Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

SERÁ QUE TODOS OS HOMENS SÃO IRMÃOS?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “In Plurimis”, promulgada em 5 de Maio de 1888:

«Ora, entre tantas misérias, deve-se deplorar gravemente a escravidão, à qual desde muitos séculos está submetida uma parte não pequena da família humana, que jaz na esqualidez e nas sujeiras, contràriamente a quanto Deus e a natureza haviam estabelecido desde o princípio. Com efeito, assim havia decretado o Criador supremo das coisas: Que o homem tivesse como que um senhorio real sobre os animais da Terra e do mar, e sobre as aves do Céu, E NÃO QUE DOMINASSE SOBRE OS HOMENS SEUS SEMELHANTES. Segundo Santo Agostinho: “Criado racional, à Sua Imagem, quis que o homem dominasse sòmente sobre os seres irracionais; e não que o homem dominasse sobre o homem, mas que o homem dominasse sobre o rebanho”(Gn 1,26). Portanto,” a condição servil entende-se justamente imposta ao pecador. Com efeito, em nenhum lugar das escrituras Sagradas lemos a palavra “servo”,  antes que Noé, o justo, punisse o pecado do filho. Portanto, foi a culpa e não a natureza que mereceu tal nome”(Gn 1, 25).

Do contágio do primeiro pecado derivaram, quer todos os outros males, quer esta perversidade monstruosa: Que houvesse homens, os quais, AFASTADA A LEMBRANÇA DA FRATERNIDADE ORIGINÁRIA, não cultivassem, segundo a natureza, a benevolência recíproca e o respeito mútuo, mas submetidos aos seus desejos, começaram a considerar outros homens inferiores a si, e portanto a tratá-los como bestas nascidas para o jugo. Dessa forma, sem nenhum respeito, nem pela natureza comum, nem pela dignidade humana, nem PELA EXPRESSA SEMELHANÇA DIVINA, aconteceu que através de batalhas e guerras que se alastraram, aqueles que com a força foram superiores, submeteram a si os vencidos, e assim uma multidão invisível do mesmo género, a pouco e pouco se rompeu em duas partes: Os vencidos, escravos e os donos vencedores. A memória dos tempos antigos apresenta este facto com carácter de espectáculo lutuoso, até à vinda do Salvador, quando a chaga da escravidão estava estendida em todos os povos, e era inferior o número de pessoas livres, tanto que o poeta pôs nos lábios de César estas palavras atrozes: “O GÉNERO HUMANO VIVE EM POUCOS”.(…)

Quem quiser confrontar os dois diversos modos de tratar o escravo – o pagão e o cristão; fàcilmente terá de reconhecer que o primeiro era cruel e pesado, e o outro bastante manso e cheio de respeito, e nunca mais se tornará culpado de subtrair o merecido louvor à Igreja, ministra de indulgência tão grande. Tanto mais, quando alguém observa atentamente com quanta doçura e prudência a Santa Igreja extirpou a torpe peste da escravidão. Efectivamente, ela não se quis apressar no providenciar o resgate e a liberdade dos escravos, pois com certeza isso não poderia senão acontecer de maneira tumultuosa, com dano para eles, e em detrimento da sociedade, mas com sumo juízo fez com que os ânimos dos escravos, sob a sua direcção, fossem educados à Verdade Cristã, e com o Baptismo adoptassem costumes compatíveis. Portanto se na multidão de escravos que a Santa Igreja contava entre seus filhos, algum, aliciado por alguma esperança de liberdade, tivesse urdido uma sedição violenta, a Santa Igreja sempre reprovou e reprimiu esse planos delituosos, e por meio dos seus ministros adoptou o remédio da paciência. Que os escravos se convencessem, graças à Luz da Santa Fé, e ao Dom insigne recebido de Cristo, de superar em muito a dignidade dos senhores pagãos, e sentirem-se obrigados mais devotamente pelo próprio Autor e Pai da Fé, a não permitir em si mesmos nenhuma acção contra os senhores, nem se afastar mìnimamente da reverência e obediência devida a eles; ao saber serem eleitos ao Reino de Deus, tendo adquirido a liberdade dos Seus filhos, E SENTINDO-SE CHAMADOS A BENS NÃO PERECÍVEIS, NÃO SE IMPORTASSEM DA ABJECÇÃO E DOS INCÓMODOS DESTA VIDA CADUCA, MAS LEVANTADOS OS ÂNIMOS E OS OLHOS AO CÉU, SE CONSOLASSEM E CONFIRMASSEM NUM SANTO PROPÓSITO.»
Em Adão e Eva, criados na posse dos maiores bens, quer naturais, quer Preternaturais, quer mesmo Sobrenaturais, todos os homens deveriam ser, no Paraíso Terrestre, verdadeiramente irmãos, segundo os três patamares ontológicos já citados. Efectivamente, na Ordem Natural, todos os homens, de todas as raças, integram uma só espécie definida nas fronteiras do mundo visível com o mundo invisível.

Os Santos Anjos são irmãos enquanto se encontram vinculados pela Graça Santificante e pela Glória, Eternamente participantes da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade Divina. Mas não são irmãos, em sentido estrito, segundo a natureza, porque cada Anjo define e concentra uma só espécie. Podem contudo, em sentido lato, ser considerados irmãos, na medida em que são todos entes puramente espirituais.

Na espécie humana, compete a matéria exprimir, sensìvelmente, quantitativamente, a ilimitada perfeição comunicada qualitativamente pela forma. A alma constitui a forma específica do Género Humano; por isso todas as almas são especìficamente iguais, porque são individualizadas no e pelo corpo, neste sendo concriadas. Consequentemente, os homens podem e devem ser denominados irmãos segundo a natureza, porque descendem de um único casal humano. Na hipótese, gravemente herética, do poligenismo, ou seja, considerando a descendência da humanidade actual a partir de vários casais originais, ja ficaria comprometida a fraternidade humana; e ainda mais ficaria na hipótese absurda e completamente ateia do polifiletismo, ou seja, da descendência a partir de vários centros biológicos de erupção de vida, de cuja irradiação esta teria surgido, em processos independentes, mas eminentemente naturais. Mesmo nesta Ordem Natural, OS HOMENS SÓ PODEM SER IRMÃOS ENQUANTO CRIATURAS DE DEUS. QUANDO NÃO EXISTE QUALQUER REFERÊNCIA ESSENCIAL À TRANSCENDÊNCIA, DESAPARECE QUALQUER HIPÓTESE DE VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE ENTRE OS HOMENS – COMO A HISTÓRIA DO SÉCULO XX BEM DEMONSTROU.

Assim se demonstra como a fraternidade pregada pela seita conciliar e seus falsos papas do diabo, SENDO UMA FRATERNIDADE SEM PAI, SÓ PODE PRODUZIR UM ESTADO DE GUERRA DE TODOS CONTRA TODOS; PORQUE TODOS QUEREM TUDO E JÁ, PORQUE SÓ TEMOS ESTA VIDA; E O PRÓXIMO SERÁ ENTÃO APENAS AQUILO QUE SARTRE SINTETIZOU: “O INFERNO SÃO OS OUTROS!”  

Todavia, é na Ordem Sobrenatural que vamos encontrar as razões mais profundas e mais definitivas, porque Eternas, que unindo fraternalmente os homens na Glorificação de Deus, pela Graça Santificante, as Virtudes Teologais e Morais e os Dons do Espírito Santo – também igualmente os separam no abismo intransponível entre a Cidade de Deus e a Cidade do demónio; entre o Céu e o Inferno.

Efectivamente, já neste mundo, os homens de Deus, aqueles que possuem a Graça Santificante, se encontram a uma distância moralmente infinita daqueles que estão em pecado mortal, mas na exacta medida em que estes ainda são mortais, essa distância não é definitiva, porque subsiste sempre uma potencialidade à Ordem Sobrenatural da parte dos que não possuem a Graça Santificante. Para santo Agostinho, o confronto permanente entre essas duas cidades constitui como que o motor da História, visto que Deus Nosso Senhor, com a Sua Providência, JAMAIS ABANDONA OS SEUS ELEITOS, POR MAIS TORMENTOSAS QUE SEJAM AS VICISSITUDES QUE TÊM DE ATRAVESSAR, VEICULANDO O FACHO DIVINO ATÉ AO DIA DO JUÍZO.   

Uma das realidades que mais caracterizadamente discrimina a Fé Católica em relação às pseudo-religiões de satanás, constitui precisamente o Mandamento do amor incondicional ao próximo, o qual é fundamentado na citada potencialidade (pelo menos esta) para se ser enxertado na vida Sobrenatural do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo. O amor ao próximo não é um amor sensível, É O PRÓPRIO AMOR SOBRENATURAL A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS IRRADIADO OPERATIVAMENTE SOBRE OS BENS E AS FINALIDADES DA CRIAÇÃO, NOMEADAMENTE SOBRE O NOSSO PRÓXIMO, IMAGEM ESPIRITUAL DO CRIADOR.

Neste quadro conceptual, os CONDENADOS AO INFERNO ENCONTRAM-SE EXCLUÍDOS DA ESFERA DO AMOR, POIS PERDERAM A SIMPLES POTENCIALIDADE DE SE ASSEMELHAREM A DEUS PELA GRAÇA E PELA GLÓRIA; E ASSIM ESTÃO EXCLUÍDOS MESMO DO AMOR PURAMENTE NATURAL. NA REALIDADE, SÓ PODEM SER ODIADOS, COM ÓDIO NÃO TERRENO NEM HUMANO, MAS VERDADEIRAMENTE TEOLÓGICO E EMINENTEMENTE OBJECTIVO.

Existem almas que colocam o seguinte problema: Como poderei eu ser feliz no Céu se tiver parentes e amigos no Inferno?

A alma, mesmo na Graça de Deus, entristece-se imaginando os seus parentes e amigos no Inferno, o que é perfeitamente natural, PORQUE AINDA ESTÁ NA TERRA E É UMA PESSOA MORTAL. Mas quando contemplar beatìficamente a Deus Nosso Senhor, intuirá, na Essência infinitamente Verdadeira e Santa do seu Criador, a Justiça absoluta dessa condenação ao Inferno, o que não só eliminará qualquer dor, como produzirá uma alegria integralmente imersa na Caridade Bem-Aventurada. Cumpre todavia assinalar, que até ao fim do mundo, os eleitos do Céu possuem uma comensurabilidade extrínseca com o tempo da Terra e com as suas vicissitudes boas e más, e de forma igualmente extrínseca e acidental, regozijam-se e entristecem-se com elas; mas não se deve pensar que esses eleitos, incluindo todos os Santos e Nossa Senhora, embora já na Eternidade, possam conhecer, com certeza, se uma alma que vive na Terra, se vai condenar, ou se se vai salvar, salvo, evidentemente, uma revelação Divina. Daqui se infere a imensa fecundidade da intercessão dos Santos, e em especial, da Mediação Universal especialíssima de Maria Santíssima.

Consequentemente, Nossa Senhora, quando, por ordem de Deus, vem à Terra nas suas augustas Aparições, QUANDO SE MOSTRA TRISTE, ESTÁ REALMENTE TRISTE COM AS OFENSAS A SEU DIVINO FILHO, CONQUANTO ESPIRITUALMENTE CONTINUE NO CÉU, NA INTIMIDADE BEATÍFICA DE DEUS.

Será Nosso Senhor Jesus Cristo nosso irmão?

Nosso Senhor, enquanto Homem, pertence absolutamente à espécie humana, porque a Sua Alma não existiu antes de ser concriada com o Seu Corpo. E no momento ontológico em que a Santíssima Alma de Nosso Senhor era concriada com o Seu Corpo, O Verbo de Deus unia-Se Hipostàticamente a Essa Natureza Humana, de modo que esta nunca pertenceu a uma pessoa Humana, nunca existiu por Si mesma, MAS NA PESSOA DO VERBO. E não se afirme que Essa Natureza Humana é inferior à nossa pelo facto de não ser pessoal. Pelo contrário, Tal Natureza possui uma dignidade Infinita, precisamente porque não subsistindo por Si mesma, de uma forma humana, subsiste n’Uma Pessoa Divina, cuja dignidade é Infinita. Além do que a Natureza Humana de Nosso Senhor, em Si mesma, como Natureza, eleva a perfeição humana até ao mais elevado zénite permitido pela própria definição ontológica e transcendental de espécie humana.

PORTANTO: NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, COMO HOMEM, É NOSSO IRMÃO E NOSSO MODELO, COMO DEUS, É NOSSO CRIADOR E NOSSO FIM ÚLTIMO, COMO DEUS E COMO HOMEM, É NOSSO REDENTOR, NOSSO SANTIFICADOR, NOSSA CABEÇA DO ORGANISMO MÍSTICO, E NOSSO CONSUMADOR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Março de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral    

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: