Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

UM «ACORDISMO RESISTENTE» ENLEOU O FILOSOFAR DE MUITOS «MESTRES»;  no ideário do P. Calderón e do Carlos Nougué  

Arai Daniele

Parece que há uma «resistência católica» contrária a acordar-se com o «magistério conciliar». Ela seria encabeçada por mgr Williamson e agora por outros dois bispos consagrados para tal fim, isto é para o testemunho do delito cometido pelos conciliares, atentando contra a pureza e integridade da Fé, mas reconhecendo o direito dos que perpetram tal atentado; tal flagrante incoerência é estranha à Igreja. Resulta de uma vulnerabilidade mental e talvez moral ligada aos percalços recente do Catolicismo. O que pode ter de católica essa reação, que pretende, mas na verdade cessa o testemunho, por exemplo o iniciado por Mgr Lefebvre? Este arcebispo afirmou várias vezes a necessidade de dizer um dia que os papas conciliares não eram papas. Morreu infelizmente sem dize-lo e assim hoje esse seu propósito, que ficou gravado,  é até mesmo negado pelos clérigos que dizem ser seus continuadores, contrariando-o.

Ora, vamos partir de uma visão que figure o delito perpetrado contra a Igreja e da estranha reação que suscitou em muitos instruídos. Julgue-se a visão de alguém que apunhala outro. Qualquer pessoa testemunharia que a ação é imputável a quem usou o punhal. Mas hoje, para alguns «mestres» de nossos tempos, tal verdade dependeria da veste do agressor; se fosse de papa, o ato passaria a ser imputável… ao punhal! Parece um chiste, no entanto, aplicando tal figura ao que acontece nestes tempos de religião conciliar, hoje vemos filósofos» empenhados em ensinar que no caso de «papas modernistas», autores de um «magistério conciliar», que inocula erros e heresias – o que significa apunhalar na Fé, deve-se resistir mais a este «punhal magisterial», do que à «autoridade» que o empunhou no intento de seccionar a Fé de acordo com as ideias em voga. Apesar desse delito, esta deve ser tida como pontifical e legítima.

 

É a reação dos que resistem ao ««punhal magisterial», mas reconhecendo suma «autoridade em quem apunhala a Doutrina, como se tal ato não fosse contra o Verbo no Seu Evangelho, base desta e de toda autoridade; implícita renúncia à própria eventual autoridade na Fé.

Um exemplo dessa reação irracional encontramos no livro do P. Alvaro Calderón «Prometeo – La religión del hombre», que trata da fundação da autoridade moderna (falsa) pelo Vaticano 2.  Sob o título – Una nueva jerarquia para una «nueva cristiandad» (pp. 66-68), trata da autoridade de uma igreja humanista  “al servicio del hombre para alcanzar así una nueva cristandade”.

O autor menciona a política do ralliement, isto é, do «acordismo», com que “los humanistas integrales se sienten como «cristeros» de la sociedad moderna”. Ora, quem aceita tal nova autoridade que, com tal plano, apunhala a Igreja que está a serviço de Deus, não é ele mesmo um «acordista», que põe a verdadeira autoridade divina sob a «autoridade» da falsa»?

Tal desatino acordista é tão evidente nos eruditos que assim pensam, que para eles os reais inimigos são os que testemunham uma Sede vacante da Autoridade católica. Então precisam encontrar alguma «razão» que o justifique. De fato, desde o advento dos «papas conciliares» vingou no mundo católico uma espécie de conluio na ordem moral que, com uma desculpa «prudencial», participa na decadência religiosa crescente. É contágio do «acordismo conciliar»: aceitar a heresia da autoridade pela metade: de um evidente «papa herege», mas autêntico!A este «acordismo» pode-se aplicar o que Churchill atribuiu ao acordo de Munich com Hitler, firmado pelo seu antecessor Chamberlain que abandonou a Checoslováquia ao novo tirano: “Tiveram que escolher entre a guerra e a desonra. Escolheram a desonra e tiveram a guerra”!

A pusilanimidade de conceder compromissos em questões inegociáveis, como são aquelas concernentes a religião e a moral, ditadas pela Autoridade de Jesus Cristo, impera desde o tempo do Vaticano 2? Sim, porque admitir um representante de Cristo que seja anticristo, é a mais indigna contradição; é opróbrio de toda razão sobre a qual se apoia a sociedade cristã.

A este ponto, porém, é preciso reconhecer que a débacle católica já partia de uma tendência precedente inoculada pela revolução liberal no clero e condenada pelo Magistério da Igreja na frase: o Papa que não se pode reconciliar com o mundo moderno (Syllabus do Papa Pio IX). Ora, para o modernismo a Igreja e o Papa não só podem mas devem acordar-se aos tempos da modernidade. Este é também o plano da Maçonaria para obter tal «papa» na Igreja Católica.

Na onda da necessidade de «ralliement» na política, que degenerou em «acordismo» em religião, inseriu-se a formação clerical modernista e maçônica. No tempo de São Pio X houve uma interrupção nessa tendência, mas pós sua morte e nos tempos de uma 1ª guerra mundial devastadora, pareceu que procurar qualquer acordo era melhor do que tais massacres. Nessa mentalidade formou-se um novo clero, no qual o ladino e hipócrita, Angelo Roncalli (AR).

De dato, ele aderiu ocultamente à heresia modernista, aplicando-se a dois temas do pior teor herético, como sejam a noção iluminista de «liberdade de consciência» e a naturalista da História Sagrada.  AR foi ordenado em Roma em 1904, tendo por padrinho-assistente o p.  Buonaiuti (que foi excomungado). De volta à sua cidade de Bérgamo, o bispo, Giacomo Radini Tedeschi, que conhecera e frequentara em Roma, o assume como secretário. Tal prelado, visto como bispo vermelho, era por sua vez um favorito do poderoso cardeal Rampolla del Tindaro, promotor da política de ralliement, nome com o qual é definido o convite feito pelo Vaticano do Papa Leão XIII de adesão dos católicos franceses à Terceira República maçônica.

Tal política de ralliement, visto que implicava uma iniciativa feita em nome da Igreja, acabava por indicar, inevitavelmente, muito mais, isto é, uma tendência à conciliação com os poderes modernos por razões diplomáticas. Naqueles anos, tal tendência parecia tocar só a política civil: na verdade era fruto da «mentalidade acordista», que marcou a política clerical difundida na Igreja pelos seus promotores modernistas. Estes haviam sido excomungados por São Pio X, mas na prática, para contornar a lei da Igreja bastava então que jurassem professar o contrário do que pensavam para que, protegidos por um prelado amigo, restassem em suas posições, sendo até promovidos a cargos importantes. Negariam suas ideias para fazer carreira, como é o caso de Roncalli, seguindo o que “aprendera do padre Ernesto Buonaiuti”: o “único erro de não ter sabido esperar” (Andreotti, no livro que pede a recuperação do modernismo hoje).

Não permanece talvez esta condenação, com sua clara e límpida explicação doutrinal, não só nos documentos de São Pio X, mas até de Pio XII? A estes podemos nos referir para mostrar a inversão filosófica modernista, como a de Marc Sangnier, fundador do Sillon, doutrina que foi logo condenada por São Pio X (Notre Charge apostolique), que diz: Sangnier, “com o olhar fixo numa quimera, prepara o socialismo”. Todavia, a sua foi a lembrança mais viva na formação sacerdotal de Roncalli, segundo dirá à viúva de Sangnier em 1950, como núncio em Paris.

O que S. Pio X arguia de “seita e mísero afluente do grande movimento de apostasia”, para AR era o acordo com a nova ordem globalista a seguir. Certo é que seguia claramente a praxis modernista, pela qual a Igreja devia ser mudada desde seu interior, como depois teria feito, na medida dos cargos que lhe foram confiados. Foi o que ficou demonstrado de Roncalli ao longo de sua carreira; embora seja certo que prestou o juramento anti-modernista, restou sempre claramente um modernista empenhado em mudar a Igreja. Tratava-se pois de juramento falso agravado pela traição modernista que excomunga um católico.

Só um aparato clerical composto por clérigos com uma tendência acordista podia ter ignorado tal fato, suficiente a desqualificar qualquer um sem falar da exclusão de qualquer possibilidade de discutir sobre a beatificação de quem trai um juramento sobre questão de fé. Todavia, eis o perjuro com direito a ser eleito papa e a emanar um «magistério modernista», obra pela qual seria beatificado pela nova igreja que erigiu com seus cúmplices!

Ainda hoje se diz que faltam provas do modernismo de Roncalli. De fato, como foi possível que Pio XII e cardeais importantes como Tardini, Ottaviani, Siri, não o indicaram, mas ao contrário, o votaram? É o mistério do aparato clerical «acordista» depois de São Pio X: ou era incapaz de identificar um clérigo que em toda a sua carreira havia revelado vocação modernista, ou este mesmo estava infiltrado visceralmente por desviados e pelos mações. Só assim podia ter ignorado tal herege na fé, que subia um após outro os degraus da carreira de núncio, com veste de bispo e até de cardeal, e portanto candidato a papa para ser sumo mestre visível da Igreja! É a carreira de quem operou a abertura ecumenista e foi incrivelmente beatificado.

Visto que isto aconteceu com Roncalli, do qual é possível mostrar a mentalidade impregnada não só pelas ideias modernistas, mas maçônicas, que como núncio e patriarca não mais velava, a conclusão é óbvia: o sistema clerical do tempo de Pio XII era composto em grande parte por modernistas e mações ocultos que operavam abertamente para mudar a Igreja nas barbas de clérigos ignaros do perigo acordista. Depois, todos se acordariam às mudanças do «papa»!

O papa Pio XII, conhecendo esse descalabro clerical, reivindicou para si as decisões principais, chegando a exclamar, ao ver chegar o fim de seus dias: “depois de mim o dilúvio”. Assim, a Igreja em breve tempo ficou à mercê de reformistas que iniciaram a demolição da mesma Igreja, que dura desde os dias de Roncalli, João 23!

O Magistério papal aponta e condena o «magistério modernista»

O dilema da mentalidade modernista, que justifica as próprias ideias de «bem» e tem horror às certezas dogmáticas, é a aversão a uma autoridade divina para a qual nada é mais anti-católico do que a ideia pela qual “deve-se negar toda ação de Deus sobre os homens e o mundo”. É a noção de história refutada por Pio IX na Aloc. Maxima quidem (9.6.1862) e no Syllabus.

 

No início do século São Pio X voltou a analisar o conceito da «crítica histórica» modernista, apontando o seu grave veneno. Eis de onde procede a surda aversão ao Magistério da Igreja, pretendendo que se acorde aos novos tempos. Dai com uma  consequente aversão ao Evento de Fátima, que trouxe a Profecia sobre a «liquidação» do papado católico, o da conversão às Vontade imutável de Deus. Ao contrário, o «magistério modernista» quer acordar-se ao tempo e ao que considera suas novas «necessidades»!

Pode existir um papado que opere um ataque interno ao aspeto «histórico» do Cristianismo? Impossível, seria um «anti-papado» para a «demolição» da autoridade transcendente que guia a vida pessoal e social com o Magistério perene, baseado em princípios da lei natural e divina. A esta base universal seria anteposta a «soberania democrática» baseada na colegialidade e outros valores contingentes. Assim os Princípios perenes seriam superados pelo voto popular, que indicaria «novos princípios» para a vida social, rejeitando os Princípios cristãos.

Isto se vive hoje, com a palavra revelada trocada pelo verbo ideológico conciliar; as profecias divinas pelo gnosticismo. Ora, hoje, até no mundo tradicionalista muitos diriam que a esse «verbo» se deve resistir; mas acolhendo a legitimidade papal de seus promotores! Uma lógica às avessas devida ao acordismo de aceitar um «papa», mesmo que seja herege e «anticristo»!

