Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

«CREDO ERGO SUM» PRETERE O «PENSO LOGO EXISTO» DA SEITA CONCILIAR

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Arai Daniele

Sobre o erro epocal de Descartes já se tratou e escreveu em inumeráveis tratados e críticas. Mas a questão é contrapor àquela frase lapidar, que assim entrou na história e na filosofia, outra do pensamento católico para neutraliza-la, que valeria mais que inteiros tratatos porque poderia ficar impressa nas mentes para ser repetida. No título tentamos isto na convicção de partir da verdade evangélica ditada por Jesus no fim do Evangelho de São Marcos:

  •  (Mc 16, 14-16).“Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam a comer. Repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que O tinham visto ressuscitado. E Jesus disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura. O que crer e for batizado, será salvo. O que, porém, não crer, será condenado.»

Esse passo evangélico toca a questão do «crer», seja dos Apóstolos, seja como necessidade absoluta para a salvação. Já em Isaias (7, 9, ou 8, 9) lemos: “Se não acreditardes não compreendereis”, autoriza pois uma inversão do pensamento comum que diz: fazei-me compreender para que eu possa crer. Ao que Santo Agostinho responde: “Creia para poder compreender” (serm. 43,4). Compreender significa seguir a trilha do discernimento, a partir do dom natural do pensar de que somos dotados. Assim a especulação filosófica era no passado entendida como interna e derivada da fé religiosa, que exalta o exercício da inteligência pois esta reconhece estar diante de verdades inatingíveis pela ciência humana. Para S. Agostinho a fé é passo inicial para entender a criação, mas nem por isto há que deixar de usar sempre a inteligência para avaliar os conhecimentos correntes. (Ep. 120,1,3)

Tendo o passo evangélico citado tocado a questão do «crer cristão» como necessidade absoluta para a salvação, ele por isto foi sempre muito contestado, por exemplo na Bíblia de Jerusalém. Já tratamos disso no nosso artigo «Curto circuito na desordenada resistência anti-acordista», sob o título : – As heresias de Lutero foram superadas pela Roma conciliar.

Visto que aqui reside o grave problema, vamos resumir o conteúdo dessas reformas, que constituem o bloco de um plano com a marca do condenado modernismo. De fato, para ficar nos termos diretos e simples, procura-se inverter o que seja a fé necessária para a salvação – que só pode vir do Juízo de Deus – com juízos humanos da boa vontade sobre o que se prefere  subjetivamente. A boa vontade seria uma «fé atualizada» aos costumes modernos; o «bem» deduzido hoje pelas religiões reconciliadas e equiparadas pela ação dos poderes do mundo!

Lemos o efeito devastador dessas ideias inoculadas na Roma caótica dos nossos tempos no jornal da Conferência dos Bispos Italianos, “L’Avvenire, – Società e Cultura”: «Sull’importanza del confronto con il luteranesimo [Sobre a importância do confronto com o luteranismo]: “Martin Lutero foi um grande reformador”… [embora, fosse um tremendo herege, acrescentamos]. No artigo se confessa que: “a Igreja Católica deixou-se inspirar no Concilio Vaticano II também pelas ideias de Lutero, pondo em ato depois um processo de renovação” [ou reforma protestantizante]!

Sendo isto verdade, como demonstram os fatos dentro e fora da Igreja, o que devemos pensar sobre o efeito do «pensamento» dominante no Vaticano, senão que este elaborou uma outra igreja protestantizada na sua doutrina e liturgia, que não é mais a Católica? E isto pode ser confirmado até por luteranos «tradicionalistas», como seja o pastor Richard Wurmbrand (1909-2000), que reconheceu, surpreso, que atualmente a «Igreja católica» é incompreensível e mudou mais do que Lutero podia pretender ou pensar.

Compreende-se isto nas letras e nas palavras dos sumos interpretes do Vaticano 2. Portanto este pode ser visto idealmente como um «Luterano 2º», adultério loquaz que foi além até do que poderia ter sido um «Luterano Iº» presidido pelo heresiarca!

Assim, João Paulo 2º, dia 6 de dezembro de 2000, referindo-se aos ensinamentos da «Lumen Gentium» -16, diz: «Todos os justos do mundo, mesmo os que ignoram Cristo e a Sua Igreja, sob o influxo da graça, e quem procura Deus com o coração sincero, é chamado a edificar o Reino de Deus». A este ponto a fé na graça que é a nova lei de Cristo seria supérflua para a salvação! Lutero não teria aceito esta afirmação pela qual Karol Wojtyla ecumenisticamente dispensa a necessidade da fé evangélica para a justificação que salva. Nem Lutero teria feito afirmações com as quais os conciliares dispensam a necessidade da fé e do seu Batismo.

Nas reuniões das «grandes religiões» de Assis e em encontros inter-religioso, especialmente com os judeus, são confirmados em modo implícito que não há necessidade de converter-se a Cristo para ser justificado, porque para a religião conciliar, todos estão no bom caminho seguindo a própria «boa fé», ou consciência, como repete Bergoglio. No caso dos judeus consiste em conservar e apelar-se à Antiga Aliança, ignorando e negando a Nova e eterna instituída por Jesus Cristo Salvador. Daí que também não seria preciso evangelizar o mundo para converter toda criatura e fazer prosélitos, pois não seria verdade evangélica que só «quem crer e for batizado será salvo», e «quem não crer será condenado», Palavras de Jesus Cristo.

Esta “conclusão” do Evangelho de São Marcos (16, 16) na Bíblia de Jerusalém é apresentada por Gianfranco Ravasi, hoje cardeal (e papabile), que lembra ser este passo «embaraçador» omitido em algum código antigo, o que justificaria sua omissão nos evangelhos conciliares. Assim seria omitida também a Ascensão de Nosso Senhor que está em seguida a este «passo».

A questão, porém, é que se a fé pudesse ser supérflua para a salvação, tanto mais seria a Igreja conciliar que o ensina como missão de seu clero, na vigilância de sua hierarquia e a implícita confirmação infalível de seu «sumo pontífice». Veja-se a pérfida contradição de quantos a partir de cargos clericais pregam a natureza opcional destes na sociedade moderna, o que se estenderia logicamente aos sacramentos e a tudo o mais.

A «profunda religiosidade de Lutero», invocada por João Paulo 2º, serve à nova «justificação do Luterano 2º» através da influência e prestigio da falsa «nova teologia» daqueles que se tornaram os seus grandes peritos: Rahner, Schillebeeckx, Congar, De Lubac, von Balthasar, Ratzinger e companhia. Isto para citar os nomes mais tristemente aprovados pelos caudilhos da fatal abertura ao «abismo» da Revolução, que professam as declarações do Vaticano 2 sobre liberdade de consciência e religiosa, judaísmo e direitos humanos e suas implicações dogmáticas, visando a fé conciliar, mais universal, que «complete» ou substitua a Fé católica.

O primeiro «profeta conciliar», Ângelo Roncalli – João 23, clérigo de «genial simplicidade», segundo Jean Guitton, foi eleito papa para «justificar» esse novo iluminismo ecumenista, como demonstrou. Assim, apareceu a igreja conciliar que vai além de Lutero, da qual J. Ratzinger foi grande promotor e Bergoglio novo profeta. Será que aceitar estes clérigos como enviados por Nosso Senhor para confirmar a Fé – jamais a heresia – e impingir que isto seja fidelidade ao papado católico, não seja sinal de apostasia? Isto implica para os tradicionalistas admitir que esta ideia circule pelo mundo com o aval da Sé infalível.

Mesmo quem recusa o Vaticano 2, execra suas beatificações de desviados e reuniões como a de Assis, aceitando a legitimidade pontifícia de hereges, embarca numa implícita cumplicidade contra a qual Mgr Lefebvre e Dom Mayer juntos se manifestaram. Basta lê-los. O contrário desse testemunho episcopal é de quem pactua com o aparato que destrói a Igreja: se não justificam o Luterano 2º, suas pompas e suas obras, reconhecem quem o promove cobrindo-se com o nome de Cristo. Isto na ordem lógica é ignorar a causa do mal, para se sentir desculpado acusando os seus efeitos! Que interroguem suas consciências, porque pelo inestimável dom da fé recebida para ser professada e defendida, sem fazer a menor aceção de pessoas e cargos se ela é alterada, deverá prestar contas. Que leiam com atenção pelo menos o mandato divino da Epístola aos Gálatas (1, 8), em especial o Evangelho sobre os falsos Cristos dos últimos tempos. Acordar-se com quem traz um novo Evangelho, confirma tacitamente cumplicidade com a obra que perde multidões.

Uma «resistência anti-acordista» que se dedica a resistir aos efeitos, como sejam os erros e heresias do Vaticano 2, para ser coerente na caridade e eficaz na fé, deveria antes resistir a sua causa, no caso aos seus mandantes, revestidos de uma falsa «legitimidade» para desviar com a redobrada falsidade de fazê-lo em nome da mesma Igreja de Deus. E quem o admite, exibindo erudição religiosa a propósito, redobra assim a confirmação de uma tácita cumplicidade.

Não podemos calar diante de novos erros e deslizes, especialmente se provêm de bispos. Já explicamos as críticas a mgr Williamson diversas vezes também em italiano, língua que ele conhece, com o objetivo de chegar a um testemunho católico de resistência comum que deixe de pôr ignorar que a autoridade de nossa Santa Mãe Igreja é abusada pelas falsos pastores. Alguns já entendem quanto seja desviante crer na «autoridade pontifical e magisterial» que opera com um magistério de rutura, segundo «iluminações» dos tempos! Sim, porque à luz da Doutrina católica e da mesma lógica isto implica renúncia à comunhão na verdadeira Igreja e tanto mais à representação de sua autoridade no Magistério católico com um anti-magistério!

A Encíclica «Qui pluribus» sobre fé e religião, foi promulgada pelo Papa Pio IX, em 9 de Novembro de 1846, contra o liberalismo político sobre a religião, e o indiferentismo perante: «A viva e infalível autoridade de Deus, que só existe na Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo sobre Pedro, com a promessa que sua fé nunca faltaria e que teria sempre legítimos sucessores nos Pontífices. Estes, são reconhecíveis por professarem a mesma profissão de Fé de Pedro sem interrupção na sua Cátedra; de modo que «onde está Pedro ali está a Igreja»  ( Santo Ambrósio, in Ps. 40, 30, Migne PL. 14, Colec. Conc. 6, col. 971-A 1134-B), que fala pelo Romano Pontífice e vive sempre nos seus sucessores, exercendo a sua jurisdição e dando, aos que a buscam, a verdade da fé. Por isto, as palavras divinas devem ser recebidas no sentido dado por esta Cátedra de São Pedro que, mãe e mestra das Igrejas, sempre conservou a fé de Jesus Cristo Nosso Senhor, íntegra e pura; a mesma que ensinou aos fiéis mostrando- lhes a todos a senda da salvação e a doutrina da verdade incorruptível.»

Hoje, subsiste uma ignorância invencível na aplicação da Lei da Igreja sobre um «eleito papa» que já antes de sua eleição professava uma ideia desviada para a mutação modernista da Fé com as «verdades corruptíveis do mundo». Esta conclusão, embora pareça terrível para a fé, é clara e ditada pela mesma Igreja: o candidato ao papado deve professar a fé católica para confirmá-la no mundo – é condição ontológica – para que sua eleição seja válida; não adianta escondê-lo com míseros sofismas, que são também ofensivos à Lei divina da Santa Igreja.

Toda Autoridade de jurisdição na Igreja é concedida por Deus diretamente ao Papa eleito legitimamente para confirmar a Fé; não vem da Igreja nem procede dos cardeais eleitores, que podem unanimemente errar sobre a pessoa que elegeram papa!

CREIO NA IGREJA que ensina ser a Voz de Deus na Terra e o Papa a encarna, pois seu poder de jurisdição vem imediatamente de Deus, e por isto é infalível e incompatível com o erro. Assim se deve crer para ser, para estar na Igreja de Deus. Ora, de Roncalli a Ratzinger esta fé faltou e foram eles a demonstrá-lo nas suas obras no curso do Vaticano 2, da revolução litúrgica à abominação de Assis, isto, para desgraça do mundo e apostasia na Igreja, ficou demonstrado. O que falta para acusar o vergonhoso silêncio desta geração, não sobre as más obras, mas sobre a ilegitimidade dos «papas» que as promoveram contra a única Igreja de Deus?

O católico é consciente de ser a Igreja, porque professa a sua fé. Hoje, na vacância da Sé pela morte por um tempo do Papado, não se pode aceitar passivamente os conclaves conciliares que produziram quem visava a mutação da Igreja com um concílio e depois quem continuasse o Vaticano 2. Quem aceita torna-se cúmplice da continuação dessa desolação conciliar.

Voltando ao tema justamente levantado pelo sr. Michael Matt, Editor do «The Remnant», escrevemos que hoje, finalmente se alarga o círculo dos católicos chamados restantes, «remnant» em inglês, que «ousam» dizer, ao contrário de Mueller, o atual nº one, garante da fé conciliar, que pode haver erro humano no Vaticano 2 e portanto no conclave papal (Thursday, December 15, 2016, Papal Elections: God’s Will vs. Human Error – Written by The Remnant Newspaper). Sobre essa verdade vital e óbvia, para a honra da Santa Igreja, há que insistir a tempo e a contra tempo, mas evitando dois erros graves: o primeiro de confundir «mau papa» com «falso papa». O segundo, abominável, de confundir o que Deus permite, eventualmente para tirar de um mal um bem maior, com o que Deus concede. Ora a autoridade do papa eleito não é concedida pelos cardeais nem pela Igreja, mas diretamente por Deus mesmo. Se esse «papa eleito» era herege modernista e mação antes dessa eleição, alguém ousaria dizer que Deus desconhecia as intenções dessa alma desviada e lhe dá o poder papal para desviar os povos? Que alguém diga isso, sabendo que a doutrina desse eleito é anticatólica, está blasfemando. Ora os que professam a possibilidade de um papa herege, mas legítimo, isto é, eleito dentro dos cânones da legislação infalível da Igreja, são legiões, é o caso dos «tesistas», do Nougué dos monges e inadvertidamente, de tantos outros. Que despertem enquanto é tempo no amor da Verdade ou no temor do juízo de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sinal de contradição, causa de queda e ressurreição de muitos em Israel (Lc 2). A Igreja é a Nova Israel e testemunha a Fé que desvela os secretos pensamentos de muitos, que transpassam os Sagrados Corações.

Louvado seja Deus que suscita e sustenta a débil fidelidade humana contra tais erros!

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2 Respostas para “«CREDO ERGO SUM» PRETERE O «PENSO LOGO EXISTO» DA SEITA CONCILIAR

  1. Rogerio Alexandre janeiro 16, 2017 às 5:39 pm

    Não a propósito desse artigo, mas sobre Fátima. A Radio Cristiandad publicou algo a respeito de Fátima que talvez interesse:

    https://radiocristiandad.wordpress.com/2017/01/16/patricia-verboven-la-oracion-de-fatima-fue-modificada/

    • Pro Roma Mariana janeiro 16, 2017 às 7:20 pm

      Obrigado Rogério por levantar essa questão agora referida, mas sem a menor alusão ao que se publicou em Promariana: «O CÉU E O INFERNO NA ORAÇÃO ENSINADA POR MARIA SS. EM FÁTIMA». Que pena! Eu estou aqui em Fátima também para aprofundar estas questões controversas. Os padres, especialmente se teólogos, desde o início, tiveram problemas com a versão autêntica, que é aquela publicada nas memórias de Lúcia. O primeiro foi o Cônego Formigão que, com sua autoridade – era formado pela Gregoriana – e presença desde os interrogatórios iniciais, achou por bem resolver a questão a favor das almas do purgatório. E o Bispo seguiu sua versão. Intenção pia, como é a do nosso amigo Dr. Sena Esteves, mas o que se quer conhecer são as palavras ensinadas por Nossa Senhora. Outros que se manifestaram, contra o «levai» original foram os da Contra Reforma do Abbé de Nantes, que produziram importantes trabalhos sobre Fátima com Frère Michel. O P. de Nantes dizia que a palavra certa devia significar «attirez» atraí ao Céu… Na época escrevi a eles e publiquei sobre isto o que sabia, mas como sempre, cada um fica na sua. Não interessa nenhuma informação de gente de «là bas» (no caso ligada à língua portuguesa), como dizia o saudoso Dom Mayer. De modo que o escrito fica para os que se interessam pela questão, mais que pela «importância» das pessoas. Nosso «Credo» católico nunca foi alheio a explicações lógicas.

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