Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: janeiro 8, 2017

A INTRANSIGÊNCIA OBJECTIVA E A DOCILIDADE PESSOAL

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII,  em excertos da sua encíclica  “Exeunte Jam Anno”, promulgada em 25 de Dezembro de 1888:

«Do Alto do Ministério Apostólico, em que nos pôs a bondade de Deus, tomamos muitas vezes o patrocínio da Verdade, e nos esforçamos por expor principalmente aqueles pontos de Doutrina que nos pareciam mais adaptados às necessidades e mais proveitosos para o bem público, para que, conhecida a verdade, cada um, vigiando-se e acautelando-se, fugisse do sopro nefasto dos erros. Portanto, como pai amantíssimo dos seus filhos, queremos falar a todos os cristãos, e com discurso familiar, exortar a cada um deles a empreender um teor de vida cristã. Com efeito, para bem merecer o Nome cristão, além da Profissão de Fé, é preciso o exercício das virtudes cristãs, das quais depende, não apenas a salvação Eterna da alma, mas também a prosperidade social e a tranquilidade da convivência civil.

Se examinarmos o desenvolvimento da vida, não há quem não veja quanto os costumes públicos e privados sejam discrepantes dos preceitos evangélicos. Adapta-se  muito bem ao nosso tempo aquela sentença do Apóstolo João: “Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e o orgulho da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo” (I Jo 2,16).  Com efeito, a maioria, esquecendo o princípio pelo qual nasceu, e o fim a que é chamada, dirige todos os seus pensamentos e solicitudes  aos bens vãos e caducos da Terra; violentando a natureza, e subvertendo a ordem estabelecida, torna-se voluntàriamente escrava daquelas coisas de que o homem, segundo a razão, deveria dominar.

É natural, portanto, que marche junto ao amor das comodidades e dos prazeres, a cupidez das coisas idóneas para obtê-los. Daqui aquela desenfreada avidez do dinheiro que cega todos aqueles que invade e anda solta, sem freios a satisfazer-se, sem distinguir, muitas vezes, o justo do injusto, e não raramente com repelente insulto à miséria alheia. Assim, muitíssimos, cuja vida nada no ouro, gabam em palavras uma irmandade com o povo, que no íntimo do coração desprezam com soberba. Do mesmo modo, o ânimo tomado pela soberba tenta sacudir o jugo de toda a Lei, pisoteia toda a autoridade, e chama liberdade ao egoísmo. “O homem, com modos de asno selvagem, julga ter nascido livre”(Job 11,12).

Os incentivos ao vício e os aliciamentos fatais ao pecado avançam: Queremos falar das ímpias e licenciosas representações teatrais; dos livros e jornais escritos para apresentar como honesto o vício e desprestigiar a virtude; das próprias artes, inventadas para a comodidade da vida e o honesto alívio do ânimo, e que são utilizadas como iscas para inflamar as paixões humanas. E não podemos dirigir o olhar para o futuro sem tremer ao ver os novos germes dos males que são contìnuamente depostos e acumulados no seio da geração adolescente. É-vos conhecida a maneira de se portar das escolas públicas: Nelas não se dá lugar à Autoridade Eclesiástica, e justamente no tempo em que seria sumamente necessário formar com o mais solícito cuidado os ânimos ainda jovens na prática dos deveres cristãos, e calam, o mais das vezes, os ensinamentos da Religião. Os adolescentes correm um perigo maior, com a existência de uma doutrina viciada; a qual muitas vezes é tal, que mais do que instruir com a noção de verdadeiro, serve para enfatuar a juventude com os sofismas do erro.

Com a perversão das ideias, infiltra-se até nas veias e no miolo dos ossos A CORRUPÇÃO DOS COSTUMES, que neste tipo de gente, só com grandíssima dificuldade pode ser sarado: POIS, POR UM LADO OS FALSOS PRINCÍPIOS ALTERAM O JÚIZO DA HONESTIDADE, E POR OUTRO, FALTA A LUZ DA FÉ CRISTÃ, QUE É PRINCÍPIO E FUNDAMENTO DE TODA A JUSTIÇA.

Por essas razões, todos os dias, vemos com os nossos olhos, de alguma forma, por quantos males é atingida a sociedade humana. O veneno das doutrinas invadiu ràpidamente a vida pública e privada: O racionalismo, o materialismo, e o ateísmo, geraram o socialismo, o comunismo, o niilismo: Obscuras e funestas pestilências, que lógica e inevitàvelmente, haviam de surtir aqueles princípios.»

 

Desgraçadamente, a enorme massa dos seres humanos, individual e domheldercolectivamente, pautam a sua vida, ùnicamente, em função dos interesses pessoais, subjectivos, E NESSA DEFESA SÃO IMPLACÁVEIS, e jamais na apologia e no combate em prol de Princípios, Absolutos, Eternos e Imutáveis, à Luz dos quais toda a realidade, quer se queira, quer não, está essencialmente submetida. Como referi, isso acontece em todos os planos da vida, inclusive na sociedade internacional, cuja falta de elevação e nobreza foi muito frequentemente assinalada pelos Papas, ao longo de toda a História da Igreja. A massa encontra-se sempre extremamente insatisfeita consigo mesma no plano material, MAS NUNCA NO PLANO MORAL E RELIGIOSO; e isto mesmo nas pessoas conhecidas como piedosas. Por isso as pessoas “dizem mal” umas das outras, isto é: Atacam-se recìprocamente na base dos seus interesses e pontos de vista mesquinhos, numa detracção permanente; daí as guerras, familiares, civis e internacionais, incluindo as totais, produto de mentes satânicas, na grande maioria dos casos. O bom Católico não diz mal de ninguém, confronta objectivamente a Lei Eterna com o comportamento concreto do seu irmão, fazendo sentir, no patamar adequado, a discrepância.     

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos mandou “dar a outra face”: NÃO NOS ORDENAVA, EM CASO ALGUM, QUE CEDÊSSEMOS NOS PRINCÍPIOS DE DIREITO NATURAL E DE DIREITO DIVINO SOBRENATURAL. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos mandou “amarmos os nossos inimigos”: INDICOU SÒMENTE QUE DEVEMOS QUERER O BEM DE TODOS; ORA O CUMPRIMENTO DA LEI ETERNA CONSTITUI O FUNDAMENTO DE TODO O BEM; MAS A CONSECUÇÃO DO BEM EXIGE FREQUENTEMENTE A APLICAÇÃO CONCRETA DE CASTIGOS, QUER ESPIRITUAIS, QUER TEMPORAIS, E ATÉ MESMO DA PENA MÁXIMA.

Os inimigos históricos da Santa Madre Igreja, sobretudo nos últimos trezentos anos, sempre insistiram na necessidade de cedência nos princípios, a nível individual, familiar, social e político, IDENTIFICANDO ESSA CEDÊNCIA COM A CARIDADE. Todavia essa Caridade constitui-se sobremaneira NA DOCILIDADE PESSOAL POR MOTIVOS SOBRENATURAIS; pois apenas nesta resplandece a mansidão de Nosso Senhor perante os Seus algozes. Mas é precisamente isso que a grande massa não pratica.

A docilidade pessoal, operada por todos os santos em alto grau, submete a nossa comodidade pessoal, dentro de certos limites racionais, aos interesses, mesmo ilegítimos, do nosso próximo. Perdoa também ofensas puramente pessoais, suportando pacientemente as fraquezas morais e físicas daqueles que nos rodeiam. Além disso, essa mesma docilidade, modera as queixas na doença e nas fatalidades da vida, oferecendo, sobrenaturalmente, os sofrimentos físicos e morais Àquele que por nós padeceu e morreu.

Essa docilidade não impede, bem pelo contrário, que nos defendamos, e ao nosso próximo, quer fìsicamente, quer por via judicial. Tal acontece, em virtude de todos nós constituirmos, na hierarquia Teológica e Metafísica da realidade, uma objectividade em sentido próprio, ainda que submetidos a objectividades de ordem necessàriamente superior; por exemplo: A segurança concreta, mesmo puramente material, dos membros de uma sociedade política, constitui uma objectividade de ordem muito superior à dos interesses justiceiros, mesmo atendíveis em abstracto, de um cidadão particular.

A Santa Madre Igreja sempre operou, cuidadosamente, todas estas distinções, na sua Teologia Moral e na Teologia Ascética e Mística. A leitura das vidas dos santos possuem também copiosos exemplos do que acabamos de referir.

Em meados do século XIX, quando o Papa Pio IX possuía ainda o seu domínio temporal, numa família judia que conservava uma empregada doméstica católica, esta baptizou, canònicamente, uma criança enferma, filha dos seus patrões. O caso chegou ao conhecimento do Santo Ofício, que perante a impossibilidade de ministrar uma educação católica à criança, ordenou que esta fosse retirada aos pais biológicos e entregue a uma instituição católica; a criança foi também pessoalmente adoptada pelo Papa Pio IX; chamava-se Edgardo Mortara (1851-1940), e como se calcula, este caso serviu de tema incendiário a todos os anti-clericais da época. Pois esta criança, educada catòlicamente, na adolescência foi autorizada a regressar aos seus pais biológicos, entrando, todavia, em conflito com eles, foi admitido no Seminário, acabando por ser ordenado sacerdote. Manifestou sempre a maior veneração pelo Papa Pio IX.  

Assinale-se que a Santa Madre Igreja, Sociedade perfeita em sentido eminente, depositária da Revelação Sobrenatural, INFALÍVEL QUER NA PROMULGAÇÃO DO DIREITO DIVINO SOBRENATURAL, QUER NA INTERPRETAÇÃO DO DIREITO NATURAL; ASSIM COMO PODE DISSOLVER, A FAVOR DA FÉ, MATRIMÓNIOS CONTRAÍDOS NA ORDEM NATURAL; TAMBÉM PODE OBLITERAR, A FAVOR DA FÉ, VÍNCULOS DE FILIAÇÃO NATURAL. Neste particular, existia uma Lei nos Estados Pontifícios que proibia que crianças católicas fossem educadas em famílias não católicas. Aqui se apresenta um nítido exemplo de uma actuação perfeitamente objectiva subordinada a princípios estritamente Sobrenaturais. Pois a Santa Madre Igreja deve poder exigir do Estado a plena cobertura temporal para o seu Dogma e a sua Moral, QUE CORRESPONDEM À VERDADE REVELADA, E À SUA CONCRETA APLICAÇÃO. Mas no caso dos Estados Pontifícios era a própria Santa Sé que detinha o poder temporal directo.  

O que é verdadeiramente grave é que a grande massa das pessoas, hoje como ontem, considera “bem” aquilo que lhe agrada ou convém, e mal o oposto; tudo avaliado em termos caracterizadamente subjectivistas. Quando alguém lhes manifesta o vigor e a obrigatoriedade dos princípios objectivos – não querem saber, riem-se, mudam de assunto, censurando àsperamente e discriminando negativamente todos aqueles que procuram viver segundo as Santíssimas Leis Divinas.

O Vaticano 2, e a seita anti-Cristo que dele saiu, dissolveram integralmente, toda a objectividade, toda a transcendência, toda a realidade, toda a obrigatoriedade, de todo o Dogma, de toda a Moral, bem como de toda a sã filosofia. E assim procederam, aplicando uma forma liberal-democrática sobre a Doutrina Católica, a qual foi necessàriamente, metafìsicamente, dissolvida pela primeira. Os monstruosos desenvolvimentos últimos dessa tragédia encontram-se agora perante os nossos olhos; que tal é o aforismo bergogliano – “Vive e deixa viver!”

Uma das propriedades da Verdade e Santidade objectiva, Teológica e Metafísica, consiste precisamente em que uma vez esta corrompida, o processo só se detém no niilismo e anarquismo total, sem remissão! O Magistério da Santa Madre Igreja sempre o proclamou.

Mas eis que também aqui, como em tudo, o Sagrado Magistério foi plenamente confirmado pela amaríssima realidade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Dezembro de 2016

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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