mundo.

Papa Pacelli recebeu, em dezembro de 1940, durante a guerra, carta da Irmã Lúcia, renovando pedidos, advertências e promessas da Mensagem de Fátima. Convencido da sua importância enorme, procurou difundi-lo para que fosse bem acolhida por todos. Era o início de 1942 e o “segundo segredo” de Fátima, que continha o pedido de “consagração da Rússia” e a promessa de sua conversão à unidade católica e à paz, foi publicado em dois livros, com todo patrocínio eclesiástico, mas manipulado. O primeiro livro, Nossa Senhora de Fátima, do P. Luigi Moresco, foi impresso pela Polyglota do Vaticano, com a introdução do Arcebispo de Milão, Cardeal Ildefonso Schuster, que centralizou sua vibrante pastoral de 18 de abril naquele texto. O segundo, As maravilhas de Fátima, do jesuíta português P. Luis Gonzaga da Fonseca, do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, foi abertamente elogiado e teve grande sucesso editorial.

A 31 de outubro de 1942 Pio XII, em deferência ao pedido da Virgem de Fátima (mas sem a participação dos Bispos), consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com a rádio mensagem «Benedicite Deum Caeli»: “Rainha da Paz, rogai por nós e dai ao mundo em guerra a paz que as pessoas suspiram: paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo. Dê-lhe a paz das armas e a paz das almas, para que na tranquilidade da ordem se alastre o Reino de Deus “.

Naqueles dias, atesta mesmo Winston Churchill em seus diários da Segunda Guerra Mundial, teve lugar o que ele descreveu com as palavras: o giro da dobradiça do destino, seria o ponto de viragem no destino da guerra. É improvável que este estadista seguisse questões marianas, de modo que a observação sobre a data crucial, vem de um estadista estranho a Fátima.

Dado o sensível avanço para o fim da guerra, a Irmã Lúcia escreveu no mês seguinte: “Deus mostrou satisfação com o ato realizado pelo Papa, mesmo se este resta incompleto no que respeita aos termos do pedido. Por isto o fim da guerra e a conversão da Rússia fica adiada’ («Fatima the great sign», F. Johnston, p. 88).

Pio XII queria, porém, cumprir a consagração pedida por Nossa Senhora de Fátima; assim foi que manteve as intenções de oração para a conversão da Rússia. A política do Vaticano, no entanto, continuou com a sua prioridade diplomática em relação às grandes potências. Dai o contato de Pio XII com o presidente Franklin Delano Roosevelt, que levou à adulteração de palavras do Segredo de Fátima por parte de importantes clérigos do Vaticano.

Deliberadamente adulteradas algumas palavras da Mensagem de Maria em Fátima

No que diz respeito ao original, em ambas as publicações citadas acima, as palavras de Maria foram deliberadamente alteradas. Onde é dito: “Se meus pedidos forem atendidos, a Rússia se converterá e terão paz, caso contrário, ela vai se espalhar seus erros no mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”, substituiu-se a consagração da “Rússia”, pela do “mundo”. Além disso, após os erros espalhados (pela Rússia), esta foi substituída pela vaga expressão de  “propaganda ímpia”, não especificamente atribuível ao flagelo do ateísmo e do comunismo soviético, mas possivelmente também ao nazismo alemão, e assim por diante.

Considere-se esta alteração da Mensagem de Fátima diante da cegueira política que levou aos acordos desastrosas de Yalta. Para descrevê-lo nos referimos ao artigo “Prophecies of War”, publicado em outubro de 1981 pela civilização católica, onde o historiador jesuíta Robert Graham S. J. (Designado para defender o trabalho de Pio XII durante a guerra das campanhas de difamação), documenta as consequências da adulteração clerical da Mensagem de Fátima realizada em 1942, em plena guerra. Seria inevitável considerar o “Segredo de Fátima” e a  “Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria” relacionados entre si, tanto em Itália como no resto da Europa. Mas assim não foi, deixando pedido divino plenamente confundido.

Na Alemanha, os observadores e polícia nazista, sempre desconfiados dos movimentos do Papa, viram na “Consagração” um perigo para a frente interna alemã. Seus chefes observado com crescente irritação, referência a “consagração”, repetida na Itália, França, Holanda, Bélgica e até mesmo a Alemanha. Para eles, esta teve um significado cada vez mais claro “anti-eixo”. Na verdade, desde o início de 1943, a “Consagração ao Imaculado Coração de Maria” e o tema da “conversão da Rússia” tomou uma conotação pró-Aliados, anti-Eixo.

Foi especialmente na Inglaterra, pelo cardeal Hinsley, arcebispo de Westminster, que as palavras do Papa foram explicados e interpretados para efeitos da propaganda aliada. Em sua pastoral quaresmal de 1943, o cardeal escreveu: “O Santo Padre faz alusão inequívoca à Rússia, cujo povo, agora, está heroicamente defendendo seus lares e a sua pátria do invasor”.

Mesmo na França, o gesto de Pio XII foi interpretado mal por L. Delébeque, colunista do “L’Action Française”, que comentou em 18 de Fevereiro, de 1943, uma carta de um leitor que relatam “rumores” sobre as “revelações” de Fátima transmitidos a Pio XII, para o qual os sucessos russos foram atribuídos à Virgem, que estava a ponto de converter a Rússia. Neste último caso, em seguida, invadiriam a Europa com seus cruzados católicos para restabelecer a ordem e a Fé. Inacreditável! Se fosse o caso, o perigo comunista já não existia! Foi, portanto, sensata a resposta que deu “La Semaine Catholique”, o Diocesano Boletim Freiburg (Suíça), observando que desde 1930 Pio XI ordenou orações para ser recitado no fim da Missa, “para a Rússia”, foram orações para a sua conversão!

Fátima foi transformada, portanto, num golpe de sorte para a propaganda aliada e um açoite para os nazistas, que alegavam lutar contra uma ameaça mortal para a Europa: o bolchevismo. Para isso, a propaganda aliada explorou este tema religioso, muito adequado para alcançar a consciência de muitos. Os “aliados” devem portanto ser gratos aos primeiros divulgadores da “Segundo Segredo” de Fátima que “alteraram” o texto, tornando-o adequado particularmente para os seus propósitos, quando o propósito real do Vaticano era a equidistância. Se a alteração do “segundo segredo” foi efetivamente realizado em 1942 com o intuito de evitar qualquer manipulação política, a intenção foi certamente invertida.

Como é possível que esses editores não tenham imaginado que a expressão “a Rússia se converterá” seria entregue nas mãos do “aliado” uma arma poderosa de ampla repercussão? Podiam não prever que, abolindo a referência à Rússia, então URSS, como causa de guerras e perseguições, iriam remover um tópico útil a lembrar que a maior ameaça era e restou sendo o comunismo? É provável que Goebbels teria desprezado o uso de um tema religioso para o seu trabalho, mas em outras zonas de influência nazista, como na França, a referência à “ameaça dos erros da Rússia” – o comunismo – seria da maior importância no pós-guerra,

Deve-se acrescentar que P. Fonseca quis deixar claro que a sua “adulteração” da Mensagem foi apreciada em alta Sede! Mas qual era então o pensamento de Pio XII, que quis a Mensagem de Fátima conhecida, recorrendo até à colaboração do cardeal Schuster, e tendo consagrado o mundo, com uma menção implícita da Rússia, de acordo com o pedido transmitido a ele peça Irmã Lúcia?

Dos documentos papais emerge que o Papa cuidava para não deixar transparecer “nenhum sinal de aprovação e encorajamento para a guerra travada contra a Rússia em 1941”. Aconteceu, porém, que Pio XII, que em abril de 1939 havia entretido correspondência com o presidente norte-americano, o maçom Franklin Roosevelt, em 1941, sofreu pressões de ordem diplomática para aceitar uma interpretação mais tolerante da “Divini Redemptoris” contra toda forma de colaboração com o comunismo “intrinsecamente perverso”.

A este respeito foi enviado a Roma o embaixador Myron Taylor, que vinha sondar junto aos mais próximos colaboradores do Papa, em a atitude a ser tomada diante do comunismo; se seria a mesma divisão de opinião que havia entre os arcebispos americanos: por exemplo, os de Baltimore, Cincinnati e Boston eram cautelosos e realistas, como Mons. Tardini; os de Nova York, o Cardeal Spellman e outros, eram otimistas e pragmáticos, como o onipresente Montini. Bem, com a ajuda deste, Taylor acabou convencendo Pio XII, que 20 de setembro respondeu a Roosevelt levantando qualquer objeção de princípio à questão da ajuda americana à URSS.

Em uma carta datada de 22/09/1942 ao embaixador Myron Taylor, Pio XII declara: “A pedido do presidente Roosevelt, o Vaticano interrompeu toda polêmica com o regime comunista, mas esse silêncio, que pesa sobre a nossa consciência, não é compreendido pelos líderes soviéticos que continuam, na URSS e nos países ocupados pelas tropas do exército vermelho, a perseguir a Igreja e os fiéis. Pio XII termina: “Queira Deus que o mundo livre não venha um dia a lamentar o nosso silêncio!”

Sabe-se hoje que atrás dessa linha de «diplomacia concordatária» subvertida porque aberta a todo compromisso, esteve sempre Montini (futuro Paulo 6), que iniciou um “diálogo” com o poder soviético que estava se espalhando erros nefastos pelo mundo. Sem o conhecimento e mesmo contra a vontade do Papa, decidiu fazer uma visita à URSS. Sua prioridade diplomática não era, portanto, católica, como a que foi reiterada em Fátima, com o objetivo final de conversão, mas era do diálogo sobre as políticas de abertura ao mundo.

