Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

UM DESATINADO «DEBATE« DE CARLOS NOUGUÉ «PROFESSOR DE PAPAS HEREGES»

nougue

Arai Daniele

Devo iniciar narrando o meu contacto de amizade com o Carlos Nougué, personagem especial, interessante e agradável, que tinha bastante cultura pra bem ensinar filosofia e gramática. Mas religião? … Nossos leitores encontram desde há tempo na coluna ao lado dos artigos deste blog uma profissão de Fé militante em várias línguas: «DELENDA VATICANO 2 – «Não só não devemos ao magistério conciliar, em quanto tal, obediência alguma em nenhum ponto, mas devemos manter frente a ele contínua e intransigente oposição católica.»

Associamo-nos a esse testemunho subscrito pelo Nougué no seu sito de defesa da Fé ligado ao Mosteiro de Santa Cruz de Nova Friburgo de dom Tomás, em vista de una maior unidade na resistência à Igreja do Vaticano 2. E fomos justamente criticados por essa otimista iniciativa. Tive depois que reconhecer que havia nesse sodalício passageiro um equívoco. De fato, como se pode ler, para nós o repúdio do «magistério conciliar, como tal» era no sentido do «delenda vaticano 2» e portanto de tudo quanto lhe é ligado, como contrário e inimigo da Fé católica. O católico tem direito e deve acusar o que deturpa a Fé. Por isto aqui falo de livro desastrado que, propõe-se acusar um magistério anti-católico, sem recusar a autoridade de seus autores!

Pelo teor de nossos artigos resta evidente que esse repúdio inclui evidentemente os autores de tal falso magistério de engano e perdição. Testemunhamos aqui que este «magistério» do erro é o sinal mais visível que nos faz reconhecer todo o resto concernente à falsa autoridade. E, diga-se, era esperança que a esta evidência cedo chegassem esses amigos, pois não há filosofia que resista à evidência que a heresia  tem autores, no caso.em vestes papais!  Mas assim não foi e não é, pois Nougué, e através dele dom Tomás, professam ser mister acusar um «papa» de heresia sistemática, por causa de um seu «magistério» de cunho herético, mas continuar a reconhecer e ensinar o cabimento de sua legitimidade! Tudo, segundo o conceito alienado de toda lei e de toda lógica, que é melhor ter um «papa herético» do que nenhum!

Carlos Nougué (CN) decidiu então gravar um vídeo, que vi só por acaso, para ensinar sobre essa «descoberta», o que me deixou consternado. Sim porque até aí era questão sobre a qual ele mantinha reserva e julgamento suspenso. Poderia vir a ser harmônico ao da Sede  vacante? Eu reconhecia então a boa fé de quem procura, mas seguindo o que a Igreja ensina e qualquer católico fiel almeja reconhecer: o Papa que tem o poder de Vigário de Jesus Cristo.

ramalheteVejamos o caso presente do professor que ensina a possibilidade, debatida, do papa herético. Assim, lemos na «formalização final do debate entre Carlos Ramalhete e Carlos Nougué via hangouts em torno do tema “Concílio Vaticano II – continuidade ou ruptura?”; versará sobre duas questões: a) Se há continuidade no Magistério da Igreja de S. Pedro aos dias de hoje, sem interrupção no Concílio Vaticano II e dele em diante. b) Se se pode resistir sistematicamente à potestade e autoridade de jurisdição do Papa e dos Bispos por ele designados, bem como à legislação canônica por ele promulgada, etc., em alguma situação ou condição…

Mas como? CN vai recomeçar sobre o que ele já reconheceu como inaceitável?

No primeiro dia, Carlos Nougué defenderá o NÃO com respeito à primeira questão… no segundo dia, Carlos Ramalhete defenderá o SIM com respeito à primeira questão durante o mesmo tempo que usou Carlos Nougué no primeiro dia… Nougué terá direito a uma tréplica de meia hora.

«No terceiro dia, Carlos Ramalhete defenderá o NÃO com respeito à segunda questão… No quarto dia, Carlos Nougué defenderá o SIM com respeito à segunda questão durante o mesmo tempo que usou Carlos Ramalhete no terceiro dia, e Ramalhete terá direito a uma tréplica.

É patético! Questões inerentes à Fé, que já deve ser professada, mas é posta em discussão. Para quê? Para convencer uns e outros a se converter a uma nova posição, ainda indefinível com respeito, à Fé? Nessa iniciativa para estes tempos, que pretende usar método escolástico – a disputatio oral – de alcançar a verdade para maior glória de Deus? O fato é que a glória do método escolástico não está tanto na sua forma aparente, quanto na clareza de premissas a fim de, para tratar do justo conteúdo e chegar à Verdade, expor argumentos convincentes .

Se Nougué professa a descontinuidade no Magistério da Igreja de S. Pedro aos dias de hoje, em ruptura do Vaticano 2 em diante, a questão real é bem outra: está em classificar os autores desse «magistério» de ruptura com o anterior, porque disso decorre a questão da liceidade católica de resistir sistematicamente, não «à potestade e autoridade de jurisdição do Papa e dos Bispos por ele designados, bem como à legislação canônica promulgada… », mas o reconhecimento da «marca» de tal «potestade» é indispensável premissa. Já está claramente na Revelação, da necessidade de anatematizar os falsos profetas, ainda que venham em vestes de anjos ou de apóstolos. A questão depende da precedente, se com o V2 se passou a outro Evangelho. Esta questão foi solenemente ignorada na sua importância, razão porque só há que constatar consternados a confusão que disso resulta. De fato, se essa potestade é legítima, como crêem ambos os professores, então o «não» de Nougué é de veia cismática, diante do correto «sim» de Ramalhete: o  magistério da autoridade legítima deve ser respeitado, mesmo se não se proclama infalível, mas é isento de propor erro. Veja-se Pio XII na «Humani generis»:

  • Esse modo de falar pode parecer eloqüente, mas não carece de falácia. Pois é verdade que os romanos pontífices em geral concedem liberdade aos teólogos nas questões controvertidas entre os mais acreditados doutores; porém, a história ensina que muitas questões que antes eram objeto de livre discussão já não podem ser discutidas. 20. Nem se deve crer que os ensinamentos das encíclicas não exijam, por si, assentimento, sob alegação de que os sumos pontífices não exercem nelas o supremo poder de seu magistério. Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10, 16); e, na maioria das vezes, o que é proposto e inculcado nas encíclicas, já por outras razões pertence ao patrimônio da doutrina católica. E, se os romanos pontífices em suas constituições pronunciam de caso pensado uma sentença em matéria controvertida, é evidente que, segundo a intenção e vontade dos mesmos pontífices, essa questão já não pode ser tida como objeto de livre discussão entre os teólogos.
  1. N. terá direito a uma tréplica – sem confusão – diante desse documento magisterial? Eis que no terceiro dia, Carlos Ramalhete defenderá com o verdadeiro Magistério o não católico com respeito à segunda questão. E no quarto dia, C. N., com um «sim» transgressivo, contesta a potestade que para ele é legítima, só pode cair em sí diante da palavra final que será aquela tréplica apoiada no verdadeiro Magistério a que Ramalhete terá direito. Ora, não foi por falta de avisos amigos. A Igreja tem a sua lei e seu Magistério e estes devem ser a referência para o fiel católico, que mira realmente a glória de Deus. Tudo levava a pensar que CN pelo menos estava no mesmo trem dos que sabem que há anticristos na cúpula do Vaticano. Um trem que custa a arrancar mas é consistente na fidelidade à Igreja. Mas de repente, percebeu-se que o nosso havia noturnamente saltado do trem para agarrar-se ao outro que ia na direção oposta; trem que tem por papa um herege para não ficar sem nenhum, e assim corre para a perdição.

Ora, um meio papa, um meio magistério, representa apenas apego desordenado às próprias elucubrações ; idéias que não se apóiam em nenhuma verdade, em nenhum campo do real, em nenhum domínio do ser ; que parecem cabíveis somente no domínio de uma meia filosofia mal digerida, moldada sobre falsas realidades sem sentido. De fato, toda a devoção católica ao verdadeiro Papa consiste no fato certo de ter ele recebido poder de modo direto e imediato de Deus mesmo; não da Igreja que através dos cardeais não podem dar algum poder papal ao eleito do conclave. Este voto só serve a indicar o personagem que a Igreja – assistida pelo Espírito Santo – tem por mais indicado para a função. Mas isto não impede que o eleito papa seja herege oculto capaz de enganar a todos pelo fato de não ser elegível porque não católico mas modernista; intenção desviada, ignorada pelos homens, mas conhecida de Deus.

Portanto, a eleição papal de um herege engana os homens, mas não pode enganar a Deus que lê nos corações e vê o resultado de um desviado a pontificar em Seu Nome. Este resultado os fiéis em breve reconhecerão nas obras ímpias do desviado. No caso de Roncalli, João 23, já nem havia muito disfarce nas suas intenções de abrir a Igreja ao mundo e à maçonaria, atos condenados pelo Magistério. Mas assim foi feito, João 23 eleito, alterou com malícia a vida da Igreja nesse sentido e isso continua de mal a pior com seus sucessores desde 1958.

O mal é para a vida das almas na Igreja e no mundo incomensurável, como todo católico pode ver com olhos da fé e caridade. Qual erudição livresca pode negar a origem dessa realidade? Aqui se coloca então a essencial questão da Fé, que todos, professores ou ignorantes, devem reconhecer; que o poder da Igreja da qual Nosso Senhor é a Cabeça, vem de Deus mesmo. Isto define essa Sociedade sobrenatural nascida do Sacrifício de Jesus Cristo. Então, nem é preciso nenhum livro para saber que Deus só dá poder para o bem, embora tolere o mal, enganos, erros  e heresias, produtos da liberdade humana, mas para a final exaltação do Bem. Deus permite o mal humano, mas é blasfemo pensar que o queira e autorize por engano.

Sobre isto há documentos infalíveis da Igreja, que decretam nulo o conclave que elegeu um herege, em qualquer tempo e circunstância, mesmo se descoberto só muito depois. Vejamos isto na Bula «Cum ex apostolatus»: do Papa Paulo IV que, definindo a matéria, declara nula a eleição de um herege oculto, que os eleitores ignorando a verdade sobre ele, elegeram.

  • «6. Nulidade de todas as promoções ou elevações dos desviados na Fé. «Agregamos que se em algum tempo acontecesse que um Bispo, incluso na função de Arcebispo, ou de Patriarca, ou Primado; ou um Cardeal, incluso na função de Legado, ou eleito Pontífice Romano que antes de sua promoção ao Cardinalato ou assunção ao Pontificado, se houvesse desviado da Fé Católica, ou houvesse caído em heresia, ou incorrido em cisma, ou o houvesse suscitado ou cometido, a promoção ou a assunção, incluso se esta houvera ocorrido com o voto unânime de todos os Cardeais, é nula, inválida e sem nenhum efeito; e de nenhum modo pode considerar-se  que tal assunção tenha adquirido validez, por aceitação do cargo e por sua consagração, ou pela subseqüente possessão ou quase possessão de governo e administração, ou pela mesma entronização ou adoração do Pontífice Romano, ou pela obediência que todos lhe haviam prestado, qualquer seja o tempo transcorrido depois dos supostos ante ditos. ..não outorgam nenhuma validez, e nenhum direito a ninguém.
  • Os fiéis não devem obedecer senão evitar aos desviados na Fé. E em conseqüência, os que assim houvessem sido promovidos e houvessem assumido suas funções, por essa mesma razão e sem necessidade de haver nenhuma declaração ulterior, estão privados de toda dignidade, lugar, honra, título, autoridade, função e poder; e seja-lhes lícito em conseqüência a todas e cada uma das pessoas subordinadas aos assim promovidos e assumidos… tanto aos clérigos seculares e regulares, o mesmo que aos leigos… seja-lhes lícito subtrair-se em qualquer momento e impunemente da obediência e devoção daqueles que foram assim promovidos ou entraram em funções, e evitar-lhes como se fossem feiticeiros, pagãos, publicanos ou heresiarcas, o que não obsta que estas mesmas pessoas tenham de prestar sem embargo estrita fidelidade e obediência os futuros bispos, arcebispos, patriarcas, primados, cardeais ou ao Romano Pontífice, canonicamente eleito.»

