Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A VERDADEIRA LIBERDADE RESIDE NA SANTIDADE

santidade

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Libertas”, promulgada em 20 de Junho de 1888:

«Ora o princípio de todo o racionalismo é a supremacia da razão humana, QUE RECUSANDO A OBEDIÊNCIA DEVIDA À RAZÃO DIVINA E ETERNA, e pretendendo não depender senão de si mesma, se arvora em princípio supremo, fonte e Juiz da verdade. Tal é a pretensão dos sectários do liberalismo, de que falamos: Não há, na vida prática, nenhum poder Divino ao Qual se tenha de obedecer, mas cada um é para si a sua própria lei. Daí procede essa moral que se chama independente, e que sob a aparência da liberdade, afastando a vontade da observância aos preceitos Divinos, conduz o homem a uma licença ilimitada.

E o que, finalmente, resulta disto, principalmente nas sociedades humanas, é fácil ver; porque uma vez fixada essa convicção no espírito de que ninguém tem autoridade sobre o homem, a consequência é de que a causa eficiente da comunidade civil e da sociedade deve ser procurada, não num Princípio exterior ou superior ao homem, mas na livre vontade de cada um e que o poder político dimana da multidão como sendo a sua primeira fonte; além disso, o que a razão individual é para o indivíduo, a saber, a única lei que regula a vida particular; a razão colectiva deve sê-lo para a colectividade na ordem dos negócios públicos;  daqui se segue que o poder pertence ao número, e as maiorias criam o direito e o dever.

Mas, ainda, tal doutrina traz o maior dano tanto ao indivíduo quanto à sociedade. Realmente, se o homem  faz depender só e ùnicamente do Juízo da razão humana o Bem e o mal, SUPRIME A DIFERENÇA ESSENCIAL ENTRE O BEM E O MAL, O HONESTO E O DESONESTO JÁ NÃO DIFEREM NA REALIDADE, MAS SÒMENTE NA OPINIÃO E NO JUÍZO DE CADA UM: O QUE AGRADA SERÁ PERMITIDO. Desde que se admita semelhante doutrina moral, QUE NÃO BASTA PARA REPRIMIR OU PACIFICAR OS MOVIMENTOS DESORDENADOS DA ALMA, DÁ-SE ACESSO A TODAS AS CORRUPÇÕES DA VIDA. Nos negócios públicos, o poder de governar separa-se do princípio verdadeiro e natural que lhe deu toda a sua força para procurar o bem comum: A Lei que determina o que se deve fazer, e o que é necessário evitar, é abandonada aos caprichos da maioria, que é o mesmo que procurar o caminho à dominação tirânica. Quando se repudia o poder de Deus sobre o homem e sobre a sociedade humana, É NATURAL QUE A SOCIEDADE DEIXE DE TER RELIGIÃO, E TUDO O QUE TOCA À RELIGIÃO TORNA-SE OBJECTO DA MAIS COMPLETA INDIFERENÇA. ARMADA POIS DA IDEIA DE SOBERANIA, A MULTIDÃO FÀCILMENTE ENTRARÁ NO CAMINHO DA SEDIÇÃO E DAS DESORDENS, NÃO EXISTINDO JÁ O FREIO DO DEVER E DA CONSCIÊNCIA, NADA MAIS RESTA DO QUE A FORÇA.»

 

Será possível que absolutamente ninguém, neste nosso tempo, possua a verdadeira definição do conceito de liberdade? Definição Católica, Tomista, aplicável na Ordem Filosófica e na Ordem Teológica: A LIBERDADE CONSISTE NA FACULDADE DE SE MOVER NA VERDADE E NO BEM, ISTO É, NO SER, E ASSIM ORDENAR-SE PARA DEUS NOSSO SENHOR.

Evidentemente, que na Ordem Teológica, este movimento para Deus Nosso Senhor possui o seu fundamento em Deus mesmo e na Sua Graça – É DEUS QUEM FAZ OS SEUS SANTOS.

Na Ordem Filosófica, numa Religião puramente natural, que aliás nunca existiu, não haveria Graça nem visão Beatífica, e as almas seriam atraídas para Deus através das perfeições naturais do mundo e das almas; todavia, a liberdade constituiria, sempre e em qualquer caso, um movimento no seio da Verdade e do Bem.