Assim, no mesmo 1942, por iniciativa de Montini junto ao sanguinário Stalin, já estava delineada uma futura “abertura” aos líderes soviéticos, aos representantes do regime que é inimigo da verdade de Cristo; era a famigerada «ostpolitik».

Foi assim que a mediação humana com os senhores do mundo descartou a fé na Mediação de Maria no único Senhor do Céu e da terra. Sobre que assunto eles poderiam tratar? É o que de deveriam confessar quando, mais tarde se soube de um episódio ainda envolvido no mistério de iniquidade, que resultou na maior demolição Católica (o encontro Montini-Stalin). Foi o primeiro fruto de uma série de obscuros compromissos que, contrários à Providência, 20 anos mais tarde ia inaugurar um «concílio ecumenista» para fazer descer o silêncio sobre tudo o que ameaça à Fé, sendo o comunismo então o maior, dos erros da Rússia avisados em Fátima (cf. Sì sì no no, ano VIII, 21:. « O Vaticano II alijou Fátima, Daniele).

Durante a 2ª Grande guerra, Pio XII não fez nenhuma menção das revelações de Fátima nem consagrou a “Rússia” explicitamente. Isso só aconteceu depois da guerra, 7 de julho de 1952, com a encíclica “Sacro vergente anno“.

Conclusão: O mundo livre teve que lamentar profundamente o silêncio do Vaticano sobre os erros “intrinsecamente perversos” da Rússia Soviética. Hoje ninguém pode ignorar como foi fatal para a humanidade esse silêncio e cegueira ou malícia dos líderes ocidentais – em primeiro lugar de Roosevelt! – que quis e levou países e povos a aceitarem a divisão do mundo concordado nos “acordos de Yalta”, ditados pelo sanguinário Stalin.

Com os pactos de Yalta foram condenados ao massacre, escravidão, terror e à ateização pela força populações inteiras; as consequências se espalhou por toda a terra, e por longo tempo, males dos quais ainda não se vê o fim, apesar das aparências! Encontramos exemplos do resultado imediato de Yalta no “Livro Negro do Comunismo”: Stalin obrigou os Aliados à executarem o repatriamento de todos os russos que estavam foragidos no Ocidente, com o uso da força.

Foram repatriados mais de um milhão e 300.000 pessoas, em circunstâncias terríveis. ( “O Livro Negro do Comunismo”, Mondadori, 1998, p. 300). A liberdade decantada pela América, temendo o diktat soviético enviou milhares para serem mortos ou feitos prisioneiros nos goulag da URSS. Os Aliados que venceram a guerra, cederam à chantagem contra quem “escolhera a liberdade.”

Mas aqui a questão principal aponta para a queda da vigilância católica, que devia prevalecer em Roma, mas falhou. Pio XII deixou-se convencer por um mação liberal que pensava decidir sobre os destinos das nações e dos povos. Mas para fazê-lo permitiu que padres manipulassem a 2ª parte do Segredo da Mãe de Deus, com a desculpa de promover a Sua Mensagem profética.

Quando falha a fé restam só escombros de comportamentos ininteligíveis. E o castigo para o Papado seguiu justamente com aqueles mesmos elementos clericais, como Montini, Paulo 6, que foram e continuam sendo com Bergoglio, a desgraça da Igreja e de muitas almas.

Aqui a intenção era demonstrar como até 1943 o grande castigo revelado pelo 3º Segredo era ainda condicional. Até aquele ano o Papado ainda poderia ter sido poupado pelo pleno respeito à Mensagem profética de Fátima de origem divina.

Este respeito faltou com a sua desastrosa manipulação. Isto selou o destino do Papado católico pelo longo tempo que vivemos. Depois disso ficava fadado à «morte simbólica» conhecida pela visão do Segredo. E Nossa Senhora no dia 3 de janeiro de 1944 ditou à Irmã Lúcia o que não era mais condicional sobre a ajuda à ação papal, que depois de ter sido recusada ficava suspensa como o papado, não mais católico. Isto ficou fatalmente mais claro em 1960, quando, após a morte de Pio XII em 1958, o Vaticano era ocupado pelo espírito anticristo de modernistas abertos à maçonaria como o lastimável João 23. Foi inimigo de Fátima e incrível censor do seu Segredo, que profetizava justamente a devastação na fé que ele representou, promovendo o Vaticano 2.

Ao considerar com atenção a EXTRAORDINÁRIA CRONOLOGIA DA PROFECIA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, muitas questões históricas tornam-se mais claras. Foi o caso da desgraça do Rei da França; aqui, a do Papado romano, que não soube acolher devidamente a graça oferecida em Fátima.

 

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