Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A UNICIDADE DE DEUS UNO E TRINO E A UNICIDADE DA FÉ CATÓLICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Aeterni Patris”, promulgada a 4 de Agosto de 1879:
«Se reflectirmos sobre a maldade dos nossos tempos, e entendermos bem a razão do que acontece em campo público e privado, descobriremos certamente que a causa geradora dos males que nos afligem e nos ameaçam está nas doutrinas culpadas que foram ensinadas sobre as realidades Divinas e humanas, primeiramente pelas escolas filosóficas, e depois se infiltraram em todas as camadas da sociedade, sendo geralmente acolhidas. Com efeito, sendo natural que o homem siga os ditames da razão no operar, se acontecer que o intelecto peque nalguma coisa, fàcilmente também a vontade cairá no erro. Acontece assim que as opiniões erróneas, que têm sede na inteligência, influenciem e pervertam as acções humanas. Mas se a mente dos homens for sã e baseada em princípios firmes e verdadeiros, frutificará certamente em abundância de benefícios públicos e privados.

Nós certamente, não atribuímos à filosofia humana força e autoridade tão grandes que julguemos serem suficientes para afastar e extirpar todos os erros. Com efeito, quando inicialmente foi estabelecida a Religião Cristã, O MUNDO TEVE A SORTE DE SER RECONDUZIDO À DIGNIDADE INICIAL PELO DOM ADMIRÁVEL DA FÉ, DIFUNDIDO, “NÃO POR DISCURSOS PERSUASIVOS DE SABEDORIA HUMANA, MAS PELA DEMONSTRAÇÃO DE ESPÍRITO E PODER”(ICor 2,4); assim também agora devemos, primeiramente, esperar do poder Omnipotente e da ajuda Divina que as mentes dos mortais, eliminadas as trevas dos erros, recobrem a razão. Porém não se devem julgar inúteis, nem se devem deixar de lado as ajudas naturais benèvolamente subministradas ao homem pela Sabedoria Divina, a Qual dispõe todas as coisas com eficácia e suavidade – e entre essas ajudas, é, com certeza a principal, o uso correcto da filosofia. Não é por nada que Deus acendeu na mente humana o lume da razão; e está bem longe da verdade julgar que a luz da Fé, acrescentada à razão, apague ou diminua as suas capacidades; antes, aumentada e aperfeiçoada a sua potência, habilita-a a coisas superiores.(…)

Por estes factos e motivos, veneráveis irmãos, todas as vezes que dirigimos o olhar para a bondade, a força, e as grandes vantagens daquele ensinamento filosófico, para o qual, todos os que nos precederam tiveram amor particular, julgamos tenha acontecido inconsideradamente, que nem sempre, nem em todo o lugar, lhe tenha sido tributada a honra devida; tanto mais que se sabia perfeitamente, por longa experiência, QUE O JULGAMENTO DE HOMENS SÁBIOS, E O QUE MAIS CONTA, O SUFRÁGIO DA IGREJA, TIVESSEM FAVORECIDO A FILOSOFIA ESCOLÁSTICA. Aconteceu então, que aqui e acolá, se favoreceu um novo tipo de filosofia, no lugar daquela antiga Doutrina, E NÃO SE COLHERAM AQUELES FRUTOS PRECIOSOS E SALUTARES QUE A IGREJA E MESMO A SOCIEDADE CIVIL TERIAM ESPERADO. Com efeito, sob o estímulo dos inovadores do século XVI, exigida e concedida, mùtuamente, a licença de excogitar tudo o que agradasse ou se quisesse, surgiu o prazer de filosofar sem o mínimo respeito à Fé. E COMO ERA NATURAL, AS VÁRIAS MANEIRAS DE FILOSOFAR MULTIPLICARAM-SE MAIS DO QUE ERA JUSTO; E SURGIRAM TESES DIVERSAS E CONTRADITÓRIAS, ATÉ NAQUELAS REALIDADES QUE SÃO FUNDAMENTAIS NO SABER HUMANO. E DA MULTIPLICIDADE DAS TESES PASSOU-SE BEM DEPRESSA PARA AS INCERTEZAS E AS DÚVIDAS: E NÃO HÁ QUEM NÃO VEJA O QUANTO SEJA FÁCIL, PARA O HOMEM, PRECIPITAR-SE DA DÚVIDA PARA O ERRO.»     
Assim como a Unicidade de Deus significa que Ele não sòmente é único, mas que também não tem, nem pode ter, nenhum ente que lhe seja semelhante, em espécie, ou em género, de qualquer modo que sejam concebidos. Porque, na realidade, Deus É, não existe, É, as criaturas existem, Deus É.

Cada indivíduo é único, mas apenas na sua estrita individualidade; pois que existem outros indivíduos da mesma espécie. Segundo a filosofia Tomista, pràticamente canonizada pela Santa Madre Igreja, o Acto constitui o princípio da ilimitação, e a potência o princípio da limitação; na constituição do ser humano, a alma, princípio específico actual, é criada já como forma do corpo, princípio material limitador. Consequentemente, em si mesmas, todas as almas são iguais, mas por isso mesmo, não existem antes de serem unidas aos corpos; Isto na ordem Ontológica. Na ordem Transcendental, a distinção real esse-essência filia-se na realidade da essência do mundo como sendo virtualmente em Deus; pois que as essências resultam da limitação metafísica do Acto Criador, em si mesmo infinito e ilimitado, pela própria potência inerente à necessidade das Leis da mesma metafísica. Tais Leis do Ser não constituem Deus, nem são constituídas por Ele, simplesmente – ESSAS LEIS SÃO A VERDADE DE DEUS! Antes de existirem, e mesmo que nunca venham a existir, os entes SÃO, nas suas essências.

Neste quadro conceptual se compreende melhor a Unicidade de Deus; pois que São Tomás é modelarmente incisivo quando declara que quer na Ordem Lógica, quer na Ordem Ontológica, Deus não pode, de maneira nenhuma, formar conceito ou realidade unívoca com as criaturas. Deus Nosso Senhor está infinitamente acima das suas criaturas, infinitamente acima de géneros, espécies, diferenças específicas, ou individualidades. O conhecimento que Deus possui do mundo é infinitamente perfeito, mas é um conhecimento fundamentado numa relação de razão e não real; exactamente porque Deus mede essencialmente, metafìsicamente, toda a realidade contingente, enquanto possui A CHAVE DAS ESSÊNCIAS.

Porque só há um Deus, na Sua Unicidade Incriada, SÓ PODE HAVER UMA ÚNICA RELIGIÃO E UM ÚNICO SISTEMA FILOSÓFICO. Efectivamente, é profundamente errado falar de “várias religiões” ou de “História das Religiões”, ou de “ciência das Religiões”; visto a Religião Católica ser a única que pode e deve ser denominada RELIGIÃO. As outras organizações são seitas, ou associações idólatras, ou pagãs – MAS NÃO SÃO RELIGIÕES! Afirmar o contrário seria admitir o pluralismo metafísico, tão encarecido por todos os modernistas. Um só Deus – uma só Religião! Porque na investigação etimológica do termo, “religião” procede precisamente de “religare”, significando vincular metafísica e teològicamente o homem, todo o homem, a Deus Nosso Senhor, seu único Princípio, seu único Caminho e seu único Fim. Porque os modernistas, além de destruírem grosseiramente a única verdadeira Religião, ignoram com soberba e desprezo a verdadeira Filosofia.

Mas há uma Filosofia verdadeira? Sim, sem dúvida, e essa verdadeira Filosofia, que é o Tomismo, deve servir, e efectivamente serve, a verdadeira Religião. Na realidade, Deus Nosso Senhor criou, na ordem Natural, os Anjos e os Homens, e elevou-os gratuitamente à Ordem Sobrenatural, a qual supera infinitamente, mas não contradiz, a primeira. LOGO, AMBAS TÊM DE CONDUZIR A DEUS UMA ALMA ESPIRITUALMENTE BEM DISPOSTA.

Aqui em Portugal houve um célebre professor de “filosofia” de nome Vieira de Almeida (1888-1962) que durante quarenta anos manteve um “cátedra de pestilência” na Universidade Pública. Ora esse senhor definia a filosofia como uma busca permanente, como uma disciplina exaurindo-se nessa mesma busca, jamais como tendendo a alcançar uma verdade objectiva, absoluta, Eterna e Imutável, conceito que abominava. Ora este senhor, na sua cátedra, formou – ou  melhor, depravou – a  maioria dos futuros professores de filosofia dos liceus e colégios de Portugal.

A Santa Madre Igreja É INFALÍVEL TAMBÉM EM MATÉRIAS FILOSÓFICAS, AS QUAIS CONSTITUEM OBJECTO SECUNDÁRIO DO SEU MAGISTÉRIO. Dizemos secundário, porque o objecto primário do Magistério da Santa Madre Igreja é a Divina Revelação.

Aqueles que contestam a unicidade da Religião Católica negam necessàriamente o próprio conceito de Verdade objectiva, Eterna e Imutável; lògicamente, defendem também o princípio da liberdade religiosa, porque não possuindo conceito algum de Verdade, igualmente não possuem conceito de Ser, nem conceito de Deus, postergando assim uma sã visão do mundo e do homem; neste quadro conceptual, finitizam Deus, obrigando-O a imergir no lodo moral das criaturas; dispersam e equivocam o ser, volvendo impossível atribuir qualquer espécie de sentido ao Universo e à História humana. Inútil será então falar de necessidades metafísicas, ou de uma moral Sobrenatural que nos deve encaminhar rumo à Santidade.

Jamais olvidar que A PROFISSÃO POSITIVA DE UMA DOUTRINA FILOSÓFICA ERRADA – ARRUÍNA A FÉ CATÓLICA NO SEU TODO.

A Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural são absolutamente incomensuráveis, razão porque a profissão da verdadeira filosofia não confere, nem pode conferir, mais vigor, nem mais Verdade Sobrenatural, à Revelação; mas PERMITE UMA MAIOR EVIDÊNCIA EXTRÍNSECA, RACIONAL, DESSA MESMA REVELAÇÃO. E não se diga que tal é inútil, visto que essa evidência extrínseca constitui barreira extremamente fecunda e eficaz contra a penetração de doutrinas heréticas. Além disso, uma alma ornamentada por Deus Nosso Senhor com o organismo Sobrenatural, com a Graça Santificante, com os Dons do Espírito Santo, essa alma vê intensificada a sua própria inteligência natural. E mais ainda: O esforço de acuidade filosófica efectuado por motivos Sobrenaturais, constitui condição intrínseca Providencial do desenvolvimento desse mesmo organismo Sobrenatural, mediante novos e enriquecedores socorros Divinos.

A Sacrossanta Fé Católica constitui a verdadeira Religião, não apenas porque possui a Verdade Sobrenatural da Revelação, mas também porque em atenção ao Lume dessa Verdade Deus Nosso Senhor lhe proporcionou igualmente a descoberta da Verdade Filosófica, para que o anúncio da Glória De Deus seja verdadeiramente íntegro. A Graça extraordinária que Deus concedeu aos Seus santos de saberem refutar, formalmente, os mestres pagãos, com as mesmas doutrinas que deles materialmente hauriram – É ABSOLUTAMENTE ÚNICA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. Mas precisamente por isso, tais doutrinas, mesmo materialmente, só puderam ser hauridas daqueles pagãos pré-Cristãos, que vivendo antes de Cristo, não tiveram a inteligência e a vontade, hereditàriamente, sociològicamente, sobrecarregadas, corrompidas, com o nefando pecado da rejeição do Salvador do mundo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 7 de Março de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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