Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Mensais: maio 2017

3ºs e 4ºs SEGREDOS DE FÁTIMA, no ideário de Átila Sinque e outros

Arai Daniele

Quem acompanha os artigos deste blog sabe que eu aceito a terceira parte do «Segredo de Fátima», publicada em 2000 pelo Vaticano, porque vejo sua relação com a História da Igreja. Vejam-se os links onde, em diversas línguas, testemunho que o que foi publicado é autêntico e compreensível.

Para isto, respondo aos seus objetores, como seja o conhecido escritor italiano Antonio Socci, com argumentos que se depreendem da mesma história de Fátima e da posição da Irmã Lúcia. No caso de Socci, trata-se de um devoto de Medjugorge que chega tardiamente na questão de Fátima. Mas como todo jornalista pensa descobrir e desvendar logo tudo. Sim, mas ao gosto do público que procura o sensacional.

O caso do Átila Sinke Guimarães é diferente, mas não tanto, pois ele segue Fátima desde há muito. Mas sendo ligado à TFP, também fala do «3º Segredo» com a marcha à ré engatada. Quero dizer com isto que ele parte da concepção fixa deles sobre a situação atual da Igreja para chegar, retrocedendo com a marcha à ré, a conformar o texto àquela concepção preconcebida.

Ora, esta atitude parece geral hoje e pode-se, concluir, diriam, ser também a minha, pois vejo na visão profética do «Segredo» uma «liquidação», por longo tempo, do mesmo Papado, como tenho escrito. O fato é, porém, que esta visão é  simbólica, mas «frontal», pois segue o que a vidente Lúcia viu e descreveu: “… um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre” … chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’eles recolhiam o sangue dos Martires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.”

A longa lista de consagrados e fiéis que morrem com o Santo Padre e terminam mártires, o que podem virtualmente representar senão a Igreja fiel e militante «sacrificada» na fidelidade ao Papado? Não é talvez verdade que a partir de João 23 muitos fiéis, dos mais ortodoxos e santos foram excluídos, silenciados e banidos de suas posições e igrejas?

Recentemente estive com um desses destemidos sacerdotes, expulso de sua paróquia por causa de sua fidelidade à Santa Missa tradicional. Quando lhe disse se não se reconhecia no séquito do Papa do 3º Segredo que foi liquidado, e cuja visão seria mais clara em 1960, ele ficou meditativo e depois disse – parece a figura disso mesmo. Pensemos no drama do Padre Pio e de tantos outros. Pode-se duvidar que essa visão seja conforme à história recente da Igreja, mais clara em 1960, quando a resistência dos Papas e de Pio XII ao modernismo, liberalismo e comunismo foram aos poucos suspensas e invertidas?

Segredos antes e após o ano 2000

É conhecido o livro do padre Joaquím Alonso, o arquivista dos documentos de Fátima, que tratou desse assunto. Ele disserta no livro «Fatima ante La Esfinge» sobre a estreita ligação de Fátima com a Rússia e a sua revolução comunista e na 2ª parte sobre o compromisso da Mensagem com essa conversão, que naturalmente depende da Igreja.

De modo que ele invoca o Magistério para relacionar o seu papado e hierarquia a essa ação. Mas como padre hodierno sua conclusão sobre o rumo assumido por João 23 e Paulo 6 é tíbia:

“No podemos entrar en las intenciones ni de las varias interpretaciones del marxismo, ni de los varios socialismos, ni de los muchos revisionismos; en particular el que nos ofrece clamorosamente el «Eurocomunismo». Solo nos parece evidente que si al comunismo le despojamos de su materialismo histórico y de su ateísmo fundamental científico; si, además, le suponemos que cambia absolutamente de táctica y de praxis, respetando el principal de los derechos humanos, el de religión, entonces deja de ser el comunismo histórico, para ser «otra» cosa. Esa «otra» cosa ya no interesa al Mensaje de Fátima, a no ser como fenómeno pródromo de conversión. El escándalo, pues, del duplicado «Fátima-Rusia», no es distinto del escándalo «Fe cristiana-Comunismo materialista y ateo». Nuestro libro ha querido ser una prueba tangible de todo ello. Y, si este libro callara, gritarían las piedras…

É uma realidade que todos aqueles bispos e padres que resistiam às infiltrações do comunismo na Igreja foram sendo aos poucos «liquidados». Nos meus livros falo do caso do P. Riccardo Lombardi, como exemplo típico do «profeta de desgraças», classe perseguida por João 23.

O Padre Alonso foi estudioso de Fátima mal visto pela nova igreja pois já havia comentado sobre o «segredo»: «“Em Portugal, o dogma da Fé será sempre preservado”: Esta frase mostra claramente a implicação pela qual a Fé encontra-se em condições críticas em outras nações.»

No seu livro, publicado em inglês, «The Secret of Fatima: Fact and Legend», P. Alonso trata dos falsos segredos de seus tempos a começar por aquele que ai eu trato por «Segredo de Fulda». Ele foi difundido como sendo válido, até com o apoio do cardeal Ottaviani (vejam-se os meus https://promariana.wordpress.com/2013/11/17/o-meio-testemunho-ottaviani-villa-sobre-o-terceiro-segredo-de-fatima/). Ora, o Cardeal conhecia o verdadeiro «Terceiro Segredo», dai a pergunta: o que ele pretendia esconder então? Não foi ele mesmo que divulgou a afirmação da Irmã Lúcia, de que o Segredo seria mais claro em 1960? O que devia ocultar então, senão a sinistra eleição maçônica do modernista Roncalli, a qual ele contribuiu como útil idiota?

Mas documentei, também, que Karol Wojtyla, João Paulo 2º, em Fulda na Alemanha, recorreu ao tal falso segredo para despistar da visão de uma «liquidação» do Papa católico.

Revelar que o mundo vai ser abalado por um tsunami colossal é mais útil do que dizer a verdade que vive a Igreja católica com eles, os «papas conciliares», que até forçaram a consciência da vidente Lúcia para encampar a Profecia de Nossa Senhora de Fátima para um culto pessoal!

Agora vamos ver os «segredos» que foram aparecendo depois do ano 2000.

Chamaram-no o «Quarto Segredo de Fátima»

Tudo partiu da reação de conservadores e tradicionalistas, insatisfeitos com o «Segredo» publicado pelo Vaticano de João Paulo 2º em 2000, dizendo: – não pode ser verdadeiro porque nós não o entendemos e esperamos as palavras explicativas de Nossa Senhora  para explicar a visão!

Assim começaram as deduções que nomeei acima como feitas em marcha à ré. Esta baseia-se no sofisma: – não compreendo, logo não é verdadeiro! De fato muitos não compreendem, ou não querem compreender a situação atual da Cristandade e da Igreja ligada ao «Segredo». Qual o resultado disto? Primeiro negam o Segredo publicado por inteiro. Veja-se o Rv. Gruner e seus sócios. Depois, perceberam que assim chamam João Paulo 2º e a sua equipe romana de falsários, que forjam uma Mensagem mariana para enganar a todos os crentes. E mudaram a versão; tratava-se apenas de acusar que omitiram a «parte principal»!

