Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O MISTÉRIO DA PREDESTINAÇÃO  E O VALOR DE CADA ALMA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, na Homilia pronunciada por ocasião da canonização da Beata Maria Bernadette Soubirous, em 8 de Dezembro de 1933:

«Nós regozijamo-nos muito vivamente por aquilo que nos é concedido, ainda mais uma vez, durante este Ano Santo, recolhendo novas flores de santidade no Jardim da Santa Igreja, apresentando-as integralmente perfumadas de uma celeste suavidade à admiração do universo católico.

Esta mesma criança de Lourdes, à qual nós concedemos a palma dos Bem-Aventurados há poucos anos, assinalou-se por novos e admiráveis prodígios, os quais forma reconhecidos autênticos, após os exames prescritos pelo Direito; por isso nós decidimos, com uma grande alegria, atribuir-lhe novas e solenes honras.

É aliás para nós impossível não admirarmos neste acontecimento um secreto desígnio da Divindade.

No presente ano,  que nós especialmente consagrámos à recordação da Redenção dos homens, termina efectivamente o período de quinze lustros desde que a Virgem Mãe de Deus, Imaculada desde a sua concepção, se revelou a esta inocentíssima moça, junto da rocha de Massabiele. Parece então que Deus, Mestre Soberano dos tempos e dos acontecimentos, tenha pretendido aumentar o resplendor deste Jubileu. Porque tudo o que se faz em louvor de Bernadette Soubirous ressalta em Glória para com a Imaculada Conceição. A Imaculada,  efectivamente, amou Bernadette de uma forma tão maternal que ela confiou a esta humilíssima pastora o mandato de publicar os seus privilégios, bem como de chamar os homens à penitência.

“Deus – diz o Apóstolo -escolheu o que é louco segundo o mundo para confundir os sábios, e o que há de mais enfermo no mundo para confundir os fortes”. A Sua Santíssima Mãe agiu da mesma forma.

É digno de ser sublinhado, efectivamente, que a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, querendo ilustrar de forma miraculosa a sentença pontifical pela qual nosso predecessor Pio IX, de feliz memória, tinha proclamado neste mesmo dia e nesta mesma Basílica o Dogma da Imaculada Conceição, com aplausos de todo o Universo, não se dirigiu a homens de alta ciência, mas a uma filha ignorante de simples moleiros, cuja única riqueza consistia na candura da sua alma excepcional; e foi a esta pequena que Maria Santíssima disse: EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO. Da mesma forma, no seu desígnio de despertar a Fé Católica no coração dos homens, bem como de reconduzir os seus costumes corrompidos às rectas veredas da virtude cristã, Maria Santíssima não se orientou na direcção dos poderosos e ricos deste mundo, nem para os condutores dos povos. Ela preferiu-lhes aquela de quem se poderia dizer: “Bem – Aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-Aventurados aqueles que têm o coração puro, porque verão a Deus. Assim, sob a direcção da Rainha do Céu, e graças do doce concurso da serva, três santuários foram erigidos ao pé rocha de Massabiele, e os fiéis de todas as nações aí acorrem, seja em grupos, seja isolados, para implorar a assistência Divina. Espectáculo grandioso, Veneráveis irmãos e queridos filhos, espectáculo que se impõe à admiração universal, sem exceptuar daqueles a quem falta a Luz da Fé Católica. LOURDES! Admirar em Lourdes a Honra e a Glória da Imaculada Virgem Maria. Mas vede aí, ao mesmo tempo, um monumento singular da santidade autêntica de Maria Bernadette Soubirous. Quantos homens extraviados para fora do caminho da Verdade Cristã, regressaram, graças a Lourdes, ao regaço da sua Mãe Igreja! Quantos outros, manchados da lama dos vícios, foram em Lourdes reconduzidos para uma vida melhor! Quantos outros, ainda, aí sentiram o convite Divino, entrando resolutamente nos caminhos da perfeição! Finalmente, quantos enfermos em Lourdes reencontraram, pela Divina Virtude, a força e a saúde!

Nós próprios, nesta hora em que canonizamos esta criança de Lourdes, experimentamos a necessidade de nos dirigirmos em espírito e coração a esta Gruta da Virgem Imaculada para aí apresentar as nossas homenagens. Nós experimentamos a necessidade, nós também, de rezar convosco à Mãe do Céu, neste dia que lhe é consagrado, para que não cessemos de prosseguir segundo o exemplo de Bernadette Soubirous, cujas virtudes e exemplos ilustres são hoje propostos à nossa imitação. Esforcemo-nos em reproduzir a sua modéstia, a sua humildade, a sua Fé, e a sua ardente Caridade; e assim como ela correspondeu permanentemente às inspirações celestes, com uma fidelidade perfeita, saibamos nós também corresponder com bom coração à Graça de Deus, a qual nos chama a um estado mais santo e mais perfeito. Se não nos é possível rivalizar com ela pela inocência de vida, tentemos, ao menos, possuir um zelo igual pela penitência – cada um segundo a sua condição.

Além disso, nós possuimos o vivo desejo que orações ardentes sejam dirigidas à Imaculada Mãe de Deus, bem como à sua serva, por todo o Universo Católico, a fim de que todos possam beneficiar, durante o Ano Santo, dos bens da Divina Redenção, que Nosso Senhor Jesus Cristo nos mereceu com o Seu Sangue; e para que todos obtenham esta paz, QUE O MUNDO NÃO PODE DAR, que consiste na tranquilidade na ordem, e que se adquire mediante o cumprimento fiel dos preceitos Cristãos.

Queira Deus – Nós o solicitamos pela intercessão da Imaculada Virgem Maria e da sua fidelíssima serva Bernadette Soubirous – que experimentemos sempre em nós os frutos da Redenção de Cristo Nosso Senhor.»

 

Deus Nosso Senhor cria cada Anjo e cada homem, para que ele anuncie formalmente, Sobrenaturalmente, a Glória do seu Criador, conhecendo-O, amando-O, e servindo-O. Todavia, cada Anjo e cada Homem, portanto cada ente espiritual, é querido, providencialmente, por si mesmo, subordinando o Reino animal, o Reino vegetal, e o Reino inorgânico, à sua utilidade. Poder-se-á colocar a questão da utilidade, para o Anjo, do Universo visível; mas a resposta é positiva, porque os Anjos conhecem a totalidade do mundo material através das ideias infusas, as quais constituem para o Anjo, aproximadamente, o que as impressões dos sentidos são para o homem. Consequentemente, nenhum aspecto da Criação, nem microscópico nem macroscópico,  está oculto à inteligência angélica, para que a Glória de Deus seja proclamada na integridade da Sua Criação.

A Providência constitui a Ideia Eterna, a Coerência, a Finalidade Imutável, que Deus Nosso Senhor possui do mundo, por Ele efectivamente querido, e realmente criado. A Providência nada deixa de considerar, de relacionar, de ordenar, de hierarquizar, pois nada do que Deus criou é inútil. O Acto pelo qual Deus conhece essa Ideia é o mesmo e único acto pelo qual Deus conhece tudo o resto, inclusivamente o mundo real; pois que O Acto Infinitamente fecundo do conhecimento Divino é perfeitamente imanente, isto é, Deus não necessita do concurso dos entes criados para obter o conhecimento que deles possui. Basta-Lhe a Sua própria Essência, pois que n’Ela É virtualmente todo o criado.

O Padre Garrigou-Lagrange conta a seguinte história, absolutamente verdadeira, extraída dos anais das missões:

Havia um missionário que desejava ardentemente ser enviado para a China, tendo acabado por conseguir realizar esse seu sonho. Chegado à China, imediatamente deparou com uma mulher moribunda, que segundo declarou, esperava ansiosamente a vinda do missionário para morrer em paz. Efectivamente foi logo baptizada, catequizada, tendo recebido a Sagrada Eucaristia, não necessitou receber o Sacramento da Penitência porque o Santo Baptismo apaga todos os pecados cometidos antes da sua recepção, bem como a respectiva pena temporal. A pobre mulher acabou por falecer na Paz de Deus, consolada com todas os Sacramentos e bençãos da Santa Madre Igreja; logo a seguir o missionário sentiu um invencível desejo de voltar à Europa – e regressou.

A Providência Divina é Universal e Absoluta. Aquela pobre alma que Deus Nosso Senhor iluminou com a Sua Graça, apesar de não conhecer, ACTUALMENTE, a Santa Madre Igreja, SABIA QUE ELA EXISTIA E CONHECIA VIRTUALMENTE A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; E DEUS NOSSO SENHOR PROVIDENCIOU PARA QUE AQUELE MISSIONÁRIO SE DESLOCASSE À CHINA ÙNICAMENTE PARA QUE ESSA ALMA, VINCULADA AO CORPO MÍSTICO PELO SANTO BAPTISMO, PUDESSE CONHECER ACTUALMENTE, E RECEBER A JESUS SACRAMENTADO NA HORA DA MORTE.

Objectar-se-á: Mas se Deus quer a salvação de todos os homens, porque é que só uma pequena parte (segundo a tese Tomista) se salvará?  Deus quer a salvação de todos os homens, considerados estes de forma antecedente à sua inserção real na complexidade do mundo. Porque quer os Anjos, quer os homens, considerados em si mesmos, na sua espiritualidade, na sua inteligência e na sua vontade, na sua transcendentalidade antecedente, SÃO CRIADOS POR DEUS, E A ELE DEVEM REGRESSAR. A Predestinação não se exerce a este nível, mas num contexto concreto de imersão num mundo onde a presença maciça E brutal do mal, serve à PROVAÇÃO ASCÉTICA DOS BONS. É DA CONVULSÃO QUE CONSTITUI ESTE PAUPÉRRIMO MUNDO QUE É SELECCIONADA MISTERIOSAMENTE A PORÇÃO DOS ELEITOS QUE HÃO-DE PERSEVERAR ATÉ AO FIM.

