Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A LIBERDADE RELIGIOSA E A CONCUPISCÊNCIA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Casti Connubii”,promulgada em 31 de Dezembro de 1930:

«É pois necessário, para colocar na sua devida ordem a matéria matrimonial, que todos considerem o desígnio Divino e procurem conformar-se com ele.

Uma vez que a tanto se opõe, sobretudo, a força da concupiscência desenfreada, que é sem dúvida o motivo principal porque se peca contra as santas leis conjugais, e não podendo o homem submeter as paixões, SE PRIMEIRO NÃO SE SUBMETE A DEUS, precisa, antes de mais nada, de dirigir a isto os seus cuidados, conforme a ordem Divinamente estabelecida. É Lei irrevogável que quem vive sujeito a Deus veja as paixões e a concupiscência submeterem-se a si com o auxílio da Graça Divina; e ao contrário, quem é rebelde a Deus experimente e sofra a luta interna que lhe é feita pelas paixões violentas. E com quanta sabedoria isso foi determinado, assim o expõe Santo Agostinho: “De facto é justo que o inferior se submeta ao superior, de forma que todo aquele que deseja que o que lhe é inferior se lhe sujeite, DEVE SUJEITAR-SE ELE MESMO AO SUPERIOR. Reconhece a ordem, procura a Paz! TU A DEUS, A CARNE A TI. Que há de mais justo, de mais belo? Tu ao maior, o menor a ti; serve tu àquele que te criou, a fim de que sirva a ti, aquilo que para ti foi criado. Não entendemos nem propomos a ordem pela forma seguinte: A ti a carne, e tu a Deus, mas tu a Deus e a ti a carne! Mas se desprezares o tu a Deus, nunca realizarás o a ti a carne. Tu, que não obedeces ao Senhor, serás atormentado pelo servo.” (Enarrat. in Ps 143)

Uma vez que não é possível refrear, como se deve, os indómitos desejos, sem que primeiro a alma preste humilde homenagem de piedade e de reverência ao seu Criador, é sobretudo necessário que os que contraem o Sagrado Vínculo Matrimonial estejam perfeitamente compenetrados de uma PROFUNDA PIEDADE PARA COM DEUS, QUE LHES INFORME TODA A VIDA, E LHES ENCHA A INTELIGÊNCIA E A VONTADE DE UMA SANTA VENERAÇÃO PELA VONTADE DIVINA.

Bem procedem pois, e conforme ao mais são e perfeito sentido cristão, os pastores de almas que para impedir que os esposos venham durante o matrimónio a afastar-se da Lei de Deus, os exortam principalmente A UNIREM-SE TOTALMENTE A DEUS POR MEIO DE EXERCÍCIOS DE PIEDADE E RELIGIÃO, INVOCANDO-O CONSTANTEMENTE, A FREQUENTAREM OS SACRAMENTOS, A FOMENTAREM E A MANTEREM SEMPRE EM TUDO SENTIMENTOS DE DEVOÇÃO E PIEDADE PARA COM ELE.

Ao contrário, enganam-se redondamente, os que, postos de parte ou desprezados estes meios, que transcendem a natureza, julgam poder, mediante o uso e as descobertas das ciências naturais (como a biologia, o estudo das transmissões hereditárias e outras),persuadir os homens a dominarem as concupiscências carnais. Nem com isso queremos dizer que se não tenham também em conta estes auxílios naturais, quando não sejam ilícitos; pois é o próprio Deus o Autor da natureza, bem como da Graça, que dispôs que os bens, tanto de uma, quanto de outra ordem, sirvam para uso e utilidade do Homem. Os fiéis podem e devem, pois, servir-se também destes auxílios naturais, mas erram aqueles que julgam bastarem estes para garantir a castidade da união matrimonial, ou que julgam encontrar neles maior eficácia do que no auxílio da Graça matrimonial.»

Estas palavras do Papa Pio XI constituem vigorosa condenação do naturalismo de todas as épocas e de todos os lugares, bem como  de uma concepção de religião estritamente terrenista, privada de horizontes espirituais, mesmo puramente naturais, consequência das tendências anárquicas do protestantismo e da subversão deletéria e continuada da maçonaria internacional em nações de antiga Tradição Católica.  

A maçonaria sabe perfeitamente, sempre soube, que a melhor lenha para atiçar o fogo das paixões, eliminando toda e qualquer ascese, é PRECISAMENTE A SUPRESSÃO DOS BENS DA GRAÇA; E PARA SUPRIMIR OS BENS DA GRAÇA, O MEIO MAIS EFICAZ É DISSOLVER O DOGMA – O QUE SE OBTÉM CONSIGNANDO O PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA.

Efectivamente, o edifício maravilhoso da Fé Católica, precisamente PORQUE É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE CONSTITUTIVO DA VERDADE E DO BEM, implica necessàriamente a integridade de todo o corpo Doutrinal – BONUM EX INTEGRA CAUSA! Quando se oblitera, ou mesmo diminui, alguma verdade – O EDIFÍCIO DESMORONA!

Ora o amaldiçoado princípio da liberdade religiosa, não renega um determinado artigo do corpo Doutrinal – RENEGA TUDO E DE UMA SÓ VEZ, RADICALMENTE! Neste quadro conceptual, é que todas as reivindicações da maçonaria para cessar a sua hostilidade para com a Santa Madre Igreja sintetizaram-se sempre na injunção para que esta proclamasse o princípio da liberdade religiosa; isso mesmo foi oficialmente comunicado a Congar e a Bea pelos maçons, pouco antes do concílio. Como repetidas vezes tenho afirmado, e foi sempre solenemente declarado pelos Papas: A aceitação do referido princípio implica rebaixar a Sacrossanta Fé Católica A UM SENTIMENTALISMO SUBJECTIVISTA TERRÌVELMENTE CEGO E ESTÉRIL, QUE EQUIVALE, EM ÚLTIMA ANÁLISE, A TORPE ATEÍSMO, AINDA QUE COLORIDO E EDULCURADO.

Mas como poderão permanecer na alma as nobres disposições ascéticas que estimulam a vencer as paixões, conquistando a santa liberdade de uma vida inocente e pura, de cada um segundo o seu estado – SE APENAS DISPOMOS DE UM VAGO SENTIMENTALISMO COMO FUNDAMENTO MORAL? COMO PODEMOS TER FORÇA PARA VENCER AS TENTAÇÕES, SOBRETUDO DA CARNE, SE ESTAMOS IMERSOS NUM COMPLETO NATURALISMO PANTEIZANTE?

Reside precisamente aqui MAIS UMA ARMADILHA DA MAÇONARIA: A DERROCADA MORAL DO CLERO, DOS RELIGIOSOS E DOS FIÉIS, ATÉ AO MAIS FUNDO DO NEGRO POÇO DA MISÉRIA HUMANA.

Começando pelo celibato, temos que afirmar o que constituiu sempre Doutrina da Santa Madre Igreja: SEM A GRAÇA SOBRENATURAL, SÓ POR MOTIVOS NATURAIS, É ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL AO VARÃO NORMAL A PRÁTICA DIUTURNA DO CELIBATO; BEM COMO A CONSERVAÇÃO DA CASTIDADE CONJUGAL. A GRAÇA MEDICINAL, QUE É PRETERNATURAL, EM SI MESMA, DESACOMPANHADA DA GRAÇA ACTUAL ELEVANTE E DA GRAÇA SANTIFICANTE, É ABSOLUTAMENTE INSUFICIENTE, AO MENOS PARA A GUARDA DE PERPÉTUO CELIBATO.

Tendo o referido princípio da liberdade religiosa obliterado não apenas a vida na Graça de Deus, mas igualmente a própria Fé Teologal informe, segue-se que a seita conciliar, ou o que é o mesmo, a maçonaria, passou a propor, MATERIALMENTE, ao clero, aos religiosos e aos fiéis, UM IDEAL TRANSCENDENTE, A CASTIDADE DE CADA UM SEGUNDO O SEU ESTADO, SONEGANDO CONCOMITANTEMENTE, PREMEDITADAMENTE, CALCULADAMENTE, AS FORÇAS SOBRENATURAIS ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIAS AO CUMPRIMENTO DESSE IDEAL.

Encontramo-nos assim perante um contexto que só poderia ser gizado pela inteligência pervertida de satanás, e colocado em prática pelo braço negro e hediondo da maçonaria internacional.

A pederastia disseminada no clero possui aqui a sua causa. Não se pretende afirmar que no passado não tivessem existido gravíssimas falhas no comportamento do clero no que concerne à castidade. A História da Igreja regista períodos de grande licença de costumes entre o clero, como a Itália do Renascimento, e outros; MAS NÃO ERAM COSTUMES CONTRA A NATUREZA! Porque a sodomia, por vezes na forma de pederastia, generalizada entre o clero, NUNCA EXISTIU; SÓ AGORA COM O MALDITO VATICANO 2 ATINGIU FOROS DE PANDEMIA. São Paulo é bem claro quando considera a sodomia o justo castigo da apostasia:”Considerando-se sábios, tornam-se néscios, e trocaram a Glória de Deus incorruptível por figuras de homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis. Por isso Deus, segundo os desejos dos seus corações, os entregou à impureza, a fim de que neles se degradassem os próprios corpos; eles que trocaram a verdade de Deus pela mentira, que veneraram a criatura e lhe prestaram culto, de preferência ao Criador, O Qual é bendito por todos os séculos. Amen.

Por este motivo, Deus os entregou às paixões degradantes, pois as suas mulheres deixaram o uso natural em outro uso, QUE É CONTRA A NATUREZA. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, abrasaram-se na mútua concupiscência, praticando uns com os outros o que é indecoroso, e recebendo em si mesmos a paga que era devido ao seu desregramento”(Rom 1, 22-27). É conhecido como, desde Lammenais, o modernismo possui uma tradição de sodomia.

O leitor poderá colocar a seguinte questão: Mas se as leis matrimoniais são, antes de tudo, de Direito Natural, porque será que para cumprir rigorosamente essas leis é necessária a Graça Sobrenatural? Porque a Humanidade nunca existiu num estado de pura natureza; sendo criada já elevada ao estado Sobrenatural, com integridade Preternatural. Desse estado decaiu pelo pecado original; obteve, gratuita mas obrigatòriamente, a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo, MAS PERMANECE COM A FERIDA DA NATUREZA – é esta a explicação.

Na base do tremendo vazio da liberdade religiosa, desaparece toda e qualquer ascese, e toda e qualquer possibilidade de ascese – PARA QUÊ? EM NOME DE QUÊ? Para quê abraçar uma religião, que é mais dura, mais exigente, mais implacável com as misérias humanas, se há liberdade religiosa?

O FIM DO DOGMA CONSTITUI O FIM DE TODA A MORAL.      

Só a Graça Sobrenatural, enquanto participação na Natureza Divina, na Inteligência Divina, na Caridade Divina, pode conseguir que triunfemos, não sobre o pecado original, mas sobre as consequências do pecado original, que são a tendência acentuada para o mal. Sòmente a Graça Sobrenatural possui a força que contraria o ímpeto da paixão, mesmo até ao ponto de nem se sentir qualquer tentação; porque esta, mesmo quando é vencida, constitui um indicador de maior ou menor fraqueza moral. Nosso Senhor Jesus Cristo não sofreu, nem podia sofrer, tentações intrínsecas, mas apenas tentações extrínsecas provocadas pelo demónio; portanto não sentiu o seu ser interior abalado por qualquer sugestão que materialmente sofresse.

Contemplamos assim, como corolário desta maravilhosa e infinitamente rica doutrina Sobrenatural, como são absurdas aquelas teses de uma falsa teologia dogmática e moral, que colocam o extremo da virtude nas mais terríveis tentações, nos sofrimentos espantosos, na carne a ferver. Não, a Santidade não é isso: A Santidade é constitutiva de uma Paz, de uma felicidade Sobrenatural profundíssima, que elimina completamente, ou quase completamente, as tentações, sobretudo as da carne, pois que o Lume da Caridade Divina realmente participada não pode coabitar, nem ao de leve, com o fogo bestial da concupiscência.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 23 de Outubro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

5 Respostas para “A LIBERDADE RELIGIOSA E A CONCUPISCÊNCIA

  1. Princeps militiae caelestis novembro 4, 2016 às 3:57 pm

    Onde se celebra Missa tridentina em Lisboa?

    • Zoltan Batiz novembro 5, 2016 às 2:47 pm

      Celebra-se, mas atenção! É pela fraternidade apostata, FSSPX. Além de ser “una cum antipapa eorum”, Francisco, cada opção é a menos tradicional. As rubricas são os do antipapa Judas 23, mais ou menos aceitáveis, mas os mais da esquerda entre os aceitáveis. As leituras em vernáculo. Isto já era tolerado, mas não bem permitido na Europa durante o Papa Pio XII. E os leigos respondem em conjunto com o acólito, o que era tolerado no tempo do Pio XII, mas não bem permitido, salvo no caso quando o bispo autorizou isto. Portanto, onde haja uma opção, eles sempre optam pela alternativa menos tradicional, e isto para mim “cheira mal”. Ainda por cima às vezes eles empregam padres ordenados na nova igreja (portanto, sem valides, e isto afecta a valides da missa) e não se sabe com certeza se não foi um desses quem consagrou o cibório, logo, em vez da Comunhão pode tomar apenas um biscoito.

      Tomando tudo isto em consideração eu não recomendo que o Sr. frequente esta missa (e para o Sr. Arai a primeiro razão, a “una cum” já basta para não recomendar a sua presencia lá).

      Mas para responder à sua pergunta, eles celebram a missa (Domingos e festas obrigatórias às 11 de manhã, nos outros dias restantes às 7 da tarde) no priorado deles, Estrada de Chelas, nº 29-31.

      Mas antes de lá ir deve consultar o mapa ou a net, pois os taxistas em Lisboa não conhecem quase nada. O Sr. senta-se num taxi, diz o destino e o motorista pergunta: onde isso fica? Mas com uma naturalidade absoluta, como se fosse normal (e não altamente incompetente). O facto que um estrangeiro saiba mais que eles, portugueses da gema e lisboetas de origem (os ditos “alfacinhas”) não os incomoda minimamente. Perguntar o público nem pensar.

  2. Pro Roma Mariana novembro 7, 2016 às 6:20 pm

    Na Capela da Casa de Nazareth, só quando vem aqui sacerdotes não «Una cum» esse Vaticano.

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