Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A CONSCIÊNCIA SOBRENATURAL DO CUMPRIMENTO DO DEVER


Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Non Abbiamo Bisogno”, promulgada em 29 de Junho de 1931:

«A Paz interior, essa paz que brota da plena e clara consciência de se estar com a Verdade e a Justiça, de se combater e sofrer por elas; essa Paz, que sòmente o Rei Divino sabe dar o que o mundo não pode dar nem tirar, essa Paz bendita e benéfica, graças à Bondade e Misericórdia de Deus, não nos tem abandonado um momento sequer, e temos a inabalável esperança que, suceda o que suceder, não nos abandonará jamais. Contudo, bem sabeis, veneráveis irmãos, que essa Paz deixa livre acesso aos mais amargos dissabores. Assim o experimentou o Sagrado Coração de Jesus em Sua Paixão; e o mesmo experimentam os corações de todos os fiéis servidores, e nós também experimentamos a verdade dessa palavra misteriosa: “ENCONTREI PAZ NA MINHA AMARÍSSIMA AFLIÇÃO” (Is 38,17). A vossa intervenção pronta, ampla, afectuosa, ainda não cessou, Veneráveis irmãos, os vossos sentimentos fraternos e filiais, acima de tudo, esse sentimento de alta e Sobrenatural solidariedade, de íntima união de sentimentos e de pensamentos, de inteligências e de vontade, que brotam das vossas relações cheias de amor, encheram-nos o coração de confortos indizíveis, e muitas vezes fizeram aflorar aos nossos lábios, do fundo do nosso coração, as palavras do Salmista: “À proporção das muitas dores que atormentaram o meu coração, as Tuas consolações alegraram a minha alma”(Sl 93,19). Por todas estas consolações, depois de Deus, vos agradecemos de todo o coração, Veneráveis irmãos, a quem podemos repetir a Palavra de Jesus aos Apóstolos, predecessores vossos: Vós sois os que tendes permanececido co’Migo no meio das minhas tribulações (Lc 22,28).

Sentimos também, e queremos cumprir o dever tão doce ao coração paternal, de agradecer convosco, veneráveis irmãos, que individual e colectivamente, em seu nome e da parte das diversas organizações e associações consagradas ao Bem, e mais amplamente, da parte das diversas organizações da Acção Católica e da Juventude Católica, nos enviaram expressões de condolências, de devoção, de generosa e efectiva conformidade com as nossas normas e nossos desejos. Foi para nós especialmente belo e consolador ver as Acções Católicas de todos os países, desde os mais próximos até aos mais longínquos, encontrarem-se reunidas ao redor do pai comum, animadas e como que impulsionadas, por um  mesmo espírito de Fé, de piedade filial, de generosos propósitos, nos quais se traduzia, unanimemente, a surpresa dolorosa de ver a Acção Católica, PERSEGUIDA E FERIDA PRECISAMENTE NO CENTRO DE TODO O APOSTOLADO HIERÁRQUICO. (…)

Levareis, Veneráveis irmãos, a expressão do nosso paternal reconhecimento a todos os vossos e nossos filhos, em Jesus Cristo, que se mostraram tão bem formados em vossa escola, e tão bons e piedosos para com o pai comum, que nos fazem exclamar: “ESTOU INUNDADO DE ALEGRIA NO MEIO DAS MINHAS TRIBULAÇÕES” (IICOR 7,4).»

 

A maior miséria a que pode chegar um ser humano, é quando suprime a diferença, o abismo, substancial, objectivo, Eterno e imutável, entre o Bem e o mal. Ora foi essa, essencialmente, a obra do Vaticano 2. É essa a propriedade constitutiva da hedionda evolução moral da Humanidade nos últimos 600 anos, a qual conduziu à civilização actual: VERDADEIRA ANTE-CÂMARA DO INFERNO!

Efectivamente, se aceitamos um tal pressuposto, o da relatividade do Bem e do mal, a nossa vida

cessa completamente de fazer sentido; como de resto sempre ensinou a Santa Madre Igreja: Uma vez destruída a Fé Católica, uma vez obliterado em nós o fundamento e a finalidade Sobrenatural – só restam os prazeres mais grosseiros, o atropelo de toda a lei Divina e humana, a indiferença pelo próximo, e frequentemente, as diversas drogas e o suicídio.