Considere-se a parvoíce ululante desse raciocínio que passa por análise séria; a visão descrita do simbólico massacre dantesco de todo um mundo católico, do Papa às senhoras fiéis, mas seria um detalhe; o «grosso» da história estaria ainda por revelar! Qual evento deveria então superar o descrito? Uma hórrida invasão assassina de marcianos?

Outros «analistas» são mais discretos, dizem: só faltam as palavras elucidativas de Nossa Senhora! Na verdade estas palavras são as do fim do Segredo: «Por fim…». Resta, porém um problema, discutido pelos especialistas e que tentei explicar sobre a frase final do dogma da fé sempre preservado em Portugal. Esta frase só pode ter sido colocada pela Irmã na posição absurda em que se encontrou, no fim do texto, de propósito, porque ela não queria dar nenhuma deixa que ajudasse a melhor compreender o que viria a ser o Segredo revelado.

É claro que a posição da frase sobre a fé em Portugal não pode ser no fim, mas no início da visão. De fato segue a ela uma vírgula e após um etc. não ditados por Nossa Senhora, mas acrescentados por Lúcia que, redigindo o texto da 3ª Memória, ainda duvidava se podia ou não revelar essa frase sobre a fé. Superada a dúvida, meses após, inseriu-a no fim da 4ª memória.

Surge agora um badalado «novo 3º segredo» publicado pela TIA

De fato, publicou-se até um livro em espanhol: ¿El secreto mejor guardado de Fátima? De José María Zavala “presenta en su nuevo libro una documentada investigación que, según el autor, pone de manifiesto que la tercera de las revelaciones no fue dada a conocer en su totalidad en el año 2000.” Leer más:  ¿El secreto mejor guardado de Fátima?  http://www.larazon.es/cultura/el-secreto-mejor-guardado-de-fatima-jb14739440?sky=Sky-Mayo-2017#Ttt1M8Mgciv41KxU

Vejamos o texto autêntico e depois esse texto publicado pela TIA em 2010, que visa «esclarecer» o de 2000 e superá-lo:

“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda, ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo, mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontado com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!

E vimos numa luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no simo da qual estava uma grande cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar ai, atravessou uma grande cidade meia em ruinas e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’eles recolhiam o sangue dos Martires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.

Tuy (Espanha), 3-1-1944

O outro, que nomearemos «da TIA», está numa copia de proveniência obscura, que não passou nessa prova de origem, mas passou por um exame grafológico, surpreendentemente considerado, não indício mas prova final da autenticidade dessa cópia sem origem. Vamos ler a sua versão:

  • «Tuy 1 de setembro de 1944 ou 1 de abril de 1944 JMJ
  • Agora vou revelar o terceiro fragmento do segredo: Esta parte é a apostasia na Igreja! Nossa Senhora mostrou-nos uma vista do um indivíduo que eu descrevo como o ‘santo Padre’, em frente de uma multidão que estava louvando-o.
  • Mas havia uma diferenca com um verdadeiro santo Padre, o olhar do demonio, este tinha o olhar do mal. Então depois de alguns momentos vimos o mesmo Papa entrando a uma Igreja, mas esta Igreja era a Igreja do inferno, não há modo para descrever a fealdade d’ésse lugar, parecia uma fortaleza feita de cimento cinzento com ángulos quebrados e janelas semelhantes a olhos, tinha um bico no telhado do edificio.
  • Em seguida levantamos a vista para Nossa Senhora que nos disse Vistes a apostasia na Igreja, esta carta pode ser aberta por O santo Padrre, mas deve ser anunciada depois de Pio XII e antes de 1960. No reinado de Juan Pablo II a pedra angular da tumba de Pedro deve ser removida e transferida para Fatima. Porque o dogma da fé não é conservado em Roma, sua autoridade será removida e entregada a Fatima. A catedral de Roma deve ser destruida e uma nova construida em Fatima. Se 69 semanas depois de que esta ordem é anunciada Roma continua sua abominação, a cidade será destruida. Nossa Senhora disse-nos que ésto está escrito, Daniel 9, 24-25 e Mateus 21, 42-44»

O texto parece elaborado com a mentalidade americana para satisfazer questões pendentes, a saber: – As possíveis palavras de Nossa Senhora segundo o que uma maioria pensa que deveria ser descrito pois corresponde à realidade da apostasia geral; – descrição crítica da atual igreja conciliar, desde o olhar demoníaco de seu papa até a sua nova arquitetura; a Sede romana exautorada a favor de Fátima, devido à perda da Fé no “reinado de Juan Pablo II”.

Ora, a expressão que seria dita por Nossa Senhora: no «reinado de Juan Pablo II», faz entender que este vem na continuação de pontificados vistos passivamente pelo Alto e aceitos como normais e legítimos todo esse tempo! Antes, o 2º segredo havia revelado a guerra que começaria «no reinado de Pio XI». Agora, se chegou ao de Juan Pablo II, que passa pelo de Juan Pablo I, que foi «liquidado» em 33 dias. Mas não há palavra dessa «profecia» sobre ele.

Ora, aqui, pode-se salientar o fato que o grupo da CRC do Abbé de Nantes e que foi de frère Michel de la Sainte Trinité, isto é dos que mais se ocupam de «Toute la Vérité sur Fatima», vê João Paulo Iº como a grande vítima do «Terceiro Segredo». Sobre isto foi publicado um livro, em continuação dos primeiros, pelo atual sucessor de frère Michel, frère François de Marie des Anges: «Jean-Paul I.er le Pape du Secret» (Tome IV, pp. 545, 2003). Este em sua p. 525 conclui:

« C’est bien là, remarque l’abbé de Nantes, le dernier mot du message de Fatima, enfoui dans le Secret de Marie. L’Evêque vêtu de Blanc, une fois assassiné, il n’est pas fait mention d’un successeur, comme si évêques, prêtres, religieux et religieuses, divers laïcs disparaissaient, n’étant pas renouvelés par celui-là seul qui en avait le pouvoir. Le dernier tableau du Secret nous laisse sur cette effrayante vision d’une consomption de l’Église hiérarchique.»

É a conclusão semelhante à que eu narrei em meus escritos e à qual qualquer católico pode chegar, seja diante da situação da Igreja (já mais clara em 1960), seja seguindo a visão do verdadeiro 3º Segredo publicado em 2000. Quando se embarca na descrição de uma igreja horrível, mas sem ver a hora em que a Igreja ficou sem seu primeiro defensor, o Papa católico, falta o elemento à origem desse descalabro.

