Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ABSOLUTA UNIDADE E COERÊNCIA DA SANTA FÉ CATÓLICA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Inscrutabili Dei Consilio”, promulgada em 21 de Abril de 1878:

«E para que, cada dia mais, se firme a união do rebanho católico com o seu Pastor Supremo, nos dirigimos agora a vós, com afecto todo especial, Veneráveis irmãos, para que empenhando o vosso zelo sacerdotal e a vossa solicitude pastoral, possais reavivar nos fiéis a vós confiados o fogo santo da Religião, que os leve a abraçar mais fortemente esta Cátedra de Verdade e de Justiça, e a rejeitar inteiramente as opiniões, até as mais comuns, que sabem serem contrárias aos ensinamentos da Santa Igreja. Tendo isso em vista, os Pontífices Romanos, nossos predecessores, e por último Pio IX, de santa memória, especialmente no Concílio Vaticano – tendo diante dos olhos as palavras de Paulo: “Tomai cuidado, para que ninguém  vos escravize por vãs e enganadoras especulações de filosofia, segundo a Tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo” (Ef 2,8) – não deixaram de condenar, quando foi necessário, os erros correntes, e expô-los à censura Apostólica. E nós, seguindo suas pegadas, desta Apostólica Cátedra de Verdade, confirmamos e renovamos todas essas condenações; e ao mesmo tempo, rezamos instantemente ao Pai das Luzes, para que todos os fiéis, COM UMA SÓ ALMA E UMA SÓ MENTE, PENSEM E FALEM COMO NÓS.  Porém, pertence a nós,  Veneráveis irmãos, dedicar-vos diligentemente para que a semente das Doutrinas Celestes seja abundantemente espalhada no campo do Senhor, e que desde os anos mais tenros se infundam na alma dos fiéis os fundamentos da Fé Católica, se enraízem profundamente, e sejam preservados do contágio do erro. Quanto mais os inimigos da Religião se afadigam a ensinar aos ignorantes, especialmente à juventude, doutrinas que obscurecem a mente e corrompem o coração, tanto maior deve ser o empenho, para que não sòmente o método de ensino seja racional e sério, e sim muito mais para que o próprio ensino seja são, e em tudo conforme à Fé Católica, quer nas Letras, quer nas Ciências, E ESPECIALMENTE NA FILOSOFIA, DA QUAL DEPENDE EM GRANDE PARTE A VERDADE DAS OUTRAS CIÊNCIAS, E QUE NÃO DEVE VISAR À DERRUBADA DA REVELAÇÃO DIVINA, MAS PELO CONTRÁRIO A APLAINAR-LHE O CAMINHO E DEFENDÊ-LA DOS QUE A CONTESTAM, COMO NOS ENSINARAM, COM O EXEMPLO E OS ESCRITOS,  O GRANDE AGOSTINHO, O DOUTOR ANGÉLICO, E OS OUTROS MESTRES DA SABEDORIA CRISTÃ. (…)

Com isso, conseguir-se-á também outro efeito desejadíssimo: A melhora e a Reforma do homem individual.  Pois como de um caule viciado surgem ramos piores e frutos mais ruins, assim a corrupção, que arruína as famílias, chega a contagiar e a infeccionar também os cidadãos particulares. Pelo contrário, educada a família à vida cristã, cada membro se acostumará, pouco a pouco, a amar a Religião e a Piedade, a aborrecer-se com as doutrinas falsas e perniciosas, a seguir a virtude, a respeitar os superiores, e a refrear aquele sentimento de egoísmo, que tanto degrada e enerva a natureza humana. Com esta finalidade, será útil regulamentar e encorajar as associações piedosas, as quais, principalmente em nossos dias,  foram fundadas com grandíssimas vantagens para os interesses católicos.»

Há alguns anos, certo jornalista, comentando as afirmações de um Bispo dirigidas a um jovem, cujo teor era o seguinte: “Que interessa para a tua Fé, que Nossa Senhora tenha, ou não, sido Virgem?” Concluiu o jornalista, questionando: ” Ora se isso deixou de interessar, possuirá tudo o resto ainda alguma razão de ser, algum sentido?”

O episódio é verdadeiro, mas demonstra como até os ímpios certificam a magnífica unidade da Fé Católica, unidade que se pode considerar absoluta, pois é constitutiva da própria Revelação Sobrenatural.

Efectivamente, não possuindo o Depósito da Fé origem humana, é consequente que nele não lobriguemos qualquer fissura, qualquer hiato, qualquer incoerência, por mais mínima que seja, quer no Dogma, quer na Moral, e em qualquer fase da explicitação da Doutrina. O Dogma da Virgindade de Nossa Senhora, expressamente revelado e totalmente explicitado logo na origem, filia-se na Divindade de Nosso Senhor, no Seu Sacerdócio Redentor, bem como na própria União Hipostática, cuja definição nos apresenta o Verbo de Deus feito Homem, como a única Pessoa de Nosso Senhor. Assinale-se igualmente, que por estrita neessidade teológica, Nosso Senhor só poderia ser o único Filho de Nossa Senhora, logo Nossa Senhora só podia ser sempre Virgem, e o Seu Divino Filho, necessàriamente, seria dado à Luz, sem a lesão anatómica correspondente, e sem dores, pois numa pessoa isenta do pecado original, não pode haver dor que não provenha de razões extrínsecas, do próprio mundo eivado pelo pecado.

É conhecido, como a negação, e mesmo sòmente a dúvida, acerca de um Dogma de Fé, e até mesmo de uma proposição de Fé Divina, faz perder a Graça Santificante e a Caridade, tornando a alma merecedora de Inferno. Mas não é menos certo, que essa negação, TORNA SEM SENTIDO TODOS OS OUTROS DOGMAS. No caso presente, a negação da perpétua Virgindade de Nossa Senhora oblitera a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e portanto a Divindade da Santa Igreja; no caso da negação do Inferno, tal implica de imediato a negação do Céu, como Bem-Aventurança intrìnsecamente Sobrenatural, e um pouco mais tarde, a eliminação do próprio conceito de imortalidade da alma, que constitui simultaneamente uma verdade de Fé e uma Verdade da razão filosófica. Nem seria necessário acrecentar, que se no plano Dogmático o terramoto é total, na ordem moral não o é menos, sendo as consequências muito mais tristemente visíveis. Efectivamente, a ruína da Ordem Sobrenatural representa e acarreta A TOTAL FALTA DE SENTIDO PARA TODO O EDIFÍCIO MORAL. E não se afirme que mesmo assim poderia subsistir a moral natural; porque a Humanidade, QUE NUNCA EXISTIU EM ESTADO PURAMENTE NATURAL, foi criada na elevação ao estado Sobrenatural, e havendo-o perdido pelo pecado dos nossos primeiros pais, sòmente pôde recuperar os Bens da Graça pela Redenção operada por Nosso Senhor Jesus Cristo, TODAVIA, A FERIDA NA NATUREZA, COMO LESÃO CAUSADA PELO PRIMEIRO PECADO, PERMANECEU, sendo que a Graça Medicinal, Preternatural, e a Graça elevante, especìficamente Sobrenatural, não a logram sarar integralmente. Neste quadro conceptual, é impossível, sem a Graça Santificante, guardar absolutamente incólume a Lei natural, durante toda a vida, e mesmo para a guardar, com deficiências, é necessária a Graça Actual. Concretamente, a Fé Teologal informe e a Graça actual, poderão ser suficientes, nalguns casos, para isentar os esposos do pecado do aborto, mas já será necessária, de um modo habitual, a Graça Santificante, para os livrar do pecado da contracepção. Mas como já referimos, a dúvida sobre a Fé destrói o mesmo Hábito da Fé. Não constituem dúvidas sobre a Fé determinadas representações da imaginação a ela contrárias, na exacta medida em que o nosso fluxo psicológico não se encontra totalmente sob o controle da vontade; pelo contrário, em Nosso Senhor, e em grande parte, em Nossa Senhora, existia um tal controle.

Não olvidar que ao perder o Hábito da Fé Teologal, pela descrença num só Dogma, embora a alma afirme que continua a crer nos outros Dogmas, crê sim, muito provisòriamente, MAS COMO OPINIÃO HUMANA, NÃO COMO PARTE INTEGRANTE DO PATRIMÓNIO DA FÉ. Contudo, ulteriormente, até como opinião humana cessa de fazer sentido.

