Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

COORDENADAS FUNDAMENTAIS PARA UMA ARTE VERDADEIRAMENTE CATÓLICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Vigilanti Cura”, promulgada em 29 de Junho de 1936:

«Já na encíclica “Divini Illius Magistri” lamentámos que “estes poderosíssimos meios de divulgação (como o cinematógrafo) que podem redundar, se bem governados, pelos sãos princípios, em grande proveito para a instrução e educação, aparecem, lamentàvelmente, muitas vezes subordinados ao incentivo das más paixões e à cupidez do lucro.” Em Agosto de 1934, dirigimo-nos a uma representação da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, e depois de ter notado a altíssima importância que este género de espectáculo tomou nos nossos dias, e a profundíssima influência que exercita, tanto em promover o Bem, quanto em ensinar o mal, recordávamos aos fiéis que é necessário aplicar também ao cinema – para que não atente continuadamente contra a Moral Cristã, ou simplesmente humana, segundo a Lei Natural – a NORMA SUPREMA que deve reger e regular o grande Dom da Arte. Ora a Arte tem como finalidade essencial, e como a sua mesma maneira de ser, a de aperfeiçoar devidamente o homem em probidade moral, E POR ISSO DEVER SER MORAL ELA PRÓPRIA.

E ainda mais recentemente, isto é, em Abril do ano corrente, recebendo em grata audiência um grupo de Delegados do Congresso Internacional da Imprensa Cinematográfica, reunido em Roma, esboçamos de novo a gravidade do problema: “Fèrvidamente exortamos todas as pessoas de boa vontade, não só em nome da Religião, mas também em nome do verdadeiro bem estar moral e civil dos povos, para que se esforçassem com todos os poderes e meios, que tivessem na sua mão, como precisamente a Imprensa, a fim de que o cinematógrafo possa converter-se verdadeiramente num coeficiente  precioso de instrução e de educação, E NÃO DE DESTRUIÇÃO, DE RUÍNA, PARA AS ALMAS.

Mas o assunto é de tal gravidade, por si mesmo, e pelas condições presentes na sociedade, que julgamos necessário voltar a ele, não só com particulares recomendações, como nas ocasiões precedentes, mas com carácter universal, correspondentes às necessidades, não só das vossas dioceses, veneráveis irmãos, mas de todo o orbe católico.

É, com efeito, necessário, e até urgente, providenciar, para que também neste particular, os progressos da arte, da ciência, e da própria técnica e indústria humana, visto serem verdadeiramente Dons de Deus, POR ISSO SEJAM SUBORDINADOS À GLÓRIA DE DEUS E SALVAÇÃO DAS ALMAS, E SIRVAM PRÀTICAMENTE PARA A EXTENSÃO DO REINO DE DEUS NA TERRA, A FIM DE QUE TODOS, COMO NOS MANDA ORAR A IGREJA, NOS APROVEITEMOS DESSES DONS, DE MODO A NÃO PERDER OS BENS ETERNOS: “SIC TRANSEAMUS PER BONA TEMPORALIA UT NON AMITTAMUS AETERNA” (oração na Liturgia do terceiro domingo depois de Pentecostes).

Ora, é certo e por todos fàcilmente verificado, que os progressos da arte e da indústria cinematográfica, quanto mais maravilhosos se tinham tornado, tanto mais perniciosos e mortais se mostravam para a moralidade, para a Religião, e até para a própria honestidade da convivência civil. (…)

Todos sabem os males que produzem nas almas os maus cinemas: Tornam-se ocasião de pecado; induzem os jovens para os caminhos do mal, porque são a glorificação das paixões; apresentam a vida sob uma luz falsa e ilusória; obscurecem as ideias; destroem o amor puro; o respeito pelo matrimónio, o afecto pela família. Podem outrossim, criar fàcilmente preconceitos entre os indivíduos, e desavenças entre as Nações, entre as classes sociais, entre raças inteiras.

Por outro lado, as boas representações podem, ao contrário, exercer uma influência profundamente moralizadora sobre aqueles que as contemplam. Além de recrear, podem SUSCITAR NOVOS IDEAIS DE VIDA, DIFUNDIR LIÇÕES PRECIOSAS, fornecer maiores conhecimentos da História e da beleza do próprio, e de outros países, criar, ou pelo menos, fornecer uma justa compreensão entre as Nações, as classes sociais e as raças, promover a causa da justiça, REALÇAR O FULGOR DA VIRTUDE, E CONTRIBUIR, COM FORTE AUXÍLIO, PARA O MELHORAMENTO MORAL E SOCIAL DO MUNDO.»
A Arte define-se como a criação consciente do Belo. Mas o que é a Beleza? Beleza é o resplendor do Ser, constitutiva do diálogo entre entre as propriedades transcendentais do Ser: Unidade, Verdade e Bondade. Efectivamente, quando estes transcendentais possuem um grau muito elevado, o Ser resplandece, relampeja, pois que as suas propriedades transcendentais como que se exigem mùtuamente, com absoluta clareza e nitidez, com necessidade metafísica – é isso que é a Beleza. Imediatamente se conclui que Deus será a Beleza Infinita, pois que Ele É por Si mesmo, possuindo em Si a razão da Sua existência. Recordemos que o Ser não é Deus; porque Ser é um conceito fundamentalmente Lógico, ainda que intelectualmente haurido da realidade, metafìsicamente abstracto, impessoal, AO QUAL NÃO SE PODE REZAR; ao passo que Deus constitui uma realidade ontològicamente considerada, eminentemente concreta, Pessoal, Teológica, AO QUAL SE PODE E DEVE REZAR.

A contemplação Sobrenatural da Beleza, neste mundo, como no outro, constitui a felicidade inabalável, Eterna, dos santos de todos os tempos, e portanto também da nossa amaríssima idade pós-Cristã. Não olvidar que a operação moral dos santos constitui, já por si, um QUADRO DE INEXCEDÍVEL BELEZA; e isto mesmo que eles não acalentem, directamente, explìcitamente, a intenção de produzir, de criar Beleza; na exacta medida em que nutrem o desejo de glorificar a Deus Nosso Senhor com as suas obras, ESSA MESMA INTENÇÃO JÁ É INTRÍNSECA E SOBRENATURALMENTE BELA, POIS JÁ MANIFESTA O RESPLENDOR DO SER. Tal acontece, porque para criar Beleza nem sempre é necessário formar explìcitamente a intenção de assim proceder; quando a natureza pessoal é muito rica – CRIA ESPONTANEAMENTE A BELEZA. Os Santos Anjos são extraordinários artistas em tudo quanto operam; e eles mesmos, mesmo naturalmente, são de uma Beleza realmente inefável, conquanto infinitamente distante da Beleza Divina.    

Por muito bela que seja a Natureza, por Deus criada, a Arte humana não se pode restringir a uma simples reprodução material da mesma Natureza – MAS SIM A UMA REPRODUÇÃO IDEALIZADA. Efectivamente, a Obra de Deus, necessàriamente, já é por si mesma idealizada, porque Quem possui a Chave do Ser e das Essências, só pode produzir a Beleza, ainda que contingente.

Não se deve confundir habilidade técnica com Arte: A primeira pode existir, e efectivamente existe muitas vezes, sem a segunda; todavia não pode existir Arte sem uma determinada habilidade técnica, visto que esta constitui como que a matéria que possibilita à forma exprimir todas as virtualidades da riqueza que encerra. Todo o Património Artístico da alma de um pintor, ou de um escultor, ou arquitecto, permaneceria estéril se eles não dominassem as respectivas técnicas.

Neste quadro conceptual, devemos asseverar que a forma ideal constitutiva de toda e qualquer actividade artística humana – SÓ PODE SER DE CARÁCTER RELIGIOSO, MORAL, OU CONCERNENTE À SÃ FILOSOFIA. Exactamente porque tudo aquilo que é Belo, necessàriamente também é Bom e Verdadeiro. Ora a nossa condição de homens elevados, gratuita, mas obrigatòriamente, ao estado Sobrenatural, compele-nos a criar a Beleza, RECRIANDO COM O AUXÍLIO DA GRAÇA DE DEUS AS FORMAS NATURAIS QUE O CRIADOR COLOCOU AO NOSSO SERVIÇO E PARA NOSSO ENRIQUECIMENTO. TAL EXPLICA QUE A OPERAÇÃO MORAL DOS SANTOS SE DEVA CONSIDERAR IGUALMENTE UMA OBRA DE ARTE. EXACTAMENTE PORQUE TAMBÉM O NOSSO PRÓXIMO PODE E DEVE SER, MODELADO, EDIFICADO, RECRIADO, SOBRENATURALMENTE, PARA MAIOR GLÓRIA DE DEUS E SALVAÇÃO DAS SUAS ALMAS.

Neste enquadramento, a Arte Católica difere essencialmente de qualquer outro tipo de manifestação dita artística, mas que na verdade não o é. A denominada “arte moderna” é feia porque não possui Deus Nosso Senhor, Criador, Redentor e Consumador, como modelo ideal. É feia na PRIVAÇÃO DE SER, E SÓ PODE PARECER BELA A OLHOS QUE JÁ NAUFRAGARAM NO PLANO RELIGIOSO, MORAL E FILOSÓFICO. A Arquitectura moderna, não apenas é feia, como afasta positivamente de Deus Nosso Senhor, aniquilando a Lei Moral, e obliterando qualquer sentido de solidariedade e compaixão, mesmo puramente natural, para com o próximo.

O cinema, incorporando em si diversas formalidades artísticas, sendo uma bela invenção, susceptível de ser amplamente utilizada para a difusão da Verdade, do Bem, e da autêntica Beleza, serviu, na realidade, nos últimos cem anos, como poderosíssimo veículo descristianizador e desmoralizador, amplificado que foi pela televisão, tendo falhado quase completamente todas as tentativas de o moderar cristãmente.

É certo que as culpas não pertencem apenas ao cinema, MAS TAMBÉM À TREMENDA CORRUPÇÃO POPULAR. É fácil de compreender que uma determinada obra de arte, cinematográfica ou outra, incorporando em si mesma grande riqueza, PARA OLHOS E CABEÇAS SÃS, volve-se instrumento de letal dissolução para olhos e cabeças torpes; exemplos a este respeito não faltam. Consequentemente, em muitos casos, não se pode classificar um filme, ou uma escultura ou pintura, sem mais, como imoral, sem atender ao nível religioso e moral do público a que se destina, e que infelizmente é quase sempre muito baixo.

Não é proibido representar, MATERIALMENTE, o mal, numa obra de arte, cinematográfica ou outra, desde que, FORMALMENTE, se entronize o Bem e a Santidade como objecto único, e teològicamente obrigatório, da operação dos entes espirituais.

O nu artístico, desde que não pagão, nem licencioso, não é condenável, mas deve ser evitado em Igrejas e outros espaços religiosos, precisamente em virtude da grande maioria das pessoas serem pèssimamente mal formadas nesta matéria sensível da Teologia Moral, porque toca directamente nas consequências mais penosas do pecado original e dos pecados actuais.    

Cumpre assinalar, que a essência má de um filme, ou qualquer outra manifestação artística, por vezes existe subliminalmente, não detectável pela consciência enquanto tal, mas significada formalmente na inteligência; há muito poucas defesas contra estes métodos subliminais, e nenhumas no espectador comum.

Tendo desaparecido nas últimas décadas os cinemas clássicos; tendo desaparecido o Magistério da Santa Madre Igreja que nos aconselhava e mesmo severamente coagia contra certos tipos de filme, actualmente, as salas de cinema, ordinàriamente, não constituem ambientes espiritualmente saudáveis para almas verdadeiramente católicas.   

A Santa Madre Igreja, longe de dualismos e Jansenismos, jamais interditou a justa recreação, quer aos fiéis, quer ao clero, quer mesmo aos religiosos. Todavia sempre proclamou, que mesmo quando nos recreamos, devemos fixar a nossa intenção habitual na Glória de Deus, devemos contemplar e viver tudo à Luz Sobrenatural de Deus Uno e Trino, porque tudo o que é realmente Verdadeiro, Bom e Belo, promana de Deus, e com o auxílio purificador da Graça, das Virtudes e dos Dons, a Ele deve regressar.        

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 19 de Março de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral   

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