Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: maio 12, 2017

A PALAVRA DA IRMÃ LÚCIA E O SEGREDO DE FÁTIMA

 

Arai Daniele

Não há dúvida que a responsabilidade de ser a porta-voz de Nossa Senhora da Mensagem de Fátima foi para uma menina peso enorme, que só podia ser sustentado por graças proporcionais, Sabemos que estas não faltaram, mas por isto mesmo, muitos esperam ver na Irmã Lúcia comportamento de uma santidade impecável.

Ora, diante de certas suas contradições depois de 1959, não poucos levantam a hipótese de duas irmãs, sendo a segunda programada pela atual Igreja conciliar, para aceitar todas as novidades desde então em curso, da nova missa às várias manobras ecumenistas.

Por tudo isto queremos rever aqui a os dados para aquilatar a sua fidelidade na transmissão da Mensagem e as suas limitações no entendimento de sua interpretação. De fato, este não poderia superar, do ponto de vista teológico, o conhecimento teológico de que a Irmã dispunha.

Parece claro que a esta limitação se deve ligar a frase de Nossa Senhora, repetida por Lúcia no seu diário, quando no dia 2 de janeiro de 1944 a autorizou e escrever a 3ª parte do Segredo, dizendo: “escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado”.

Esta frase da Mãe de Deus faz entender tratar-se do significado deduzido de uma visão simbólica cujo sentido, para a Vidente, posto que não consta seu registro, a Irmã só poderia imaginar segundo a experiência religiosa por ela vivida naqueles anos. Por causa disto se põe a questão: poderia Lúcia entender a visão simbólica como um ataque mortal ao Papado num tempo de paixão final da Cristandade?

Talvez isto transparece apenas na entrevista da Irmã ao P. Fuentes, que ela foi levada a desmentir.

Mas voltemos à origem do seu testemunho a fim de não confundir imprecisões iniciais da menina com contraditórios desmentidos quando era já freira no Carmelo de Coimbra em 1959.

 

No fim de seu quarto manuscrito a irmã Lúcia escreveu:

  • “Não poucas pessoas se têm demonstrado bastante admiradas com a memória que Deus se dignou dar-me. Por uma bondade infinita ela é em mim bastante privilegiada em todo o sentido. Mas nestas coisas sobrenaturais não é de admi­rar porque elas gravam-se no espírito de tal for­ma, que é quase impossível esquecê-las; pelo menos o sentido das coisas que elas indicam nunca se esquece, a não ser que Deus o queira também fazer esquecer.”

Sobre a posição pessoal da Irmã, aqui são reproduzidas algumas páginas do livro do teólogo mariano P. Messias Dias Coelho, «O que falta para a conversão da Rússia», Fundão, 1959.

 