A LIBERDADE É SER, PRECISAMENTE PORQUE APENAS SE PODE MOVER NO SER. UMA “LIBERDADE”, TRANSVIADA, TRESLOUCADA, REVOLUCIONÁRIA, É UMA PRIVAÇÃO DE SER, E PORTANTO UMA PRIVAÇÃO DE LIBERDADE. A razão profunda para este facto filia-se na realidade da Criação constituir uma manifestação extrínseca, contingente e finita das Perfeições Incriadas. O ser do mundo não se pode adicionar ao ser de Deus, como não se adiciona a sabedoria de um livro à do seu autor. Tudo na Criação reflete, necessàriamente, a Sabedoria da Lei Eterna, e esta é constitutiva da própria Natureza Divina. Consequentemente, a Verdade de Deus é a Verdade da Criação; as Leis Morais NÃO SÃO ARBITRÁRIAS, PORQUE SÃO INTRÌNSECAMENTE CONFORMES À VERDADE E AO BEM. Assim se compreende como o cumprimento da Verdade Moral constitui um acréscimo de ser, muito especialmente na Ordem Sobrenatural, pois que nesta ordem não há Bem Moral Formal sem a Graça de Deus, sem a participação na Natureza Divina, na Inteligência Divina, na Caridade Divina. A elevação ao Estado Sobrenatural significa que a Criação não será mais apenas um reflexo da Verdade e da Beleza Incriada, passando a constituir UMA PARTICIPAÇÃO ACIDENTAL, MAS REAL, DESSA VERDADE E DESSA BELEZA.

A movimentação das faculdades da alma no seio mesmo do ser, só se compreende, só se pode compreender, como CAMINHO PARA A SANTIDADE. Efectivamente, quanto mais santa é uma alma mais livre é; e a razão profunda radica-se no facto do movimento interior da alma, em si mesma, e por si mesma, sob a direcção Divina da Graça, constituir uma perfeição dessa mesma alma; perfeição tanto mais fecunda quanto mais copiosamente participar no Fundamento Absoluto de todos os Bens.

O Caminho da Santidade, sempre com o auxílio de Deus Nosso Senhor, no quadro da Predestinação Sobrenatural, constitui assim, como já se referiu, um crescimento de ser que nobilita extraordinàriamente a alma, ao olhar de Deus, e ao olhar de quem a contempla ilustrado pelo Lume Divino.  

E acontece esta coisa maravilhosa: A alma plenamente santificada, permanecendo libérrima, torna-se moralmente impecável, não por si mesma, mas pela Graça de Deus. Tal sucedeu com Maria Santíssima, de modo especialíssimo, com privilégio único, de forma que ela foi confirmada em Graça, aliás, neste caso, como os Apóstolos. Mas em muitos outros santos, a plenitude da Graça Santificante, edificava um abismo moral infranqueável entre eles e o pecado, e concomitantemente conferia-lhes a maior mobilidade interior na inteligência e na vontade, mas sempre navegando nas dulcíssimas e transparentes águas Sobrenaturais da Verdade e do Bem.

No Céu, a nossa liberdade será como que cristalizada, com os méritos Sobrenaturais que possuía no momento da morte; consequentemente, não poderá mais merecer. Também não poderá mais pecar, não só por razões de ordem moral, pela Infinita amplitude da Visão Beatífica, mas também, fìsicamente, por necessidade da própria fixação na Eternidade.

Como este paupérrimo mundo é ignorante. Nas suas técnicas assombrosas, mas também perigosíssimas, este mundo despreza O ÚNICO SABER NECESSÁRIO – E O MAIS RIDICULARIZADO E ODIADO VÍNCULO RELIGIOSO CONSTITUI PRECISAMENTE A ÚNICA SENDA DA SALVAÇÃO. Este mundo não sabe o que é a liberdade, porque não possui a menor ideia da Verdade, nem o menor conceito de Deus,  mesmo só na Ordem Natural. E A COMEÇAR PELA SEITA ANTI-CRISTO, A HORRÍVEL E MONSTRUOSA MAFIA LIDERADA POR BERGOGLIO. Em vez de navegar no ser da Verdade e do Bem, esta seita navega no nada, no niilismo, no anarquismo, a que são conduzidos todos aqueles que se desviam odiosamente do fulgor Santíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua Santa Madre Igreja.