Como supor então que esses «papas conciliares» possam ter recebido diretamente o poder de Deus para deturpar a vida da Igreja e prejudicar mortalmente as almas? Vai nessa idéia uma verdadeira blasfêmia, constante no seguinte paradoxo ateu sobre a onipotência e onisciência de Deus, expressa pelo silogismo; – Se Deus desconhecia as más intenções que iam na alma do eleito, então não era onisciente. Se Deus o conhecia, mas seu poder divino não podia evitar o desviado, portanto impedir o mal na Igreja, então não era onipotente. Se o era, então não foi benevolente. Tudo para concluir sobre uma «outra Igreja» que recebeu poder para desviar.

Conclusão: sem a Fé não há poder divino: é condição para ser candidato à eleição papal ser um lúcido católico. Se demonstrar-se desviado da Fé, visto que o poder de um Papa é dado para a sua fé, cujo poder provem imediatamente de Deus, compreende-se a preocupação católica do Papa Paulo IV de não permitir jamais se possa crer num desviado, que tendo recebido de um conclave de cardeais enganados tal poder, apresente-se como enviado por Deus, e portanto blasfemamente visto Deus como causa primeira de más obras contra a Sua Igreja. Não. De Roncalli a Bergoglio todos devem ser considerados heresiarcas produto de um conclave nulo. Os desviados podiam enganar aos homens, jamais a Deus.

Só quando o pequeno Resto estará finalmente unido neste testemunho, a eleição de um Papa, querido por Deus, tornar-se-á possível. Eis o fervente voto para este ano centenário. Atenção, porém, ao aviso de São Paulo (2Tm, 2,23-26): «Evita questões loucas e não educativas que provocam brigas. Um servo do Senhor não deve ser inaccessível, mas manso para com todos, competente no ensino, paciente nas ofensas sofridas. É com suavidade que deves educar os opositores, esperando que Deus lhes dará não só a conversão, para conhecerem a verdade, mas também o retorno ao bom senso, libertando-os do laço do diabo, que os conservava presos para lhe fazerem a vontade.»

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11 Respostas para “UM DESATINADO «DEBATE« DE CARLOS NOUGUÉ «PROFESSOR DE PAPAS HEREGES»

  1. henrique fevereiro 26, 2017 às 9:20 pm

    “Conclusão: sem a Fé não há poder divino: é condição para ser candidato à eleição papal ser um lúcido católico.”

    Perfeitamente, caro Araí. E quem esnina isto não são toneladas de livros e anos de estudo, mas apenas o bom senso mais fundamental:

    UMA IGREJA QUE, SE OBEDECIDA, PERDE ALMAS, NÃO É A MESMA IGREJA QUE, SE OBEDECIDA, SALVA ALMAS.

    UM ANTICRISTO NÃO É O CRISTO.

    UMA COISA NÃO É IGUAL A SEU OPOSTO.

    A Verdade é simples. A VERDADE NÃO É PATRIMÔNIO DOS INTELECTUAIS. Esses homens, que tão eruditamente defendem um completo absurdo, são comparáveis a um matemático que ao resolver uma complexa equação chegasse à igualdade 1=0, e que desafiasse quem recusasse aceitar tal resultado. De fato, só um outro matemático mais capaz poderia mostrar com precisão onde, na longa resolução do problema, está o erro; contudo não se deve perder de vista que qualquer pessoa poderia atestar o erro, porque basta O SIMPLES AMOR DA VERDADE para saber que um não é igual a zero.

    Assim me parecem esses filósofos e teólogos, querendo provar que um perdedor de almas pode ser o líder da Igreja fundada por Deus, com sua infalível proteção, para salvar almas: CONFIAM EXAGERADAMENTE NA PRÓPRIA ERUDIÇÃO, DEIXANDO DE LADO O BOM SENSO MAIS ELEMENTAR, O QUAL DEVE NÃO SERVIR, MAS SER SERVIDO PELA ERUDIÇÃO!

  2. henrique fevereiro 26, 2017 às 9:37 pm

    Prezado Araí,

    Um erro muito comum da propaganda tradicionalista é aquele segundo o qual ninguém na terra tem autoridade para julgar um Papa, e que por tal razão os anticristos seriam, forçosamente, Papas.

    Erram ao confundir JULGAR com TESTEMUNHAR.

    O católico não deve se arrogar o papel de julgador das autoridades (na verdade, quem se arroga este papel são os tradicionalistas, ao se crerem habilitados a filtrar os ensinamentos magisteriais, decidindo o que é válido e o que deve ser descartado – que arrogância!), mas deve dar testemunho dos delitos, para que então sejam julgados pela autoridade competente – um verdadeiro Papa.

    Um homem que presecia um crime deve dar testemunho dele, e deve fazê-lo mesmo antes de o crime ser julgado, pois o crime é crime a partir do momento em que é cometido, não apenas a partir do julgamento. Porque o juiz não decide arbitrariamente coisa alguma – ele se resume a reconhecer solenemente uma verdade que é e sempre foi verdade.

    Assim com a crise na Igreja: quando um número suficiente de bispos, unidos pela única e verdadeira Fé, der testemunho da usurpação do patrimônio da Igreja por anticristos, somente então poder-se-á eleger um novo e verdadeiro Papa, o qual – este sim – JULGARÁ SOLENEMENTE A SEITA APÓSTATA QUE USURPOU O PATRIMÔNIO DA IGREJA PARA ENGANAR E PERDER ALMAS.

    Louvado seja o Senhor.

  3. Pro Roma Mariana fevereiro 26, 2017 às 9:52 pm

    De fato nestes tempos desvairados procuram-se «autoridades» para explicar a vida presente. Dai que um Einstein da física é procurado para falar de religião, enquanto outros ensinam gramática e filosofia para, de cima desses seus tamancos professorais, ensinar como se deve crer numa meia «autoridade» em ruptura com a Tradição. É a pulverização da autoridade humana na recusa da autêntica, católica e divina que, quando falta, só pode voltar do Alto. Esperemos que não escrevam uma suma para catalogar certas aberrações que o mais elementar bom senso repele.

  4. henrique fevereiro 28, 2017 às 8:43 am

    Prezado Arai, o que acha disto?

    Continuação da parábola dos vinhateiros homicidas.

    O senhor da vinha, após o atentado contra a vida do filho, matou os vinhateiros homicidas e entregou a vinha a outros lavradores.

    O filho do dono, tendo voltado para a casa do pai, não administrava a vinha pessoalmente, mas enviava procuradres para administrá-la em seu nome. Foi assim por muitos anos.

    Eis que um dia apareceu um procurador que mandou destruir os muros da vinha, e entravam ladrões e animais selvagens; rasgou o velho estatuto da fazenda, escrito pelo proprietário, e redigiu ele próprio outro documento; mandou aplicar veneno na plantação dizendo que era adubo; punia os funcionários mais dedicados e promovia os mais preguiçosos; juntava seus amigos, fazia banquetes e comiam todas as uvas e embriagavam-se com vinho; e ameaçava com expulsão e morte quem protestasse.

    Logo a plantação estava quase totalmente destruída e havia poucos trabalhadores, pois muitos pediam demissão e iam trabalhar para outros patrões.

    Diante disso, uns trabalhadores diziam: há que obedecê-lo, pois a vinha não é nossa. Outros diziam: o procurador não é maior que nós; reunamo-nos em conselho e tomemos parte com ele na administração.

    Outros ainda diziam: nem a vinha é nossa, nem o procurador deve ser desobedecido, pois é maior que nós. Abramos nossos olhos: o procurador foi morto no caminho, e um impostor tomou seu lugar. Enviemos uma mensagem ao filho do dono, pedindo que mande um dos seus procuradores para restaurar a ordem na vinha, e que ela volte a produzir muitos frutos.

    **********

    Assim é com a crise da Igreja. Os papas, nessas últimas décadas, mandam o contrário do que manda a Doutrina revelada por Nosso Senhor e legada a nós pelos Apóstolos e seus sucessores.

    Diante disso, uns, modernistas, optam por guardar obediência à autoridade, com prejuízo da Doutrina. Outros, tradicionalistas, optam por guardar a Doutrina, com prejuízo da obediência à autoridade. Mas ambos acabam transformando a Igreja numa instituição humana: a igreja do modernista, como as instituições humanas, muda conforme o tempo; a igreja do tradicionalista, como as instituições humanas, está sujeita a errar e ser corrigida.

    Mas sabemos que a Doutrina não pode mudar, porque vem de Deus; e que as autoridades não podem errar, pois são instituídas e protegidas por Deus.

    A única saída é considerar que os referidos papas são, na verdade, impostores a serviço do maligno. A Doutrina deve ser guardada, mas nem por isso nos devemos arrogar o papel de juízes do magistério eclesiástico, selecionando quais ensinamentos devem ser aceitos e quais descartados. Pois o Papa, como qualquer pessoa, só se mantém na Igreja enquanto professa a Fé revelada, e se não a professa, não é parte da Igreja, e se não é parte da Igreja não é autoridade a que se deve obediência. Assim não há prejuizo nem da Doutrina nem da obediência. Há portanto que dar testemunho desta usurpação, e rogar a Deus que restaure a ordem na sua Igreja pela eleição de um novo e verdadeiro Papa.

    • henrique fevereiro 28, 2017 às 8:54 am

      Talvez no último parágrafo da parábola ficasse melhor: nem devemos destruir a vinha, nem o procurador deve ser desobedecido.

    • Alberto Cabral março 1, 2017 às 12:19 am

      Exactissimamente. É pena que tanta cabeça tradicionalista, que se diz pensante, não veja o mais elementar. O problema desses homens, ou seja dos anti- sedevacantistas, é que muito simplesmente NÃO POSSUEM A FÉ CATÓLICA.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral – Lisboa

      • henrique março 1, 2017 às 10:52 am

        Prezados Alberto e Arai,

        Vejam o seguinte:

        “Recientemente también uno de los mayores teólogos del siglo XX, el padre Réginald Garrigou-Lagrange[vii], en su tratado De Christo Salvatore (Torino, Marietti, 1946, p. 232), comentando a Santo Tomás (S. Th., III, pp. 1-90) y retomando la doctrina de los dos Doctores dominicos contrarreformistas arriba citados, precisa que un Papa hipotéticamente herético oculto permanecería siendo miembro de la Iglesia en potencia, pero no en acto, y mantendría la jurisdicción a través de la cual gobierna visiblemente la Iglesia. El hereje público, por el contrario, no sería ya miembro de la Iglesia ni siquiera en potencia, como enseña Báñez, pero mantendría el gobierno visible de la Iglesia.
        http://www.estudostomistas.com.br/2017/01/el-problema-de-la-misa-una-cum.html

        Pergunto: será possível uma distinção entre: manifestar publicamente uma heresia e impor esta heresia à Igreja?

        É possível que um Papa mantenha o governo da Igreja ainda que manifeste abertamente um erro em matéria de Fé, provida a condição de que ele não imponha tal erro a toda a Igreja?

        Não será, pergunto eu, neste sentido que o eminente teólogo Garrigou-Lagrange aceitava que um Papa pode ser publicamente herege e ainda assim manter o governo da Igreja? (Pergunto isso conforme o comentário citado, pois não li a obra do teólogo).

        Isto, sinceramente, não me parece inaceitável: que um Papa caia em erro em matéria de Fé e manifeste publicamente este erro, mas ainda assim não o imponha a toda a Igreja. Neste caso, parece-me – realmente não tenho certeza -, manteria a autoridade para governar.

        Mas o que decididamente não consigo aceitar é que homens abertamente comprometidos com a destruição da Igreja possam seguir governando-a. Aceitar Isso é simplesmente SUICÍDIO.

      • henrique março 1, 2017 às 12:53 pm

        Talvez seja mais claro falar não em heresia, mas em TRAIÇÃO. Falar em heresia dá a esses homens muita oportunidade de inventar teses e mais teses, tentando demonstrar absurdos.

        Mesmo o mais ignorante dos homens compreende, à luz da sabedoria natural, o seguinte:

        Um pai que dá mau exemplo aos filhos é um mau pai. Mas, mesmo assim, pai. Agora imaginem um pai que trata sua esposa e filhos com crueldade; que abusa sexualmente das filhas; que abandona a família. Este homem não pode ser chamado de pai senão num sentido biológico, pois perdeu toda autoridade paterna. Não tendo autoridade paterna, e estando no lugar de quem deveria tê-la, não se trata de um não-pai, mas sim um ANTI-PAI.

        Um general que comete erros de estratégia é um mau general. Mas, mesmo assim, um general: um subordinado que o desobedecesse mereceria punição. Agora imaginem um general que intencionalmente favorece o país inimigo. Este homem, embora ostente o uniforme, perdeu sua autoridade, e um soldado que o prendesse não estaria mais que cumprindo seu dever. É um ANTI-GENERAL.

        O mesmo ocorre com o atual “papa” e seus antecessores até Roncalli. São TRAIDORES. São homens abertamente comprometidos com a destruição da Igreja. Estando esses perdedores de almas no lugar de quem deveria salvá-las, merecem o nome de ANTIPAPAS. Não são simplesmente maus papas. Maus papas eram certos papas do Renascimento, de quem se dizem coisas pouquíssimo abonadoras.

        Mas quem é conivente com um ato de traição, não é igualmente traidor?

        O que esses tradicionalistas esperam obter, com tanto empenho em defender a autoridade de traidores?

  5. Pro Roma Mariana março 1, 2017 às 11:09 am

    Já no artigo precedente: «DO SEDEPLENISMO DE ORLANDO FEDELI AO SEDE-SOFISMO DE CARLOS NOUGUÉ, falo da cega limitação mental de certos professores que partem de suas boas apostilas filosóficas para destilar inverdades católicas. O Nougué convertido ao tradicionalismo chegou ao estacionamento mental de dom Tomás, para quem o caso da sedevacante é caminho para o inferno; melhor ter um papa herege do que nenhum. Nessa linha vai a filosofia «insuperável» do Alvaro Calderón em atitude de aversão visceral à realidade da sedevacante, como se fosse questão de um partido inimigo a abater! Como? Defendendo uma «jurisdição precária» p. ex. na “Exhortación post-sinodal “Amoris lætitia”, valiéndose de su propia autoridad suprema para ir mucho más allá de lo que el sínodo estaba dispuesto a llegar.» Concluir que resta em Bergoglio uma «jurisdição precária» é confundir jurisdição católica com herética; é reforçar a crença que exista na Igreja jurisdição sobre questões de Fé não ordenada, como tudo o mais na Igreja, ao absoluto sim sim não não da mesma Fé. O relativo é do demónio. Podem querer ensiná-lo? Isto segue o erro inicial de não definir a matéria sobre a qual se pretende pontificar à luz da «Candeia Debaixo do Alqueire» do P. Álvaro Calderón da FSSPX. Deveras estranho, porque a indefinição é um dos primeiros defeitos que Mgr Lefebvre apontava na «filosofia» privada de toda Verdade dos «anticristos no Vaticano».

    • henrique março 1, 2017 às 11:42 am

      De fato, o que é mais incompreensível é a aversão que esses homens manifestam à mera possibilidade de que os papas do Vaticano II sejam antipapas. Mesmo com a Igreja caindo aos pedaços, mesmo sabendo a origem dessa crise toda, não estão dispostos a considerar isso.

      O movimento tradicionalista parece desempenhar, no âmbito da Igreja pós-CV II, o mesmo papel que a direita representa no âmbito da política: é a falsa oposição, é o braço da revolução responsável por inculcar as mudanças de um modo suave, sorrateiro, sem derramamento de sangue, e por sabotar o surgimento de uma verdadeira reação.

  6. Pro Roma Mariana março 1, 2017 às 12:00 pm

    Henrique,o seu comentário chegou enquanto o meu estava a caminho. Eu já enfrentei esse assunto publicado por p. Nitoglia no Sisinono no sito agerecontra.it e voltei a ele num comentário recente. De fato a questão do Nougué se complica: o seu tradicionalismo estacionou num beco de teólogos de fama, mas onde a Fé não ocupa seu lugar próprio. É trágico, mas é um fato, a verdade expressa de modo infalível na Bula «Cum ex apostolatus», logo após o Pontificado de S.Pio V, já não era nem respeitada nem lembrada. Dai o desencadear-se da teologalha para admitir a compatibilidade da heresia com a jurisdição pontifícia. A lógica e o bem senso foram degradados dentro da mesma Igreja dos grandes. Poucos mantiveram a cabeça no lugar após esse balanceio erudito. Um deles foi São Roberto Belarmino que conseguiu por fim equilibrar-se. Mas nem ele é seguido, pois tudo virou questão disputada». Eis o nome feio que atormenta ainda mais o presente.

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