Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

AS BEM-AVENTURANÇAS COMO FRUTOS DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa São Pio X, num trecho da sua encíclica “Acerbo Nimis”, promulgada em 21 de Abril de 1905:

«Sabemos que para muitos a tarefa do catequista não é bem vista, porque comumente não é tida como importante, sendo pouco talhada aos aplausos das pessoas. Mas isso, em nossa óptica, é juízo nascido do imediatismo, e não da Verdade. Nós, sem dúvida, admitimos que sejam dignos de louvor aqueles sagrados oradores que se dedicam com zelo sincero â Glória de Deus, seja em defesa da manutenção da Fé, seja para o encómio dos heróis do Cristianismo. Todavia, a fadiga deles, supõe outra, isto é, a dos catequistas; onde essa faltar, faltam os fundamentos e trabalham em vão os que edificam a casa. Frequentemente, os sermões floridos, que repercutem em aplauso nas grandes concentrações, ARRISCAM SIMPLESMENTE ACARICIAR OS OUVIDOS; NÃO COMOVEM DE FACTO OS ÂNIMOS DAS PESSOAS. Ao contrário da instrução catequética, porque esta, embora humilde e simples, faz o que o próprio Deus disse a Isaías: “Como a chuva e a neve descem do Céu, e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a Palavra que sai da Minha boca: Ela não torna a Mim sem fruto; antes, ela cumpre a Minha Vontade, e assegura o êxito da missão para a qual a enviei” (Is 55, 10-11).

O mesmo pensamos ter de dizer dos sacerdotes, que para ilustrar as Verdades Religiosas compõem densos livros; merecendo por isso ser recomendados. Mas quantos são os que lêem  tais volumes, correspondendo em frutos ao suor e ao zelo de quem os escreveu?

Onde o ensinamento do catecismo é feito como se deve, não há nunca desvantagem para quem o escuta.

Já que é útil repetir, para incentivar o zelo dos Ministros do Santuário, são muitos – e cada dia crescem mais – os que ignoram as Verdades Religiosas. De Deus e da Fé Cristã, possuem apenas aquela ciência que lhes permite viver como idólatras no meio da Luz do Cristianismo.  Quantos são os que, embora não tão jovens, mas já adultos e até em idade provecta, ignoram totalmente os principais Mistérios da Fé; os quais, ouvido o Nome de Cristo, respondem: “Quem é… para que eu creia n’Ele?” (Jo 9,36).

Em consequência disso: Não constitui para eles problema incentivar e nutrir ódio contra o próximo; estabelecer contratos injustíssimos; dar-se a especulações desonestas; apossar-se dos bens do próximo com ingente usura e maldade. E mais: Ignoram como a Lei de Cristo não só proscreva essa acções torpes, mas também condene pensá-las e desejá-las; e entretidos por um motivo qualquer, abandonando-se aos deleites sensuais, SERVEM-SE SEM ESCRÚPULOS DE TODA A SORTE DE PÉSSIMOS PENSAMENTOS, MULTIPLICANDO OS PECADOS MAIS DO QUE OS CABELOS DA CABEÇA.

Este género, voltamos a dizer, não está sòmente entre os pobres filhos do povo, ou entre camponeses,  mas sim – e talvez em número ainda maior – entre os de classes mais elevadas, e também entre os que a ciência enobrece, MAS QUE, APOIADOS NUMA VÃ ERUDIÇÃO, CRÊEM PODER RIDICULARIZAR A RELIGIÃO E ” INJURIAM O QUE NÃO CONHECEM (Jd 10).»
Tal como afirma São Pio X, diminuir a catequese é minar pela base os alicerces da Fé Católica no povo e preparar gerações, ou modernistas e ateias, ou mimético nominalistas e supersticiosas. Efectivamente, o analfabetismo religioso das grandes massas, populares, ou cultas segundo os padrões do mundo, CONSTITUI A MAIOR CHAGA DE TODOS OS TEMPOS NA VIDA DO CORPO MÍSTICO. Novamente se assevera: É religiosamente analfabeto quem não conhece a Deus pela Fé formada pela Caridade perfeita e pela Graça Santificante. Mas para obter de Deus tão grande Graça, seja criança, seja adulto, É NECESSÁRIO FREQUENTAR COM PROVEITO O CATECISMO, SEGUNDO A CAPACIDADE INTELECTUAL NATURAL DE CADA UM. INSISTE-SE: A POUCA INTELIGÊNCIA NATURAL NÃO CONSTITUI, NEM PODE CONSTITUIR, ÓBICE ALGUM À POSSE DO ORGANISMO SOBRENATURAL, NA EXACTA MEDIDA EM QUE É ESSE MESMO ORGANISMO, A SUPRIR, POR VIA SOBRENATURAL, AQUILO QUE FALTA À NATUREZA. O catecismo é necessário porque constitui condição extrínseca Providencial à actuação da Graça. Deus Nosso Senhor, na Sua Eterna Sabedoria, providenciou um estrito paralelismo, conquanto extrínseco, entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural.

Seja-me permitido aconselhar o Catecismo Católico Popular de Francisco Spirago, em três volumes, escrito no século XIX, concebido em três níveis, completíssimo, precioso auxiliar do bom catequista; disponível em português, para ser descarregado da Internet no sítio “Obras Católicas”.

Mas se o catequista não estiver empolgado de verdadeiro amor Sobrenatural a Deus Nosso Senhor e ao próximo por amor de Deus, o seu ensino ficará privado daquela seiva, daquele Lume, que deverá abrasar a alma dos catequizandos. Ora esse Lume é, e só pode ser, o nosso organismo Sobrenatural; diz-se “organismo”por analogia com o nosso organismo natural, sobretudo as nossas potências operativas ou faculdades da inteligência e da vontade, que radicam na essência da alma. Ora a Graça Santificante, que é um Hábito entitativo Sobrenatural, filosòficamente, sendo um acidente, possui como sujeito imediato de aderência a essência mesma da alma. Também se denomina esta Graça como inabitação do Espírito Santo. A Graça Santificante SÓ ESTÁ PRESENTE NUMA ALMA QUE AME A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. Consequentemente, a Graça Santificante e a Caridade perfeita caminham a par, com a diferença de que a primeira é, como já vimos, um Hábito entitativo, e a segunda é um Hábito operativo que adere à vontade.

Toda a Revelação, toda a Teologia, todas as realidades Sobrenaturais, foram queridas por Deus Nosso Senhor, como possuindo uma profunda analogia com a Ordem Natural; tal é perfeitamente compreensível se nos recordarmos que Deus é o Autor da natureza, e que a vida Sobrenatural da Graça nos faz participar da Natureza Divina, da Inteligência Divina, da Caridade e Santidade Divina. Porque a alma adornada com a Graça Santificante É ACIDENTALMENTE, AQUILO QUE DEUS É ESSENCIALMENTE. Todavia essa analogia não é produto de um capricho Divino, PORQUE É METAFÍSICA E INTRÌNSECAMENTE CONFORME À VERDADE E AO BEM INCRIADO.

Os Frutos do Espírito Santo constituem como que o pleno desabrochar da nossa vida Sobrenatural no que ela possui de gratificante, de celestial, de indissolùvelmente consolador. As Bem-Aventuranças são também consideradas frutos do Espírito Santo, mas noutro sentido, porque os frutos, em sentido estrito, são por assim dizer contemplativos, ao passo que as Bem-Aventuranças possuem ainda um aspecto prático, conquanto já introduzam, ou sejam mesmo operativamente, especulativamente, constitutivas da contemplação. A razão profunda para isto filia-se na realidade Divina dos Dons do Espírito Santo em nós. Nas virtudes, são as nossas faculdades que, sustentadas pela Graça Divina, produzem elas mesmas intelecções e volições Sobrenaturais, sim, mas operadas por nós. Nos Dons do Espírito Santo, é o próprio Deus que deposita nas nossas faculdades, sem nós, os actos de inteligência e de vontade. Para isso a alma enriquecida com a Graça Santificante possui Hábitos receptivos para que melhor acolha a acção do Espírito Santo, ainda que a possa repudiar.

O nosso progresso na vida Sobrenatural é constitutivo de uma unificação e de uma simplificação, quer no plano da inteligência, quer no plano da vontade e da operação prática; neste quadro conceptual, o Fim Supremo e Absoluto, que é Deus, vai-se sobrepondo com verdadeira hegemonia Sobrenatural, quer no plano da contemplação especulativa quer no plano da operação moral prática; os meios, os fins secundários, e o Fim Absoluto e Primário vão-se unificando num real antegozo da Eterna Beatitude. Consequentemente, as Bem-Aventuranças constituem uma fonte intrínseca de felicidade; tal sucede porque o cumprimento da Lei Moral é perfeitamente homogéneo com a recompensa celeste da virtude, tão homogéneo, que a única garantia de verdadeira felicidade só pode então ser a perfeição moral Sobrenatural. Assim se compreende que as Bem-Aventuranças sejam já, de algum modo, constitutivas da contemplação. Porque os Dons do Espírito Santo da Sapiência, do Entendimento e da Ciência são especulativos, sim, mas possuem uma faceta indirectamente prática. Especulativo, é tudo o que tem razão genérica de Fim eminentemente Objectivo, contemplado como Verdade e Bem em si mesmo; prático, é tudo aquilo que possui razão genérica de meio, ou mesmo de fim secundário, em ordem ao Fim Primário.

 Bem-Aventurados os pobres em espírito; Bem-Aventurados os puros de coração: Ora os pobres em espírito são aqueles que têm o coração desapegado das riquezas e das glórias mundanas; e mesmo se, por dever de hierarquia social, possuírem tais riquezas – sabem como usá-las, ordenadamente, para maior Glória de Deus, salvação das almas, e socorro dos pobres; os puros de coração são aqueles que, embora em contacto operativo prático com o mundo – não se macularam, permanecendo totalmente vinculados aos Bens Eternos. Não olvidar que o grande segredo da conciliação da vida activa com a vida contemplativa, É DE QUE A ACÇÃO DEVE BROTAR DA SUPERABUNDÂNCIA DA CONTEMPLAÇÃO. A diferença entre especulação e contemplação reside  em que esta última, unifica, simplifica e aprofunda extraordinária e Sobrenaturalmente a primeira, sendo tendencialmente realizada pelos Dons do Espírito Santo, sobretudo a Sapiência o Entendimento e a Ciência.  

Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça; Bem-Aventurados os que choram: A fome e sede de Justiça é o anelar pela Lei de Deus e Seu cumprimento; é o colocar na Lei Divina toda a sua esperança, mesmo neste mundo; é a fome e ânsia de Verdade Divina, de Bem Divino, de Santidade Divina. A alma com verdadeira fome e sede de Santidade nunca se detém no caminho para Deus, porque sabe que PARAR É MORRER, e no rumo árduo que conduz ao Altíssimo, os meios são perfeitamente homogéneos com o Fim, e por maiores que sejam os sofrimentos, sobretudo de ordem moral, uma tal senda constitui já um antegozo real do Céu; aqueles que pela contrição perfeita choram os próprios pecados, é porque amam a Deus, Sobrenaturalmente, sobre todas as coisas; mesmo aqueles que só têm atrição dos seus pecados, receberão a Caridade perfeita e a Graça Santificante com a absolvição sacramental. De uma maneira geral, devemos nutrir a maior repulsa moral objectiva pelo grande e negro oceano de pecados e heresias que é, e sempre foi, este paupérrimo mundo. Bem-Aventurados os misericordiosos, os mansos, os pacíficos, os que sofrem perseguição por amor da Justiça: Os misericordiosos são aqueles que sabem como sublimar sobrenaturalmente a virtude da Justiça, quer na sua vida pessoal, quer em qualquer função pública que porventura desempenhem; os mansos são aqueles que, salvaguardada a virtude da Justiça, sabem reagir com brandura às ofensas recebidas, moderando sobrenaturalmente os ímpetos do apetite irascível; os pacíficos são aqueles que sabem ser a Paz constitutiva da Beatitude, mesmo neste mundo, porque a realidade bélica entrou no mundo pelo pecado de Adão, sendo atributo fundamental da maldade do homem. Todavia, os obreiros da Paz de Cristo não são, nem podem ser, os pacifistas, mas aqueles que consideram que sendo os homens, em geral, maus, e inimigos do Nome Cristão, será sempre necessária da parte dos bons, e depois da proclamação solene da Verdade, também uma atitude bélica, não apenas de legítima defesa, mas até ofensiva no sentido preventivo; os que sofrem perseguição por amor da justiça, são aqueles que, sendo, em princípio, obreiros da Paz de Cristo no Reino de Cristo, sofrem por isso, e sofrerão sempre, as agruras deste mundo mau, no plano físico e no plano moral. Nosso Senhor revelou-nos claramente que o mundo haveria sempre de perseguir os Seus discípulos, tal como O perseguiram a Ele, e quanto mais um homem fosse piedoso mais encarniçadamente seria afrontado – mas o Príncipe da Paz estaria, como estará, permanentemente com ele.

Evidentemente que as Bem-Aventuranças reflectem e constituem um elevadíssimo grau de Santidade; como tal, promanam mais dos Dons do Espírito Santo do que das virtudes, porque, de certo modo, nos conferem o Céu ainda cá na Terra, conjugando e harmonizando, Sobrenaturalmente, a contemplação oriunda dos Dons do Espírito Santo, a operação especulativa através das virtudes Teologais, e a operação prática da actividade moral. Segundo São Tomás, sendo as Bem-Aventuranças frutos do Espírito Santo, nem todos os frutos são Bem-Aventuranças, porque toda a suavidade Sobrenatural que promana da vida da Graça no cumprimento da Lei de Deus é fruto do Espírito Santo. Consequentemente, a Visão de Deus, na Eternidade, QUE É A BEM-AVENTURANÇA EM SENTIDO ABSOLUTAMENTE EMINENTE, constitui o FRUTO SUPREMO DA NOSSA PREDESTINAÇÃO, DA NOSSA ELEIÇÃO CARACTERIZADAMENTE GRATUITA.

Sabemos que no Céu permanecem a Caridade, a Graça Santificante, e os Dons do Espírito Santo enquanto Hábitos receptivos escatològicamente actualizados e imóveis, logo também permanecem as Bem-Aventuranças na sua dimensão especulativa. Anàlogamente, as virtudes morais enquanto Hábitos operativos integrar-se-ão também na Eternidade Beatífica. Sòmente a Fé e a Esperança, porque apanágio do estado de via, não permanecem na Eternidade.

Segundo São Tomás, a Visão Beatífica constitui uma operação eminentemente especulativa, operação da inteligência, pois que a alma na posse da Fé e da Esperança, da Graça Santificante e da Caridade perfeita, anela com todas as suas forças Sobrenaturais por entrar no Céu, mais ainda à hora da morte. Mas só Deus a pode consagrar, eternamente, imutàvelmente, física e moralmente, na contemplação da Sua Essência Incriada.

Nunca olvidemos, na nossa ascensão para Deus Nosso Senhor, QUE O PRINCÍPIO, OS MEIOS, OS FINS SECUNDÁRIOS, E O FIM PRIMÁRIO, SÃO ABSOLUTAMENTE HOMOGÉNEOS, PORQUE SOBRENATURAIS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Maio de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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