Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

POSSUIRÁ A FÉ CATÓLICA ALGUM TABU SEXUAL?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Casti Connubii”, promulgada em 31 de Dezembro de 1930:
Quão grande seja a dignidade da casta união conjugal, podemos principalmente reconhecê-lo, veneráveis irmãos, pelo facto de Cristo Nosso Senhor, Filho do Pai Eterno, tendo tomado a carne do homem decaído, não só ter incluído, de uma forma particular, o matrimónio – princípio e fundamento da sociedade doméstica, e mesmo de toda a sociedade humana – naquele desígnio de amor, pelo qual realizou a restauração universal do Género Humano; mas, depois de o haver reintegrado na pureza primitiva da sua Divina instituição, tê-lo elevado à dignidade de verdadeiro e grande Sacramento da Nova Lei, confiando por isso toda a sua disciplina e cuidado à Igreja Sua Esposa.

Para que, todavia, esta renovação do matrimónio, produza em todos os povos do mundo inteiro e de todos os tempos os desejados frutos, é preciso primeiro que as inteligências humanas se esclareçam acerca da verdadeira Doutrina de Jesus Cristo a respeito do matrimónio, e convém ainda que os esposos cristãos, fortificada a fraqueza da sua vontade pela Graça interior de Deus, façam concordar todo o seu modo de pensar e de proceder com essa puríssima Lei de Cristo, pela qual assegurarão a si próprios e à sua família A VERDADEIRA FELICIDADE E PAZ.

Mas ao contrário, quando desta Sé Apostólica, como de um observatório, olhamos à nossa volta, verificamos na maior parte dos homens, com o esquecimento desta obra Divina de restauração, a ignorância total da altíssima santidade do matrimónio cristão. Vós o verificais, tão bem como nós, veneráveis irmãos, e o deplorais connosco. Desconhecem essa Santidade, ou negam-na impudentemente, ou ainda, apoiando-se sobre os princípios falsos de uma moralidade nova e absolutamente perversa, calcam-na aos pés. Estes erros perniciosíssimos, e estes costumes depravados, começaram a espalhar-se até entre os fiéis, e pouco a pouco, de dia para dia, tendem a insinuar-se no meio deles; por isso, em razão da nossa missão de Vigário de Cristo na Terra, de Supremo Pastor e Mestre, julgamos que nos compete levantar a nossa voz Apostólica para afastarmos dos pastos envenenados as ovelhas que nos foram confiadas, e tanto quanto em nós caiba, conservá-las imunes. (…)

Mas embora o matrimónio, por sua própria natureza, seja de instituição Divina, também a vontade humana nele tem a sua parte, e parte notabilíssima; pois que, enquanto é a união conjugal de determinado homem e de determinada mulher, não nasce senão do livre consentimento de cada um dos esposos: Este acto livre da vontade, pelo qual cada uma das partes entrega e recebe o direito próprio do matrimónio, é tão necessário para constituir um verdadeiro e próprio matrimónio, QUE NENHUM PODER HUMANO O PODE SUPRIR. Esta liberdade, todavia, diz respeito a um ponto sòmente, que é o de saber se os contraentes querem ou não contrair matrimónio, e se o querem com tal pessoa; MAS A NATUREZA DO MATRIMÓNIO ESTÁ ABSOLUTAMENTE SUBTRAÍDA À VONTADE DO HOMEM, DE MODO QUE DESDE QUE ALGUÉM O TENHA CONTRAÍDO, ENCONTRA-SE SUJEITO ÀS SUAS LEIS DIVINAS, E ÀS SUAS PROPRIEDADES ESSENCIAIS. O doutor Angélico dissertando acerca da fidelidade conjugal e da prole diz:

“No matrimónio estas coisas derivam do próprio contrato conjugal, DE TAL MODO QUE SE NO CONSENTIMENTO QUE PRODUZ O MATRIMÓNIO SE FORMULASSE UMA CONDIÇÃO QUE LHE FOSSE CONTRÁRIA, NÃO HAVERIA VERDADEIRO MATRIMÓNIO”.

A união conjugal é pois, acima de tudo, um acordo mais estreito do que o dos corpos; NÃO É UM ATRATIVO SENSÍVEL, NEM UMA INCLINAÇÃO DOS CORAÇÕES QUE O DETERMINA, mas uma decisão deliberada e firme das vontades: E desta conjunção dos espíritos, por determinação de Deus, NASCE UM VÍNCULO SAGRADO E INVIOLÁVEL.»

 

A definição de “tabu” promana essencialmente do âmago mesmo da superstição e do estudo antropológico e etnológico da mesma. Só que o ódio à Fé Católica, o relativismo, e de um modo especial o estruturalismo, extrapolaram o significado original desse termo, aplicando-o maldosamente à Doutrina Católica. O método não é novo. Já na dita enciclopédia francesa do século XVIII, o artigo sobre o Santo Sacrifício da Missa é cem por cento ortodoxo, mas uma nota de rodapé remete o leitor para o artigo sobre os cultos papuas. E foi exactamente nessa mesma estratégia ideológica que o Vaticano 2, não atacando materialmente a Doutrina Católica, destruiu-a completamente ao relativizá-la e aniquilá-la segundo uma forma liberal-democrática.

“Tabu” significa assim, em rigor, o sagrado supersticioso e idólatra, o intocável, o indizível. O fundamento objectivo desta realidade, detectável em povos primitivos que sobreviveram até à nossa época, só pode identificar o sinete da contingência da criatura, o carácter que o Acto Criador assinala na criatura. Todavia, a expressão supersticiosa e idólatra desse carácter, demonstra a existência, e a enorme miséria, do pecado original e dos pecados actuais.

Não se pode, de maneira nenhuma, considerar que a Arca da Aliança, no Antigo Testamento, ou o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, no Novo Testamento, constituam “Tabus”, pelo simples facto DE QUE NÃO CONSTITUEM MONUMENTOS OU REPRESENTAÇÕES HUMANAS, FRUTO DE PENSAMENTOS E VONTADES  HUMANAS, DE PRECONCEITOS, MEDOS E DIABOLIZAÇÕES HUMANAS, CONSUBSTANCIANDO, PELO CONTRÁRIO, A PRÓPRIA DIVINA REVELAÇÃO EM FASES DIFERENTES DO SEU DESENVOLVIMENTO SOBRENATURAL.  

NA FÉ CATÓLICA NÃO HÁ TABUS, HÁ A LEI ETERNA, PRINCÍPIO DE ORDEM, INCRIADO, DE TODA A NATUREZA, CRIADA OU POSSÍVEL; É A ESTA LEI QUE TODO O HOMEM ESTÁ, NECESSÀRIAMENTE, SUJEITO, QUEIRA OU NÃO QUEIRA.          

São Tomás de Aquino é perfeitamente claro quando, recusando toda e qualquer sombra de dualismo, proclama que a sexualidade humana não surgiu com o pecado e por causa do pecado, mas que, pelo contrário, é CONSTITUTIVA DA CORPORALIDADE HUMANA. Efectivamente, entre os Anjos, que são naturalmente imortais, pois que integralmente espirituais, não haveria necessidade de reprodução, visto cada Anjo constituir uma só espécie, concentrando em si toda a respectiva perfeição específica. Nos entes corporais, particularmente no Homem, ESPÉCIE QUE FOI CRIADA À PARTE, COMO O REVELA A SAGRADA ESCRITURA, COMPETE À MATÉRIA EXPLICITAR, QUANTITATIVAMENTE, NOS INDIVÍDUOS, TODAS AS RIQUEZAS QUALITATIVAS DEFINIDORAS DA FORMA ESPECÍFICA. CONSEQUENTEMENTE, TODAS AS ALMAS SÃO IGUAIS, RESULTANDO DA MATÉRIA CORPORAL AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS, INCLUINDO O SEXO. MAS AS ALMAS NÃO SÃO CRIADAS INDEPENDENTEMENTE DOS CORPOS, MAS NELES, COMO FORMA SUBSTANCIAL DA MATÉRIA DOADA PELOS PROGENITORES. Como estamos longe dos dualismos.

Neste quadro conceptual, a sexualidade humana foi querida realmente por Deus e enquadrada no Santo Matrimónio monogâmico e indissolúvel. Ninguém julgue, todavia, que as propriedades essenciais do Matrimónio constituem apenas um capricho Divino e que poderia ser de outro modo, não; a totalidade da realidade matrimonial, tal como foi revelada, e é ensinada pelo Sagrado Magistério, É INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM ABSOLUTO E INCRIADO. Mesmo noutro mundo, as leis seriam matrimoniais e a moral sexual seriam idênticas.

Portanto a sexualidade humana, dentro do Matrimónio, e essencialmente orientada para a procriação, É BOA E INTEGRA O PLANO DIVINO. O corpo humano é, em si mesmo, globalmente bom, nada possuindo de indecente ou menos puro. A indecência jaz no puritanismo dos hipócritas e dos obcecados sexuais. Infelizmente, há que reconhecê-lo, certos ensinamentos concretos, sobretudo dos párocos, ao longo da História da Igreja, nem sempre se apresentaram isentos de dualismo, deixando entrever nos seus autores radical falta de verdadeira pureza e uma certa obsessão doentia por estes temas. Não confundir a hedionda concepção pagã do corpo e da vida, com uma sã visão cristã da realidade corporal do Homem, criada que foi por Deus, assumida pelo próprio Verbo na Sua Encarnação, presente sacramentalmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, e que deve ressuscitar gloriosa e íntegra no fim dos tempos; pois que São Tomás, e com ele toda a Santa Madre Igreja, acreditam que o corpo ressuscitará sexuado, conquanto na Eternidade a função reprodutiva esteja plenamente superada, pois os eleitos serão todos como irmãos.  

Em geral pensamos que devemos obsequiar mais os santos que se dedicaram com mais afinco a punir positivamente o seu corpo com macerações cruentas. Mas não é assim, porque tais penitências são reveladoras, genèricamente, de menor santidade. A dor, tal como a morte, em si mesmas, constituem privação de ser, razão porque estavam ausentes do Paraíso Terrestre, por virtude dos Dons Preternaturais, facultados em ordem aos Dons Sobrenaturais. Não se nega, de modo nenhum, que a auto-inflicção de tais castigos possa ser espiritualmente útil, mas é concomitantemente indicadora de menor Graça Santificante e maior concupiscência – pois que o bálsamo Sobrenatural da primeira extingue tendencialmente o fogo da segunda – ou até mesmo do estado de pecado mortal, visto que houve santos que naufragaram em grandes erros filosóficos e misérias carnais, como por exemplo Santo Agostinho.    

Donde se conclui que a Santa Madre Igreja não possui nenhuma atitude supersticiosa em relação à sexualidade humana; tais atitudes, costumamos, sim, encontrá-las nos ímpios, nos debochados, nos hipócritas, nos vitorianos, porque é precisamente nestes meios que, hoje como ontem, viceja, pujante, a pedofilia e toda a sorte de aberrações sexuais. Na época vitoriana, em Inglaterra, quando as pessoas “bem” costumavam ocultar as pernas das mesas, nunca foram tão extensas e profundas, a pedofilia, a violação de criadas e outro pessoal menor, a prostituição, a pornografia, etc.

São Tomás de Aquino jamais poderia haver caído em qualquer dualismo, porque a sua eminente santidade pessoal, a sua integridade doutrinal e moral, a sua absoluta precisão nos conceitos, e o rigor com que distinguia, mas não separava, a Teologia Dogmática e a Teologia Moral, a Teologia e a Filosofia, constituíam e constituem garantia soberana e perpétua de que toda a realidade era por ele contemplada, caracterizadamente, À LUZ ETERNA E SOBRENATURAL DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral   

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