  • «… não quer dizer que a vidente esteja isenta do esquecimento. Se o estivesse teria repe­tido em 1941, as palavras de 1917, ou pelo menos todas as ideias que então exprimiu, o que não aconteceu, como vimos. De resto, não é verdade que Lúcia tenha afir­mado que fixara ou reproduzira textualmente as palavras da Virgem, como já se tem dito e escrito. Ao contrário, ela mesma declarou em 1946, numa entrevista a William Thomas Walsh que, ao citar as palavras da Virgem, se limitou a exprimir o seu sentido.
  • —  Ao referir as palavras do Anjo e de Nossa Senhora — perguntou o escritor — a Irmã repro­duz as palavras exactas, tal como foram pronun­ciadas, ou somente o seu sentido geral?
  • —  As palavras do Anjo — respondeu a Irmã — eram duma intensidade e duma força, tão grande, eram tão cheias de realidade sobrenatural, que eu não podia esquecê-las. Parecia que se me tinham gravado, tais quais eram e para sempre na memó­ria. Quanto às palavras de Nossa Senhora, a ques­tão é outra. Não poderei dizer que todas as palavras sejam exactas. Não me é fácil explicar bem estas coisas. Nos relatórios do Dr. Formigão há uma passa­gem que corrobora o que acima fica exposto. Na visita que o benemérito apóstolo de Fátima fez a Aljustrel, em 2 de Novembro de 1917, notou que Lúcia vacilava num ou noutro pormenor. Desfe­chou-lhe então a seguinte pergunta: — No dia 13 não tinhas dúvidas como agora, acerca do que a Senhora disse. Como se explicam as tuas dúvidas de hoje?
  • Ao que a vidente respondeu: — Nesse dia lembrava-me melhor. Tinha sido há menos tempo. Não sei que vantagem possa haver em exage­rar a tenacidade da memória da Irmã Lúcia, como tantas vezes se tem feito. Toda a gente sabe que ela é extraordinária. Aí estão os manuscritos a testemunhá-lo, mas isso não obsta, a que Lúcia se tenha enganado ou até errado em questões de pormenor, como acima se demonstrou e mais adiante voltaremos a constatar.
  • Posto isto, resta-nos concluir:
  • Se os depoimentos da Irmã Lúcia nos não ga­rantem uma reprodução exacta das palavras da Virgem, será descabida e sem fundamento, qual­quer argumentação baseada na interpretação tex­tual dos mesmos. Uma vez porém que a vidente foi fiel transmissora da essência da mensagem, é absolutamente legítimo aproveitar os seus depoimentos, para, através das ideias neles expressas, deduzir com toda a segurança, o que Nossa Senhora de Fátima quer de todos e cada um de nós.
  • A interpretação da mensagem de Fátima é portanto uma operação de conjunto que não po­derá limitar-se à análise duma palavra, duma frase, ou mesmo do diálogo inteiro duma aparição.
  • Por se esquecer esta verdade, é que a revela­rão da Cova da Iria tem sido tantas vezes adulte­rada e diminuída, mesmo em obras de fôlego e sob a sigla de nomes já feitos no campo da Teolo­gia e das Letras. Antes de mais, há que descobrir a espinha dorsal que liga, um a um, todos os fenó­menos de Fátima, desde a la aparição do Anjo, à última visita de Nossa Senhora.
  • Engana-se quem suponha que Fátima foi uma revelação em prestações. Foi antes uma revelação monolítica, uma revelação continuada, um desen­volvimento progressivo, ora mais rápido, ora mais lento, mas sempre constante, da mesma doutrina, da mesma semente que, lançada à terra na pri­meira intervenção do Céu, foi sucessivamente ger­minando, crescendo, aumentando, até se tornar a maior e a mais vasta de quantas a Cristandade já recebeu, depois da morte do último Apóstolo. Não seria nada difícil descobrir nas palavras do Anjo, o resumo das palavras da Virgem, até mesmo daquelas que mais «novidade» trouxeram como são as que se referem à reparação ao Coração Imaculado de Maria. Sendo assim, para compreender cabalmente a mensagem de Fátima, é mister apreender todos os dados que os videntes e as demais testemunhas nos fornecem. Só dessa maneira, poderemos com segurança, destrinçar o essencial, do supérfluo; o quadro, da moldura ; a gema, do engaste.
  • DEPOIMENTOS  INTERPRETATIVOS
  • Pouco, ou nada nos depoimentos de 1917, um tanto nos manuscritos de 1941 e bastante nas en­trevistas orais ou escritas, concedidas a uns e outros, foi a Irmã Lúcia interpretando, como pôde e soube, a mensagem que do Céu recebera. Pergunta-se qual o valor que essas interpre­tações nos merecem?
  • Numa revelação destinada não apenas à Igreja, mas ao mundo todo — como é a de Fátima — uma criança pode ser escolhida para interme­diária, mas nunca para intérprete. Intérprete é a Teologia, ou se quisermos, a Igreja tanto Docente como Discente, uma vez que ambas são permanen­temente imbuídas e vivificadas pelo Espírito Santo que «ensina toda a verdade». A Igreja dis­cente enquanto pratica e a docente enquanto prega e ensina, são os padrões pelos quais se deverá afe­rir não só a ortodoxia, mas também o sentido de qualquer comunicação sobrenatural. Isto basta para se concluir que o valor das in­terpretações: da Irmã Lúcia não ultrapassa o da sua cultura teológica pessoal — cultura mínima, no início das aparições, cultura, hoje, um pouco mais desenvolta, mas ainda -assim, reduzida e in­suficiente para tarefa tão alta.
  • A destrinça entre as duas fases da história das mensagens de Nossa Senhora, — comunicação e interpretação — tão evidente no caso de Fátima, é aliás comum a muitas outras aparições. Parece que o- Céu quer propositadamente evidenciá-la, não só para confirmar o papel da Teologia, na vida da Igreja, como ainda para realçar o carácter comu­nitário e de certo modo universal, das mais im­portantes revelações privadas. Bernardette Soubirous não só não sabia inter­pretar o que a Celeste Visão lhe disse na Gruta de Massabielle, como nem sequer entendia o signi­ficado próprio de certas palavras que a Virgem pronunciara. O sentido de «Eu sou a Imaculada Conceição», por exemplo, era para ela, um misté­rio indecifrável.
  • O mesmo aconteceu em La Salette. Melânia não tinha a menor noção do que significassem as pala­vras infalível e anti-Cristo que a Visão pronun­ciara.
  • Em Fátima, nenhuma das três crianças sabia o que era a Rússia, nem sequer quem era Pio XI. Todos conhecem a cândida ingenuidade com que a Jacinta interpretava a referência da Vir­gem, aos pecados da carne e a certeza e, depois, a hesitação com que Lúcia atribuiu a profecia da «noite iluminada» à aurora boreal de 1938, che­gando a afirmar que esse fenómeno, observado
  • e estudado por tantos observatórios, não era real­mente uma aurora boreal.
  • Sem tentarmos de forma nenhuma fazer o ca­tálogo das inexactidões da Irmã Lúcia, lembra­remos apenas mais três. A primeira é a já referida frase «a guerra acaba hoje» que a vidente repetiu várias vezes, perante os peregrinos da Cova da Iria e depois perante o Dr. Formigão e o Pároco de Fátima, apesar de todas as objeções que lhe eram apre­sentadas. Estudaremos adiante este erro, com o possível desenvolvimento. A segunda é a afirmação contida no 4.° manus­crito, de que a aparição de Agosto se deu a 15 desse mês — data inadmissível, por contradizer vários documentos da época que a fixam a 19…
  • Finalmente, registaremos apenas uma terceira confusão. No manuscrito de 1941, Lúcia ao con­tar a aparição de Agosto, atribui a Nossa Senhora estas palavras: «…o (dinheiro) que sobrar é para a ajuda duma capela que hão-de mandar fazer».
  • Ora conclui-se da análise histórica das aparições, que só no mês de Setembro, é que a Virgem falou da construção da capela. A referência à construção- da capela não apa­rece no relatório do Prior de Fátima (redigido dois dias após a aparição) nem nas declarações que constam do processo canónico, elaborado em 1924. Isto porém não seria argumento bastante, pois nada impedia que a Visão se referisse duas vezes ao mesmo assunto…
  • Quem se der ao trabalho de examinar detalhadamente os documentos a que acima nos referi­mos, encontrará vários outros «deslizes» que só não apontamos, para não alongar demais este ca­pítulo.
  • Erros deste género são perfeitamente com­preensíveis e explicáveis adentro da multiplicidade de facetas e da grandiosidade de dimensões que a história de Fátima assume. Se esta hou­vesse durado menos tempo e incluísse menos diá­logos, poder-se-ia estranhar uma ou outra inexac­tidão. Assim, nada mais natural para uma criança, do que esquecer um pormenor, ou trocar o sentido duma frase. O contrário— a concordância per­feita, matemática em tantos e tão variados pon­tos, é que seria de temer e difícil, muito difícil de explicar.
  • Embora o nosso intento fosse analisar as inter­pretações da Irmã Lúcia, quisemos de propó­sito, focar aqui os «deslizes» informativos, acima enunciados, a fim de podermos concluir a, fortiori para a possibilidade de erro, na explicação da mensagem. De facto, se a vidente comete inexac­tidões na transmissão das palavras da Virgem, coisa que pode considerar-se função específica dum intermediário, com mais razão as deverá co­meter na interpretação da mesma que de forma nenhuma lhe pertence.
  • Para não assustar certos espíritos demasiada­mente propensos a exageros tanto na apreciação do bem, como na condenação do mal, acrescenta­remos que os erros de que falámos são o- que há de mais natural e a prova é que se verificam, com grande frequência, na vida dos santos.
  • Santa Joana d’Arc, por exemplo, interpretou erradamente a predição do seu martírio, julgando que ele consistiria apenas na prisão e nos tormen­tos que nela sofreu. Santa Hildegarda que teve verdadeiras revelações, misturou a mensagem re­cebida do’ Céu, com certas crenças da época acerca da existência de monstros, dragões e outros ani­mais fabulosos. Santa Catarina Emmerich e Santa Maria de Agreda adornaram inconscientemente as revelações recebidas, com a sua própria ima­ginação. A Beata Anna Maria Taigi, beatificada em 1920, predisse que Pio IX viveria 27 anos e que veria o triunfo da Igreja e a conversão da Inglaterra, da Rússia e da China.
  • Ora a verdade é que Pio IX viveu 32 anos e morreu, prisioneiro, bem longe de ver a realiza­ção de qualquer desses prodígios. S. Vicente Ferrer gastou os últimos 21 anos da sua vida, a anunciar a proximidade do fim do Mundo e do Juizo Final e fez milagres, em abono do que dizia. Apesar disso, o fim do Mundo não veio, como também não veio o fim de Ninive, pre­dito pelo profeta Jonas, porque o povo se arre­pendeu e mudou de vida.
  • Houve vários santos que foram privilegiados com a visão dos sofrimentos de Cristo, no Calvá­rio. Comparando as suas descrições, vê-se que, em­bora elas concordem no essencial, discordam bas­tante nos pormenores que chegam a ser não ape­nas diferentes, mas opostos e irreconciliáveis p).
  • No caso de Fátima, os erros de que falámos não excedem as proporções do acidental e, como já acima frisámos, só confirmam a realidade das aparições. Que mais se poderia esperar de crian­ças de 7, 8 e 10 anos? Se até Santa Teresa de Ávila, a grande Santa Teresa, Doutora e Mestra do Carmelo, a quem a Igreja levantou uma está­tua com esta inscrição Maiter Spiritualium, se até ela se reconhecia incapaz de transmitir com fide­lidade, o que Deus lhe comunicara, que admira que tenha havido uma ou outra incongruência, em tão pequenos pastorinhos da serra, que, além de novos, eram rudes e sem qualquer espécie de ins­trução?
  • *    *
  • «Concluamos portanto:
  • «É ridículo, e quando se trata da religião, tudo o que é ridículo é prejudicial, dizer, ou supor que a Irmã Lúcia tem dons carismáticos, como qual­quer profeta, ou apóstolo do Antigo, ou do Novo Testamento.
  • É igualmente ridículo invocar o seu testemu­nho-, como já se tem feito, para. defender certas interpretações da mensagem de Fátima que a Teo­logia não abona, nem o bom senso consente.
  • «A missão da Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, como muito bem diz a Superiora do Carmelo de Santa Teresa, de Coimbra foi transmitir a mensagem da Virgem, o- que já fez e exuberantemente. Não lhe peçam porém que in­terprete o que escreveu ou disse. Peçam isso aos teólogos, à Hierarquia, aos apóstolos de Fátima que o Espírito Santo suscita, quando e onde muito bem lhe apraz. «Ubi vult».

*   *   *

Agora há que tratar não mais de imprecisões ou esquecimentos  da irmã Lúcia, mas de contradições suas a partir do tempo de João 23, que censurou o 3º Segredo, justamente quando este seria mais claro, nas palavras de Lúcia ao cardeal Alfredo Ottaviani em 1955.

Na entrevista ao padre Agustin Fuentes em dezembro de 1957, que ainda por uns meses era tempo do pontificado de Pio XII, foi publicado o aviso da Mãe de Deus: “Senhor Padre, o demônio está operando a batalha decisiva contra a Virgem Maria, e o que mais aflige o Coração Imaculado de Maria e de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que sacerdotes e religiosas, descuidando de sua excelsa vocação, arrastam muitas almas para o inferno.”

A Irmã non anos 70 acusou esse “desvio diabólico”, como poderia então seguir e pedir que fossem seguidos desviados, sem apurar o motivo fundamental e geral desse desvio presente no Vaticano 2? Poderia valer a regra da obediência cega diante deles? Afinal, não era verdade justamente o que a Mãe de Deus havia lhe dito e ela transmitira ao padre Fuentes? Porque desmenti-lo então? Afinal tudo esto estava em meu livro «Entre Fátima e o Abismo», que lhe foi levado em mãos pela sua sobrinha Maria do Fetal, que ni mês seguinte me trouxe a resposta: – Está correto, mas é polêmico!

E assim se foram acumulando contradições suscitadas do «alto», das quais relatarei uma de que fui pessoalmente testemunha. A consagração da Rússia ao Imaculado Coração não fora feita e isto era repetido pela Irmã até 1989. Nesta ocasião foi convidado para ouvir uma comunicação do p. Messias Coelho no hotel Solar da Marta. Havia outras pessoas e o rv. Bellwood estava comigo. Era mensagem do Vaticano para os ativistas de Fátima: – a Consagração da Rússia já foi feita por João Paulo 2º (25.3. 84) e não se deve mais importunar o Santo Padre sobre isso! Perguntei ao p. Messias, que escrevera o livro citado se o recado era também para a Irmã e se ele concordava. Respondeu afirmativamente dizendo, afinal já foi feita a consagração do mundo que compreende a Rússia!

Como se vê a obediência conciliar acarreta as mais tolas contradições contra consciência!

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica