Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O TESTEMUNHO DE DOM MAYER NA PAIXÃO DA IGREJA e o ideário do P. Paulo Ricardo

Getsemani

 

Arai Daniele

A grande conspiração da qual tratamos nunca foi produto da imaginação de “complotistas”, que em tudo vêem elementos de uma fictícia “história do complô”. Não, essa história, da qual tudo indica que vivemos as etapas conclusivas, remonta à Religião revelada do livro da Gênese e à tentação do Pecado Original, a realidade mais comprovada da conflitiva história humana de todos os tempos.

E o Antigo Testamento se explica no Novo e Eterno Testamento de Jesus Cristo pela “conspiração” que levou ao Seu Sacrifício na Cruz para nos redimir da queda na “conspiração original”. Hoje há quem põe a questão: Deus podia querer todo esse desatino e crueldade na Sua “Teodicéia”?

Teodicéia é termo que vem do genial Leibniz que, nascido protestante, sentia-se bem próximo do catolicismo. A obra Teodicéia “põe a questão da «justificação de Deus», isto é, de sua bondade e onipotência em relação ao mal e à liberdade humana” (História da Filosofia, Julián Marias, Ed. Souza & Almeida, Porto, 1973).

Aqui usamos este termo porque se adapta bem ao discurso sobre a conspiração original até o presente. Não vamos em tudo seguir o Filósofo, que de resto tem ainda uma obra desconhecida, mas que na conhecida tornou-se idealista. Nós seguimos a Igreja, e esta foi posta em causa por quem aparece hoje como Vigário de Deus para interpelá-Lo escandalosamente. Sim, porque nunca antes se poderia imaginar um clérigo em veste papal acusar Deus, como Bento XVI fez ao visitar Auschwitz. “Diante de tantos horrores, onde estava Deus escondido?”.

Na esfera espiritual assim se inverte a referência da consciência humana na absoluta bondade de Deus, porque haveria homens, mais prudentes e bondosos que Deus, que poderiam contestar a sua falta de compaixão!

A questão de Ratzinger define assim duas religiões diretamente opostas:

– a de clérigos que se envergonham e se desculpam pela Religião de Deus, que na versão gnóstica criou um mundo cruel de horrores!;

– a Religião católica que ensina e celebra o Sacrifício do Filho de Deus vindo a redimir homens caídos no mal da contínua conspiração original.

Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, veio ao mundo “sofrer” todo o mal físico, de carências, dores e morte, e o seu mal espiritual de ódio, engano, vilipêndio e traição, para deixar um legado de bondade e amor.

Os filhos de Sua Igreja o testemunharam desde estão e pelos séculos com o martírio físico e espiritual no Seu exemplo. Esta é a presença de Deus no mundo, cujos horrores se devem ao repúdio deste divino Sacrifício.

A Igreja representa essa presença, mas os «papas conciliares» fizeram surgir outra iluminista, para interpelar o «escondimento de Deus»!

No tempo cristão, o ser humano buscava a verdade e o bem da presença divina na consciência, sabendo que a estas verdades não podia chegar por si. Hoje há quem chegou ao ponto, com o culto do homem, de sentir-se livre e capaz de julgar a Deus diante de eventos que são justamente derivados de seculares alienações da Fé no plano divino de redenção.

Assim, nestes tempos, a voz para o «culto do homem vítima de Deus», provem nada menos que de quem pontifica como papa!

É o sumo engano do espírito gnóstico da anti-religião, diametralmente oposta à Católica, que interpela a bondade divina num mundo cuja falsa liberdade, que os homens julgam ser um direito, causa imensos horrores!

Quão poucos percebem e testemunham contra isto. No seu tempo Dom Mayer o fez, reconhecendo que, desde Paulo 6, com seu discurso de fechamento do Vaticano 2, se configurava a nova Igreja que começou com João 23, alterando a questão da liberdade de consciência, até esta de Bento 16, cuja «consciência conciliar» o leva a pronunciar estas frases dignas do ofídico conspirador original, agora final.

Dirão: este não foi, porém, o testemunho de Dom Mayer no seu tempo.

De fato, ele reconheceu que o Vaticano 2 configurava uma nova Igreja, mas só no fim percebeu que seu testemunho devia ir além da denúncia contra a liberdade religiosa e de consciência conciliar; devia ser contra seus autores. Já vimos antes no «caso Rifan» que uma tortuosa ação «traicionalista» barrou muitas vezes o que o Bispo entendia testemunhar.

Duas teologias originam duas religiões diversas?

Poucos percebem hoje, no meio da grande apostasia, como se pode falar de duas religiões opostas, diante das palavras edificantes a favor da família, da moral e mesmo de Jesus, vindas dos aplaudidos chefes conciliares.

Devemos assim voltar ao início para saber o que opôs e o que favoreceu a conspiração demoníaca contra a Palavra divina, que permitiu tanto mal. Ora, na Teodicéia, porque teria Deus permitido certamente o mal do erro e do engano, senão em vista de um bem maior? Porque a liberdade para receber e corresponder à graça é o bem sublime querido por Deus para os homens.

Explica-se isto dizendo que Deus, sendo a perfeição do Bem e do Amor, “precisava” comunicá-lo a seres que o reconhecessem e aderissem a Ele livremente. É o bem maior das criaturas espirituais, cuja filial dignidade à imagem e semelhança do Pai, dispõem da liberdade da vontade, embora nesta seja implícito o risco da escolha do mal.

E assim foi em seguida com os anjos que escolheram o próprio culto e a danada conspiração universal que quiseram transmitir à nova criatura humana, posta na encruzilhada da matéria e do espírito.

Aqui entra a nova religião protestantizante de Ratzinger, Bento 16, que é fundada na «nova teologia», à qual adere o P. Paulo Ricardo, que critica a Teologia de preclaros professores como o Padre Garrigou-Lagrange; seria o «tomismo leonino», porque apoiado pelo Papa Leão XIII.

Já se viu que PPR considera este um dos responsáveis pela vulnerabilidade da Igreja que causou o desastre conciliar. Sim, reconhece o desastre mas acusa os católicos de estarem bitolados por essas teologias e discursos quadrados como os do Prof. Plínio Correia de Oliveira, porque ligados à «manualística» católica; fazer teologia “de baixo”.

O novo mestre pensa provavelmente também em Dom Mayer, que atacou a «nova teologia». O que seria segundo PPR esta “manualística” católica não é explicitado, mas entende-se logo tratar-se de todo o Magistério, pelo menos dos últimos cem anos, que deveria ser posto de lado a favor da descoberta teologal de De Lubac e companheiros, isto é, da volta às fontes patrísticas, ao «ressourcement».

Disso já tratamos, sabendo que estes personagens, afastados por Pio XII do ensino, foram chamados pela igreja de João 23, sendo que João Paulo 2º deu o chapéu cardinalício a De Lubac, Congar e teria dado a Urs Von Baltasar, não tivesse este morrido antes do evento.

O que aquí devo assinalar é o fato recente, que confirma os anteriores no que concerne o Santo Sacrifício de reparação de Nosso Senhor. É esta reparação salvadora que é discutida pelos novos teólogos de Bento 16 ao seu discípulo brasileiro; isto num documento recente do «papa emérito».

A propósito do sentido de reparação do Santo Sacrifício não seria pois dirigido a Deus mesmo, mas só para benefício direto dos homens. Aliás outros teólogos mais ousados, nessa mesma onda de alterações teologais, chegam a dizer que afinal deve ser Deus a reparar o erro de ter dado ao homem a liberdade de fazer o mal: seria afinal o autor dessa liberdade no mal!

Ratzinger nessa lição confessa che há “Reversões agudas na nossa fé” e “profunda evolução do dogma”, com  as “crises” dramáticas que seguem em consequência. Sem hesitar, descarta como “completamente errado” à luz da teologia trinitária a tese que modelou durante séculos a pregação da Igreja, segundo a qual “Cristo devia morrer na cruz para reparar a ofensa infinita feita a Deus pela revolta original, restaurando assim a ordem rompida.” Assim, o caráter «reparatório» do Santo Sacrifício da Missa não seria dirigido ao Pai, mas para edificação humana. Até que ponto chegou a rebelde influência luterana. Porque deste modo os demais comportamentos humanos tornam-se antropocêntricos; a reparação para o próximo ou para si mesmo, ou para a sociedade; uma sociologia!

Ora, há o mal espiritual do erro, do engano, do pecado e dos vícios da inveja e ódio, assim como dos outros descritos no Catecismo católico. A tudo isto vão corresponder os males físicos dos defeitos, doenças, sofrimentos e da morte. Quando o homem é livre de escolher por si e até contra a Palavra de Deus, Perfeição e Vida, só pode cair no seu contrário de imperfeição e morte; todos males derivados do que deveria ser o bem da liberdade humana, que foi abusada.

Para bem usar a liberdade, Deus suscita nas consciências as virtudes para enfrentar os males e os vícios e nisto não somos livres de escolher entre o bem e o mal. Mas foi justamente à esta árvore que o conspirador original dirigiu o apetite de Adão e Eva. Hoje faz o mesmo com todos, mas tem por tentador adjunto, além do mundo moderno, um «papado» e um clero conciliares que declaram o “direito humano” à liberdade de consciência e de religião! O oposto do que dita o espírito de obediência aos Mandamentos, para o qual existe a Religião!

Resultado: esses consagrados e coroados» chegam a interpelar Deus, como vimos, nas vestes de representantes da Sua mesma Igreja e assim mesmo são recebidos por quantos ainda se consideram católicos, devido àquela parte de boa doutrina que estes ainda conhecem, mas na ausência do mais profundo sentido da Fé.

Assim essa nova missa de Paulo 6 celebrada versus populum passa a ter um novo sentido na reparação, não mais da dívida e reparação devida a Deus, mas de reconciliação «das ofensas» entre os homens: uma nova igreja diferente, desde o Pai nosso até o Santo Sacrifício da Missa. Dom Mayer já previa esta «evolução» às avessas de tudo o que há de mais sagrado no culto dos homens com Deus.

LOUVADO SEJA SEMPRE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!

 

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