Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O PECADO ORIGINAL E OS BENS MATERIAIS

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Quadragesimo Anno”, promulgada em 15 de Maio de 1931:

«Desviados do bom caminho os dirigentes da economia, devia lògicamente precipitar-se no mesmo abismo a multidão operária; e isto tanto mais, que muitos directores de oficinas usavam dos operários como meros instrumentos, EM NADA SOLÍCITOS DA SUA ALMA, NÃO PENSANDO SEQUER NO SOBRENATURAL. Sentimo-nos horrorizados a pensar nos gravíssimos perigos a que estão expostos nas fábricas modernas os costumes dos operários (sobretudo jovens) e o pudor das mulheres e donzelas; ao lembrar-nos de que muitas vezes o sistema económico hodierno, e sobretudo as más condições de habitação, criam obstáculos à união e intimidade da vida da família; ao recordarmos os muitos e grandes impedimentos opostos à devida santificação dos domimgos e festas de guarda; ao considerarmos, enfim, como diminuiu aquele sentimento verdadeiramente cristão, com que até os rudes e ignorantes aspiravam aos Bens superiores, para dar lugar à solicitude única de procurar tão sòmente, por todos os meios, o pão quotidiano. Deste modo, o trabalho corporal, ordenado pela Divina Providência,  depois da culpa de origem, para remédio de corpo e alma CONVERTE-SE, FREQUENTEMENTE, EM INSTRUMENTO DE PERVERSÃO: DA OFICINA, SÓ A MATÉRIA SAI ENOBRECIDA, OS HOMENS, PELO CONTRÁRIO, CORROMPEM-SE E AVILTAM-SE.


A esta tão deplorável crise das almas, que enquanto dure, tornará inúteis todos os esforços de regeneração social, não pode dar-se outro remédio, senão reconduzir os homens à profissão franca e sincera da Doutrina Evangélica, aos ensinamentos d’Aquele, que é o único que tem palavras de vida Eterna, e palavras tais, que hão-de perdurar eternamente, ainda depois de passarem o Céu e a Terra. É certo que todos os verdadeiramente entendidos em sociologia anseiam por uma reforma moldada pelas normas da razão, que restitua a vida económica à sã e recta ordem. Mas esta ordem, que nós também ardentemente desejamos, e procuramos com o maior empenho, será de todo falha e imperfeita, se não tenderem, de comum acordo, todas as energias humanas a imitar a admirável unidade do Divino Conselho e a consegui-la, quanto ao homem é dado: Chamamos perfeita àquela ordem apregoada pela Santa Igreja, com grande força e tenacidade, pedida mesmo pela razão humana,  isto é, que tudo se encaminhe para Deus, fim primário e supremo de toda a actividade criada, e que todos os bens criados por Deus se considerem como instrumentos, dos quais o homem deve usar tanto,  quanto lhe sirvam a conseguir o último Fim. Nem deve considerar-se que esta filosofia rebaixa as artes lucrativas, ou as considera menos conformes à dignidade humana; pelo contrário ensina a reconhecer e venerar nelas a Vontade manifesta do Divino Criador, que colocou o homem sobre a Terra para a cultivar e usar dela segundo as suas múltiplas precisões. Nem é vedado, aos que se empregam na produção, aumentar justa e devidamente a sua fortuna; antes, a Santa Igreja ensina ser justo que quem serve a sociedade e lhe aumenta os bens, se enriqueça também desses mesmos bens, confome a sua condição, contanto que isso se faça com o respeito devido à Lei de Deus, e salvos os direitos do próximo, e os bens se empreguem segundo os princípios da Fé e da recta razão. Se esta Doutrina fosse por todos, e em toda a parte e sempre observada, não sòmente a produção e aquisição dos bens, mas também o uso das riquezas, agora tantas vezes desordenado, VOLTARIA DEPRESSA AOS LIMITES DA EQUIDADE E JUSTA DISTRIBUIÇÃO; À ÚNICA E TÃO SÓRDIDA PREOCUPAÇÃO DOS PRÓPRIOS INTERESSES, QUE É A DESONRA E O GRANDE PECADO DO NOSSO TEMPO, OPOR-SE-IA NA VERDADE E DE FACTO, A SUAVÍSSIMA  E IGUALMENTE PODEROSA LEI DA MODERAÇÃO CRISTÃ, QUE MANDA AO HOMEM BUSCAR PRIMEIRO O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA, SEGURO DE QUE TAMBÉM, NA MEDIDA DO NECESSÁRIO, A LIBERALIDADE DIVINA, FIEL ÀS SUAS PROMESSAS, LHE DARÁ POR ACRÉSCIMO OS BENS TEMPORAIS.»  

Como é conhecido,o pecado original não atingiu os primeiros princípios do conhecimento, tal como não atingiu os primeiros princípios da moralidade; tais princípios, enquanto puro ser espiritual, são invioláveis; o que é gravemente perturbada é a sua aplicação concreta às vicissitudes da existência, porque esta já implica com a sensibilidade material.

Nos Anjos, não seria possível um pecado original, porque pelo seu primeiro pecado permanecem eternamente no mesmo pecado; e pelo seu primeiro acto de virtude, nele também permanecem eternamente; e tais actos realizam-se no momento ontològicamente posterior ao da Criação Angélica. Os Anjos não dependem, nem da matéria, nem do espaço, nem do tempo.

De todas as graves perturbações inerentes ao pecado original, a mais iníqua, violenta e avassaladora, consiste na paixão sexual, sobretudo no varão, porque é este que transmite genitalmente esse mesmo pecado, e não a mulher. E a esta paixão encontra-se irremediàvelmente associada a hipocrisia individual de cumplicidade social, como máscara assumida da maior imoralidade mais ou menos oculta.  Mas logo a seguir, com quase idêntica repercussão aniquilante, surge o egoísmo, com todas as suas ramificações, como consequência individual e socialmente cruciante da falta original.

É evidente que as consequências do pecado original podem e devem ser combatidas com o auxílio de Deus Nosso Senhor – A VIRTUDE É PRECISAMENTE ISSO. Exactamente neste enquadramento, santos houve que nem sequer sentiam quaisquer tentações carnais, nem, genèricamente, qualquer movimento apreciável da sensibilidade contra a Razão Divina.

Quando não se processa um combate realmente eficaz contra as consequências do pecado original, o que acontece: É QUE A POSSE DAS RIQUEZAS AUMENTA O EGOÍSMO. Tal poderá parecer absurdo, mas se atendermos à grande miséria da condição humana, bem como ao conhecimento experimental que possuimos do mundo e dos homens, verificamos que é exactamente assim. Por isso Nosso Senhor Jesus Cristo declarou solenemente que “é mais fácil um camelo entrar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”(Mt 19,24). Efectivamente, o apego do rico às riquezas possui carácter adictivo, porque quanto mais tesouros acumula mais necessita incrementar a sua fortuna, para sentir o mesmo grau de satisfação. Na psicologia do rico, que não seja um santo, produz-se uma violenta distorção e inversão de valores, toda a hierarquia natural e objectiva do mundo é transposta ao serviço das satisfações puramente subjectivas e desordenadas do mesmo rico; ELE PERDE DE VISTA A REALIDADE, E É CAPAZ DE TODOS OS CRIMES PARA PROSSEGUIR O HORRÍVEL SUPLÍCIO DO ENRIQUECIMENTO. Não olvidar que as riquezas encarceram o mau rico, limitam-no extraordinàriamente, mais não seja pelo pânico de as perder. Como nada lhe custa, ele perde o sentido moderador do valor, que constitui a medida da penosidade do trabalho útil, que é, por sua vez uma penalidade decorrente do pecado, original e actual. As sanções morais, impostas pela mesma natureza revoltada, ao  pecado do rico, SÃO POR VEZES MAIS GRAVES QUE A DISSOLUÇÃO PSICO-FISIOLÓGICA DO PECADO DA CARNE.

Donde se conclui que é necessário ser extremamente virtuoso para poder ser rico sem ofender mortalmente a Deus Nosso Senhor. Porque o problema não se radica nas riquezas em si mesmas, pois estas foram criadas por Deus para serviço do Homem, na sua peregrinação terrestre rumo à Eternidade. O problema reside na falta de integridade moral daquele que as possui, POIS QUE É INCAPAZ DE GOVERNAR SOBRENATURALMENTE OS BENS CRIADOS.

O Voto religioso de pobreza possui assim uma analogia profunda, de carácter ontológico, com o voto de castidade. O Matrimónio, rectamente enquadrado pela Lei Divina que o rege, constitui um Bem positivo; sòmente o pecado original e os pecados actuais o tornam inferior ao estado de castidade perfeita; porque é necessário serem excepcionalmente virtuosos para que ambos os esposos se possam santificar no matrimónio tal como se santificariam num convento. O mesmo sucede com a posse das riquezas, constituem um Bem e não um mal; mas só os excepcionalmente virtuosos se podem santificar possuindo-as.

Mas também a miséria é inimiga da virtude. Voto de pobreza não é voto de miséria. São Francisco, quando principiante, ignorante da Teologia Moral, julgou que o extremo material de uma virtude coincidia com o seu extremo formal. Erro letal, não sabia que a virtude formalmente se constitui num equilíbrio material de operação. Foi o Cardeal Hugolino, futuro Papa Gregório IX, quem moderou o espírito de São Francisco, e mais tarde, como Papa, o canonizou. Ulteriormente, os Fraticelos, caídos nos mesmos erros, foram condenados pelo grande Papa João XXII (1316-1334), alguns foram condenados pela Inquisição, acabando por formar a seita dos Fraticelos.

O problema da posse das riquezas pela Santa Madre Igreja coloca-se de forma muito clara: Os bens da Santa Madre Igreja, os bens específicos da Santa Sé, os bens das dioceses, SÃO ORDENADOS ESSENCIALMENTE A DEUS, À SUA GLÓRIA, À SALVAÇÃO DAS ALMAS, AO SERVIÇO DOS POBRES, BEM COMO AOS HOMENS QUE OCUPAM CARGOS DE DIREITO DIVINO SOBRENATURAL, E APENAS NESSA MEDIDA. A propriedade dos bens pela Santa Madre Igreja constitui-se, pois, e exerce-se segundo uma modalidade de Direito Divino Sobrenatural, e jamais segundo uma perspectiva humana e terrena. O Papa e os Bispos administram funcionalmente os bens da Santa Igreja fundamentados na Constituição de Direito Divino outorgada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Consequentemente, é profundamente errado afirmar que a Santa Igreja é rica, porque a Glória de Deus, a salvação das almas e o serviço dos pobres, constitui o objectivo último da posse e uso dos seus bens pela Mãe Igreja.

Ao invés, a seita conciliar, a seita anti-Cristo, ao possuir e controlar os bens que de Direito pertencem à Santa Madre Igreja, procede asquerosamente como ladra e usurpadora do Património de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Assim como, pelo menos em teoria, os bens dos Estados, em princípio, são bens públicos, administrados segundo um interesse e uma finalidade essencialmente pública; “mutatis mutandis,” os bens da Igreja estão sobrenaturalmente consagrados; a riqueza das alfaias, a preciosidade dos vasos litúrgicos, a grandiosidade dos templos, SÃO PARA DEUS NOSSO SENHOR, NÃO SÃO PARA OS HOMENS. Daqui se infere que o aforismo modernista de uma “Igreja serva e pobre” É PROFUNDAMENTE CONTRADITÓRIO COM O DIREITO DIVINO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Fevereiro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

        

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: