Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, MILAGRES FORA DA SANTA MADRE IGREJA

milagre-januario

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica   “Adiutricem Populi”, promulgada em 5 de Setembro de 1895:

«É difícil dizer qual a amplidão e eficácia que tiveram os socorros de Maria Santíssima quando foi elevada, junto a seu Filho, àquele fastígio de Glória que convinha à sua dignidade e ao esplendor dos seus merecimentos. Com efeito, de lá, segundo os desígnios de Deus, ela começou a vigiar sobre a Santa Igreja, a assistir-nos e a proteger-nos como Mãe; de tal forma, que  depois de ter sido a cooperadora na Redenção humana, tornou-se  também, pelo poder quase ilimitado que lhe foi conferido, a dispensadora da Graça que em todo o tempo deriva dessa Redenção. Por isso as almas cristãs, obedecendo como que a um instinto natural, sentem-se justamente arrastadas para Maria – para comunicar-lhe, com toda a confiança, seus projectos, suas angústias e suas alegrias; para, com total disponibilidade, entregar-se  a si mesmas e suas coisas à sua bondade e cuidados. Por esse motivo justíssimo todos os povos e ritos renderam-lhe louvores, que foram aumentando com o consentimento dos séculos. Daí os títulos que lhe foram conferidos de “Nossa Senhora, Medianeira Nossa”, “Reparadora do  mundo inteiro”, “dispensadora dos Bens Celestes”.

Ora como a Fé é o fundamento e o princípio dos Dons Divinos, pelos quais o homem é elevado acima da ordem na Natureza para os Bens Eternos, celebra-se justamente a sua mística influência na adquirição e frutificação da Fé. Efectivamente, Maria é aquela que gerou “O Autor da Fé”, e que por causa da sua Fé foi saudada como Bem-Aventurada. Diz São Germano Constantinopolitano: “Ninguém, ó Virgem Santíssima, tem conhecimento pleno de Deus a não ser por teu meio, ó Mãe de Deus; ninguém recebe Dons da Misericórdia Divina a não ser por teu intermédio”. E também não pode parecer exagerada a afirmação de que foi especialmente pela sua guia e ajuda que, até entre obstáculos e adversidades enormes, a Sabedoria e os ordenamentos evangélicos difundiram-se tão ràpidamente por todo o mundo, instaurando em todo o lugar uma nova ordem de Justiça e Paz. Sem dúvida, essa consideração devia estar no ânimo de São Cirilo de Alexandria quando, dirigindo-se à Virgem lhe dizia: “Graças a ti os Apóstolos pregaram aos povos a Doutrina da Salvação; graças a ti a Cruz é louvada e adorada no mundo inteiro; graças a ti os demónios são afugentados e o homem é chamado de volta ao Céu; graças a ti toda a criatura presa nos erros da idolatria é reconduzida ao conhecimento da Verdade; graças a ti os fiéis chegaram ao Baptismo e foram fundadas Igrejas em toda a parte do mundo”.

Além disso, segundo o louvor do mesmo doutor, ela foi “poderosíssimo ceptro da verdadeira Fé”, pelo cuidado contínuo que teve em manter, firme, intacta e fecunda entre os povos a Fé Católica. Há provas numerosíssimas e bem conhecidas, confirmadas, por vezes, por acontecimentos prodigiosos. Aconteceu sobretudo nos tempos e nas regiões nos quais se teve de deplorar o enfraquecimento da Fé por causa da indiferença, ou atacada pelo contágio pernicioso dos erros, que o socorro clemente da Virgem se manifestou de maneira particular. Foi então que, graças a seu impulso e apoio, surgiram homens eminentes por santidade e zelo apostólico, prontos a rechaçar os ataques dos perversos, a reconduzir as almas à prática e ao fervor da vida cristã. Finalmente, Príncipes e Pontífices Romanos, guardas e defensores da Fé, tiveram o hábito de recorrer sempre ao Nome da Mãe Divina: Uns na direcção das suas guerras sagradas, outros na promulgação de seus decretos solenes; e sempre experimentaram seu poder e protecção.»
Os milagres constituem, providencialmente, a ilustração Divina da Verdade da Revelação, da elevação do Homem ao estado Sobrenatural, bem como da Sacralidade da Santa Madre Igreja com Depositária da mesma Revelação. O milagre é como que a impressão digital com que Deus Nosso Senhor assinala especialìssimamente a Sua existência, e o cuidado que nutre pela Criação.

Por vezes consideram-se milagres em sentido estrito certas alterações de ordem física, por exemplo, o desvio de uma bala, ou mesmo a cura de uma doença; todavia, tais intervenções podem ser realizadas pelos Anjos sob a Autoridade de Deus. Já as ressurreições exigem, em absoluto, uma operação Divina directa e fundamental, ainda que a criatura possa aí exercer uma causalidade instrumental, mas extremamente remota.

A Criação foi constituída segundo uma ordem caracterizadamente hierárquica; de modo que os Anjos assumem o encargo de ministros de Deus para o governo do Universo e para a Guarda das pessoas e instituições; no que os Anjos podem realizar, Deus não intervém directamente.

Os milagres, físicos e morais, não pressupõem uma violação da Lei, mas sòmente uma não aplicação dessa mesma Lei, por disposição do Autor da mesma Lei e no quadro da Providência Divina.

Deus não governa, nem jamais governou, o mundo através de milagres. Mesmo quando eles eram abundantes, como na Idade Apostólica, até ao termo da Revelação, por morte do Apóstolo São João, mesmo nesse tempo, conquanto uma Providência especialíssima velasse pelo desenvolvimento da Santa Madre Madre, Deus não a governava por meio de milagres, mas sustentava-a com Graças e Carismas extraordinários, ilustrando-os, também copiosamente, com milagres físicos e morais.

Neste quadro conceptual, se apenas Deus Nosso Senhor pode realizar essas excepções às leis da natureza, e se a Santa Madre Igreja é a única depositária da Verdade da Revelação e dos tesouros inauferíveis dos Mistérios Sobrenaturais, então daqui se infere de que sòmente no seio da Santa Madre Igreja pode haver milagres, físicos e morais. Assinale-se que os demónios não podem realizar milagres em sentido estrito, mas apenas prodígios, pois mesmo no Inferno, ainda detêm certo domínio sobre a matéria. Deus permite essa acção demoníaca para castigo dos maus e para provar ascèticamente a fidelidade dos bons.

Nossa Senhora, como Corredentora e Medianeira de todas as Graças, possui mais poder do que todos os Anjos juntos, pela influência moral celestial que detém sobre o Coração Sacratíssimo do seu Divino Filho. Nossa Senhora, por si mesma, como criatura, não pode fazer milagres, mas a sua posição na hierarquia do Reino dos Céus está elevada acima de todas as criaturas, incluindo os Anjos, pois participa da Natureza e da Visão Divina de forma absolutamente única.

A Providência Divina integra as orações de Maria como as de nenhum outro santo, nem como de todos os santos reunidos. É conhecido como as orações das criaturas não alteram os desígnios da Providência, porque esta, na Sua Eternidade, já é extrínseca e acidentalmente constitutiva delas (orações) todas. Todavia Maria Santíssima pode e deve considerar-se excepção a essa regra, precisamente porque é Mãe de Deus; A MEDIAÇÃO DE MARIA DETÉM COM O VERBO DE DEUS A FORÇA DE UNIÃO QUE UMA MÃE TEM COM SEU FILHO, E QUE O FILHO TEM COM SUA MÃE. NÃO ESQUECENDO QUE O VERBO É DEUS E MARIA PURA CRIATURA. Mas foi ela quem preparou a Divina Vítima que Se havia de imolar no Altar da Cruz.      

Mas será Maria Santíssima, ela própria, um milagre?

A Infinita Sabedoria Divina manifesta-se fundamentalmente no facto de haver constituído Maria Santíssima sem necessidade de qualquer milagre físico ou moral; apenas com o concurso da perfeição das Suas Leis, naturais e Sobrenaturais.  

No Paraíso Terrestre não existiriam milagres, físicos ou morais; a imortalidade, integridade e impassibilidade corporal, ali, não constituiriam milagres, porque inteiramente concordes com as Leis Preternaturais e Sobrenaturais dessa privilegiada condição. O conceito de milagre implica uma excepção positiva a uma Lei, física ou moral. A conversão, mesmo à hora da morte, de um herege empedernido, envolve um milagre, porque supõe uma excepção positiva às Leis da economia Sobrenatural da Graça.

OS MILAGRES EXISTEM PARA SOCORRER A MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA, FÍSICA E SOBRETUDO MORAL; E ASSIM PROCEDENDO, ANUNCIAM A GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS. Em sentido estrito, a Glória extrínseca de Deus é anunciada com mais fulgor pela perfeição, integridade e racionalidade das Suas Leis, do que pela sua excepção.

Assim como existe perfeita unidade e imutabilidade no sistema de Leis físicas que regem a Criação; assim também no sistema de Leis Religiosas e Morais. Porque todas reconduzem à Infinita fecundidade da Lei Eterna, Princípio de Ordem, Incriado, de toda a natureza, criada ou possível. Consequentemente, o princípio da liberdade religiosa é o maior absurdo, a maior infâmia, o maior aniquilamento, e a maior blasfémia, que pode haver; PRECISAMENTE PORQUE ROMPE, OU PRETENDE ROMPER, A UNIDADE DE SOBERANIA NA CRIAÇÃO. É assim lógico que aqueles que defendem o dito princípio exaltem também o “pluralismo dos milagres”; ainda que realmente possuam uma concepção mágica e até psicadélica do milagre, tal como possuem um conceito sentimentalista e panteísta da religião. QUANDO SE FALSEIA O CONCEITO DE DEUS, FALSEIA-SE PROPORCIONALMENTE O CONCEITO DE MILAGRE. Donde se infere que só na única e verdadeira Religião podem e devem existir milagres, COMO INFALÍVEL TESTEMUNHO DA ÚNICA SOBERANIA DA CRIAÇÃO. A miséria humana tende a abraçar a Fé quando é confrontada com uma excepção às Leis da Natureza. Ainda que os mais ímpios consigam resistir às mais flagrantes demonstrações da misericórdia Divina; mas também são muitos os convertidos, por exemplo, com o milagre do Sol, em Fátima, a 13 de Outubro de 1917. Aliás, para obsequiar piedosamente este milagre – contemplado por Pio XII nos jardins do Vaticano, não é necessário acreditar numa espécie de colapso astrofísico; basta que se acredite num milagre óptico, em grande escala, e EMINENTEMENTE OBJECTIVO.      

O grande milagre moral que esperamos é a reconstituição da Santa Madre Igreja e a Restauração do Papado. Mesmo uma Igreja com uma expressão quantitativa muito menor do que no passado, É E SERÁ SEMPRE A SANTA MADRE IGREJA. Esse milagre que esperamos ardentemente, GLORIFICARÁ A DEUS NO CORAÇÃO DOS ELEITOS E NA UNIDADE MILITANTE DO CORPO MÍSTICO, E SERÁ MOTIVO DE GRANDE ALEGRIA ACIDENTAL NOS SANTOS DO CÉU. PARA AGRADECER TÃO GRANDE MILAGRE MORAL SERÁ DEFINIDO O DOGMA DE MARIA SANTÍSSIMA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS. NOSSO SENHOR QUE ILUSTROU A IGREJA APOSTÓLICA COM TÃO COPIOSAS GRAÇAS E CARISMAS, NÃO FALTARÁ AOS SEUS ELEITOS DA IDADE PÓS-CRISTÃ E PRÉ-ESCATOLÓGICA.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 8 de Janeiro de 2017

 

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4 Respostas para “NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, MILAGRES FORA DA SANTA MADRE IGREJA

  1. Zoltan Batiz janeiro 17, 2017 às 7:04 pm

    Milagres não podem acontecer, mas prodígios sim. Milagres aparentes mas explicáveis por leis ainda desconhecidas.

    • Alberto Cabral janeiro 18, 2017 às 3:07 am

      Se é explicável por uma lei – então não é milagre. Mas uma ressureição não pode ser explicada, nem por Leis conhecidas, nem por Leis desconhecidas- somente pela omnipotência Divina.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral – Lisboa

      • Zoltan Batiz janeiro 18, 2017 às 3:08 pm

        Peço desculpa, exprimi-me muito mal (falta de atenção); em vez de “milagres aparentes” devia ter dito que “eles parecem milagres”. Claro que os prodígios não são milagres, apenas parecem que sejam.

  2. Pro Roma Mariana janeiro 18, 2017 às 8:34 am

    O «milagre» do sangue de são Januário, que se repete do mesmo modo em suas datas fixas, antes e depois da igreja do V2, o que significaria hoje?

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