Poderia o Céu revelar efeitos, horríveis, mas sem citar sua hórrida causa? Nossa Senhora em La Salette, apontou uma causa quando disse: «Roma perderá a Fé e tornar-se-há a Sede do Anticristo». Omitiria em Fátima essa causa na ocasião de revelar que anticristos abateriam o Papa para ocupar a Sé Romana? Não o fez para quem sabe ler o 3º Segredo! Bastava a visão! Não era preciso um «novo 3º segredo» com novas «ideias» para repetir a velha profecia de Zacarias (13:7): “Levanta-te, ó espada, contra o meu pastor… “Fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão; mas voltarei a minha mão aos pequenos.”
E Jesus a invoca em Mateus (26, 31) “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.” É Deus mesmo que abate o Pastor seu enviado.

Hoje na Igreja esta profecia é um fato que apresenta-se como castigo;  «Terceiro castigo consequente à magra ou negativa atenção à Sua Profecia. Prefere-se dar atenção à outras que baralham ainda mais a mente dos devotos de Fátima. Até a ingente confusão de duas irmãs Lúcia e da existência de outros «segredos» circulam à solta para evitar a espantosa nua e crua realidade da «liquidação» do Papado por um longo tempo, mais clara desde 1960, de um mundo privado do verdadeiro Vigário de Cristo em terra. Prefere-se engatar a marcha à ré para não admitir que a Sé está vacante de um papa católico desde João 23!

QUE DIZER A UM ADOLESCENTE QUE HOJE QUEIRA SER PADRE?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da sua encíclica “Ad Catholici Sacerdotii”, promulgada em 20 de Dezembro de 1935:

«É o sacerdote, de facto, por vocação e mandato Divino, o principal Apóstolo e defensor infatigável da educação da juventude cristã; ele, em Nome, e com a Autoridade de Deus, abençoa o matrimónio Cristão e defende sua perpetuidade e Santidade contra os erros e embustes da sensualidade e da concupiscência; o sacerdote traz a mais valiosa contribuição à solução, ou, pelo menos à mitigação dos conflitos sociais, pregando a Fraternidade Cristã, recordando a todos os mútuos deveres de Justiça e da Caridade Evangélica, pacificando os ânimos exasperados pelas diferenças sociais e económicas, MOSTRANDO AOS RICOS E AOS POBRES OS ÚNICOS VERDADEIROS BENS, A QUE TODOS PODEM E DEVEM ASPIRAR; o sacerdote, finalmente, é o mais eficaz pregador daquela cruzada de expiação e de santa penitência, à qual temos exortado todos os bons, para reparar as impiedades, as torpezas e os delitos que nos tempos presentes tanto desonram e degradam o Género Humano; tempos os de hoje, certamente, nos quais, como em nenhum outro momento da História, mais necessitamos da Misericórdia do Divino Redentor, e do Seu perdão.

Em verdade, os inimigos da Santa Igreja não desconhecem a importância vital do Sacerdócio, e por isso – como tivemos de lamentar ao escrever ao caríssimo povo mexicano – lançam seus ataques principalmente contra ele, PARA ARRANCÁ-LO DA RAIZ DA SOCIEDADE HUMANA E ABRIR CAMINHO PARA DESTRUIR COMPLETAMENTE O NOME CATÓLICO NA POSTERIDADE; eis certamente o que desejam com veemência, MAS QUE JAMAIS CONSEGUIRÃO!

O Género Humano sentiu sempre a necessidade de sacerdotes, isto é, homens que pela missão a eles legìtimamente confiada, fossem conciliadores entre Deus e os homens, cuja missão durante toda a vida abarcasse as coisas relacionadas com a Divindade; fossem os que oferecessem a Deus, as súplicas, as expiações, os sacrifícios em nome da sociedade, que como tal, TEM OBRIGAÇÃO DE RENDER CULTO PÚBLICO E SOCIAL A DEUS, DE RECONHECER N’ELE O SENHOR SUPREMO E O PRIMEIRO PRINCÍPIO, DE TENDER PARA ELE COMO AO SEU FIM ÚLTIMO, AGRADECENDO-LHE E TORNANDO-O PROPÍCIO. Em verdade, entre todos os povos de cujos costumes se tem notícia, a menos que sejam constrangidos pela violência a recusar e abjurar as leis mais Sagradas da natureza humana, sempre houve sacerdotes, embora muitas vezes a serviço de FALSAS DIVINDADES; e da mesma maneira, onde quer que os homens professem uma religião, onde quer que levantem altares, ali há um sacerdócio, circundado de mostras especiais de honra e veneração.

Mas quando brilharam os fulgores da Revelação Divina, apareceu o sacerdote revestido de muito maior dignidade, da qual é afastado prenúncio a misteriosa e venerável figura  de Melquisedec, sacerdote e rei, cujo símbolo o Apóstolo São Paulo relaciona com a Pessoa e Sacerdócio de Jesus Cristo.

Em primeiro lugar, como ensina o Sagrado Concílio de Trento, Jesus Cristo instituiu na última Ceia o Sacerdócio e o Sacrifício do mesmo nome:”Este mesmo Deus e Senhor nosso, embora uma só vez Se houvesse de oferecer por Sua morte no Altar da Cruz a Seu Pai, para operar ali a Eterna Redenção, não obstante, para que por Sua morte o Sacerdócio não se extinguisse, na última Ceia, na noite em que ia ser entregue, para deixar à Igreja, Sua amada Esposa, UM SACRIFÍCIO VISÍVEL, COMO O EXIGE A NATUREZA DO HOMEM, com O Qual se representasse aquele SACRIFÍCIO cruento que ia consumar uma só vez na Cruz, e para que ficasse memória dele até ao fim dos séculos, e para que se aplicasse sua virtude na remissão dos pecados que nós todos os dias cometemos, declarando-Se constituído Sacerdote Eterno segundo a ordem de Melquisedec, OFERECEU A DEUS PAI SEU CORPO E SANGUE, SOB AS ESPÉCIES DE PÃO E DE VINHO, E SOB ESTAS MESMAS ESPÉCIES, AOS APÓSTOLOS, QUE ENTÃO CONSTITUÍA SACERDOTES DO NOVO TESTAMENTO, entregou para que consumissem, e aos mesmos, bem como aos seus sucessores no Sacerdócio, mandou que oferecessem o mesmo Sacrifício sob os mesmos símbolos, dizendo: FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”.»

 

 A juventude é uma das maiores vítimas da seita conciliar; porque a gente nova constitui, por definição, o futuro da Humanidade, e porque possuem naturalmente uma plasticidade, uma potencialidade, que se for mal formada, como tal permanecerá agravada para todo o sempre.

Quem escreve estas linhas, tendo frequentado, em pleno Estado Novo Português, um colégio nominalmente católico, passou pela angústia de ouvir o agnóstico professor de História e Filosofia afirmar que “neste mundo, quem vence não é quem tem razão, mas quem tem força”; a minha primeira reacção foi pensar: Mas se é assim, para quê viver? É evidente que nenhum pai, nem nenhum professor, deve expender tais considerações a adolescentes sem proceder a um enquadramento, necessàriamente transcendente e Sobrenatural, que reconstitua uma ordem essencialmente objectiva que liminarmente desautorize quanto possível, na alma do adolescente, a atroz realidade deste péssimo mundo, desta verdadeira ante-Câmera do Inferno.

Em mim – por Graça de Deus, e de Nossa Senhora de Fátima, Medianeira de todas as Graças – o efeito foi totalmente o oposto do pretendido; consequentemente, sou hoje tão inflexível, e até brutal, com a seita conciliar, matriz de todos os mais impensáveis relativismos.

Mas como argumentar, hoje, com um rapaz que, de boa fé, quer ser padre? Convenhamos que é bastante difícil.

Em primeiro lugar, coloque-se uma questão de grande magnitude; o rapaz é baptizado? Se sim, tê-lo-á sido vàlidamente?  Não se pense que se trata de um problema menor, na exacta medida em que nestes nossos ominosos tempos há muitos, mas mesmo muitos, baptismos inválidos; pois que a seita conciliar, enquanto tal, não tem sacramentos, e o baptismo foi transformado num ritual de admissão numa seita festivaleira e pândega. Mas como se sabe, qualquer pessoa pode e deve baptizar, sendo que nos tempos que correm deve considerar-se como suspensa a lei canónica que exige, ordinàriamente, o Baptismo solene na igreja paroquial – precisamente porque vivemos tempos absolutamente extraordinàrios. Se o rapaz é vàlidamente baptizado, devemos imediatamente concluir pelo poder da Graça, que mesmo num ambiente social e religioso deletério, procura   e pugna pela verdadeira Fé Católica.

Deve-se instruir o rapaz na verdade e na santidade da Fé Católica, com o auxílio de um bom Catecismo, e conforme o grau de ilustração do adolescente, propor-lhe mesmo a Luz da Suma Teológica. Devemos, cautelosamente, perante a possível vocação, proceder à comparação entre os textos da Santa Madre Igreja e os da seita conciliar, estruturando bem a Tese de que a Verdade e o Bem, quer filosòfica, quer teològicamente, NÃO MUDAM, NEM PODEM MUDAR.    

Nunca devemos olvidar que em todo o homem, em qualquer época e em qualquer lugar, qualquer que seja o ambiente social e religioso em que ele viva, nesse homem permanece sempre O SINETE, O CARÁCTER DA CONTINGÊNCIA. Na medida em que a criatura NÃO É O SEU SER, porque é circunscrita pela sua própria essência, pelos limites da sua essência; necessàriamente, metafìsicamente, nela se gerará uma dinâmica que brota da incomensurabilidade entre essa limitação E O SER INFINITO. Consequentemente, quer queira, quer não, O VÍNCULO DA CONTINGÊNCIA ESTÁ NESSA PESSOA. Pode é errar objectivamente na expressão desse vínculo, como sucede na enorme maioria dos casos. Assim o comunismo constitui uma religião em negativo infernal: Tem o seu “deus” que é a matéria em evolução; tem a sua igreja que é o partido comunista; tem o seu redentor que são os revolucionários profissionais; tem o seu povo eleito que é a classe operária; e tem o seu paraíso escatológico que é a sociedade comunista, regeneradora e superadora de todas as contradições. Outro exemplo: A crença religiosa nos seres extra-terrestres e nas civilizações de outras estrelas; trata-se de uma autêntica religião em negativo infernal, pois subverte, objectivamente, aquela marca da contingência, que deve conduzir os homens à verdadeira filosofia e à verdadeira Religião.    

Neste quadro conceptual, a análise de uma possível vocação em tempos de extinção social e cultural da Santa Madre Igreja não pode deixar de considerar também estes aspectos fundamentalmente filosóficos.

A pergunta mais dramática do adolescente será certamente acerca dos lugares onde, acaso, ainda se conserve, fielmente, a Tradição Católica. A resposta deve excluir não apenas, como é evidente, a seita conciliar, mas também a Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, e organizações que gravitam à sua volta. A resposta positiva deve referir como válidas as linhagens episcopais Thuc-Guérard des Lauriers e Alfredo Mendez Gonzalez-Clarence Kelly. A esperança e a sobrevivência da Fé Católica parece, sem dúvida, encontrarem-se nos Seminários Sedevacantistas dos Estados Unidos.

A possível vocação deve inteirar-se plenamente das belezas Sobrenaturais do celibato, notando explìcitamente, que a exigência material do celibato formalmente privada da vida na Graça Santificante, na Caridade perfeita, ESTÁ FUNDAMENTALMENTE NA ORIGEM DA PEDERASTIA ECLESIÁSTICA.

O adolescente deve consciencializar-se de que a seita conciliar, ateia e libertina, não tem Sacerdócio, nem Sacramentos, nem Missa, porque ela própria é a maçonaria internacional; e que muitos rapazes que têm nela sido incorporados tornaram-se funcionários dessa internacional do mal, libertando-se dela à custa de muitos sofrimentos e depois de violados, na alma, e por vezes, no corpo. Pois que a amaldiçoada seita saída do Vaticano 2, liderada pelos papas da morte de Deus, como castigo da sua apostasia, vem transformando-se numa internacional homossexual, quinta-essência de todas as impurezas, de todas as heresias, e de todos os crimes.

Espectáculos como o de Fátima, tendem a impressionar os adolescentes, incapazes de discernirem as ciclópicas e demoníacas forças em jogo, aliás como a imensa maioria dos adultos, mesmo instruídos. Mas a alma adolescente é, sobretudo, muito impressionável e sem o calo da vida, pelo que deve ser muito bem aconselhada, o que hodiernamente se apresenta como cada vez sendo mais difícil.

Que Nossa Senhora de Fátima abençoe e proteja a nossa juventude.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO AO PAI

ARIANISMO – HERESIA GNÓSTICA PERENE: uma diferença com Orlando Fedeli

Arai Daniele

O fato que o espírito das velhas heresias do gnosticismo, arianismo e pelagianismo, para ficar só nestas, esteja presente depois de tantos séculos, deve indicar algo de importante para compreender o que seja. Para começar, diga-se logo que toda heresia pode convergir a uma matriz, à gnose espúria que é presunção de conhecimento contrário à fé. Trata-se, pois, da ferida perene da rebelião que manchou a alma de todo ser humano com o pecado original.

Mesmo querendo diferenciar as piores formas de heresias, podemos ficar com três: – contra a autoridade do Pai Criador, em ambos os Testamentos, com Marcionismo; a pelagiana, pela qual o homem pode dispensar a ajuda divina para operar em verdade. E, finalmente, a pior, o arianismo, que negando a igualdade do Filho com o Pai, nega a Palavra de Deus, que é o Mistério da Santíssima Trindade. Com isto supera toda outra heresia pois ataca a verdade mais alta, do Verbo de Deus, descrita no Evangelho de São João.

O arianismo foi das heresias mais maléficas desde o período de transição entre a afirmação do Cristianismo, cujo culto foi aceito em 313 pelo Império Romano e o seguinte dos grandes Concílios ecumênicos. Não só, durou com seus estragos na formação da Cristandade, desde seu início nesse século IV d. C, até meados do século X d. C.; ,as o seu espírito adeja ainda.

Voltando a tratar desse assunto, recorri a alguns trabalhos que me parecem mais adequados ao momento religioso sob o desvio ariano conciliar que vivemos. Entre estes, «Présence d’Arius» de Hughes Kéraly, em francês (Ed. Martin Morin, 1981), mas também a quanto o amigo Orlando publicou sobre gnose e gnosticismo no sito Montfort, onde consta também o título «Nova missa; câncer da Igreja». E aqui é implícita a heresia do falso culto a Deus.

Ora, se toda a bestialidade modernista, maçônica, conciliar ecumenista do «novus ordo» ouvidas pelos católicos nestes quase sessenta anos de domínio modernista, desviou tantos, ao mesmo tempo deve-se reconhecer que apurou a fé de muitos. Já explicava Newman, o cardeal vindo da heresia anglicana: “nenhuma doutrina é definida antes de ser combatida.”

Claro, essa luta é em nome da mesma Fé imutável, independente de qualquer nosso melhor entendimento; requer, para ser enfrentada, manter-se firme nos grandes princípios de modo a consolidar a nossa capacidade de resistência católica. Essa resiliência hoje, mais investiga antigas heresia, como a ariana, e mais compreende o que seja o Vaticano 2, que parece novo, mais demonstra o que tem em comum com elas, Basta considerar o retorno às mesmas confusões ecumenistas, para ver que seus problemas surgem de sua alienação ao princípio de que a verdade vem de Deus aos homens , não no sentido oposto.

Em meu livro que analisa os desvios conciliares à luz de todo o Magistério precedente de todos os papas, «l’Eclisse del Pensiero Cattolico» (Ed. Europa, Roma, 1997), demonstro a contraposição ao pensamento «teândrico» católico, das idéias «androteístas» conciliares. É o gnosticismo que impregnou o pensamento dos bispos reunidos em concílio, sob João 23 e Paulo 6, para elaborar uma «nova Pentecostes» não ecumênica mas ecumenista!

Tudo partindo de um plano pré-estabelecido de abertura e reunião das crenças do mundo. Não mais a Religião única da Verdade, mas de “verdades” gnósticas da própria larva modernista dos novos mestres. Basta ouvir Bergoglio, que a cada dia emite novas ideias de seu pessoal repertório.

Mas passemos ao arianismo, para depois descrever o martírio de um santo que recusou a comunhão com esses hereges, embora seus sacramentos fossem praticamente os mesmos.

A presença da heresia ariana hoje

Como se sabe, a palavra heresia vem do grego e significa escolha.  As velhas heresias que reaparecem hoje de modo tortuoso, como a de Ario, ou Arius, seguem uma escolha anti – Trinitária.

Ario, presbítero de Alexandria no Egito, foi autor dessa «escolha herética» que, segundo a ortodoxia da Igreja, atenta à Verdade no campo da Cristologia, pois tange ao entendimento teológico que se tem da Pessoa de Jesus Cristo da Trindade Santa.

A Cristologia é o ramo da Teologia dedicada ao conhecimento da natureza de Jesus Cristo; segunda Pessoa da Trindade divina, que tem a substância de Deus Pai, Criador –  e do Espírito Santo, a terceira Pessoa, tendo-Se encarnado neste mundo humano.

A heresia foi combatida pelos mais sábios entre os doutos da Igreja Cristã Primitiva, como Santo Atanásio, mas também pelo povo fiel.  Ário não queria aceitar que Jesus Cristo fosse Deus encarnado, mas sim um homem extraordinário, argumentando que não partilhava da mesma substância de Deus, porque criado por Deus como toda outra criatura humana. Assim, negava a eternidade de Cristo, encarnação do Verbo divino, Filho de Deus. A partir de sua respeitável formação intelectual como presbítero em Alexandria, centro intelectual da Ásia Menor, fez vários adeptos entre os bispos e dai no mundo político.

O primeiro a defender a ortodoxia transmitida pelos Apóstolos e confrontar Ario  diretamente foi o Bispo de Alexandria, Alexandre que, percebendo o perigo dessa rebelião doutrinal, reuniu um Sínodo local, em 318 d. C, que contou com cem bispos aproximadamente. Os bispos condenaram Ario como herege e divulgaram a decisão a bispos de outras dioceses e ao papa Silvestre, que a acolheu. Mesmo assim, Ario, apresentando a sua heresia como interpretação do Evangelho, conseguiu importantes adesões de adeptos interessados em pilotar as disputas teológicas no mundo político que buscava ideias convenientes para unir os povos; era a idéia ecumenista da época.

A situação tornou-se preocupante e o imperador Constantino, que era assessorado pelo Bispo Ósio de Córdoba, na Espanha, convocou um Concílio ecumênico em 325 d. C, realizado em Niceia. O Concílio reuniu cerca de trezentos bispos de várias regiões e definiu o dogma que Jesus Cristo como Filho de Deus foi gerado, não criado da mesma substância e natureza do Pai, desde toda a eternidade; a ideia de Ario, assim como a de que o mundo não fora criado por Deus do nada (ex nihilo), é pois herética. Constantino acatou as decisões do Concílio de Niceia e exilou Ario, condenando as suas obras.

Após a resolução do Concílio, 325 d. C, um presbítero da cidade de Nicomédia, Eusébio, passou a difundir o semi-arianismo, tentando a reabilitação da heresia, mitigada. Esta corrente alastrou-se logo e seu efeito se fez sentir sobre o imperador Constantino que, já em 327, anistiou Ario, permitindo que regressasse à Alexandria.

O Bispo de Alexandria então já não era Alexandre mas Atanásio, que a Igreja viria a canonizar pela sua luta contra a heresia de Ario. Foi um  dos mais importantes e sábios mestres da Igreja Cristã Primitiva a combater a heresia do arianismo.

Santo Atanásio (295 d. C – 373 d. C) manteve-se na linha ortodoxa de repúdio ao arianismo desde o seu início. Ao longo das décadas de 330 e 340 d. C, Atanásio teve de enfrentar duramente a organização ariana (ou semiariana) no Egito e em grande parte da Igreja oriental.

Eusébio de Nicomédia, o partidário de Ário, conseguira formar uma seita arianista que exerceu grande poder dentro da Igreja, e chegou a influenciar bispos do Oriente e a excomungar Atanásio para desterrá-lo por duas vezes. Atanásio só foi reabilitado pela Igreja com o Concílio de Sárdica em 346 d. C, que reafirmou as concepções ortodoxas do Concílio de Niceia, confrontando mais uma vez o arianismo.

Contudo, o imperador Constâncio, na década de 350 d. C, deu muito espaço à heresia ariana, chegando a obrigar o então papa Libério a excomungar Atanásio em 357 d. C. Nas décadas seguintes, de 360 e 370, sobretudo após a morte do imperador, Atanásio e outros sábios da Igreja, como Santo Hilário, continuaram isolados a defender a ortodoxia relativa à Trindade e a combater a heresia ariana.

Gnose, Religião oculta da História

“Quando se estuda a gnose entra-se num labirinto cheio de brumas, tentando descobrir segredos que permitirão chegar a um mistério. Não é de estranhar que o tema se preste a confusões.” Fedeli empenhou-se a desmascarar a «gnose» com armas culturais. Nisto ele polemizou com Olavo de Carvalho nesse campo, comum a ambos.

Trata-se da solução do combate cultural anticomunista do Olavo, impraticável a breve, porque leva tempo para preparar a moçada; se é que chega a ser conclusivo nesse “labirinto cheio de brumas”.  No entanto, pode indicar um verdadeiro atalho, hoje esquecido, que foi lembrado no começo do século XX por S, Pio X, mas abandonado em seguida. É do Cristianismo, da Civilização e Ordem cristãs que existem e só precisam ser restauradas. A partir dela sabemos qual a plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto de seus opostos, para reagir.

Mas a sua Cidadela é a Igreja Católica. É claro que se esta foi abalada, arruinada, e depois ocupada, a solução cultural e religiosa  para agir na sua reedificação, é testemunha-lo, conforme a situação dos tempos.

Nesta especificação – segundo os tempos -, alguém pode querer ler uma deriva modernista. Nada disto. O nefasto modernismo quis aplicar este agir onde não podia, ao cerne do Cristianismo, isto é, à sua plena cultura sobre o homem e o seu fim, sobre a família e a sociedade, portanto opondo-se ao que vem do Alto, a favor das falsas culturas modernas que operam para destruí-lo.

Também é claro que o reconhecimento dos diversos pensamentos da parte dos mais doutos é útil e necessário, e podemos seguir essa crítica do Orlando quando estabelece distinções entre panteísmo e gnose em crenças “hinduístas, do Egito, China e Caldéia, passando por Heráclito e Parmênides, pelo sufita Ibn Arabi, Campanella até Diderot, Kant, Novalis e os românticos.” Tudo bem se esses pensamentos são citados em função do seu anticristianismo. “O panteísmo é naturalista, monista e tende ao racionalismo. A gnose é dualista, anti- cósmica e anti-racionalista”.

Sim, mas reconhecendo que há sistemas gnósticos ambíguos quanto ao mundo material, enquanto, há sistemas panteístas que vêm a transformação da matéria em espírito, no sentido evolucionista, como quis o jesuíta Teilhard de Chardin para o Vaticano 2.

Ao conceituar a «gnose» segundo sua pretensão de ser “o conhecimento do incognoscível”, conceituação que desvela a contradição anticristã típica da gnose, em oposição à Palavra divina, ao Verbo. Como se vê, quando a gnose repele a inteligência e a lógica como enganadoras, rejeita a estrutura do pensamento em si, que é ordenado à Verdade, contrapondo-lhe um conhecer intuitivo, ligado a algum poder secreto do homem, que gera todo e qualquer «esoterismo»!

“Conhecer o incognoscível, de fato, significa dar ao homem o conhecimento de Deus e do mal, coisas impossíveis de compreender. De fato não podemos compreender ou conhecer a própria essência de Deus que é ser infinito e transcendente, impossível de ser captado por nosso intelecto. Também não podemos entender o mal e o pecado: o mal enquanto ser não existe, e o mal moral não tem razão que o justifique. Assim, a gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender – e portanto superar – a Deus, de compreender a mal, e, ademais, de conhecer sua natureza mais íntima, que seria divina.

“A gnose é então a religião que oferece ao homem o conhecimento do bem e do mal. Ora, sabe-se que a árvore do fruto proibido do Éden era exatamente a árvore do conhecimento ou ciência do bem e do mal (Gen. II,10). Assim, teria sido a gnose a tentação de Adão. Com efeito, a serpente prometeu a nossos primeiros pais que, se comessem o fruto proibido, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gen., III,5).”

Tudo acontece no mundo da consciência, da cultura e da religião, em chave favorável ou contrária à consciência, à cultura e à fé cristã. Eis o principal guia do agir, que é o atalho que indiquei acima para enfrentar questões políticas a partir da cultura essencial da Religião; sim porque o sábio reconhece a contraposição que há em somente duas maneiras de pensar: a Fé, «pistis» e o que se pensa ver como conhecimento não discursivo e ilógico na «gnose».

Neste sentido a «cultura» necessária ao católico é ao mesmo tempo a mais ampla, simples e lógica e me agrada resumi-la com as palavras do pensador Juan Donoso Cortés, como expus no meu artigo deste site: https://promariana.wordpress.com/2014/03/08/a-filosofia-de-donoso-cortes-dugin-olavo-e-seu-inverso-conciliar/

Todo pensamento, ideologia, crença desviada da trilha da Verdade,  é relacionado à essa tendência gnóstica de rapto prometeico do conhecimento. Portanto, exprime uma profunda inquietação do espírito humano, que não pode encontrar harmonia e tranquilidade senão na Palavra divina.

Eis que Santo Agostinho a exprimia dizendo: « Fizeste-nos para ti Senhor, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousar em ti ». Na ciência de Deus tudo está contido, desde a Teologia, que o Vaticano 2 quis mudar, até a mais alta Política cristã, que a miséria política atual quer anular. Mas é fato que sem a Verdade as almas morrem.

O testemunho e a defesa da Verdade na Igreja precede qualquer outro debate que hoje, na ausência de um papa católico, é mais que ocioso, arrisca ser testemunho de uma falsa realidade.

E como isto implica a deturpação do culto a Deus, seguirá o exemplo de martírio de um santo para testemunhá-lo.

AS BEM-AVENTURANÇAS COMO FRUTOS DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Acerbo Nimis”, promulgada em 21 de Abril de 1905:

«Sabemos que para muitos a tarefa do catequista não é bem vista, porque comumente não é tida como importante, sendo pouco talhada aos aplausos das pessoas. Mas isso, em nossa óptica, é juízo nascido do imediatismo, e não da Verdade. Nós, sem dúvida, admitimos que sejam dignos de louvor aqueles sagrados oradores que se dedicam com zelo sincero â Glória de Deus, seja em defesa da manutenção da Fé, seja para o encómio dos heróis do Cristianismo. Todavia, a fadiga deles, supõe outra, isto é, a dos catequistas; onde essa faltar, faltam os fundamentos e trabalham em vão os que edificam a casa. Frequentemente, os sermões floridos, que repercutem em aplauso nas grandes concentrações, ARRISCAM SIMPLESMENTE ACARICIAR OS OUVIDOS; NÃO COMOVEM DE FACTO OS ÂNIMOS DAS PESSOAS. Ao contrário da instrução catequética, porque esta, embora humilde e simples, faz o que o próprio Deus disse a Isaías: “Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a Palavra que sai da Minha boca: Ela não torna a Mim sem fruto; antes, ela cumpre a Minha Vontade, e assegura o êxito da missão para a qual a enviei” (Is 55, 10-11).

O mesmo pensamos ter de dizer dos sacerdotes, que para ilustrar as Verdades Religiosas compõem densos livros; merecendo por isso ser recomendados. Mas quantos são os que lêem  tais volumes, correspondendo em frutos ao suor e ao zelo de quem os escreveu?

Onde o ensinamento do catecismo é feito como se deve, não há nunca desvantagem para quem o escuta.

Já que é útil repetir, para incentivar o zelo dos Ministros do Santuário, são muitos – e cada dia crescem mais – os que ignoram as Verdades Religiosas. De Deus e da Fé Cristã, possuem apenas aquela ciência que lhes permite viver como idólatras no meio da Luz do Cristianismo.  Quantos são os que, embora não tão jovens, mas já adultos e até em idade provecta, ignoram totalmente os principais Mistérios da Fé; os quais, ouvido o Nome de Cristo, respondem: “Quem é… para que eu creia n’Ele?” (Jo 9,36).

Em consequência disso: Não constitui para eles problema incentivar e nutrir ódio contra o próximo; estabelecer contratos injustíssimos; dar-se a especulações desonestas; apossar-se dos bens do próximo com ingente usura e maldade. E mais: Ignoram como a Lei de Cristo não só proscreva essa acções torpes, mas também condene pensá-las e desejá-las; e entretidos por um motivo qualquer, abandonando-se aos deleites sensuais, SERVEM-SE SEM ESCRÚPULOS DE TODA A SORTE DE PÉSSIMOS PENSAMENTOS, MULTIPLICANDO OS PECADOS MAIS DO QUE OS CABELOS DA CABEÇA.

Este género, voltamos a dizer, não está sòmente entre os pobres filhos do povo, ou entre camponeses,  mas sim – e talvez em número ainda maior – entre os de classes mais elevadas, e também entre os que a ciência enobrece, MAS QUE, APOIADOS NUMA VÃ ERUDIÇÃO, CRÊEM PODER RIDICULARIZAR A RELIGIÃO E ” INJURIAM O QUE NÃO CONHECEM (Jd 10).»
Tal como afirma São Pio X, diminuir a catequese é minar pela base os alicerces da Fé Católica no povo e preparar gerações, ou modernistas e ateias, ou mimético nominalistas e supersticiosas. Efectivamente, o analfabetismo religioso das grandes massas, populares, ou cultas segundo os padrões do mundo, CONSTITUI A MAIOR CHAGA DE TODOS OS TEMPOS NA VIDA DO CORPO MÍSTICO. Novamente se assevera: É religiosamente analfabeto quem não conhece a Deus pela Fé formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante. Mas para obter de Deus tão grande Graça, seja criança, seja adulto, É NECESSÁRIO FREQUENTAR COM PROVEITO O CATECISMO, SEGUNDO A CAPACIDADE INTELECTUAL NATURAL DE CADA UM. INSISTE-SE: A POUCA INTELIGÊNCIA NATURAL NÃO CONSTITUI, NEM PODE CONSTITUIR, ÓBICE ALGUM À POSSE DO ORGANISMO SOBRENATURAL, NA EXACTA MEDIDA EM QUE É ESSE MESMO ORGANISMO, A SUPRIR, POR VIA SOBRENATURAL, AQUILO QUE FALTA À NATUREZA. O catecismo é necessário porque constitui condição extrínseca Providencial à actuação da Graça. Deus Nosso Senhor, na Sua Eterna Sabedoria, providenciou um estrito paralelismo, conquanto extrínseco, entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural.

Seja-me permitido aconselhar o Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, em três volumes, escrito no século XIX, concebido em três níveis, completíssimo, precioso auxiliar do bom catequista; disponível em português, para ser descarregado da Internet no sítio “Obras Católicas”.

Mas se o catequista não estiver empolgado de verdadeiro amor Sobrenatural a Deus Nosso Senhor e ao próximo por amor de Deus, o seu ensino ficará privado daquela seiva, daquele Lume, que deverá abrasar a alma dos catequizandos. Ora esse Lume é, e só pode ser, o nosso organismo Sobrenatural; diz-se “organismo”por analogia com o nosso organismo natural, sobretudo as nossas potências operativas ou faculdades da inteligência e da vontade, que radicam na essência da alma. Ora a Graça Santificante, que é um Hábito entitativo Sobrenatural, filosòficamente, sendo um acidente, possui como sujeito imediato de aderência a essência mesma da alma. Também se denomina esta Graça como inabitação do Espírito Santo. A Graça Santificante SÓ ESTÁ PRESENTE NUMA ALMA QUE AME A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. Consequentemente, a Graça Santificante e a Caridade perfeita caminham a par, com a diferença de que a primeira é, como já vimos, um Hábito entitativo, e a segunda é um Hábito operativo que adere à vontade.

Toda a Revelação, toda a Teologia, todas as realidades Sobrenaturais, foram queridas por Deus Nosso Senhor, como possuindo uma profunda analogia com a Ordem Natural; tal é perfeitamente compreensível se nos recordarmos que Deus é o Autor da natureza, e que a vida Sobrenatural da Graça nos faz participar da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade e Santidade Divina. Porque a alma adornada com a Graça Santificante É ACIDENTALMENTE, AQUILO QUE DEUS É ESSENCIALMENTE. Todavia essa analogia não é produto de um capricho Divino, PORQUE É METAFÍSICA E INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM INCRIADO.

Os Frutos do Espírito Santo constituem como que o pleno desabrochar da nossa vida Sobrenatural no que ela possui de gratificante, de celestial, de indissolùvelmente consolador. As Bem-Aventuranças são também consideradas frutos do Espírito Santo, mas noutro sentido, porque os frutos, em sentido estrito, são por assim dizer contemplativos, ao passo que as Bem-Aventuranças possuem ainda um aspecto prático, conquanto já introduzam, ou sejam mesmo operativamente, especulativamente, constitutivas da contemplação. A razão profunda para isto filia-se na realidade Divina dos Dons do Espírito Santo em nós. Nas virtudes, são as nossas faculdades que, sustentadas pela Graça Divina, produzem elas mesmas intelecções e volições Sobrenaturais, sim, mas operadas por nós. Nos Dons do Espírito Santo, é o próprio Deus que deposita nas nossas faculdades, sem nós, os actos de inteligência e de vontade. Para isso a alma enriquecida com a Graça Santificante possui Hábitos receptivos para que melhor acolha a acção do Espírito Santo, ainda que a possa repudiar.