O Hábito da Fé possui uma relação Transcendental com a Revelação Sobrenatural; a sua Unidade, a sua Verdade, a sua Bondade, não são humanos, mas Divinos; a própria espécie lógica da Fé não é natural, mas Sobrenatural, CONSTITUI UMA PARTICIPAÇÃO, ACIDENTAL, MAS REAL, NA INTELIGÊNCIA DIVINA; AQUI RESIDE A EXPLANAÇÃO ÚLTIMA PARA A SUA ESPLÊNDIDA UNIDADE E COERÊNCIA, EM QUE A INFLICÇÃO DE DANOS A UM DOGMA, PROVOCA UMA DERROCADA GERAL NA FÉ, NA MORAL, E ATÉ NA SÃ FILOSOFIA.

A diferença entre o Património de Fé Católica, que é constituído por todos os Dogmas, definidos e não definidos, impostos pelo Magistério, extraordinário  e/ou ordinário, da Igreja e/ou do Papa; e a Fé Divina, que constitui a Revelação Divina toda, incluindo os “obiter dicta”- como por exemplo a capa e os livros que São Paulo esqueceu em Troade, em casa de Carpo (IITim 4,13) – é que esta não exige – ao contrário da Fé Católica – por si mesma, um acto de Fé positivo, implícito ou explícito, para adquirir ou conservar o Hábito da Fé Católica; a qual, ao invés, será destruída por um acto positivo de negação de um só artigo dessa mesma Fé Divina. Aqueles que, embora conhecendo directamente a Santa Madre Igreja, por deficiência intelectual ou limitação social, ou ambas, forem incapazes de possuir um conhecimento humano, aprofundado e especificado, dos Dogmas, mesmo assim podem e devem ser santos, DESDE QUE DÓCEIS À GRAÇA DIVINA, CONHEÇAM E AMEM OS DOGMAS SEGUNDO AS FORÇAS SOBRENATURAIS DAS SUAS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS E DO LUME PRECIOSÍSSIMO DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO – é a chamada Fé implícita, ou do carvoeiro. E até mesmo os que, sem culpa, desconhecem a existência da Santa Mãe Igreja, podem, nos Mistérios da Graça e da Predestinação, encontrar os Dogmas de Fé e a Pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo, de modo virtual próximo, MAS SOBRENATURAL, e assim serem santos.

Tal não nos deve surpreender, se pensarmos que as criancinhas vàlidamente baptizadas, antes da idade da razão, possuem verdadeiramente um organismo Sobrenatural que as torna herdeiras do Céu. Subordinar, de Direito, a Salvação Eterna à obrigatoriedade estrita e material da recepção do santo Baptismo, É SUBMETER A CAUSA PRINCIPAL À CAUSA INSTRUMENTAL, E ULTRAJAR ASQUEROSAMENTE UM DOGMA EXPLICITADO NA MAIS REMOTA ANTIGUIDADE CRISTÃ.

Infelizmente, para a grande massa, hoje como ontem, a maravilhosa e santa Doutrina Católica é completa e culpàvelmente desconhecida, sobretudo nos Países Latinos e nos últimos trezentos anos. O que mais aflige, é verificar como essa Doutrina, mesmo quando conhecida, é sempre avaliada em termos e perspectivas puramente humanas e terrenas, e consequentemente apresentada em forma “self service”; aberração, aliás, plenamente ratificada pelo Vaticano 2.   

Os Dogmas são como o esplendor irradiante do Sol Divino e Incriado da Santíssima Trindade, e a Moral é a face operativa do Dogma. Nós fomos criados por Deus Nosso Senhor, e para Ele devemos voltar; para isso temos, neste mundo, que participar, pela Graça, pelas Virtudes, sempre e cada vez mais da Sua Verdade, da Sua Bondade, da Sua Caridade, e assim nos constituirmos dignos de uma Eternidade plenamente sancionadora e perfeitamente homogénea com a nossa militância terrena. A ÚNICA RECOMPENSA PARA O QUE AMA E SERVE A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS – É O PRÓPRIO DEUS. Porque tudo o que somos na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, tudo, absdolutamente tudo, devemos a Deus Nosso Senhor.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 23 de Março de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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