Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

TRÊS GERAÇÕES SEM A SANTA MADRE IGREJA

dantejohnxxiii

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em passagens da sua encíclica “Divini Illius Magistri”, promulgada em 31 de Dezembro de 1929:

«O fim próprio e imediato da educação Cristã é cooperar com a Graça Divina na formação do perfeito e verdadeiro cristão, isto é, formar o mesmo Cristo nos regenerados pelo Baptismo, segundo a viva expressão do Apóstolo:” Meus filhinhos a quem eu trago no meu coração, até que seja formado em vós Cristo” (Gl 4,19). Pois que o verdadeiro cristão deve viver a vida Sobrenatural em Cristo: “Cristo que é a vossa vida”(Cl 3,4); e manifestá-la em todas as suas acções: “A fim de que também a vida de Jesus se manifeste na vossa carne mortal”.

Precisamente por isso, a educação cristã abraça toda a extensão da vida humana, sensível, espiritual, intelectual e moral, individual, doméstica e social, não para diminuí-la de qualquer maneira, mas para a elevar, regular e aperfeiçoar, segundo os exemplos e a Doutrina de Cristo; ou antes, servindo-nos da expressão agora em uso, o verdadeiro e completo homem de carácter. Pois que não é qualquer coerência e rigidez de procedimento, segundo princípios subjectivos, o que constitui o verdadeiro carácter, mas tão sòmente a constância em seguir os Eternos Princípios da Justiça, como confessa o próprio poeta pagão quando louva inseparàvelmente o “Homem justo e firme no seu propósito”(Horácio, Odes, livro III, colecção 3, v.1). POR OUTRO LADO NÃO PODE HAVER JUSTIÇA PERFEITA SENÃO DANDO A DEUS O QUE É DE DEUS, COMO FAZ O VERDADEIRO CRISTÃO.

(…) Por consequência, o verdadeiro cristão, em vez de renunciar às obras da vida terrena ou diminuir as suas faculdades naturais, antes as desenvolve e aperfeiçoa, coordenando-as com a vida Sobrenatural, de modo a enobrecer a mesma vida natural, e a procurar-lhe utilidade mais eficaz, não só de ordem espiritual e eterna, mas também material e temporal. Isto é provado por toda a História do Cristianismo e das suas instituições, a qual se identifica com a História da verdadeira civilização e do genuíno progresso até aos nossos dias; e particularmente pelos santos de que é fecundíssima a Santa Igreja, e só ela, os quais conseguiram em grau perfeitíssimo o fim ou escopo da educação cristã, e enobreceram e elevaram a convivência humana em toda a espécie de bens. De facto,os santos foram, são e serão sempre os maiores benfeitores da sociedade humana, como também os modelos mais perfeitos em todas as classes e profissões, em todos os estados e condições de vida, desde o camponês simples e rude até ao sábio e letrado, desde o humilde artista até ao general do exército, desde o particular pai de família até às rainhas e imperatrizes. E que dizer da imensa obra, mesmo em prol da felicidade temporal, dos missionários evangélicos que juntamente com a luz da Fé levaram e levam aos povos bárbaros os bens da Civilização, dos fundadores de muitas e variadas obras de caridade e de assistência social, da interminável série de santos educadores e santas educadoras que perpetuaram e multiplicaram a sua obra, nas suas fecundas instituições de educação cristã, para auxílio das famílias e benefício inapreciável das Nações?

São estes os frutos benévolos, sob todos os aspectos, da educação cristã, PRECISAMENTE PELA VIDA E VIRTUDE SOBRENATURAL EM CRISTO QUE A SANTA IGREJA DESENVOLVE E FORMA NO HOMEM; POIS QUE JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR, MESTRE DIVINO, É IGUALMENTE FONTE E DOADOR DE TAL VIDA E VIRTUDE, E AO MESMO TEMPO, MODELOS UNIVERSAL E ACESSÍVEL A TODAS AS CONDIÇÕES DO GÉNERO HUMANO, COM O SEU EXEMPLO, PARTICULARMENTE À JUVENTUDE, NO PERÍODO DA SUA VIDA OCULTA, LABORIOSA, OBEDIENTE, AUREOLADA DE TODAS AS VIRTUDES, INDIVIDUAIS, DOMÉSTICAS E SOCIAIS, DIANTE DE DEUS E DOS HOMENS.»

 

É um facto! São já três as gerações privadas da Santa Madre Igreja, do Santo Sacrifício da Missa, dos Sacramentos, do Sagrado Magistério, da própria presença benfazeja do Romano Pontífice, Vigário de Cristo, Fonte de Luz Sobrenatural, para confirmar na Fé os seus irmãos. A primeira geração vítima dessa desdita foi aquela à qual pertence o autor destas linhas, pois quando chegou à adolescência já não encontrou o Pão da sã Doutrina, e em 1969 ficou mesmo sem o Santo Sacrifício da Missa. Ora, a adolescência é a fase da vida em que é mais absolutamente necessária uma vigorosa e profunda direcção religiosa e moral, sobretudo para os rapazes.

Argumentar-se-á: Mas nos nossos países laicizados, também já não era possível uma grande assistência religiosa. Sem dúvida, no que concerne a uma acção do Estado. Mas a simples existência da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural, com as suas paróquias, os seus Bispos, a sua vida regular, já constitui o maior motivo de credibilidade que pode haver. Os motivos de credibilidade produzem, ou devem produzir – sob a acção da Graça Actual – em nós a convicção da plausibilidade da Revelação Sobrenatural, e consequentemente, da obrigação moral e religiosa estrita de investigar mais profundamente a questão; só ulteriormente se alcançará, com o auxílio de Deus, o acto de Fé pròpriamente dito, QUE É, ASSINALE-SE: UM ACTO DA VONTADE SOBRENATURALIZADA SOBRE RIQUEZAS COGNITIVAS APRESENTADAS PELA INTELIGÊNCIA, TAMBÉM SOBRENATURALMENTE ELEVADA. Cumpre assinalar, que por vezes todas as fases deste processo encontram-se perfeita e Sobrenaturalmente unificadas num só momento temporal, O QUAL JÁ INCLUI O ACTO DA CARIDADE; E O COROLÁRIO SERÁ A INFUSÃO NA ALMA DA GRAÇA SANTIFICANTE E DOS HÁBITOS DAS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS, BEM COMO DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO.        

Deste quadro conceptual se infere que o desaparecimento da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural, SÓ POR SI, CONDENA AO FOGO ETERNO MILHÕES DE ALMAS; porque ninguém se iluda, a nossa civilização pós-Cristã encontra-se numa situação essencialmente pior do que, no século XVI, as civilizações pré-Colombianas e os povos da China, India e Japão; porque estes ainda conservavam uma certa potencialidade Sobrenatural, ao passo que esta civilização pós-Cristã já exauriu todas as suas potencialidades neste campo, e está arruinada igualmente na Ordem Natural.

É certo que Deus Nosso Senhor pode dispensar a Sua Graça mesmo sem os Sacramentos, mesmo sem a pregação Doutrinal, mesmo sem o Santo Sacrifício da Missa – MAS ESTA CONSTITUI UMA SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. Pois se ao longo dos séculos, nos Países Católicos, em plena pujança das instituições cristãs, quando quase toda a gente era baptizada; na realidade, a grande maioria dos cristãos era mimética-nominalista, e vivia, sobretudo os homens, habitualmente em pecado mortal, frequentando a Igreja fundamentalmente por razões sociais; COMO SERÁ AGORA?

A Tese de que os homens, nos séculos medievais, eram todos de uma grande Fé e piedade, é demolidoramente desmentida por estudos, Históricos, Teológicos e Filosóficos, realmente profundos sobre a matéria. São Tomás explana, com rigor, o facto da grande massa humana ser cega para a Ordem Sobrenatural, precisamente pela realidade desta, infinitamente acima da natureza: Quanto mais se ascende na hierarquia do ser mais difícil se torna cumprir as exigências inerentes a essa mesma ordem de ser, e mais escasso é o número daqueles que o conseguem.   

Mas depois da geração do autor destas linhas, que nasceu em 1953, já existem mais duas gerações, para as quais a Fé Católica, Apostólica, Romana, NÃO REPRESENTA MAIS DO QUE UM MONUMENTO ARQUEOLÓGICO. Mas enquanto para a minha geração a recepção do Santo Baptismo era absolutamente válida; já não se pode afirmar o mesmo para as gerações subsequentes. Porque este Sacramento foi-se transformando progressivamente num rito de admissão numa seita festivaleira e pândega – LOGO DEIXOU DE SER SACRAMENTO!

Em 1976, já Monsenhor Lefebvre previa que muito em breve se produziria um terrível hiato civilizacional, em consequência do eclipse histórico da Santa Madre Igreja.

É fundamental reconhecer o que este eclipse, por si só, representa na RADICAL INVERSÃO DO PADRÃO DE REACÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES, o que já é perfeitamente visível. E Não se argumente afirmando que noutros tempos as massas pouco ligavam à Santa Igreja, PORQUE TAL NÃO ALTERAVA ESSENCIALMENTE O PARADIGMA CIVILIZACIONAL; e não alterava, porque a Santa Madre Igreja, mesmo perseguida, mesmo mais ou menos ignorada, existia como realidade social e cultural, e agora não! ESSA EXISTÊNCIA DA SANTA MADRE IGREJA IRRADIAVA, EM SI MESMA, OBJECTIVAMENTE, UM REFRIGÉRIO ESPIRITUAL, COMO MOTIVO ACTUANTE DE CREDIBILIDADE, MESMO NOS DESCRENTES.

E não olvidemos, que com a revolução conciliar, todo um Património extremamente vasto de instituições escolares e de assistência, caíram na apostasia, passando a envenenar positiva e premeditadamente, a alma das crianças e adolescentes que lhes estavam confiados, pelas famílias, ou pelo próprio Estado. E este terrível naufrágio processou-se em todo o mundo.    

Esta fraude do Vaticano 2, é tão monstruosa, tão atroz, que intelectuais não crentes, mas respeitadores, já estão edificando modelos de análise civilizacional nos quais a seita conciliar permanece altamente desfavorecida. E porquê? Porque assim como a Santa Igreja Católica, enquanto Pessoa Moral, Sobrenatural, de Direito Divino, Sociedade Perfeita em sentido eminente, era e É a plenitude do Ser, a mil vezes amaldiçoada seita conciliar, tendo sido a coveira da face humana do Corpo Místico, é e traduz, concomitantemente, A RUÍNA TOTAL E DEFINITIVA, NÃO APENAS DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, MAS DE TODO O GÉNERO HUMANO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 31 de Janeiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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2 Respostas para “TRÊS GERAÇÕES SEM A SANTA MADRE IGREJA

  1. Thiago fevereiro 9, 2017 às 5:13 pm

    Os últimos remédios para a humanidade são a devoção do Santo Rosário (o terço) todos os dias, e fazer penitência. E entendo que também cooperam, a leitura da bíblia e do catecismo romano, como alimento espiritual em doses diárias, assim como o jejum.

    Eu, como leigo, participo de missas da Igreja Conciliar, porém, percebo que as igrejas estão vazias, as pessoas não fazem penitência, não se confessam nem diante de Deus, nem diante do Sacerdote. Não querem mudança de vida, querem apenas bençãos temporais. Quem não se esforça no seu âmbito particular para obedecer manter a devoção do Santo Rosário diariamente, percebo que perde as forças, a fé, e está fica sujeito a ser engolido pelo ateísmo, pelo hedonismo e o paganismo da Nova Era da Civilização Pós-Cristã.

    Glória à Jesus,
    Salve Maria.

    obs. Este alerta sobre sacramentos inválidos é algo que me aterroriza. Tenho 28 anos, já nasci bem depois do Vat. 2°.

  2. Luís C fevereiro 11, 2017 às 12:21 am

    Eu sou dos que pertencem já à terceira geração que se vê privada da Santa Madre Igreja. Cresci, naturalmente, no modernismo da seita que usurpou os lugares da Igreja Católica. Pela Graça de Deus, conheci a FSSPX e pude conhecer as verdades inefáveis da nossa Santa Religião Católica, abeirar-me dos Santos Sacramentos e progredir na ordem natural e na ordem sobrenatural. Hoje, com o que sei, já não posso acreditar mais na FSSPX, enquanto houver tentativas de acordos com Roma. Como pode ser celebrado o Santo Sacrifício da Missa “em comunhão com um antipapa”? É desolador chegar à constatação de que já nem catacumbas há onde nos possamos refugiar com segurança.Resta-me o Santo Rosário, as leituras espirituais e o bálsamo de saber que não sou o único a pensar assim.

    MISERERE NOBIS, DOMINE!

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