Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A LIBERDADE RELIGIOSA E O ABORTO

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  • Bergoglio e Obama falam de liberdade religiosa e de aborto, pois é inegável a relação entre as duas iniquidades. De fato a primeira inclui a liberdade total de repúdio à Lei de Deus; o segundo é a sua prática na mais íntima relação humana: de mãe para filho.
  • E os dois operam para abater a objeção de consciência a ambos.

*   *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Inscrutabili Dei Consilio”, promulgada em 21 de Abril de 1878:

«Efectivamente, desde os primórdios do nosso pontificado apresenta-se ao nosso olhar o triste espectáculo dos males que de toda a parte afligem o Género Humano: esta tão universal subversão dos princípios, dos quais, como de fundamento, é sustentada a ordem social; a teimosia de inteligências intolerantes a toda submissão legítima; o fomento perene das discórdias, das quais surgem as contendas intestinas, e as guerras cruéis e sangrentas; o desprezo a toda a Lei de moralidade e justiça; a cobiça insaciável dos bens caducos e o menosprezo dos Bens Eternos; estimula o louco furor que leva tantos infelizes a procurar a morte; a administração inconsiderada; o esbanjamento e a malversação dos bens públicos; e até a impudência daqueles que, com pérfido engano, querem ser tidos como defensores da Pátria, da liberdade e de todo o Direito; enfim, aquele mal estar letal que serpenteia entre as fibras mais recônditas da sociedade humana, torna-a inquieta E AMEAÇA ENVOLVÊ-LA NUMA CATÁSTROFE TERRIFICANTE.

A causa principal de tantos males encontra-se, estamos disso convencidos, no desprezo e na recusa daquela Santa e Augustíssima Autoridade da Igreja, que em Nome de Deus, preside ao Género Humano e é ultriz e tutela de todo o poder legítimo. Os inimigos de toda a ordem pública, conhecendo perfeitamente isso, não encontraram meio mais odiento para abalar os seus fundamentos do que atacar constantemente a Igreja de Deus, aversando-a com calúnias injuriosas, como se ela se opusesse à verdadeira civilização, e enfraquecendo cada vez mais, com novos ferimentos, a sua autoridade e força, e abatendo o poder supremo do Romano Pontífice , GUARDA E VINGADOR, SOBRE A TERRA, DOS PRINCÍPIOS ETERNOS E IMUTÁVEIS  DA MORALIDADE E DA JUSTIÇA. Daí se originaram as leis subversivas da constituição da Santa Igreja Católica, que com dor imensa, vemos promulgadas em muitos Estados; daí o desprezo da autoridade episcopal, bem como os obstáculos ao exercício do ministério eclesiástico; a dispersão das famílias religiosas, o confisco dos bens destinados ao sustento dos ministros; a emancipação  dos institutos públicos de Caridade e beneficência da salutar direcção da Igreja; a liberdade desenfreada do ensino público e da imprensa, ao mesmo tempo que se pisoteia e oprime o direito que a Santa Igreja tem de instruir e educar a juventude, e ainda: A usurpação do principado civil, que a Providência concedeu, há tantos séculos, ao Romano Pontífice, para poder exercer, livremente e sem impedimentos, o poder conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação Eterna dos homens – também não possui qualquer outro objectivo.

(…) E se uma civilização estivesse em oposição com as doutrinas santas e as leis da Igreja, TERIA SÓMENTE UMA APARÊNCIA E O NOME DE CIVILIZAÇÃO.  NÃO É LIBERDADE AQUELA QUE COM MEIOS DESONESTOS E DEPLORÁVEIS, SE ABRE CAMINHO COM A DESENFREADA DIFUSÃO DOS ERROS, COM A EXPANSÃO DE TODA A COBIÇA CULPADA, COM A IMPUNIDADE DOS DELITOS E PERVERSIDADES, COM A OPRESSÃO DOS MELHORES CIDADÃOS.»

A questão do aborto é, sem dúvida, a mais repulsiva, a mais hedionda, a mais hipócrita expressão do pecado da humanidade. Nela se manifestam os sintomas mais atrozes das mais graves consequências do pecado original. Particularmente, repugna a forma como muita gente está pronta a aceitar a hecatombe do aborto clandestino, desde que o mesmo não esteja legalizado. Isso revela bem e demonstra como o fariseísmo é de todos os tempos e são verdadeiras as palavras condenatórias de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Ai de vós hipócritas que coais um mosquito e engolis um camelo”(Mt 23,24).

Todos os movimentos ditos “pró-vida”, seja nos Estados  Unidos, no Brasil, seja em qualquer outra parte do mundo, se não trouxerem as Virtudes Teologais e a Graça Santificante na sua alma, estão sendo hipócritas, ou no mínimo, insinceros. A razão é simples: UMA VEZ DESTRUÍDO O PRINCÍPIO DA FÉ CATÓLICA, OS DIREITOS E O BEM ESTAR DOS SERES CONCRETAMENTE EXISTENTES, TÊM OBJECTIVAMENTE PRIORIDADE SOBRE OS DIREITOS, QUE NÃO PODEM DEIXAR DE SER CONSIDERADOS HIPOTÉTICOS, DE SERES HUMANOS TAMBÉM CONCEBIDOS COMO ESTANDO EM PROJECTO.  Tudo o resto constitui pura hipocrisia. Perante os dramáticos problemas, por vezes situações limite, que não se negam, e que a vida impõe aos casais, só existe um impedimento que realmente evite eficazmente a escolha da solução abortista: O AMOR SOBRENATURAL A DEUS NOSSO SENHOR SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO. O amor puramente natural à vida; o receio de sanções sociais ou legais; a repulsa biológica pela operação em si mesma; o temor de sanções do Além concebidas fora da Fé Católica e da Graça Santificante – nada disto evitará um único aborto!

E isto é tanto mais verdade quanto é perfeitamente conhecido que os mesmos legisladores autores de leis anti-aborto, DESDE SEMPRE NUNCA TIVERAM QUALQUER INTENÇÃO DE SE SUBMETEREM, ELES PRÓPRIOS, ÀS LEIS QUE PRODUZEM. Exactamente por isto, as leis anti-aborto, conquanto existam, com extrema raridade são aplicadas, e nunca a pessoas da classe média ou superior.

Em 1920, a França, ferida de morte pela perda na I Guerra Mundial de cerca de dez por cento da sua população masculina válida – o que em si mesmo se deve considerar um castigo do Céu pelos pecados desta Nação – resolveu reforçar as leis anti-aborto, POR MOTIVOS ESTRITAMENTE DEMOGRÁFICOS. Será que algum casal em apuros irá sequer lembrar-se de um tal argumento para se abster da interrupção da gravidez? E os políticos laicos e maçónicos que votaram uma tal lei, algum dia terão sonhado sequer submeter-se a ela? Até porque as classes superiores, UNIVERSALMENTE, jamais necessitaram de qualquer espécie de lei para solucionarem os seus problemas neste campo – PORQUE O PODER ECONÓMICO E A POSIÇÃO SOCIAL FAZIAM E FAZEM A LEI.

A vaga de legalização do aborto após a última Guerra Mundial deveu-se apenas AO GRANDE PROGRESSO DA MEDICINA E AO DESENVOLVIMENTO TÉCNICO DAS FUNÇÕES DO ESTADO, E DE MODO NENHUM A UM INCREMENTO DA MALÍCIA HUMANA. EVIDENTEMENTE, NINGUÉM IA LEGALIZAR O ABORTO NUMA ÉPOCA EM QUE O PRÓPRIO PARTO CONSTITUÍA UM RISCO.

A realidade que infelizmente não é afirmada, PORQUE ESTE DESGRAÇADO MUNDO RECUSA A VERDADE, é uma tese muito simples mas de uma importância e um significado descomunal: O Vaticano 2, proclamando formalmente o princípio da liberdade religiosa, QUE É UM PRINCÍPIO ATEU, IMPLÌCITAMENTE LEGITIMOU PLENAMENTE O ABORTO, REALIZADO MESMO SÒMENTE A PEDIDO DA MULHER. Efectivamente, se há liberdade religiosa, É OBLITERADA A FRONTEIRA QUE SEPARA TODO O BEM DE TODO O MAL. Ninguém que professe esse amaldiçoado princípio da liberdade religiosa pode possuir a força moral suficiente para resistir à tentação de solucionar certos problemas da vida através de uma interrupção da gravidez, ninguém, porque todas as objecções puramente humanas e terrenas dos pró-vida derreterão no embate concreto com essa mesma vida, tal como um monte de neve aos raios ardentes do Sol. Só quem não conhece absolutamente nada deste mundo, ou quem é hipócrita, pode negar estas realidades.

Outra grande aberração do entendimento é asseverar que o Presidente eleito dos Estados Unidos, pessoalmente muito pouco recomendável, vai acabar com o aborto no seu país. A América sempre possuiu uma tremenda tradição abortista, com ou sem legalização; nem podia ser de outra forma. É conhecido como o puritanismo sempre teve, e ainda tem, notável implantação nos Estados Unidos da América. ORA O PURITANISMO CONSTITUI A CARICATURA HIPÓCRITA DA VIRTUDE, É A ANTI-VIRTUDE, VERBERADA COM A MAIOR SEVERIDADE POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, COMO SENDO MORALMENTE MUITO PIOR DO QUE A PROSTITUIÇÃO. Actualmente o Partido Republicano é, em grande parte, um feudo dos puritanos hipócritas, e ESTES NÃO QUEREM ACABAR COM O ABORTO, QUEREM OCULTAR O ABORTO. Sempre assim foi no mundo ocidental, como foi referido, até os progressos da medicina forçarem a legalização.

Ninguém que seja a favor do princípio da liberdade religiosa pode possuir a Graça Santificante e a Caridade perfeita, porque só estas podem nutrir a alma daquela força Sobrenatural, que é a força de Deus Nosso Senhor, necessária para vencer a terrível tentação do aborto. Mas não só.

Para evitar situações perigosas, é necessário que os cônjuges observem a castidade conjugal; na realidade, quando nova gravidez se torna absoluta e definitivamente desaconselhável, por razões económicas ou de saúde, então os esposos deverão, com o Auxílio Sobrenatural de Deus Nosso Senhor e a Mediação de Maria Santíssima e São José, guardar perpétua castidade conjugal.  O flagelo do aborto é quase sempre fruto de pecados contra a castidade, dentro e fora do Matrimónio. Mas a conservação dessa castidade IGUALMENTE SE VOLVE ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL NA BASE DO OMINOSO PRINCÍPIO DA LIBERDADE RELIGIOSA; se todas as religiões são boas, para quê a moral?

A moral não constitui um sentimentalismo, mas um conjunto de princípios objectivos, cognitivos, que participam transcendentalmente da Lei Eterna.

A doutora Joana Beretta Molla (1922-1962) que o Vaticano anti-Cristo afirma haver canonizado “por amar a vida”; na verdade amou Sobrenaturalmente a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma; e em Deus, por Deus, e para Deus, amou certamente a vida. E nessa Caridade perfeita a Doutora Joana abominava o princípio da liberdade religiosa, quando recusou a intervenção denominada terapêutica que lhe iria matar o filho muito amado com que Deus Nosso Senhor a abençoara. E ela, como médica, sabia bem o perigo que corria.

No seu leito de morte declarou: “Como à beira da morte, perdem todo o interesse as realidades a que consagramos tanta importãncia nas nossas vidas.” A doutora Joana era integralmente católica, porque fora da Fé Católica é impossível conhecer e amar, verdadeiramente, salvìficamente, a Deus; sabia pelo Dogma da Comunhão dos Santos que o seu sacrifício alcançaria de Deus grandes Graças para os filhinhos que deixava na Terra; e também possuía perfeito conhecimento DE QUE A SUPREMA FELICIDADE SOBRENATURAL NESTE TRISTÍSSIMO MUNDO RESIDE APENAS NO CUMPRIMENTO FIEL DA LEI DIVINA, O QUAL SÓ A SANTA MADRE IGREJA PODE FACULTAR, COMO DISPENSADORA INSTRUMENTAL DOS BENS INFINITOS QUE NOS FORAM MERECIDOS PELO DIVINO REDENTOR, COM A MEDIAÇÃO DA BEM-AVENTURADA SEMPRE VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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