Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: maio 16, 2017

SÓ NO AMOR DOS SAGRADOS CORAÇÕES O MUNDO TERÁ PAZ

Arai Daniele

O Papa São Pio X, na Carta Apostólica “Notre Charge Apostolique”, (25 de Agosto de 1910) ensinava: «Não existe verdadeira fraternidade fora da caridade cristã, que por amor de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador, abrange todos os homens, para os consolar a todos, e para os conduzir a todos, à mesma fé, e à mesma felicidade eterna do Céu.»
«Separando a fraternidade da Caridade Cristã, assim entendida, a democracia, longe de ser um progresso, constituiria um desastroso recuo para a civilização.

«A mesma doutrina católica nos ensina também que a fonte do amor ao próximo se acha no amor a Deus, Pai comum e fim comum, de toda a família humana, no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual somos membros, e a tal ponto, que consolar um infeliz é fazer bem ao próprio Jesus Cristo. qualquer outro amor é ilusão e sentimento estéril e passageiro.»

Por tudo isto, não se pode prescindir do zelo pela restauração intelectual e moral deste Amor sobrenatural para manter um verdadeiro bem e um mínimo de ordem, mesmo material.

E aqui é bom lembrarmos os desígnios divinos em dois momentos históricos que condicionam o atual: o da vigília da Revolução Francesa, e o das convulsões revolucionárias do início do século XX.

O primeiro caso refere-se aos fins do reinado de Luís XIV, entre 1680 e 1715. Então o escritor Paul Hazard situou o fluxo sintomático de mais ou menos todas as atitudes mentais cujo conjunto conduziria à revolução… “a crise da consciência européia”.

Após a morte do rei, o movimento subversivo desenvolveu-se com grande virulência e não há historiador objetivo que negue a ação das sociedades secretas, que então surgiram por toda parte, no ódio e assalto contra a Ordem cristã.

Nesta época, havia sido pedida por Jesus a consagração desse Reino ao Seu Sagrado Coração. É importante notar como o culto ao Coração de Jesus, nobilíssima parte de Seu divino corpo e símbolo de seu Amor infinito, era dado justamente para enfrentar a revolução do ódio racionalista, camuflado nas palavras liberdade, igualdade e FRATERNIDADE.

Porém esse pedido de devoção ao Amor do Sagrado Coração não foi atendido então, e sabemos o resultado catastrófico disto para a ordem e paz das sociedades.

As aparições de Nossa Senhora nos últimos dois séculos

No segundo caso, o desígnio divino era de suscitar o amor dos homens à imagem do Imaculado Amor maternal de Maria.

Foi assim que no tempo em que tal revolução cortava cabeças na França, na Itália, que seria invadida pelas tropas revolucionária de Napoleão, muitas imagens de Nossa Senhora começaram a mover milagrosamente os olhos para dar força ao povo católico. O fato histórico é realmente pouco conhecido, apesar de sua grande importância religiosa. É narrado no livro de Rino Cammilleri e Vittorio Messori (Gli occhi di Maria, Rizzoli, Milano 2001, 319 pp.). Trata dos milagres, às dezenas – ocorridos na Itália Central, de Ancona a Perugia, de Rimini a Recanati, de Jesi a Civitavecchia e em Roma, de 1796 al 1797 com imagens de Nossa Senhora, cujos olhos animaram-se, segundo a reconstrução de diversos processos canônicos, para certificar a autenticidade de 26 casos com testemunhos colhidos de todas as categorias sociais: “dos párocos às marquesas, do comandante da Guarda Civil ao Padre capuchinho, do porteiro ao arquiteto e assim por diante, numa amostra de história italiana dos tristes anos da ocupação napoleônica, e de suas perseguições sociais e religiosas, com furtos e rapinas do patrimônio artístico, transferidos para Paris.

Mas aqui não se trata de grandes e famosos quadros da Virgem Maria, mas de imagens populares, algumas nas esquinas de bairros populares de Roma e no resto da Itália, em contraste com a ostentada prosopopéia iluminista e revolucionária injetada por Napoleão.

O contraste com esse Imperador iniciou em Roma, no dia após a solenidade de reconhecimento dos restos mortais do francês José Benedito Labre que, mendigo em Roma, mas santo diante de Deus.

No verão de 1796 o Bonaparte entrava na Península para semear terror e morte. Ao mesmo tempo, A Virgem Maria intervinha para consolar e reforçar Seu povo na Fé. E quando esse imperador soube e encarou uma Sua imagem em Ancona, titubeou e não teve força para mandar destruir a imagem que o desarmou com o seu olhar animado.* Alguém escreveu que, exilado na ilha Santa Helena, tal lembrança ajudou a converter-se!

Do mesmo modo que na Itália, anos depois – em Paris, em 1830 – Maria Imaculada na noite de 18 para 19 de julho de 1830, onze dias antes do golpe de estado que levaria ao poder Luís Felipe Égalité, filho do regicida Orléans, confiou Sua Medalha milagrosa à jovem religiosa Catarina Labouré do Convento da Rua Du Bac, em Paris.

Era a vigília do golpe de estado de 30 de julho de 1830 e Nossa Senhora apareceu em Paris, na capela da “rue du Bac” das Filhas da Caridade, à humilde noviça, que depois se tornou santa. Esta ouviu a Virgem Maria, que com os olhos cheios de lágrimas, profetizava as grandes desgraças que estavam para abater-se sobre a humanidade.

Em 27 de novembro, a Virgem Imaculada confiou a Catarina a missão de propagar a “Medalha Milagrosa” para sustentar os fiéis e a Igreja com a invocação: — Oh Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a Vós. Esse «rei burguês» trouxe o retorno da idéia da revolução com todas as suas insídias, mas que, com a aparência de uma salvaguarda monárquica, iria reforçar a perseguição ao Cristianismo. Começou por colocar o judaísmo no mesmo nível das confissões cristãs, reforçando o clima de liberalismo religioso e ointer-confessionalismo, hoje de moda, assim, reconciliando na França a Revolução com o Trono. Em 1832 a França orleanista chegou a apoderar-se de Ancona para abater o Papa.

Seguiram as aparições marianas, em 1846 a La Salette, antes da grande convulsão marxista de 48. Seguiram em 1858 em Lurdes. Em 1871 em Pontmain, depois da derrota francesa de Sédan do ano antes, da ocupação prussiana e da Comuna de Paris.

Finalmente, em 1917 a Fátima, pouco antes da Revolução bolchévica, causadora de centenas de milhões de mortos pelo mundo afora. Ainda em 1933 a Beauraing e a Banneux, quando subia ao poder Hitler na Alemanha.

Não se diga, pois, que diante de tantos perigos e ameaças, mesmo sociais, Deus não deu algum sinal à Sua Igreja. Esta é a questão que, embora seja extremamente importante, é questão incrivelmente esquecida. Sua resposta a esta questão capital nos deve orientar sobre a luminosa seqüência de aparições marianas que vieram prevenir sobre os grandes perigos revolucionários modernos, que de 1830 até hoje se sucedem numa escalada vertiginosa.

A consideração fundamental é esta: a intervenção sobrenatural precede uma ameaça política à vida religiosa, mas a verdadeira ameaça, invisível, está no interior da Igreja, é relativa à defesa da fé, da doutrina, do culto, do clero, da hierarquia e do pontificado. Nossa Senhora veio à “rue du Bac”, como a La Salette e Fátima, avisar sobre erros políticos, mas para a defesa da Roma católica.

A mensagem de ajuda é antes de tudo para que o Pontífice Romano tenha um novo apoio inestimável para preservar a Fé íntegra e pura no amor sobrenatural suscitado por Deus à imagem do amor de Maria Imaculada que em Lourdes, em 1858, disse “Eu sou a Imaculada Conceição”, confirmando assim a plena oportunidade do dogma proclamado pelo papa Pio IX em 1854, para saber que eram de apoio ao Papa.

O papa Bento XV escreveu: “Desde os três primeiros séculos, durante os quais a terra ficou empapada com o sangue dos cristãos, pode-se dizer que nunca a Igreja atravessou uma crise tão grave como aquela em que entrou no fim do século XVIII.” E também: “É sob os efeitos da louca filosofia resultante da heresia dos Inovadores e da sua traição que os espíritos saíram em massa dos caminhos da razão e que explodiu a Revolução, cuja extensão foi tal que abalou as bases cristãs da sociedade, não só em França, mas paulatinamente em todas as nações.” (A.A.S. 7/3/1917). De fato, só a revolução, que estava para realizar-se nesse pontificado, ultrapassaria todo esse ódio.

Se é importante notar como o culto ao Coração de Jesus simboliza culto ao seu Amor infinito dado para enfrentar a revolução do ódio oculto atrás da palavra fraternidade, tanto mais hoje que o ódio manifesta-se de todos os modos contra o Cristianismo.

Para enfrentar tanto ódio destrutivo Jesus quer ver associado ao Amor sobrenatural ao seu Sagrado Coração o Amor Imaculado do Coração de sua Mãe. Há então que lembrar que nas aparições de Fátima, Jesus diz como quer suscitá-lo.

A vidente Lúcia confirmará esse desígnio com a explicação dada por Nosso Senhor sobre a razão pela qual não operaria a conversão da Rússia sem que o papa fizesse a consagração pedida: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Coração Imaculado.” (DOC. p. 415).

Só nesse Amor o mundo encontrará paz. Por isto, nesta data de Fátima e num momento histórico que pelas sua impiedades – que procedem de tantos em posição de «autoridades» – parecem invocar um grande castigo do Céu, também na ordem material, queremos lembrar o recurso oferecido por Deus.

Assim, em seguida, republicamos o essencial do que temos lembrado tantas vezes: A questão lamentavelmente suspensa da Mediação de Maria Santíssima

Sabemos que o Papa é o alvo final da revolução extrema que pretende “liquidar” o Cristianismo e a autoridade que representa Deus na Terra, a dar frutos da apostasia. E sabemos que o Segredo de Fátima trata justamente da «liquidação» do Papa católico nestes tempos, com a promessa de ajuda mediada por Nossa Senhora.

Por esta razão, nestes últimos tempos em que a Mãe de Deus apareceu na terra nos momentos mais críticos para a sobrevivência da Cristandade, esta «Mediação» deveria justamente ter merecido a maior atenção da Igreja, de modo a ser melhor reconhecida e recebida por todos os fiéis. Mas assim não é porque ainda hoje há grandes dúvidas sobre o valor dessa intervenção mariana, como se pode verificar de diversos escritos dos quais pode-se citar o do Bispo Graber de Ratisbona e o do eminente Bispo Antônio de Castro Mayer, que segue.

  • «Pio XII foi chamado papa de Fátima porque foi sagrado bispo precisamente no dia 13 de maio de 1917, data em que a Virgem Santíssima visitou seus filhos da Terra, aparecendo a três pastorzinhos em Fátima, Portugal, e consignando-lhes salutar mensagem de paz. O título atribuído a Pio XII está a indicar que Fátima e sua mensagem não são um fato particular, que visaria apenas os três videntes da Cova da Iria. Fátima alcança todos os homens. Pertence à história da Igreja. É elemento que interessa à salvação de todos os homens. Não é uma revelação pública. A revelação pública, com efeito, impõe o ato de fé, sob pena de pecado grave; e terminou com a morte do último apóstolo. No entanto, com o encerramento da revelação pública, não ficaram os fiéis privados da graça de revelações que os auxiliassem a viver sempre mais fielmente como cristãos e a melhor cuidarem de sua salvação eterna. Tais revelações são ditas privadas, embora sujeitas ao controle da Santa Igreja. «Entre elas há muitas que interessam, de modo geral, a toda a Igreja, a todos os fiéis. Exemplo palpitante são as revelações de Jesus Cristo a Santa Margarida Maria Alacoque, às quais está vinculada a difusão, altamente santificante, da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Revelações como esta a Santa Margarida Maria não são públicas no sentido clássico. Mas também não podem ser chamadas meramente privadas, como se colimassem o bem tão-só da pessoa, ou das pessoas que a receberam. Elas têm caráter universal, como atesta o exemplo citado das revelações a Santa Margarida Maria. Entre estas estão, sem dúvida, as aparições e mensagem de Fátima. Poderíamos, mesmo, dizer que a mensagem de Fátima é a revelação ou profecia universal da nossa época, para indicar a amplitude de seu alcance. Marginalizando Fátima, afasta-se o fator da paz legado aos filhos pela Medianeira de todas as graças. Eis que, sobre ela, há toda uma literatura e não poucos documentos papais. Não é só. Pois, à medida que correm os anos e se agravam no mundo as desordens de toda espécie, o silêncio, que acoberta a revelação do Terceiro Segredo confiado aos três videntes de Fátima, e que, de si, já deveria ter sido rompido, sublinha sempre mais o alcance e valor inestimável dessa graça que, com as aparições e mensagem de Fátima, a misericórdia de Deus concedeu à Igreja e aos homens. (Da Apresentação do livro «Entre Fátima e o Abismo». A. Daniele, TAQ , SP, 1988)

Também o conhecido mariólogo Pe. Gabriele Roschini coloca essa questão de fé nos seguintes termos: “É discutido se na mediação de Maria, além da causalidade moral (de intercessão), deva-se admitir também a causalidade física instrumental” [de intervenção?] («Dizionario di Mariologia», Studium, “Studium, Roma, 1961, p. 349; Enc. Cat. ed. 1959, volume XIII, p. 576). Portanto, não é sem base dizer que a questão da Mediação universal de Maria» é conexa à Mensagem de Fátima, que por sua vez se ocupa de lembrar aos homens o que é de fé para o bem e também para a paz na terra.

Foi assim que, às vésperas da Revolução Bolchevique, Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos de Fátima o “segredo” que alertava sobre “ao erros espalhados pela Rússia” e os enormes perigos para os homens, se eles não voltassem ao caminho certo. Após a desastrosa 1ª Guerra Mundial, viria “outra guerra pior.”

Se mesmo depois disso o mundo não reavaliasse seus erros, viria um terceiro flagelo, mais devastador das guerras, e tão sorrateiro ao ponto de permanecer secreto e, portanto, incompreensível durante um longo tempo para os que esqueceram a visão católica que nada pode ser mais mortal para a humanidade do que a «supressão» do Pastor da Igreja de Deus, resultante então na apostasia universal. E esta geração vive tudo o que foi profetizado em Fátima.
A este ponto, pode-se negar a intervenção divina na vida da humanidade? Na Revelação isto aconteceu através da participação de Maria, que levou pais e santos da Igreja a prever a sua continuação nos últimos tempos.

Estamos de volta à questão central do Segredo referida a uma perseguição sem precedentes na sequência do “grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”. Foi profetizada assim a “supressão” do “Pastor”, o equivalente à retirada do poder divino por um tempo? Hoje o sabemos porque uma vez “tirado do meio” o poder que fez de obstáculo aos erros do mundo, este estaria enredado num desastre político pior do que as grandes guerras. Tudo iniciou com a eleição maçônica de Roncalli, João 23, o modernista, censor de Fátima e subversor da Tradição.

Na verdade, a perseguição da ordem natural e divina na terra, o mundo, em nome da liberdade, dissipa o amor ao bem e à verdade que detém o mal e a falsidade em toda sociedade humana: o mundo privado da Autoridade da lei divina é enredado em erros e crimes.

O mistério do «terceiro segredo» torna-se claro apenas à luz desta “liquidação” da suprema Autoridade católica que é o obstáculo ao mal e à grande apostasia insuflada pelos mandados do Anticristo.

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