Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O RACISMO CONSTITUI UM PECADO MORTAL

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  • Ao lado: a A princesa Isabel, três vezes regente do império enquanto seu pai D. Pedro II viajava pelo exterior. Isabel promoveu a abolição da escravidão com a Lei Àurea em 1888. Apesar da ação ter se mostrado popular, houve forte oposição e a monarquia brasileira foi abolida em 1889 e ela e sua família foram exilados por esse golpe militar.

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua encíclica “Fidei Donum”, promulgada em 21 de Abril de 1957:

«Têm os fiéis, na verdade, por que se gloriar e alegrar à vista dos salutares progressos feitos, nestes últimos decénios, pela Igreja de África. Apenas elevado à Cátedra de Pedro,  assegurávamos: “Não pouparemos esforço algum para que… a Cruz, na qual está a salvação e a vida, lance sua sombra sobre as mais longínquas plagas do mundo; por esse motivo, cuidamos com todas as forças em estender também a essa terra a Causa do Evangelho. Disso dão testemunho as circunscrições eclesiásticas ali estabelecidas em grande número; o notável aumento de católicos que, dia a dia, se manifesta; e especialmente a hierarquia eclesiástica por nós constituída,  em não poucos lugares, E VÁRIOS SACERDOTES AFRICANOS JÁ ELEVADOS À DIGNIDADE EPISCOPAL, conforme a mais alta meta do trabalho missionário, que requer, que nos outros povos, a Igreja seja estabelecida com firmeza, e lhes seja concedida a sua hierarquia própria, escolhida entre os indígenas. E assim, na imensa família católica, as jovens Igrejas Africanas assumem hoje seu legítimo lugar, enquanto as outras, mais antigas na Fé, unidas na Caridade fraterna, as saúdam com júbilo.

O exército dos arautos do Evangelho – sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas e auxiliares leigos – não sem infinitos trabalhos suportados e sofrimentos tolerados, cuja violência, desconhecida dos homens, é ùnicamente conhecida de Deus, conseguiu obter essa abundância de frutos salutares. A todos e a cada um felicitamos vivamente, e manifestamos aqui nossa gratidão, pois a Santa Igreja tem, abundantemente, motivos de gloriar-se santamente dos seus funcionários, que em África, ou noutros lugares, cumprem a sua função. Os magníficos resultados dos trabalhos missionários, por nós lembrados, não devem, entretanto, levar ninguém a esquecer-se que o que ainda resta a fazer nesse domínio pede enorme trabalho e inúmeros operários. Pois, embora haja quem julgue, erradamente, que a acção missionária, uma vez bem constituída a hierarquia, possa logo ser considerada  quase perfeita; no entanto a solicitude por todas as Igrejas daquele continente nos preocupa e angustia.

Não ignoramos por certo, que em várias regiões de África, os sequazes do materialismo ateu estão espalhando turbulentos germes que abalam a opinião pública, provocam à mútua inveja os diversos povos, e desnaturam certas condições penosas, seduzindo os espíritos com a aparência de vantagens ilusórias, ou provocam os ânimos à revolta. Na nossa solicitude para que os povos de África alcancem a maior prosperidade, tanto civil, quanto cristã, desejamos dirigir-lhes graves advertências, que sobre o mesmo assunto, solenemente dirigimos a todos os católicos do mundo; e sentimos prazer em demonstrar nossa paterna aprovação aos sagrados antístites, que firmemente, e por várias vezes, precaveram suas ovelhas contra os perigos dos falsos profetas.»

Em primeiro lugar é necessário definir bem o que se entende por racismo; pois hodiernamente as pessoas evitam o mais possível definir os termos das suas proposições. Racismo é uma atitude moral, intrinsecamente depravada, que distorce o juízo da inteligência e subverte a orientação da vontade, e que conduz ao ódio vingativo para com grupos humanos ou raças, assinalados como inferiores e por isso considerados como devendo ser gratuitamente maltratados, por pura crueldade.

Não é racismo – SUSTENTAR OBJECTIVAMENTE A INFERIORIDADE, OU ASPECTOS DE INFERIORIDADE, DE CERTAS PESSOAS, AGRUPAMENTOS OU RAÇAS, PRETENDENDO QUALIFICÁ-LAS E ESTRUTURÁ-LAS SOCIALMENTE EM FUNÇÃO DESSE ESTATUTO DE INFERIORIDADE OBJECTIVA.

Por exemplo: O machismo constitui uma forma de racismo do homem em relação à mulher. É certo que homem e mulher possuem a mesma DIGNIDADE ONTOLÓGICA; mas concomitantemente possuem uma COMPLEMENTARIDADE FAMILIAR, FUNCIONAL E SOCIAL. O homem é chefe de família, POR DIREITO NATURAL, E POR DIREITO DIVINO SOBRENATURAL. Porque a natureza masculina é essencialmente activa, combativa, racional, sendo a inteligência masculina muito mais apta para as artes mecânicas, bem como para as funções de comando, familiar, empresarial, administrativo e político. Todavia, as faculdades femininas são complementares das masculinas, porque na passividade, no sentimento, na afectividade, A MULHER COMO QUE MODERA EFICAZMENTE E SUBLIMA AS QUALIDADES MASCULINAS; e isto também a nível familiar, e social.

Todavia, o machista, subvertendo malèficamente a sua inteligência e a sua vontade, nutre ódio à mulher, considerando-a sòmente um objecto de prazer e um ser globalmente inferior; e como tal sente volúpia em agredi-la, gabando-se, bestialmente, da sua superioridade física.

O conceito de inteligência é muito profundo e muito vasto, exactamente porque a inteligência é a Luz participada e reflectida do Ser. Tudo o que existe é pensável, mas o pensamento vai mais longe do que o existente, atingindo e representando o possível criado, e até mesmo O QUE É, EM DEUS, MAS NÃO EXISTE, PORQUE NÃO FOI CRIADO. A inteligência produz princípios representativos da complexidade do real, criando um Universo mental, o qual permanece mesmo quando foram olvidados os temas concretos a partir dos quais esse Universo foi elaborado; daí a asserção verdadeira de que a cultura é aquilo que nos resta depois de esquecermos tudo o que aprendemos. Todavia a inteligência possui, além de um módulo genérico, determinadas especificidades, e até mesmo subespecificidades: Pode-se possuir considerável inteligência verbal, e muito pouca inteligência musical ou pictográfica, ou vice-versa.

Consequentemente, conquanto haja raças intelectualmente superiores, mesmo no seu módulo genérico, poderão sê-lo em determinadas especificidades e não noutras.

A Rodésia, desde a sua independência sob governo negro, em 1980 – recuou civilizacionalmente cem anos! A África do Sul recuou menos, mas já não é nada do que foi. Timor Leste e Guiné Bissau difìcilmente poderão ostentar o qualificativo de Estados. Aliás, o conjunto do ex-Ultramar Português sofreu um terrível retrocesso com as ditas “independências”.     

Apesar do movimento independentista africano constituir, parcialmente, uma consequência do hediondo exemplo das duas “guerras civis” europeias da primeira metade do século XX, e de tal reacção ser até certo ponto compreensível, sem que moralmente se justifique; NÃO HÁ DÚVIDA QUE A CIVILIZAÇÃO EURO-AMERICANA É – NO PLANO DA TÉCNICA DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA – SUPERIOR À CIVILIZAÇÃO AFRICANA. RECONHECÊ-LO NÃO É RACISMO.

E se o sub-continente Indiano tem escapado, parcialmente, ao caos africano, é porque soube preservar determinadas estruturas do colonizador Inglês.

Questionar-se-á, mas a civilização euro-americana não é apóstata e completamente ateia? Sem dúvida que sim, todavia conservou um notável cabedal de experiência político-administrativa-Judicial, para já não falar na cultura literária e científica, possuindo a sua fina-flor, além disso, faculdades intelectuais objectivamente mais desenvolvidas que as elites dos denominados povos do terceiro e quarto mundo. RECONHECÊ-LO NÃO É RACISMO.

