Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

II – O AMARGO DILEMA DA ADESÃO DA IRMÃ LÚCIA À NOVA ORDEM RELIGIOSA

 

 Arai Daniele

Numa carta que escrevi para a Irmã Lúcia em 1998 lembrei-lhe os momentos cruciais do seu testemunho, quando, após 1960, prevaleceu um escrúpulo indiscreto, inimigo da verdade pura e simples. E o primeiro foi o de sua entrevista com o Padre Fuentes, em dezembro de 1957, cuja divulgação foi aprovada pelo Bispo de Leiria / Fátima e pelo arcebispo mexicano do Padre. Mas em 1959 ela foi vetada pelo Vaticano de João 23 e desdita pela Irmã sob pressão do Bispo de Coimbra numa dupla notificação, da Irmã e da Curia, publicadas nos jornais:

Essa minha carta de 1998 ficou sem resposta. Resta, no entanto, que sua negação sob pressão do Bispo está exposta nesses mesmos termos no meu livro em português (Entre Fátima e o Abismo), levado em mãos para a Irmã pela sua sobrinha Maria do Fetal, que a visitava todo mês porque como parente tinha essa permissão. Nada ali foi impugnado pela Irmã Lúcia, senão que era polêmico.

Esta certeza me foi trazida pela sua sobrinha quando, de volta de Coimbra, onde ela tinha falado com a tia, nos visitou na casa de Aljustrel. Estavam comigo o Rv. inglês Robert Belwood e a freira francesa Marie Lucie Fouchet. Nessa ocasião ficamos sabendo que a Irmã recomendava docilidade às instruções superiores, mesmo as relativas ao V 2 e ao encontro ecumenista de Assis de 1986.

Naquela ocasião ouvimos parte do que mais tarde a Irmã diria abertamente em duas diferentes entrevistas de duas horas com dois grupos, do cardeal indiano Padiyara e um ano após com o grupo do cardeal filipino Vidal.

Vejamos o que está no meu livro em português que a Irmã Lúcia leu sobre o caso: «Nesse ponto [julho de 1960] o bispado de Coimbra interveio com uma comunicação oficial que condenava a “campanha de profecias que chegavam a provocar uma tempestade de ridículo”, acrescentando uma declaração de irmã Lúcia que declarava ignorar castigos falsamente atribuídos a ela. Referia-se à entrevista de padre Fuentes, mas, como muito bem nota o padre Joaquím Alonso, que é o maior relator dos fatos de Fátima (vários volumes entregues ao Santuário de Fátima pelos clareteanos de Roma para edição póstuma), no seu livro Segredo de Fátima, fatos e lenda: “o que padre Fuentes diz no texto original de sua conferência no México corresponde, sem dúvida, à essência do que ele ouviu durante suas visitas à irmã Lúcia, pois embora no relatório os trechos estejam misturados com adornos oratórios e outros recursos literários, eles não dizem nada que a vidente já não tenha dito em seus numerosos escritos publicados. Talvez o defeito foi ter classificado de mensagem ao mundo o que ouviu.”

«Devemos acrescentar ser verdade que há distorções e abusos sobre muitas mensagens proféticas, isso ocorre até mesmo com a Bíblia, mas  não justifica que seja preterida a distinção entre o falso e o genuíno, condenando tudo como fez o bispado de Coimbra. O que nos refere padre Fuentes é sem dúvida valioso e fiel. Além disso, como se viu, não há fantasias sobre castigos e cataclismos, como devem ter descrito à irmã Lúcia, que quase certamente não leu o texto e é muito reservada quando fala da mensagem, obedecendo sempre às ordens superiores.

«É preciso lembrar, ainda, que há um segundo relatório em que o padre mexicano fala dos sofrimentos pessoais de Pio XII, que nos últimos meses de sua vida via uma situação preocupante no mundo e na Igreja. Teria tido irmã Lúcia uma visão do que aconteceria sob os novos pontificados? De fato, o quadro religioso descrito nesse relato de 1957 em pouco tempo demonstrou ser apenas um esboço. Os católicos que testemunharam as transformações da Igreja depois de Pio XII viram a vida eclesial degenerar rápida e sinistramente. Abandonou-se a oração e a penitência como desprezou-se a doutrina e a virtude, e, embora os perigos do mundo aumentassem em turbilhão e invadissem até o recinto sagrado, ninguém mais convocava à defesa da Fé. Se antes não se ouvira Fátima, depois tentou-se deturpá-la e ocultá-la. A tristeza de Maria Santíssima ficou esquecida.

«E aconteceu que, enquanto crescia a indiferença para com os sinais do Céu, aumentava a invocação de obediência e respeito para com os projetos e transformações efetuados na Terra. Também dentro da Igreja, nunca se convocou tanto à caridade e compreensão para com os erros de toda ordem [Veja-se hoje Bergoglio]. Só a fé deixava de ser lembrada.

Acrescente-se que o padre Alonso foi escolhido como arquivista da documentação de Fátima porque se opunha à divulgação da entrevista da Irmã Lúcia ao padre Fuentes. Foi quase dez anos depois que, melhor conhecedor do que a Irmã sempre dissera sobre maus tempos futuros, que justificou o texto da entrevista. Dirão: quem na Igreja pode saber melhor que o papa e os bispos como operar para a defesa da fé e a salvação das almas! Na verdade essa missão cabe especialmente à hierarquia, mas é responsabilidade, não privilégio e é paga com espinhos, não com aplausos. “Ai de vós quando os homens vos louvarem!” (Lc. 6,26)

Não seguia essa hierarquia “deviações diabólicas”, como repetiu a Irmã nos anos de 1970? Quanto ao que pesava sobre a mente da Irmã Lúcia no período 1958-1969, foi posta cerrada censura, tanto às visitas como è externação de seus pensamentos em textos de suas cartas ou diário. Para cúmulo desse controle pode-se citar que ao seu confessor, o jesuíta Aparício, de volta de sua missão na África, foi impedido qualquer contato. O mesmo, para o bispo de Leiria, Alberto Cosme do Amaral que nos anos setenta pedia permissão ao Vaticano para ouvir a Irmã sobre a devoção dos primeiros sábados – não publicada; negação que perdura!

Sobre a possível auto-censura de Lúcia, se trata daquela que confronta a gravidade das palavras da Mãe de Deus, transmitida pela irmã ao Padre Fuentes, com o seu desmentido devido à submissão diante da nova ordem querida a Roncalli, João 23 e Montini, Paulo 6 em diante. Em breve: o vértice clerical que censura Maria SS.!

Estes «papas conciliares» queriam censurado tudo o que fosse contrário a seus projetos para abrir a Igreja ao mundo e erguer outra mais aceita globalmente em torno de uma misericórdia ecumenista! Certamente a profecia de Fátima era de obstáculo a estas pérfidas utopias modernistas! Podem as causas de beatificação ir em frente com tais contradições e segredos? Só de forem de outra igreja!

Desmentido (Nota da Cúria diocesana de Coimbra)

«O Rev. padre Augustin Fuentes, postulador na causa da beatificação dos Videntes de Fátima Francisco e Jacinta, visitado, no Carmelo de Coimbra a irmã Lúcia, e falando com ela exclusivamente sobre coisas referentes ao Processo, chegado ao México, sua pátria (a darmos crédito ao que referiu “A Voz” de 21 de Junho e repetiu em 1° de Julho em tradução de M. C. de Bragança), permitiu-se fazer afirmações mirabolantes, de sentido apocalíptico, escatológico e profético, que declarou ter ouvido à Irmã Lúcia.

«Dada a gravidade de tais afirmações, a Cúria Diocesana de Coimbra entendeu ser seu dever mandar fazer rigoroso exame sobre a autenticidade do que pessoas, dadas a tais especulações do maravilhoso, espalharam no México, nos Estados Unidos, na Espanha e finalmente em Portugal. Para tranquilidade de tantos que. ao lerem a Documentação publicada na “A Voz”, se alarmaram, ficando apavorados com os cataclismos que (segundo diz tal documentação) cairão sobre o Mundo em 1960, e sobretudo para se pôr termo a tão tendenciosa campanha de «profecias» cujos autores, talvez sem disso se darem conta, estão a fazer cair o ridículo sobre si mesmos e sobre coisas que à Irmã Lúcia se referem, a Cúria Diocesana de Coimbra torna públicas estas palavras da Irmã Lúcia, resposta a perguntas que quem de direito lhe fez.

“O Padre Fuentes falou comigo por ser o postulador da causa da Beatificação dos Servos de Deus Jacinta e Francisco Marto; tratamos únicamente de coisas relacionadas com esse assunto, pelo que tudo o mais a que ele se refere não é exato nem verdadeiro, o que lamento, pois não compreendo que bem se possa fazer às almas com coisas que não têm por base Deus, que é a verdade. Nada sei, nem coisa alguma, portanto, podia dizer sobre tais castígos, como falsamente se me atribui.»

Num jornal local, em uma inserção paga, dá-se essa notícia em grande: a Irmã Lúcia desmente. Depois, separadamente vem a seguinte nota da Cúria no jornal:

« A Cúria Diocesana de Coimbra está habilitada a poder declarar que a Irmã Lúcia, tendo dito até ali tudo o que entendeu que devia dizer sobre Fátima, e que se encontra nos vários livros publicados sobre Fátima, pelo menos desde fevereiro de 1955 para cá, nada disse e por isso a ninguém autorizou a trazer a público seja o que for que lhe possa ser atribuído, acerca de Fátima.»  Coimbra, 2 de julho de 1959.

Deve-se notar aqui que eles próprios determinam a data das próximas censuras a partir de 1955! Isso serviu para negar o que foi publicado pelo Padre Fuentes. No entanto, se fosse verdade, como as pessoas pensam e a mesmo freira não negou a mim mais tarde, esta envolvia um apelo urgente de Maria em Fátima.

Quem, senão Roncalli, João 23, queria negar o aviso sobre o iminente ataque final do diabo à Igreja como “profecia da desgraça” alarmista para os novos tempos? Mas o bispo de Coimbra, Dom Ernesto Sena de Oliveira, queria que isto fosse negado com a concorrência da mesma irmã Lúcia. E ela devia fazê-lo denunciando quem publicara as mesmas palavras que ela ouvira da Mãe de Deus? O que podia ter acontecido que sugerisse à Irmã que estas palavras proféticas fossem falsas ou prejudiciais ao apostolado de Fátima?

Vejamos então a seqüência de eventos após a entrevista em questão.

No dia 9 de outubro Papa Pio XII morre e no dia 28 é eleito o cardeal Roncalli, João 23. Deste provavelmente a irmã Lúcia já se tinha feito uma idéia no mau discurso ouvido em Fátima, em 1956, irradiado pela Rádio Nacional. Mas em 1958 a eleição de um novo papa deve ter despertado alegria no Carmelo de Lúcia como de um homem de aparência simples e boa para substituir dignamente Pio XII. João 23 logo iria surpreender pela maneira informal de recém-eleito, visitando hospitais, paróquias e a prisão em Roma. Eram notícias que circularam no mundo traçando um retrato de João 23 como “papa bom”, amante e defensor da paz. Isto, também no Carmelo de Coimbra, deve ter parecido um bom presságio, embora em contraste com os perigos narrados pela Vidente de Fátima nas palavras da Virgem Maria sobre a luta iminente contra a Igreja, difundido pelo Padre Fuentes.

O que isso podia ter significado para a consciência de Lúcia essa discrepância? Afinal, se iniciavam bons ou maus tempos? Talvez ela se tenha enganado em imaginar desastres, contra o sentimento geral que seguiu, de tempos pacíficos? Ainda não se conheciam os desastres causados por esses «papas conciliares».

A ordem de Curia de Coimbra para o desmentido da entrevista com o Padre Fuentes veio em seguida, nos primeiros dias de Roncalli no Vaticano e pouco antes da difusão da notícia que a terceira parte do segredo, nunca seria publicada.

E assim os anos se passaram no silêncio de Roma e Lúcia sobre os avisos de Nossa Senhora de Fátima. A palavra de ordem era seguir os novos «papas conciliares» e acusar aqueles que tinham dúvidas sobre a nova doutrina, embora fosse contrária ao espírito de Fátima e João 23 revelava-se cada vez mais como um modernista e filo-mação evidente. Mas a noção equivocada de obediência também contra a fé verdadeira prevaleceu dai para a frente, ocultando o descalabro na Fé.

E tudo indica, mesmo se não há textos da Irmã, que depois de uma sua profunda luta no âmbito de sua própria consciência, ela tenha ficado convencida do dever de obedecer, mesmo à custa da credibilidade do que dissera de conexo à profecia de Fátima. E justamente no período em que o mundo católico começou a ter sérias dúvidas sobre a legitimidade de Paul 6, que promoveu após o V2 ​a nova missa, uma carta da irmã pode finalmente ser publicada para dizer o que segue.

Após o longo silêncio eis uma carta, é para o Dr. Alcino 12/27/1969

“… felicidade para o novo ano … unidos ao líder supremo, que é o Papa Paulo VI. Não há outro que seja verdadeiro, nem escolhido por Deus como cabeça do seu Corpo Místico na terra. Ele é o guia de Seu povo. Povo de Deus, que forma a Igreja militante da qual temos a felicidade de ser membros; devemos permanecer fiéis e firmes na fé, na esperança e na caridade, unidos ao representante de Cristo na terra, seguindo a sua doutrina, os seus ensinamentos, suas diretrizes: – se alguém dissesse o contrário, não lhe dê, porque aqueles estes estão em erro; são os mencionados pelo Senhor em seu Evangelho: “Os ramos que separam da videira, murcham, secam e servem apenas para ser jogados no fogo para queimar.”

Depois disso haveria que falar das supostas visitas de Nossa Senhora à Irmã Lúcia após 1959 e nos anos conciliares como elemento que torna ainda mais profundo o mistério da consciência da vidente de Fátima, que passou do tormento da dúvida, ao outro de uma total obediência compulsiva às “autoridades conciliares”. No entanto, o fato é que ela passou a recomendar a todos, em toda ocasião que podia, a obrigação geral de sujeição, sob o risco de perder a própria alma!

E em torno da Mensagem profética de Fátima, desde então, prevaleceu uma enorme confusão e o mais pérfido engano, obrigatório segundo a confusa vidente de Fátima, que auto-censurou as palavras da Virgem Mãe que transmitira ao padre Fuentes! Mas os devotos de Fátima não caem nessa porque aquela descrição já se tornou atual, senão superada por uma decadência clerical calamitosa!

Pretendem que se esqueça a tristeza de Nossa Senhora sobre tal situação? Impossível, porque a torpeza desta fica ainda mais gravada por se ter forçado a consciência da vidente a desmentir avisos celestes dados para o bem das almas.

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