Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O MAGISTÉRIO PAPAL AUTÊNTICO NÃO PODE SER HERÉTICO

Fé e Magistero

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII em passagens da sua encíclica “Satis Cognitum”, promulgada em 29 de Junho de 1896:

«E qual seja esse poder, ao qual todos os cristãos devem obedecer, não se pode determinar de outra forma, senão depois de ter examinada e conhecida a vontade de Cristo. Certamente, Jesus Cristo é Rei Eternamente, e perpètuamente; ainda que invisível, tutela e governa do Céu o Seu Reino; mas como quis que esse fosse visível, teve que designar quem, após a Sua Ascensão ao Céu, tivesse a incumbência de substituí-l’O na Terra. “Seja quem for que afirmasse – diz São Tomás – que sòmente o chefe e único Pastor da Santa Igreja é Cristo, que é o único Esposo da única Igreja, não se exprimiria com precisão. É evidente, com efeito, que é Ele Quem opera os Sacramentos da Igreja, Quem baptiza, Quem perdoa os pecados, e que, verdadeiro Sacerdote, Se imolou sobre o Altar da Cruz, e pelo poder do Qual se consagra quotidianamente o Seu Corpo sobre o Altar; contudo, visto que Se encontraria corporal e pessoalmente presente a todos os fiéis no porvir, elegeu ministros, por meio dos quais pudesse dispensar o que foi indicado, como já foi dito acima. Pelo mesmo motivo, antes de privar a Santa Igreja da sua Presença Corporal, foi-Lhe necessário destinar alguém que cuidasse dela em Seu lugar. Portanto, disse a Pedro, antes da Ascensão: Apascenta as Minhas ovelhas” (S.Tomás, Suma Contra Gentiles, libr 4, cap.76). Portanto, Jesus Cristo deu à Santa Igreja, como regedor maior, Pedro, e ao mesmo tempo estabeleceu que esse principado, instituído em perpétuo para a salvação comum, se transmitisse por herança aos sucessores, nos quais o mesmo Pedro, com Autoridade perene, sobrevive. E de facto, fez aquela promessa insigne a Pedro, E A NENHUM OUTRO: “TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA”(Mt 16,18).

O Senhor falou a Pedro, E SÓMENTE A ELE, PORQUE SÒMENTE UM FUNDOU A UNIDADE. Jesus chama a ele e a seu pai pelo nome (Bem-Aventurado és tu Simão, filho de Jonas), mas depois não suporta que se chame ainda Simão, reclamando-o desde já como seu para Seus fins; e com uma comparação significativa quis que se chamasse Pedro (de pedra), porque sobre ela teria fundado a Sua Igreja. Da mencionada profecia de Cristo é evidente que, por vontade e mandato de Deus, a Igreja seria fundada sobre Pedro como um edifício sobre o seu fundamento. Ora a natureza e a força do fundamento consiste em fazer com que as diversas partes do edifício se mantenham ligadas entre si, e que à obra seja necessário aquele vínculo de estabilidade e firmeza, SEM O QUAL TODO O EDIFÍCIO CAI EM RUÍNA.»       

 

A maior monstruosidade propagada pelos chefes da Fraternidade, QUE FOI DE SÃO PIO X, consiste precisamente na asserção de que os “papas” do concílio são verdadeiros, porque ainda não comprometeram a sua infalibilidade com qualquer heresia.

Ora isto é completamente absurdo, na exacta medida em que toda a actividade funcional do Romano Pontífice constitui uma PERFEITA UNIDADE, TEOLÓGICA E TRANSCENDENTAL, COM A DIVINA CABEÇA DO CORPO MÍSTICO. A prerrogativa da Infalibilidade da Cátedra de São Pedro, preenche, e como que exaure, toda a função de Direito Divino, e não sòmente a mais elevada expressão dessa mesma infalibilidade, que actua nas Definições. Ora, analisando a doutrina dos chefes da dita Fraternidade, fica-se a saber, que para eles, a Infalibilidade só actuaria nas Definições. Esta constitui uma terrível heresia e que compromete e mesmo arruína todo o Magistério Papal.

Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o Seu Vigário como UM VERDADEIRO OPERADOR DE SANTIDADE, COM MAGISTÉRIO UNIVERSAL E QUOTIDIANO, PARA CONFIRMAR OS SEUS IRMÃOS NA FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE. NOSSO SENHOR NÃO INSTITUIU O SEU VIGÁRIO PARA ASSEGURAR OS MÍNIMOS, MAS PARA, COM ASSISTÊNCIA DIVINA, CONDUZIR À PERFEIÇÃO.

A Santa Madre Igreja sempre ensinou que o Magistério Universal e Ordinário do Romano Pontífice é Infalível, embora este tenha de ser concebido orgânicamente, e em mútua e intrínseca coordenação. Já a Definição solene opera por si mesma, com significado próprio, e a relação que mantém com o restante Magistério é sòmente extrínseca. O Papa Pio XII, na encíclica “Humani Generis”,deixou bem claro que o Magistério das encíclicas É INFALÍVEL.

E não se argumente com o vício lógico do dialelo; na exacta medida em que embora, LÒGICAMENTE, nós apreendamos a realidade da Fé e da Santa Madre Igreja, através do próprio Magistério da Igreja; ontològicamente, objectivamente, a Fé Católica nos é dada como essencialmente transcendente ao próprio Magistério terreno da mesma Santa Igreja, E COMO TAL INFALÍVEL, COM A INFALIBILIDADE DE DEUS NOSSO SENHOR. Neste quadro conceptual, a Infalibilidade da Santa Madre Igreja não é algo que, ONTOLÒGICAMENTE, nós depreendamos da actividade do Magistério, É ALGO QUE A FÉ TEOLOGAL, SOBRENATURAL, NOS ENSINA, EM SI MESMA, E POR SI MESMA. Assim como Deus Nosso Senhor É, não existe, É, por Si mesmo; assim a Fé Católica, e portanto a Santa Madre Igreja, é Infalível por si mesma, objectiva e ontològicamente.

Mesmo antes da proclamação do Dogma da Infalibilidade Pontifícia, por Sua Santidade o Papa Pio IX, durante os trabalhos do Sagrado Concílio Vaticano I, o bom Católico já sabia que a Santa Igreja era Infalível; a definição de Pio IX, apenas centralizou(1)nos atributos da função suprema do Romano Pontífice a expressão máxima dessa Infalibilidade, sem qualquer espécie de dialelo ou petição de princípio, PORQUE O PRÓPRIO PRINCÍPIO DA INFALIBILIDADE RESIDE OBJECTIVAMENTE EM DEUS NOSSO SENHOR, E É A FÉ CATÓLICA QUE O RECONHECE COMO ENCARNADO NA SANTA MADRE IGREJA, CORPO MÍSTICO DO VERBO DIVINO.

Mesmo antes do Papa Pio XII haver recordado, na encíclica “Humani Generis” que as encíclicas dos Papas são organicamente infalíveis; A PRÓPRIA FÉ NO-LO DEMONSTRAVA NA INFALIBILIDADE DA IGREJA E NAS PRERROGATIVAS SUPREMAS QUE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO FACULTOU A SÃO PEDRO.

Neste quadro conceptual devemos pois asseverar: Sendo o Magistério Ordinário do Romano Pontífice organicamente Infalível; infere-se que o seu Magistério Autêntico, EMBORA NÃO INFALÍVEL EM SENTIDO ESTRITO, TAMBÉM, EM CASO ALGUM, PODE SER TEOLÒGICAMENTE HERÉTICO, OU FILOSÒFICAMENTE ERRADO. O magistério autêntico está consignado sobretudo nas audiências gerais, e conforme a qualidade e o contexto, também nalgumas audiências particulares; nas epístolas menos importantes dirigidas aos Bispos etc. Todavia as Radiomensagens já se filiam no Magistério Ordinário Infalível, assim como as cartas-encíclicas. Consequentemente, O MAGISTÉRIO AUTÊNTICO TAMBÉM ACOLHE O INFLUXO DA PRERROGATIVA DA INFALIBILIDADE, NÃO EM SENTIDO POSITIVO, MAS EM SENTIDO NEGATIVO, POIS IMPEDE AS HERESIAS TEOLÓGICAS E OS ERROS FILOSÓFICOS. O PRINCÍPIO ATEU DA LIBERDADE RELIGIOSA NÃO PODE POIS APARECER, NEM POR HIPÓTESE REMOTA, NO MAGISTÉRIO AUTÊNTICO.

Efectivamente Nosso Senhor afirmou: “Simão, Simão, satanás vos busca para vos joeirar como trigo, mas Eu roguei por ti para que a tua Fé não desfaleça – E TU, UMA VEZ CONVERTIDO, FORTALECE OS TEUS IRMÃOS.” (Lc 22, 31-32)

O Sagrado Concílio Vaticano I invocou esta passagem Bíblica e Evangélica, na sua proclamação da Infalibilidade Pontifícia.

Não se deve interpretar a “conversão” de Pedro como uma apostasia seguida de conversão, mas apenas como uma quebra momentanea de Caridade e de energia moral na qual Pedro nega o seu Mestre, para logo, com a Graça Divina, se arrepender.

O fortalecimento dos irmãos só pode ser interpretado como um socorro quotidiano, providencial, ao Corpo Místico, constitutivo de um apelo Sobrenatural permanente à Santidade, operado pelo Romano Pontífice, para maior Glória de Deus e salvação das almas. Nunca olvidar que a Santa Madre Igreja sempre ensinou que no Corpo Místico, Nosso Senhor Jesus Cristo e o Seu Vigário – CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA!   

Cumpre assinalar, que a prerrogativa da Infalibilidade é considerada como possuindo um carácter negativo, ou seja, constitui uma assistência especial, funcional, Sobrenatural, não milagrosa, que visa sobretudo evitar erros e impedir a corrupção moral do raciocínio funcional. Nessa base, é necessário que o Romano Pontífice, na sua alma, possua o Hábito Teologal da Fé, para que haja proporcionalidade e equilíbrio na  operação funcional, bem como no acolhimento das inspirações do Altíssimo. Neste quadro conceptual, uma Definição Dogmática não pode ser considerada uma nova Revelação, como erradamente pensaram alguns teólogos, mas sòmente uma consagração hierarquizante, suprema e definitiva, fundamentada num Património Sagrado já objectivamente e transcendentalmente revelado.

A morte e Ressurreição de Nosso Senhor foi revelada por Deus, tal como também foi revelado que São Paulo esqueceu-se de uma capa em Tróade, em casa de Carpo (II Tim 4,13); ambos os factos são infalìvelmente certos, mas só o primeiro, pela sua infinita magnitude, merece ser definido; por isso o primeiro é de Fé Divina e Católica definida, e o segundo, denominado um “obiter dicta”é sòmente de Fé Divina.

 

(1) Esta centralização não é constitutiva, porque a Infalibilidade Papal sempre existiu na História da Igreja, mas é solenemente definitória, porque passa a incorporar o Depósito da Fé Divina e Católica, no qual é necessário crer, positivamente, sob pena de condenação Eterna. Mesmo as verdades só de Fé Divina não podem ser positivamente rejeitadas, sob pena de condenação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Janeiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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3 Respostas para “O MAGISTÉRIO PAPAL AUTÊNTICO NÃO PODE SER HERÉTICO

  1. Zoltan Batiz janeiro 25, 2017 às 2:06 pm

    Finalmente alguém conseguiu dizer isto ….
    Porque o erro dos sedeplenistas é que o Magistério Ordinário pode errar, e isto contradiz o Vat 1.

    • Pro Roma Mariana janeiro 25, 2017 às 7:36 pm

      Vê-se que o Zoltan lê pouco os nossos artigos para só agora, finalmente, saber que aqui se conseguiu dizer isto! Consegue-se porque existe esse blog e antes em outros afins. Publicamos até um debate sobre isto.

      • Zoltan Batiz janeiro 26, 2017 às 9:35 pm

        Sim, tem razão. Imensa desculpa, mas nem sequer tive noção de existência do blog.
        Claro que perdi uns artigos, porque isto não é o único sítio para me informar.
        Além disso, ouço sermões on-line, as vezes leio livros devocionais e
        estudo também religião comparativa. Além de algum trabalho científico de publicações, também leio o ofício diariamente. Eis que assim perdi uns artigos.

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