O mal do mundo serve à exaltação do Bem; a própria punição desse mal, neste mundo ou no outro, SERVE SEMPRE À GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS.

Toda a Bondade, natural e Sobrenatural, que há nos eleitos, não se fundamenta neles mesmos – MAS EM DEUS. Não se é Predestinado por ser Bom; é-se Bom por ser Predestinado.

A Predestinação constitui uma moção transcendental que não interfere com a liberdade humana, exactamente porque a fundamenta. A moção transcendental de Deus não diminui a liberdade humana, porque quanto mais Deus age, mais capacidade faculta à criatura para agir. Deus move todas as criaturas, segundo a sua (delas) própria natureza; as puramente materiais, move-as Deus segundo as suas propriedades físico-químicas; as vegetais, segundo a sua capacidade vegetativa de assimilação, crescimento e reprodução; as animais, segundo os seus instintos específicos próprios, intrìnsecamente incapazes de progresso, servidos pela estimativa sensorial; finalmente, as criaturas espirituais, são movidas por Deus segundo a sua faculdade interior de a si mesmas se orientarem na senda da Verdade e no Bem.  

Só existe Predestinação para o Bem, porque Deus só pode conduzir positivamente as almas,PELA SUA PRÓPRIA BONDADE DIVINA; E É ESSA BONDADE DIVINA QUE FAZ NATURAL E SOBRENATURALMENTE BOAS AS CRIATURAS ESPIRITUAIS.

Quando Deus ama os eleitos, na Terra como no Céu, ama-os porque Se vê reflectido na alma sobrenaturalizada e glorificada desses mesmos eleitos; porque a Bondade acidental Sobrenatural destes mais não é do que a BONDADE SUBSTANCIAL DE DEUS UNO E TRINO, QUE SE CONHECE E AMA A SI MESMO DE FORMA TÃO INFINITAMENTE FECUNDA QUE É INDISSOCIÁVEL DA PROCESSÃO TRINITÁRIA NA UNIDADE DA NATUREZA.

Constitui erro fatal conceber a Predestinação ao modo humano, como uma relação de forças finitas, puramente humana – PORQUE SÓ PODE PREDESTINAR QUEM PODE CRIAR; A PREDESTINAÇÃO CONSTITUI COMO QUE UMA SUBLIMAÇÃO DA CRIAÇÃO.

Precisamente porque pensaram a Predestinação de modo puramente humano, é que calvinistas e jansenistas tombaram nos maiores e mais desesperadores erros filosóficos e Teológicos: Os primeiros não souberam integrar o Mistério da Predestinação como constitutivo transcendental da liberdade e do exercício do acto de ser da pessoa. Consequentemente, conceberam a Predestinação como força intramundana, quer coagindo positivamente ao bem, quer coagindo positivamente ao mal, porém, INDEPENDENTEMENTE DO ACTO DE SER DA PESSOA.

O jansenismo concebe a liberdade como instrumento da Graça, de modo que a primeira é forçada pela segunda a praticar o bem; e se não sofrer esse constrangimento, pratica o mal; em ambos os casos a liberdade, como faculdade de se mover na Verdade e no Bem, é destruída. O corolário do que ficou explanado É QUE AMBAS AS TESES, A CALVINISTA E A JANSENISTA, OBLITERAM A ORDEM SOBRENATURAL, E CORROMPEM MUITO GRAVEMENTE A ORDEM NATURAL.

O que é verdadeiramente admirável nos santos é a sua perfeita coerência e homogeneidade de vida; eles fazem um Todo com Deus Nosso Senhor; REFLECTEM A DEUS, NA ESSÊNCIA DA SUA ALMA, BEM COMO NO LUME DA SUA OPERAÇÃO. A sua liberdade não é destruída, porque sendo muito perfeita, moralmente, não pode pecar, nem mortalmente, nem venialmente de propósito deliberado. A possibilidade moral de pecar não se deve considerar uma prova da liberdade, muito pelo contrário – É UMA FALHA DA LIBERDADE!

Nem no Céu, poderá jamais a inteligência finita, incluindo a angélica, compreender perfeitamente o Mistério da Predestinação, pois tal equivaleria a dominar o que de mais profundamente íntimo existe na relação entre a criatura espiritual e o seu Criador; relação essa que é transcendental da parte da criatura, e de razão da parte do Criador. Porque o finito permanecerá eternamente a uma distância metafìsicamente infinita do Criador. Sòmente através dos Bens da Graça Sobrenatural podemos e devemos participar, pela Inteligência e pela Caridade, dos Mistérios inefáveis d’Aquele que É.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 2 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral    

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