Uma “liberdade” concebida ao modo revolucionário, isto é, como faculdade de fazer tudo o que não prejudique outrem, não passa de ateísmo niilista; exactamente por isso, esta definição constava da declaração dos direitos do homem de 26 de Agosto de 1789, e constituía uma perfeita síntese de dois séculos e meio de protestantismo e um século de iluminismo. Ora o malfadado Vaticano 2 oficializou esta concepção de liberdade, introduzindo-a sub-reptìciamente na face humana do Corpo Místico. Foi esta concepção de liberdade que gerou o nazismo, o estalinismo, o genocídio do Cambodja em 1975, e os cinco biliões de bébés assassinados no ventre de suas mães, só nos últimos cem anos.

O limite do “não prejudicar outrem”, mesmo que estabelecido por Lei, é uma fraude, porque não só não tem em conta o pecado original, como é perfeitamente ateu, não considerando as ofensas a Deus “por comum acordo”. Porque esta tese do “não prejudicar outrem” é totalmente positivista, com o corolário lógico de só considerar os seres humanos, CONCRETAMENTE, existentes como titulares do direito à vida e ao bem estar.

Por esta via, alcança-se com celeridade a morte legal de bébés já nascidos com alguma doença incurável, ou simplesmente não desejados pelos pais, ou pela sociedade; e até mesmo a eutanásia dos doentes mentais, e no limite, dos velhos, desses mesmos a quem a Sagrada Escritura apelida de baluartes de Sabedoria.

OS LIMITES DA VIDA HUMANA, BEM COMO DOS PREJUÍZOS A ELA INFLIGÍVEIS, TÊM QUE SER ESTABELECIDOS TOTALMENTE A MONTANTE, ISTO É, NA LEI ETERNA.           

E não duvidemos: O princípio ateu da liberdade religiosa e a concepção revolucionária de liberdade identificam-se plenamente; foi neste quadro conceptual que afirmámos há pouco que o maldito e hediondo Vaticano 2 oficializou plenamente a revolução com todas as suas consequências; só não o vê quem não quer ver, e não existe pior cego do que aquele que não quer ver.

A concepção revolucionária de liberdade é um vazio imenso, suicida, completamente aniquilante. O seu maior teórico terá sido Jean-Paul Sartre que coerentemente assinalou: “Se não há Deus, tudo é permitido”. E na realidade o século XX, como afirmava Gustavo Corção, foi bem O SÉCULO DO NADA, o século em que o Género Humano chegou a ser tratado como uma espécie zoológica como outra qualquer, em que seres humanos foram exterminados como ratos; FOI TUDO CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO E SUAS FALSAS CONCLUSÕES FILOSÓFICAS.    

É fácil demonstrar como as teses consistentemente contra-revolucionárias, CATÓLICAS, INTEGRISTAS, são as únicas a ser excluídas, por princípio, dos orgãos de comunicação social, e isto em toda a civilização ocidental pós-cristã. Na realidade, tal só prova a Verdade e a Bondade dessas teses, O SEU CARÁCTER OBJECTIVAMENTE IRREFUTÁVEL, O SAPIENTE FASCÍNIO E A ATRACÇÃO ORDENADAMENTE IRRESISTÍVEL QUE IMPÕEM A QUEM QUER QUE, SENDO SINCERO, SEJA POR DEUS NOSSO SENHOR CHAMADO A SER OBJECTIVAMENTE RECTO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 19 de Janeiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral   

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Uma resposta para “A VERDADEIRA LIBERDADE RESIDE NA SANTIDADE

  1. Thiago fevereiro 2, 2017 às 2:59 am

    “A LIBERDADE CONSISTE NA FACULDADE DE SE MOVER NA VERDADE E NO BEM, ISTO É, NO SER, E ASSIM ORDENAR-SE PARA DEUS NOSSO SENHOR”

    A frase mais profunda que já ouvi. Apresenta uma sabedoria infinita e ao mesmo tempo muito difícil de se compreender. Tenho meditado nela neste último ano, e aos poucos seu significado se torna mais nítido, e contudo, ao mesmo tempo, não visualizo ainda a profundidade e plenitude do seu significado. É como admirar o horizonte numa serra nublada – fosco.

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