Mas a apostasia não diminui a qualidade intelectual natural? Evidentemente que sim, mas ainda assim, globalmente, a civilização euro-americana continua sendo muito superior à africana e à Indiana, aqui incluindo também o Islão, mas não é, nem política, nem intelectualmente, superior à civilização chinesa, apenas o sendo pela prestância eminente do seu Património Religioso.

Mas não existindo mais a Santa Madre Igreja como realidade social e cultural, parece ter-se extinguido o título exclusivo mais nobre da civilização ocidental? Essa constitui uma extinção de facto, NÃO DE DIREITO; a Santa Madre Igreja, que está neste mundo, sem ser deste mundo, disseminou-se, providencialmente, apoiada materialmente nas estruturas mais desenvolvidas da Humanidade de então, ou seja do Império Romano; consequentemente, o arcabouço da Santa Madre Igreja é indissociável da cultura ocidental, mesmo na idade pós-cristã. E ESTA ASSERÇÃO TAMBÉM NÃO É RACISMO. É necessário, contudo, sublinhar, que a Fé Católica, em si mesma, na sua ascendência, não depende, nem pode depender, de qualquer doutrina ou cultura humana, estas ùnicamente lhe podem facultar um veículo extrínseco, que lhe confira dinamismo e energia de propagação em sentido humano e terreno.

O racismo constitui assim, essencialmente, um crime de delito comum, E EVIDENTEMENTE UM PECADO MORTAL. Em primeiro lugar é um pecado de Juízo temerário, na exacta medida em que encontra defeitos, individuais e colectivos – frequentemente inimputáveis moralmente – onde eles não existem, e sobretudo amplifica-os; depois porque fundamenta nesses defeitos o crime e pecado mortal do ódio cego, ódio homicida, irracional, contra o seu próximo.

Cumpre assinalar, que a denominada homofobia, se significa apenas repulsa moral objectiva perante comportamentos contra a natureza que constituem uma forma de satanismo, então é absolutamente de louvar; mas se identifica um ódio pessoal, de carácter racista, contra o diferente, só porque é diferente, nesse caso deve ser liminarmente condenada; infelizmente este último caso é muitíssimo mais frequente.

O ódio aos primeiros cristãos foi um ódio racista, sobretudo pela sua irracionalidade. Portugal, imediatamente após a revolução de 25 de Abril de 1974, sofreu um desagradável processo em que vários racismos competiam pelo poder, numa clara demonstração do que as consequências do pecado original possuem de pior.

Os chefes políticos demagógicos tendem sempre a fomentar racismos, ou seja, HIPERTROFIAR O MÓBIL, DEPRECIANDO O MOTIVO RACIONAL, foi o que aconteceu também na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. O ser humano é composto de corpo e alma; o móbil é uma energia, concupiscível e irascível, que promana da sensitividade corporal; o motivo brota da alma espiritual, mediante as faculdades da inteligência e da vontade. O exercício da operação moral exige do homem o concurso proporcionado do móbil e do motivo; se o primeiro excede considerávelmente a medida necessária em função do motivo, a operação moral será, ou poderá ser, tendencialmente inimputável; porque o homem possui a gravíssima obrigação moral de racionalizar o seu móbil em função do motivo. Se pelo contrário, o móbil é insuficiente em função de determinado motivo de caracterizada excelência moral, então o homem, legìtimamente, bebe, para adquirir a energia que lhe está faltando.

Ora o racismo, tal como o fanatismo, nutrem-se copiosamente da hipertrofia do móbil face ao motivo racional, e por isso caminham sempre de mãos dadas na pântano da irracionalidade. E a História da Humanidade é excessivamente fértil em tragédias provocadas pela combinação explosiva destes “ismos”.

Apenas Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Caminho, Verdade, e Vida, constitui o remédio absolutamente eficaz contra racismos e fanatismos, porque só n’Ele e com Ele, podemos encontrar o equilíbrio supremo do nosso Organismo Sobrenatural, com o corolário abençoado do refrigério e da pacificação de todas as energias e paixões corporais.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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