O nosso progresso na vida Sobrenatural é constitutivo de uma unificação e de uma simplificação, quer no plano da inteligência, quer no plano da vontade e da operação prática; neste quadro conceptual, o Fim Supremo e Absoluto, que é Deus, vai-se sobrepondo com verdadeira hegemonia Sobrenatural, quer no plano da contemplação especulativa quer no plano da operação moral prática; os meios, os fins secundários, e o Fim Absoluto e Primário vão-se unificando num real antegozo da Eterna Beatitude. Consequentemente, as Bem-Aventuranças constituem uma fonte intrínseca de felicidade; tal sucede porque o cumprimento da Lei Moral é perfeitamente homogéneo com a recompensa celeste da virtude, tão homogéneo, que a única garantia de verdadeira felicidade só pode então ser a perfeição moral Sobrenatural. Assim se compreende que as Bem-Aventuranças sejam já, de algum modo, constitutivas da contemplação. Porque os Dons do Espírito Santo da Sapiência, do Entendimento e da Ciência são especulativos, sim, mas possuem uma faceta indirectamente prática. Especulativo, é tudo o que tem razão genérica de Fim eminentemente Objectivo, contemplado como Verdade e Bem em si mesmo; prático, é tudo aquilo que possui razão genérica de meio, ou mesmo de fim secundário, em ordem ao Fim Primário.

 Bem-Aventurados os pobres em espírito; Bem-Aventurados os puros de coração: Ora os pobres em espírito são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas e das glórias mundanas; e mesmo se, por dever de hierarquia social, possuírem tais riquezas – sabem como usá-las, ordenadamente, para maior Glória de Deus, salvação das almas, e socorro dos pobres; os puros de coração são aqueles que, embora em contacto operativo prático com o mundo – não se macularam, permanecendo totalmente vinculados aos Bens Eternos. Não olvidar que o grande segredo da conciliação da vida activa com a vida contemplativa, É DE QUE A ACÇÃO DEVE BROTAR DA SUPERABUNDÂNCIA DA CONTEMPLAÇÃO. A diferença entre especulação e contemplação reside  em que esta última, unifica, simplifica e aprofunda extraordinária e Sobrenaturalmente a primeira, sendo tendencialmente realizada pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo a Sapiência o Entendimento e a Ciência.  

Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça; Bem-Aventurados os que choram: A fome e sede de Justiça é o anelar pela Lei de Deus e Seu cumprimento; é o colocar na Lei Divina toda a sua esperança, mesmo neste mundo; é a fome e ânsia de Verdade Divina, de Bem Divino, de Santidade Divina. A alma com verdadeira fome e sede de Santidade nunca se detém no caminho para Deus, porque sabe que PARAR É MORRER, e no rumo árduo que conduz ao Altíssimo, os meios são perfeitamente homogéneos com o Fim, e por maiores que sejam os sofrimentos, sobretudo de ordem moral, uma tal senda constitui já um antegozo real do Céu; aqueles que pela contrição perfeita choram os próprios pecados, é porque amam a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas; mesmo aqueles que só têm atrição dos seus pecados, receberão a Caridade perfeita e a Graça Santificante com a absolvição sacramental. De uma maneira geral, devemos nutrir a maior repulsa moral objectiva pelo grande e negro oceano de pecados e heresias que é, e sempre foi, este paupérrimo mundo. Bem-Aventurados os misericordiosos, os mansos, os pacíficos, os que sofrem perseguição por amor da Justiça: Os misericordiosos são aqueles que sabem como sublimar sobrenaturalmente a virtude da Justiça, quer na sua vida pessoal, quer em qualquer função pública que porventura desempenhem; os mansos são aqueles que, salvaguardada a virtude da Justiça, sabem reagir com brandura às ofensas recebidas, moderando sobrenaturalmente os ímpetos do apetite irascível; os pacíficos são aqueles que sabem ser a Paz constitutiva da Beatitude, mesmo neste mundo, porque a realidade bélica entrou no mundo pelo pecado de Adão, sendo atributo fundamental da maldade do homem. Todavia, os obreiros da Paz de Cristo não são, nem podem ser, os pacifistas, mas aqueles que consideram que sendo os homens, em geral, maus, e inimigos do Nome Cristão, será sempre necessária da parte dos bons, e depois da proclamação solene da Verdade, também uma atitude bélica, não apenas de legítima defesa, mas até ofensiva no sentido preventivo; os que sofrem perseguição por amor da justiça, são aqueles que, sendo, em princípio, obreiros da Paz de Cristo no Reino de Cristo, sofrem por isso, e sofrerão sempre, as agruras deste mundo mau, no plano físico e no plano moral. Nosso Senhor revelou-nos claramente que o mundo haveria sempre de perseguir os Seus discípulos, tal como O perseguiram a Ele, e quanto mais um homem fosse piedoso mais encarniçadamente seria afrontado – mas o Príncipe da Paz estaria, como estará, permanentemente com ele.

Evidentemente que as Bem-Aventuranças reflectem e constituem um elevadíssimo grau de Santidade; como tal, promanam mais dos Dons do Espírito Santo do que das virtudes, porque, de certo modo, nos conferem o Céu ainda cá na Terra, conjugando e harmonizando, Sobrenaturalmente, a contemplação oriunda dos Dons do Espírito Santo, a operação especulativa através das virtudes Teologais, e a operação prática da actividade moral. Segundo São Tomás, sendo as Bem-Aventuranças frutos do Espírito Santo, nem todos os frutos são Bem-Aventuranças, porque toda a suavidade Sobrenatural que promana da vida da Graça no cumprimento da Lei de Deus é fruto do Espírito Santo. Consequentemente, a Visão de Deus, na Eternidade, QUE É A BEM-AVENTURANÇA EM SENTIDO ABSOLUTAMENTE EMINENTE, constitui o FRUTO SUPREMO DA NOSSA PREDESTINAÇÃO, DA NOSSA ELEIÇÃO CARACTERIZADAMENTE GRATUITA.

Sabemos que no Céu permanecem a Caridade, a Graça Santificante, e os Dons do Espírito Santo enquanto Hábitos receptivos escatològicamente actualizados e imóveis, logo também permanecem as Bem-Aventuranças na sua dimensão especulativa. Anàlogamente, as virtudes morais enquanto Hábitos operativos integrar-se-ão também na Eternidade Beatífica. Sòmente a Fé e a Esperança, porque apanágio do estado de via, não permanecem na Eternidade.

Segundo São Tomás, a Visão Beatífica constitui uma operação eminentemente especulativa, operação da inteligência, pois que a alma na posse da Fé e da Esperança, da Graça Santificante e da Caridade perfeita, anela com todas as suas forças Sobrenaturais por entrar no Céu, mais ainda à hora da morte. Mas só Deus a pode consagrar, eternamente, imutàvelmente, física e moralmente, na contemplação da Sua Essência Incriada.

Nunca olvidemos, na nossa ascensão para Deus Nosso Senhor, QUE O PRINCÍPIO, OS MEIOS, OS FINS SECUNDÁRIOS, E O FIM PRIMÁRIO, SÃO ABSOLUTAMENTE HOMOGÉNEOS, PORQUE SOBRENATURAIS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica