Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: maio 19, 2017

 O TEMPO E A ETERNIDADE DA SANTA MADRE IGREJA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Mystici Corporis”, promulgada em 29 de Junho de 1943:

«Cristo é Autor e Operador de Santidade. Já que nenhum acto salutar pode haver que d’Ele não derive como Fonte Soberana. “Sem Mim – diz Ele – nada podeis fazer (Cf. Jo 15,5). Se nos sentimos movidos à dor e contrição dos pecados cometidos, se com temor e esperança filial nos convertemos a Deus, é sempre a Sua Graça que nos comove. A Graça e a Glória brotam de uma inexaurível plenitude. Sòmente aos membros mais eminentes do Seu Corpo Místico enriquece o Salvador, contìnuamente, com os Dons do Conselho, Fortaleza, Temor, Piedade, para que todo o corpo cresça cada dia mais em Santidade e perfeição. E quando, com rito externo, se ministram os Sacramentos da Santa Igreja, é Ele que opera o efeito deles nas almas. É Ele também, que nutrindo os fiéis com a própria Carne e Sangue, serena os movimentos desordenados das paixões; é Ele que aumenta as Graças e prepara a futura Glória das almas e dos corpos. Todos esses tesouros da Divina Bondade, reparte Ele aos membros do Seu Corpo Místico, não só enquanto os obtém do Eterno Pai, como Vítima, Eucarística na Terra, e como Vítima glorificada no Céu, mostrando as Suas Chagas e apresentando as Suas súplicas; mas também porque “SEGUNDO A MEDIDA DO DOM DE CRISTO”(Ef 4,7)ESCOLHE, DETERMINA E DISTRIBUI, A CADA UM AS SUAS GRAÇAS. Donde se segue que do Divino Redentor, como de Fonte manancial, “TODO O CORPO BEM ORGANIZADO E UNIDO RECEBE POR TODAS AS ARTICULAÇÕES, SEGUNDO A MEDIDA DE CADA MEMBRO, O INFLUXO E ENERGIA QUE O FAZ CRESCER E APERFEIÇOAR NA CARIDADE”(Ef 4,16//Cf.Cl 2,19).

O que até aqui expusemos, Veneráveis irmãos, explicando resumidamente o modo como Cristo Senhor Nosso, quer que da Sua Divina plenitude desça sobre a Santa Igreja a plenitude dos Seus Dons, para que ela se Lhe assemelhe o mais possível, serve para explicar a terceira razão que demonstra como o Corpo Social da Igreja é Corpo de Cristo, isto é, por ser o nosso Salvador Aquele que Divinamente sustenta a Sociedade que fundou.

Observa Bellarmino, como muita subtileza, que com esta denominação de Corpo, Cristo não quer dizer sòmente que Ele é a Cabeça do Seu Corpo Místico, senão também que sustenta a Santa Igreja, DE TAL MANEIRA QUE A IGREJA É COMO QUE UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE CRISTO. Afirma-o também o Doutor das gentes, quando na Epístola aos Coríntios, chama, sem mais, Cristo à Igreja (I Cor 12,12), imitando decerto o Divino Mestre que, quando ele perseguia a Igreja,lhe bradou do Céu: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?”(cf. At 9,4; 22,7;26,14).

Antes, São Gregório Nisseno, diz-nos que o Apóstolo, repetidamente, chama Cristo à Igreja; nem vós, veneráveis irmãos, ignorais aquela sentença de Agostinho: “Cristo prega a Cristo”.»

 

Como ensina o trecho acima transcrito, a Santa Madre Igreja deve ser concebida como UMA SEGUNDA PERSONIFICAÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO; efectivamente, assim como Nosso Senhor, na Sua Pessoa Divina, possui uma Natureza Humana que é elevada a uma existência e a uma Dignidade Divina e Infinita, assim a Santa Igreja, na sua Pessoa Moral de Direito Divino, possui igualmente uma Natureza Humana, uma existência humana, que tudo deve orientar no sentido da salvaguarda do Depósito Sagrado da Revelação cuja custódia lhe foi confiada por Nosso Senhor.

A Santa Madre Igreja foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Sumo e Eterno Sacerdote; cumpre assinalar, que Nosso Senhor não é Sacerdote por uma qualidade acidental, Nosso Senhor É SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, E O É PELA ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS. Não olvidar que Nosso Senhor é também substancialmente Santo, embora a Sua Santíssima Alma humana possua igualmente a Graça Acidental Santificante, a Caridade e os Dons do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja é assim eminentemente Sacerdotal, porque é nela, só nela, com ela e por ela, que Nosso Senhor ofereceu, cruentamente, na Cruz, o Seu Supremo Sacrifício, e o renova incruentamente nos nossos Altares, com o concurso instrumental dos Seus sacerdotes. Consequentemente, a Santa Madre Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é igualmente, à sua maneira, substancialmente sacerdotal. Recebendo, habitualmente, o influxo misterioso, constitutivamente sacerdotal, da sua Divina Cabeça, a Santa Igreja produz e irradia copiosíssimos e dulcíssimos frutos Sobrenaturais, que fecundam a Terra, e irão povoar o Céu, pois todos os Bens Sobrenaturais são necessàriamente, transcendentalmente, Bens Eternos. Exactamente por isso, assim como Nosso Senhor nasceu e viveu no tempo, mas pertence imarcescìvelmente à Eternidade; assim também a Santa Madre Igreja, que nasceu do Lado trespassado de Jesus e peregrina no tempo, na realidade é Eterna. Mesmo o Santo Sacrifício da Missa, que é celebrado e adorado neste pobre mundo, na Eternidade não será celebrado – SERÁ CONTEMPLADO NA FORMA DA ESSÊNCIA DIVINA.  

Nenhuma acção sobrenaturalmente boa, mesmo materialmente exígua e completamente oculta, ficará esquecida na Eternidade, porque o que confere dimensão moral ao agir é a Caridade, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus. Neste quadro conceptual, as mais pequenas vicissitudes da História da Igreja, desde que ilustradas pelas Virtudes Teologais e Morais e pelos Dons do Espírito Santo – POSSUIRÃO UMA CORRESPONDÊNCIA E UMA RECOMPENSA ETERNA. Porque mesmo as nossas boas acções, neste mundo, são uma pequeníssima gota de água face ao imenso oceano da Verdade e do Bem que nos espera na Eternidade. Renovamos o que temos referido tantas vezes: A Eternidade não é um tempo sem fim; É A SUPERAÇÃO ABSOLUTA DA CONDIÇÃO TEMPORAL, PORQUE ESTA É SUCESSÃO, NUMERAÇÃO, DISPERSÃO, AO PASSO QUE A ETERNIDADE É A POSSE TOTAL DO SER E DO TEMPO, É A PERFEITA IMUTABILIDADE, É UM PRESENTE PERPÉTUO, MESMO PARA A CRIATURA GLORIFICADA.

Mas a imutabilidade não é atributo próprio de Deus?

A Imutabilidade Metafísica, sim; mas a imutabilidade dos eleitos do Reino dos Céus é uma IMUTABILIDADE ONTOLÓGICA, ESCATOLÓGICA.

E no Inferno? No Inferno, essa imutabilidade tem de ser concebida totalmente em negativo, o que só intensifica, de forma incalculável, impensável, a dor e o sofrimento.

No purgatório, embora pertença já à Eternidade, existe uma comensurabilidade extrínseca com o tempo do mundo, a qual também se verifica para os eleitos do Céu, até ao fim do mundo.

A Igreja militante, que vive neste mundo, não tem jurisdição alguma sobre a Igreja padecente e a Igreja triunfante, apenas pode influir na primeira como sufrágio, e na segunda como tributo de honra prestado aos Santos, e que redunda, em última análise, na Glória proclamada ao Autor de toda a Santidade.

Todavia, a Cátedra de São Pedro e Nosso Senhor Jesus Cristo, CONSTITUEM UMA SÓ CABEÇA DA IGREJA MILITANTE.  

É certo que Nosso Senhor Jesus Cristo, quando andava pelo mundo, como Homem mortal, era simultaneamente viador e compreensor, vivia no tempo, mas a parte superior da Sua Alma Santíssima estava na Eternidade e contemplava beatìficamente a Deus.

Coloca-se a seguinte questão: O Sacrifício oferecido por Nosso Senhor na Cruz, era evidentemente uma oblação a Deus; mas então também era dirigida a Si mesmo, Jesus Cristo, que era Deus?  Sem dúvida que sim, e não existe qualquer contradição; assim como Nosso Senhor Se retirava frequentemente para orar a Deus, assim igualmente Lhe oferecia o Sacrifício Redentor. Tal sucede porque Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo verdadeiro Deus, também era verdadeiro Homem; e embora a Sua Pessoa fosse Divina, era uma Pessoa Divina revestida hipòstaticamente de uma verdadeira Natureza Humana, uma Inteligência humana, uma Vontade humana, uma sensiblidade humana, uma temporalidade humana, uma Jurisdição humana, ainda que submetida hipostàticamente à única Pessoa Divina.

Podemos e devemos afirmar que Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra e ao tempo para, soberanamente, nos libertar desses mesmos elementos. Neste quadro conceptual, o milenarismo é hediondo, POIS COLOCA NA TERRA E NO TEMPO AQUILO QUE, EM ABSOLUTO, PERTENCE AO CÉU E À ETERNIDADE. E se houve Padres que, como Santo Ireneu, professaram realmente o milenarismo, sem com isso soçobrarem na heresia, é porque nessa recuada época o Sagrado Património, objectivamente revelado, ainda se encontrava numa fase remota de explicitação. Professar hoje o milenarismo é pretender repristinar arqueologìsticamente a Santa Doutrina, ignorando o desenvolvimento homogéneo, mas de extraordinária riqueza, de dezanove séculos e meio de História da Igreja.

Mas a Doutrina Católica evoluiu ou não, ao longo dos séculos?

Evidentemente que não; sustentar o contrário é modernismo. O Património objectivamente revelado, até à morte do Apóstolo São João, por volta do ano 100, É ABSOLUTAMENTE IMUTÁVEL. Mas a compreensão que a Santa Madre Igreja dele possui pode e deve aprofundar-se, enriquecer-se, embora sempre no mesmo sentido e na mesma espécie cognitiva Sobrenatural; PORQUE TAL É QUERIDO PELA PRÓPRIA PROVIDÊNCIA DIVINA, NA EXACTA MEDIDA EM QUE TAL É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE COMENSURÁVEL COM A NATUREZA TEMPORAL E HISTÓRICA DA MESMA SANTA MADRE IGREJA, NA SUA FASE MILITANTE, E COM A CONDIÇÃO DO HOMEM HISTÓRICO CUJA OPERAÇÃO FACTÍVEL E AGÍVEL PODE E DEVE DESENVOLVER-SE NO ESPAÇO E NO TEMPO DESTE NOSSO MUNDO CORRUPTÍVEL.

O tempo, na sua dispersão, existe para que o sublimemos na e pela nossa santificação, em ordem a que, com o auxílio de Deus, mesmo continuando no mesmo tempo – O UNIFIQUEMOS, O SIMPLIFIQUEMOS, O RECTIFIQUEMOS SOBRENATURALMENTE. Toda a actividade da Santa Madre Igreja peregrina segundo esse objectivo, quando exerce a função Magisterial, quando celebra o Santo Sacrifício da Missa, quando administra os Sacramentos – PREPARA-NOS A ETERNIDADE, PROCEDENDO POR UMA VERDADEIRA INCOACÇÃO, UMA REAL PARTICIPAÇÃO, QUE SÒMENTE A GRAÇA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS E MORAIS PODEM CONFERIR.

A Santa Madre Igreja constitui assim, no tempo, O ÚNICO E SOBERANO LUME, A ÚNICA IRRADIÇÃO, DA ETERNIDADE.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Abril de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

     

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