Temos de lutar contra isso, mas jamais num plano de culto das aparências, de uma certa estética tradicionalista que olvida inteiramente a transformação interior, a ascensão da alma para Deus, o afastamento moral deste mundo mau.

Infelizmente, grande parte da “vida cristã” ao longo dos séculos contentou-se com essas aparências, e por isso a História Universal pouco mais é do que a história da maldade humana. Toda a Sagrada Escritura nos adverte vigorosamente contra o culto das exterioridades, qualificando-o como uma das mais graves consequências do pecado original. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, condenando com extremo rigor o fariseísmo, execrava, de uma vez para sempre, toda a simulação humana, na sua tremenda carga histórica.

“Paris vale bem uma Missa!”Nesta criminosa frase, proferida por Henrique IV, para se tornar rei de França, se sintetiza toda a abominação humana, toda a hipocrisia, todo o nominalismo, que desde sempre varreu a História. Nunca percamos de vista que a Religião concebida nominalmente constituiu sempre um factor de edificação de estruturas de riqueza e poder. Mesmo na denominada “Idade da Fé”, no século XIII, houve Imperadores, como Frederico II, de pura laicização, para os quais a Sacrossanta Religião representava sòmente um factor importantíssimo na já citada criação de estruturas de riqueza e do poder.

QUEM SE OPUSER A TUDO ISTO, A TODAS ESTAS MONSTRUOSIDADES, UMA CERTEZA PODE TER – É QUE SERÁ PERSEGUIDO, E TANTO MAIS O SERÁ, QUANTO MAIS PIEDOSO FOR.

O grande segredo da vida Sobrenatural reside precisamente na inefável felicidade e paz com que se sofre por Nosso Senhor; NENHUM SOFRIMENTO NATURAL E TERRENO PODE, EM CASO ALGUM, GERAR UMA FELICIDADE ASSIM; CASO NÃO A POSSUAMOS É DE TEMER QUE A GRAÇA SANTIFICANTE NÃO HABITE NA NOSSA ALMA.

Uma pessoa que contìnuamente se lamenta da dificuldade em cumprir a Lei Divina, acrescentando que só quer fazer o suficiente para ir para o Céu – ESSA PESSOA NÃO TEM A GRAÇA SANTIFICANTE NEM A CARIDADE.

É próprio da vida da Graça crescer contìnuamente, com o auxílio de Deus, embora de forma lenta; se desistimos desse progresso na virtude, dessa Fidelidade Teologal, breve tombaremos no pecado mortal.

O amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, consiste igualmente no SUPREMO AMOR À SANTÍSSIMA LEI DIVINA, NÃO UM ABORRECIEMNTO DESSA MESMA LEI. PORQUE O MANDAMENTO DA LEI DE DEUS NÃO RESULTA DE UM CAPRICHO DA VONTADE DIVINA, MAS É INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM ABSOLUTO E INCRIADO.

Uma das grandes provas de que possuímos a Graça de Deus, reside exactamente nessa Paz Sobrenatural que acompanha toda a nossa existência, mesmo, e sobretudo, nas suas vicissitudes mais difíceis. Inversamente, as pessoas do mundo, aqueles que caminham pela “PORTA LARGA”, possuem uma vida interior e exterior extremamente, conflituosa, sobressaltada, cindida, incoerente – MINADA PELO NADA! Tal promana, não sòmente da falta da Graça Santificante, como também da ferida da natureza que se torna mais hiante em virtude da ausência dessa mesma Graça. Porque se tudo é relativo, então todas as nossas acções carecem de verdadeiro sentido substancial, quer fundamentante, quer teleológico, como já se referiu. Porque onde não há Padrões objectivos, também não pode haver bússola que esclareça os meios e os fins secundários. Os anti-sedevacantistas de maneira alguma podem sentir a Paz Sobrenatural do dever cumprido, salvo, evidentemente, casos esporádicos de boa fé motivada pela extrema ignorância.

Ser anti-sedevacantista, nos tempos que correm, é receber ordens da maçonaria internacional para concretizar a liquidação do que resta da face humana do Corpo Místico. Pelo contrário, os derradeiros defensores da Santa Madre Igreja e da Doutrina Católica, encontram nas suas provações o Lume Sobrenatural da única realidade pela qual vale a pena viver neste mundo miserável: CONHECER, AMAR E SERVIR A DEUS, SOBRE TODAS AS COISAS, E ALÉM DE TUDO O MAIS, E AMAR O PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS.

Porque o que torna a Fé Teologal, sobretudo enquanto formada pela Graça Santificante e pela Caridade perfeita, OBJECTIVAMENTE, inamissível, é precisamente o seu carácter Sobrenatural, ou seja, enquanto participa, acidental mas realmente, da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade Divina. É certo que a Fé se pode perder, e perde efectivamente, pela culpa subjectiva, mas objectivamente, a Fé, por definição, não se pode perder.

A penosa ausência de paz, que afecta e divide o mundo tradicionalista, e mesmo o mundo sedevacantista, constitui óbvia consequência DA GENÉRICA FALTA DE SANTIDADE, PORTANTO DA FALTA DA GRAÇA SANTIFICANTE E DA CARIDADE PERFEITA, E MAIS REMOTAMENTE, É CONSEQUÊNCIA DA AUSÊNCIA DE PAPA E DA PRESENÇA DO ANTI-CRISTO. PORQUE A PRIVAÇÃO POSITIVA DE PAPA SÓ PODE CONCEBER-SE PORQUE O ANTI-CRISTO TOMOU O SEU LUGAR.

A maçonaria internacional jurou a satanás que havia de suprimir a Fé Católica, ATÉ AO ÚLTIMO CRENTE, e que todo o Património visível da Santa Madre Igreja passaria para as suas mãos, na edificação da cidade sem Deus, da cidade onde até o conceito de Deus seria suprimido. O anti-sedevacantismo é a bomba atómica destinada a eliminar, sobretudo, a Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, mas também todas as outras associações que gravitam em torno desta. Salvo uma vigorosíssima reacção de última hora, esse objectivo já foi conseguido.

O dever Sobrenatural de guardar e defender a Fé Católica, tende a perder assim o seu carácter aparentemente institucional, para relevar um pendor individual e familiar. Mas reparai que eu disse “aparentemente” ou seja, naquilo que surge perante o mundo. Porque a Santa Madre Igreja, como verdadeira instituição de Direito Divino, reduzida à expressão mais simples, será – JÁ É – como que uma molécula de Graça no meio do negro oceano da apostasia e do paganismo, MAS UMA MOLÉCULA QUE POSSUI E ENCARNA O PATRIMÓNIO INFINITO DA REVELAÇÃO DIVINA, O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA E OS SACRAMENTOS, E A CONSEQUENTE PAZ E BEATITUDE QUE CONSTITUEM COM QUE A AURÉOLA DESSA GRAÇA, E QUE SÃO OS FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO. Sabemos que as Bem-Aventuranças são frutos do Espírito Santo, pois como que irradiam da superabundância dos Bens da Graça, extraordinàriamente enriquecida pelos Dons do Espírito Santo. Todavia estes Bens são já realmente incoativos da Luz da Eternidade, E A ESSA LUZ SE CONTEMPLAM TODAS AS MISÉRIAS DESTE MUNDO. Foi pensando nos Seus Santos e nesses maravilhosos e Sobrenaturais frutos de Santidade que Nosso Senhor afirmou: “DISSE-VOS ISTO PARA TERDES PAZ EM MIM, NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES, MAS TENDE CONFIANÇA, EU VENCI O MUNDO” (Jo 16,33).

