Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: janeiro 4, 2017

A OBLAÇÃO SOBRENATURAL DOS NOSSOS SOFRIMENTOS

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos da sua Carta encíclica “Optatissima Pax”, promulgada em 18 de Dezembro de 1947:

A Paz mais desejada, que deve ser “a tranquilidade da ordem” (S. Agostinho, A cidade de Deus, 1, 19, cap.13)  e a “tranquila liberdade”(S. Tomás, Suma Teol., II-II, q.29, a. 1 ad 1.) depois dos cruéis acontecimentos de uma longa guerra de resultados ainda incertos, como todos observam com tristeza e trepidação, e mantém como que suspensas em angustiante ânsia as almas dos povos, enquanto, por outro lado, em não poucas Nações – já devastadas pelo conflito mundial, pelas ruínas e pelas misérias que lhe foram a consequência  dolorosa – as classes sociais , visceralmente agitadas por um ódio amargo, ameaçam, como todos vêem, com inúmeros tumultos e turbulências solapar e subverter os próprios fundamentos dos Estados. Diante desse funesto e miserável espectáculo, nosso ânimo sente-se oprimido de profunda amargura e nos parece que o paterno e universal mandato, de Deus recebido, não sòmente nos impulsiona a exortar todas as gentes a remover os ódios secretos, e a renovar alegremente a concórdia, mas igualmente a admoestar todos quantos são nossos filhos em Cristo, para que queiram elevar ao Céu mais fervorosas súplicas e se compenetrem, verdadeiramente, de que TUDO QUANTO SE FAÇA SEM A DIVINA PROPICIAÇÃO RESULTA IMPERFEITO E ESTÉRIL, segundo a sentença do Salmista: “SE NÃO É O SENHOR QUE EDIFICA A CASA, TRABALHAM INÙTILMENTE AQUELES QUE A CONSTROEM”(Sl 126,1).

(…) Recordem-se todos de que aquela série de males, que tivemos que suportar nos anos decorridos, caiu sobre a Humanidade, PRINCIPALMENTE PORQUE A DIVINA RELIGIÃO DE JESUS CRISTO, PROMOTORA DA MÚTUA CARIDADE ENTRE OS CIDADÃOS, OS POVOS E AS GENTES, NÃO REGULAVA, COMO SERIA NECESSÁRIO, A VIDA PARTICULAR, DOMÉSTICA E PÚBLICA. Se portanto, por este afastamento de Cristo, houve extravio do caminho recto, é necessário retornar a ele, tanto na vida privada, como na pública; se o erro entenebreceu as mentes, é necessário retornar àquela verdade, que tendo sido Divinamente revelada, INDICA O CAMINHO QUE CONDUZ AO CÉU; se, finalmente, o ódio trouxe frutos mortíferos, impende reacender aquele amor cristão, QUE SÓ ELE PODE CURAR TANTAS CHAGAS MORTAIS, SUPERAR TANTOS PERIGOS PAVOROSOS, DULCIFICAR TANTOS SOFRIMENTOS ANGUSTIOSOS.

E porque já se avizinham as suaves solenidades do Natal, que nos conduzem à contemplação do Menino Jesus, dos coros angélicos implorando a Paz para os homens, julgamos oportuno endereçar uma viva exortação a todos os cristãos, e especialmente àqueles que se acham na flor da idade, a fim de que visitem em grande número o Santo Presépio, e daí elevem as suas preces para obter do Divino Infante que queira benignamente extinguir e afastar os fachos que o ódio, ameaçadoramente, agita nas sedições e tumultos. Que Ele ilumine, com Sua Celeste Luz, as mentes daqueles que os mais das vezes, mais do que movidos por pertinaz maldade, são arrastados ao engano de erros dissimulados sob especiosa aparência de verdades. (…) Que ele, com o Seu exemplo, e a Seu auxílio, lhes leve espirituais consolações, e lhes faça desejar, SOBRETUDO, BENS CELESTIAIS, QUE SÃO OS MELHORES BENS, E QUE JAMAIS TERÃO FIM.»

 

São Domingos Sávio (1842-1857), o santo confessor mais jovem, glória do instituto Salesiano, advertido de que devia oferecer a Deus os seus sacrifícios, a começar pelas doenças, retorquiu: “Mas isso sofre-se por necessidade”.

“- O que se sofre por necessidade, oferecido sinceramente a Deus com espírito verdadeiramente Sobrenatural, é fonte de grandes méritos para a Eternidade”- foi-lhe respondido.

A nossa vida mortal neste pobre mundo constituirá sempre uma fonte de sofrimentos, físicos, mas sobretudo de ordem moral, sem que os avanços da ciência e da técnica sejam susceptíveis de alterar essencialmente essa condição. Devemos aproveitar as inevitáveis vicissitudes dolorosas da nossa existência, para as oferecer ao Senhor, em união ascética e mística com o Santo Sacrifício da Missa, que constituindo a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz, assume sublimadamente também as nossas dores, físicas e morais, facultando-lhes objectivamente, transcendentalmente, pleno sentido Sobrenatural, e mérito  proporcionado ao grau de Caridade e Graça Santificante com que são efectuadas.

Na realidade, Nosso Senhor Jesus Cristo, em toda a Sua vida mortal, e sobretudo no Calvário, nobilitou Sobrenaturalmente as nossas dores, justificou-as, iluminou-as, transcendeu-as.

Já São Paulo dizia que completava na sua carne o que faltava à Paixão de Cristo. A conformidade transcendente dos membros do Corpo Místico com a sua Cabeça necessita de passar pelo Calvário para alcançar o Tabor. Ninguém se pode santificar sem graves sofrimentos , sobretudo de ordem moral. E todos esses sofrimentos, Sobrenaturalmente assumidos, nos conformam com Nosso Senhor Jesus Cristo, Crucificado, mas também glorioso. O sofrimento, tal como a morte, em si mesmos, quer filosófica, quer Teològicamente, não são ser, mas privação de ser; a sua causa reside no pecado original e pecados actuais; cuja razão suficiente assenta, em última análise, na contingência metafísica das criaturas. Quanto mais perfeito é um ente, menos tendência possuirá para o pecado. Os Anjos só puderam pecar porque foram elevados à Ordem Sobrenatural.

São Tomás explica que a desordem intrínseca da natureza criada, sendo mínima no Reino inorgânico, no Reino Vegetal, e no Reino Animal, torna-se maior na Ordem espiritual natural, e é máxima na elevação à Ordem Sobrenatural. Consequentemente, segundo o Tomismo, a grande maioria dos homens condena-se; mas uma maioria dos Anjos salvou-se, porque se é verdade que foram elevados à Ordem Sobrenatural, são também entes puramente espirituais, o que não acontece com os homens.

São Tomás ensina também como a Virtude da Fortaleza se exerce mais na resistência a males árduos supremos do que no ataque. O mártir, durante o seu martírio, está submetido a uma tensão superior à que muitos soldados experimentam nas suas ofensivas no campo de batalha. Todavia, a simples morte natural do bom Católico, realidade absolutamente necessária, deve ser, não apenas plenamente aceite, mas oferecida a Deus Nosso Senhor com todo o fervor Sobrenatural; pois nela somos tributários da natureza corrompida pelo pecado original e pecados actuais.

A aceitação Católica, Sobrenatural, da morte, com todos os seus sofrimentos físicos e morais, constitui, ou deve constituir, o coroamento e a consagração de toda uma vida dedicada à exaltação da Glória de Deus. Neste enquadramento, A VIDA DEVE SER A MESTRA DA MORTE, A VIDA, NA GRAÇA DE DEUS, DEVE ENSINAR A MORRER.

Os mundanos, na sua inconsciência, na sua displicência, não se apercebem que mesmo num plano estritamente filosòfico e natural, É A MORTE QUE CONFERE SENTIDO À VIDA. Efectivamente, uma eternidade vivida no tempo, constitui uma verdadeira e própria contradição de termos. O tempo, na sua sucessão, na sua numerabilidade, na sua dispersão, só pode ser finito, limitado, apontando para um fim, quer a nível pessoal, quer a nível universal. A escatologia católica faculta-nos as referências absolutas: Morte, Juízo, Céu, Inferno; QUE NENHUMA IMPIEDADE, NENHUM PECADO, NENHUM MODERNISMO, PODERÃO JAMAIS ULTRAPASSAR.

Os sofrimentos vividos e oferecidos a Nosso Senhor no seio da Sacrossanta Fé Católica são entretecidos de uma inefável Paz, que não é deste mundo, porque é constitutiva daquela profundíssima e imorredoura certeza de se combater pela Verdade e pela Santidade, na intemerata submissão à Lei Eterna, e consequentemente numa identificação cada vez mais sublime com os Mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação.

São Domingos Sávio era um menino humilde e enfermiço; em muito poucos anos, sob a direcção do grande São João Bosco,  percorreu a riquíssima estrada da santidade, não com obras materialmente extraordinárias, mas cumprindo os seus deveres ordinários COM UM AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS, QUE É UMA DAS GRANDES PROVAS DA FECUNDIDADE DIVINA DA FÉ CATÓLICA – OS SANTOS COMO OBRAS PRIMAS DA GRAÇA DIVINA.

Santa Bernadette (1845-1879), foi grande, não por si mesma, mas porque foi fiel depositária dos mais celestiais segredos Divinos, em geral sempre confiados aos mais humildes deste mundo. Bernadette sofreu muito, física e moralmente; quando lhe anunciaram a morte da mãe, ela levantou os olhos aos Céus, e de imediato procedeu à oblação Sobrenatural do grande sofrimento causado por essa perda.

O segredo ascético e místico dos santos reside naquela profunda harmonia entre os seus grandes sofrimentos, sobretudo morais, e a uberdade da sua felicidade Sobrenatural. Na nossa vida interior verificamos como frequentemente sucumbimos à caverna escura da penosidade e das tristezas da vida, mas se somos verdadeiramente católicos, se possuimos a Graça Santificante, também nós podemos, com a ajuda de Deus, orientar-nos para o Sol Sobrenatural do Tabor, fonte inexaurível de refrigério, bem como das mais puras e límpidas alegrias espirituais. Neste quadro conceptual, assinalamos no movimento interior da nossa alma e na Graça de Deus, em particular nos Dons do Espírito Santo, a razão explicativa da compatibilidade entre o sofrimento moral, nomeadamente o abandono, e os mais suaves gozos, na alma dos santos. E o fundamento de todas estas maravilhas radica-se na santa liberdade dos filhos, ou seja, na sua faculdade de se moverem na Verdade e no Bem.        

A oferta a Deus Nosso Senhor dos nossos sacrifícios e sofrimentos, É ESSENCIALMENTE UM ACTO DE RELIGIÃO, IMPOSSÍVEL NUM MODERNISTA.

Acaso imaginamos Bergoglio, ou mesmo Roncalli ou Montini, procedendo à oblação Sobrenatural dos seus sofrimentos?

Jamais! Porquanto eles não apenas renegaram a Ordem Sobrenatural, como obliteraram a própria noção natural de Deus Pessoal – consequentemente, nem mesmo podem rezar.

Acaso o leitor não reparou bem no rosto de Bergoglio quando se voltou para a imagem de Nossa Senhora, a nossa querida Mãe do Céu, em determinada cerimónia pseudo-religiosa? Crentes e descrentes, desde que honestos, não puderam duvidar que para este anti-Cristo, Maria Santísima, como o seu Divino Filho, NÃO REPRESENTAM NADA, NÃO SÃO NADA, NÃO SERVEM PARA NADA!

Quando aquele que se apresenta como Papa arrasta na lama e envia para a sentina da História, O NOSSO CRIADOR, REDENTOR E CONSUMADOR, BEM COM A SUA SANTÍSSIMA MÃE; ENTÃO ESTAMOS OBRIGADOS A OFERECER A DEUS, A MAIOR PROVAÇÃO, A MAIOR ORFANDADE, A MAIOR SEPULTURA EM VIDA, DA HISTÓRIA UNIVERSAL.

Como dizia Monsenhor Lefebvre: “Felizes aqueles que viveram e morreram, sem se verem obrigados a colocarem perante si mesmos, os problemas Teológicos que a nós nos atormentam.”

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 24 de Novembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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