Falsos mestres acordistas aceitam falsos papas acordados ao mundo

Podem os Mandamentos ser substituídos por leis populares? Claro que não, mas tal é o pecado original da Igreja-povo, que abafa a voz de Deus para colher o fruto proibido da «liberdade de consciência». São Pio X condenou em claras letras esses graves erros nas obras dos autores modernistas, não só dos mais extremistas como o padre Alfred Loisy, mas também dos moderados e sofisticados, como o padre, também francês, Louis-Marie-Olivier Duchesne, autor renomado de uma história eclesiástica na qual o elemento sobrenatural foi suprimido. Mas Duchesne, como crítico histórico, dizia não seguir a direção modernista, por exemplo, do desviado Renan. Aliás, foi inexorável na acusação das lacunas intelectuais dessas obras. Mas  quanto aos seus trabalhos históricos, reivindicava terem uma clara base científica. Todavia, Duchesne pode ser considerado o verdadeiro pai do Modernismo, segundo Houtin (Cfr. «Histoire du Modernisme», p. 249. Paris 1908). Foi mestre também na arte da simulação, delatando, se convinha, até amigos. Conseguiu assim salvar-se das censuras que atingiram Loisy, que, na sua rebelião – deve-se reconhecer – foi mais coerente e sincero que tal mestre, autor do livro «Histoire ancienne de l’Eglise» (Paris 1905-1910). “O que este representava para os modernistas era: ‘une histoire ancienne de l’Eglise racontée avec toute la science du XXe siécle, dans la langue du XVIIIe à la barbe des théologiens du XIIe’ (Houtin, La Crise du Clergé, p. 82. Paris 1907).

Pode-se igualmente identificar duas correntes modernistas na Itália, a comparar com a dupla Loisy/Duchesne. Uma do citado Buonaiuti que, como o conhecido Loisy, foi excomungado; a outra de Roncalli que, aprendendo essa lição, seguiu uma carreira até ser eleito «papa»! Este é o tremendo quesito em causa, que elevou o acordismo ao nível da Sede de São Pedro.

Com Duchesne temos a definição perfeita para um manual de incredulidade revestido de todo requinte de falsidade. Eis o mestre seguido por Roncalli que, condiscípulo dos modernistas Buonaiuti e Turchi e, como ele, professor de história, se servia ainda da obra de Duchesne, depois que esta foi considerada modernista e vetada nos seminários. Mas Roncalli continuou a ensiná-la até que, chamado à ordem, respondeu com uma carta hipócrita na qual jurava a sua fidelidade e mentia: «Eu não li desse livro mais que umas 15 ou 20 páginas… nem mesmo vi os outros dois volumes… conheço bastante das ideias de Turchi… e não confiei nele de modo algum». Desculpou-se, pois, alegando saber pouco da obra incriminada (P. HEBBLETHWAITE, «Giovanni XXIII. Il Papa del Concilio», Rusconi, Milão, 1989, nota 4); afirmações incrivelmente feitas sob juramento!

“Um casual achado de arquivo permite estabelecê-lo com precisão histórica. A inédita documentação faz parte das ‘Cartas Cavalcanti’… Destas foram conservadas cinco longas cartas escritas pelo cônego João Batista Mazzoleni (1855-1931) entre Maio e Setembro de 1911, nas quais são analisadas algumas conferências do professor Roncalli.”

Na primeira carta Mazzoleni conclui: “Eu esperava que quisesse falar do conceito da vida cristã, mas a sua conferência teve mais cheiro de ocultismo… E isso então de dizer que o matrimônio é a santificação do prazer sexual parece-me no mínimo inconveniente” (ib.). De fato, ocultismo e sensualismo ocupavam a mente do P. Roncalli, cuja nomeação à cátedra de história escolástica em 1912 no seminário romano foi vetada devido à sua dúbia ortodoxia e afastado (Lorenzo Bedeschi, Paese Sera, 13.12.72). Mas naqueles anos o futuro João XXIII era secretário do bispo de Bérgamo, o modernizante Radini-Tedeschi e contemporaneamente professor de história eclesiástica no seminário local, onde adotou os livros de seu mestre Duchesne. Em Roma havia sido diferente. Nomeado para a cátedra de história escolástica no seminário romano, depois de pouco tempo, tendo ali inserido até o pensamento antroposófico de Rudolf Steiner, foi considerado de “dúbia ortodoxia” (cf. mons. Lorenzo Bedeschi, Paese Seram 13.12.1972). O futuro João 23 continuou, todavia, a ser secretário do bispo de Bérgamo. Em 1919 teve uma primeira audiência com o papa Bento XV e no ano seguinte convidado a presidir a um Concílio a fim de reorganizar obras missionárias nas dioceses italianas. Roncalli parte para Roma em 1921 (12.2) e é recebido pelo Papa Bento XV que o nomeia Monsignore. Haveria que indagar se a promoção romana de um simples professor de Bérgamo, suspeito de modernismo, fosse normal ou fruto da influência «concordista» de Radini Tedeschi, homem de Rampolla, junto ao papa Della Chiesa (Bento XV) e Gasparri.

Roncalli entrou no livro negro do Santo Ofício, que, porém foi contornado pelo acordismo do cardeal Ottaviani, que assim apoiou sua eleição. Acima falamos dos alto-prelados que não quiseram ou não puderam reconhecer quem era o modernista Roncalli, ao ponto de aceitá-lo como «papa». Mas depois se passou a conhecer essa sua obra que continuou e multiplicou a demolição nos sucessores. Certamente não o fariam se tivessem conhecido a sua intenção de «obrar» a mutação conciliar. Conhece-se a reação pesadamente negativa do cardeal Ottaviani, que rezava para morrer logo, ainda como católico!

Por causa disso vemos hoje a «meia resistência» que recusa o magistério de erros e heresias derivados dessa eleição papal. Mas não recusam a eleição nula segundo o mandato do Papa Paulo IV na sua Constituição Apostólica «Cum ex apostolatus», que estabelece que esse conclave eleitor de um herege é nulo. Ora, quem pode demonstrar mais sua heresia do que o autor de um «magistério» recusado pelos erros e heresias (o punhal da comparação inicial)?

A meia resistência de uma hierarquia debilitada e confusa

A demonstração de um «magistério herético» esclarece o sofisma dos «mestres filósofos» que negam a condenação de todo modernista; foram condenados como hereges pela Igreja porque potenciais autores do ensino herético que os coloca fora da Igreja. Roncalli tornou-se elegível no conclave devido ao engano de ter ocultado o fato de ser modernista. Mas foram suas obras e «magistério» a desvelarem a sua condição de herege, cuja definição serve justamente para demarcar o impedimento de tal pessoa, contra toda aparência, ao ensino da Fé.

Os chefes desviaram-se, os juízes são parciais, a segurança social tornou-se bancarrota. E os consagrados? Não só na América, mas no mundo, os seus pedófilos vão levando a Igreja conciliar à falência pelo multiplicar dos processos de corrupção. O que ocorreu no âmbito do Vaticano, invadido pelos falsos cristos e falsos profetas nesses tempos, foi esquecer que os verdadeiros juízos se fazem acima de toda definição teologal à luz da Fé, aliás estas definições são justas se derivam e não se sobrepõem ao que foi revelado de Deus aos homens. Quanto às questões de Fé, todo acordismo com o erro e heresia é já cumplicidade neles.

Voltemos então à Palavra evangélica do mandato transmitido por São Paulo aos Gálatas (Gl 1, 8) lembrada por Gustavo Corção, que falou e escreveu nos anos Setenta sobre «duas igrejas»: “O que me parece difícil é fugir à evidência de um cisma, não do governo da Igreja, mas na sua própria personalidade: o que há no mundo moderno são duas Igrejas com parte da hierarquia comum ou alternante. E mais do que nunca tornou-se importante para todos bem demarcar a Igreja a que pertence” (O Globo, 30/03/1974)… É claro que nenhuma autoridade, nem mesmo da mais alta hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há 19 séculos”.

O dever era acusar os «falsos apóstolos» referidos na epístola aos Gálatas: “Ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema!”. É claro que identificar esse «pregador anátema» hoje não depende mais só de apurar se nega verdades de fé, mas se muda o sentido do Evangelho, seja alterando verdades ensinadas pelo Magistério apostólico, seja sufocando o essencial com o aleatório. Jesus avisou desse ataque final com o engano dos falsos cristos e falsos profetas para reformar a Palavra divina. Diz Corção: “Nenhuma reforma pode prevalecer sobre a identidade e sobre a continuidade dessa identidade”. O Magistério católico define a identidade do Papa católico. Outro «magistério» inaceitável na Fé só pode definir a identidade de impostores anátemas que o pensamento filosófico ancorado no princípio de identidade e não contradição reconhece.

Seria lícito perguntar: para que serve toda a filosofia que certos mestres ensinam por ai, se não sabem aplicar nem mesmo o bom senso aos fatos que ocorrem na Igreja de Deus contra a sua identidade e representação autêntica de Seu Chefe, que é Jesus Cristo? O que esse «acordismo conciliar» continua a fazer é contagiar a mente até de «mestres tradicionalistas» que, para o justificar, inventaram a alucinação desgraçadamente herética de «papas hereges»!

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3 Respostas para “UM «ACORDISMO RESISTENTE» ENLEOU O FILOSOFAR DE MUITOS «MESTRES»;  no ideário do P. Calderón e do Carlos Nougué  

  1. Zoltan Batiz abril 17, 2017 às 7:04 pm

    “Seria lícito perguntar: para que serve toda a filosofia que certos mestres ensinam por ai, se não sabem aplicar nem mesmo o bom senso aos fatos que ocorrem na Igreja de Deus contra a sua identidade e representação autêntica de Seu Chefe, que é Jesus Cristo? O que esse «acordismo conciliar» continua a fazer é contagiar a mente até de «mestres tradicionalistas» que, para o justificar, inventaram a alucinação desgraçadamente herética de «papas hereges»!”

    O que é que serve? Só para arranjar mais confusão.
    E a confusão serve para evitar a única conclusão lógica: o sedevacantismo. Qual é a finalidade deste? Para evitar a estigma social de não seguir o “papa”, o que será o sintoma de um culto.
    Logo, é para salvar as aparências (a custa da verdade), mas como Deus tem um sentido de humor, isto não resulta.

  2. Pro Roma Mariana abril 17, 2017 às 8:29 pm

    Nesse mundo do tradicionalismo acordista vemos mgr Williamson acusar a FSSPX, que era de Mgr Lefebvre, de se acordar com o Vaticano de Bergoglio. Mas ambos se acordam ao reconhecer esse mesmo anticristo como papa! Caem portanto na ilusão de terem um Vigário de Cristo que é anticristo. Ou será que o Fundador da fraternidade deles não usou essa infâme identidade para definir os chefes conciliares? Com qual filosofia de Santo Tomás querem driblar o princípio de identidade e de não contradição? Contra a Verdade nada disso resulta, senão numa «colossal galhofa religiosa», em que os cordeirinhos são devorados pelos lobos maus!

  3. henrique abril 18, 2017 às 11:24 am

    Bem observado: para os referidos “mestres”, o problema não é João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, etc. Se encarassem o problema assim, o resultado seria o sedevacantismo, porque um vigário do anticristo não pode ser vigário do Cristo; porque um homem que conduz à perdição não pode ser o chefe da Igreja que foi fundada para a Salvação. Em vez disso, o problema é “O MAGISTÉRIO” – como se este existisse independentemente de quem o ensina.

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