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Anúncios

4 Respostas para “A CONSCIÊNCIA SOBRENATURAL DO CUMPRIMENTO DO DEVER

  1. henrique abril 12, 2017 às 11:42 pm

    “O grande segredo da vida Sobrenatural reside precisamente na inefável felicidade e paz com que se sofre por Nosso Senhor; NENHUM SOFRIMENTO NATURAL E TERRENO PODE, EM CASO ALGUM, GERAR UMA FELICIDADE ASSIM; CASO NÃO A POSSUAMOS É DE TEMER QUE A GRAÇA SANTIFICANTE NÃO HABITE NA NOSSA ALMA.
    Uma pessoa que contìnuamente se lamenta da dificuldade em cumprir a Lei Divina, acrescentando que só quer fazer o suficiente para ir para o Céu – ESSA PESSOA NÃO TEM A GRAÇA SANTIFICANTE NEM A CARIDADE.
    É próprio da vida da Graça crescer contìnuamente, com o auxílio de Deus, embora de forma lenta; se desistimos desse progresso na virtude, dessa Fidelidade Teologal, breve tombaremos no pecado mortal.
    O amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, consiste igualmente no SUPREMO AMOR À SANTÍSSIMA LEI DIVINA, NÃO UM ABORRECIEMNTO DESSA MESMA LEI. PORQUE O MANDAMENTO DA LEI DE DEUS NÃO RESULTA DE UM CAPRICHO DA VONTADE DIVINA, MAS É INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM ABSOLUTO E INCRIADO.”

    Caro Alberto, pergunto se será igualmente um sintoma da falta de graça santificante quando uma pessoa tem a sensação de que a Lei é arbitrária, embora ela tenha aprendido que não pode ser assim; não obstante, ela se esforça por cumprir a Lei. Quero dizer: a pessoa não compreende por que não pode fazer tal coisa, ainda que se esforce por evitá-la, porque se lembra que o Evangelho, os santos, os catecismos, e toda a Igreja sempre mandaram que se a evitasse. Ela confia na Igreja, mas nem sempre compreende a Lei. A frustração que normalmente acompanha um tal esforço contra o pecado, é o aborrecimento referido acima?

    • Alberto Cabral abril 13, 2017 às 3:49 pm

      Um homem pode perfeitamente possuir a Graça Santificante, e sentir na parte inferior da sua alma uma grande secura, até mesmo uma grande amargura, pela falta de companhia feminina; porque na parte superior dessa sua mesma alma goza da inefável felicidade sobrenatural de oferecer a Deus tal sacrifício.
      Aquele que aborrece a Lei Divina, pode até cumprir materialmente a Lei auxiliado pela Graça Medicinal e Actual, mas não sente essa felicidade Sobrenatural, porque não possui a Graça Santificante.
      Alberto Carlos ROSA Ferreira das Neves Cabral – Lisboa

  2. henrique abril 13, 2017 às 12:28 am

    “Ser anti-sedevacantista, nos tempos que correm, é receber ordens da maçonaria internacional para concretizar a liquidação do que resta da face humana do Corpo Místico.”

    O que me levou a dar testemunho da usurpação não foi o estudo minucioso da Doutrina; na verdade, foi apenas isso: ser anti-sedevacantista resulta na liquidação do que resta da face humana do Corpo Místico. É preciso mais que isso? Não é verdade que “pelos frutos os conhecereis”?

    Pois então: que fruto, pergunto eu, pode dar uma posição segundo a qual não devemos concordar com o exterminador, mas tampouco devemos reagir contra ele? Que resultado pode dar essa posição, senão o extermínio?

    Ninguém espera uma coisa, e faz o contrário do que leva a essa coisa. Ninguém que deseja ter um bonito jardim será conivente com as pragas que o destróem. Então por que raios esses católicos, chamados tradicionalistas, insisitem em maldizer a igreja do Concílio Vaticano II ao mesmo tempo em que perfazem o ridículo e asqueroso papel de primeiros e mais dedicados cãezinhos de guarda dos destruidores da Igreja? Sim, porque é deles que partem as mais eruditas defesas da legitimidade dos destruidores, que assim podem prosseguir tranquilos com seu trabalho de demolição.

    O que esperam com isso?

    • Alberto Cabral abril 13, 2017 às 3:58 pm

      Os tais “católicos ” que refere na realidade perderam , ou nunca possuíram a Santa Fé. Exceptuam-se certos casos de ignorância crassa. Aquilo que seria legitimo afirmar há 40 ou 50 anos constitui hoje uma verdadeira apostasia. Mesmo Monsenhor Lefebvre era quase sedevacantista, ou mesmo já sedevacantista ,em privado. O seu maior erro foi não ter aproveitado as Sagrações de 30/6/1988 para denunciar publicamente os falsos papas e o falso concílio.
      Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral -Lisboa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: