Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: junho 3, 2017

SANTO HERMENEGILDO, MÁRTIR DA PURA E ÍNTEGRA COMUNHÃO CATÓLICA  

Autor: Rafael M.a Lópes-Melús, carmelita, Sevilha

Todos conhecemos os perseguidores romanos que, com os seus Césares à frente, acusavam os cristãos de ser uma seita que praticava a magia desprezando os deuses do império. Durante quase três séculos move­ram uma perseguição terrível contra os seguidores de Jesus Cristo… Isto quase se compreende.

  • No Reino dos Visigodos imperava o arianismo sobre o catolicismo, embora em matéria de sacramentos e de tudo o mais, pareciam (para melhor enganar) a mesma religião. A Verdade de Cristo Divino Rei iria prevalecer, mas ao custo de muito sangue. Decisiva foi a conversão e testemunho non una cum de S. Hermenegildo.

Também se compreende que os pagãos, ou bárba­ros, vindos do norte, que nada sabiam da nova religião cristã, e que, ao mesmo tempo, levavam uma vida tão oposta à moral e éticas cristãs, perseguissem os cris­tãos.. . Isso também nada tinha de extraordinário. Todos o viam como algo natural.

Os cristãos espanhóis ficaram aliviados com o edito de Milão de 313 que permitia celebrar livremente o culto público a todas as religiões. Mas o que era de estranhar grandemente é que uma perseguição se tenha desencadeado com os no­vos governantes de Espanha, os Visigodos, que eram arianos na religião e que, por outro lado, procuravam, com todas as forças, assimilar e levar para a mesma crença os cristãos de outras nações… sobretudo os seus monarcas.

A perseguição ariana – que nasceu com o Bispo [Ário ou Arius, presbítero de Alessandria no Egito, veja-se nosso artigo sobre o «arianismo heresia gnóstica perene] herege Ario, como indica o seu nome – durou dois séculos procurando sempre estender as suas maléficas doutrinas contra a Igreja Católica.

Por mais que lutassem, nunca conseguiram o seu intento que não era outro senão o de que toda a Es­panha fosse uma nação dominada pela apostasia da religião católica.

Para conservar a pureza da fé foram necessários muitos mártires que selaram a sua entrega total ao servi­ço da verdadeira fé cristã sem medo de derramar o seu sangue para confessar a Cristo. Um dos últimos e mais famosos episódios é o da história que vamos narrar.

No ano 567, tendo morrido o rei dos visigodos Atanagildo, os grandes do reino elegeram para lhe suceder os seus dois irmãos Liuva e Leovigildo. Seis anos depois, Leovigildo ficava só como único rei.

Leovigildo foi, sem dúvida, um dos maiores reis visigodos no que se refere à política. Apesar de ser ariano, tinha casado com Teodósia, irmã dos famosos São Leandro e Santo Isidoro, bispos de Sevilha. Deste casamento nasceram dois filhos: Hermenegildo e Recaredo.

Embora ariano, por estar casado com uma católica e irmã de dois famosos bispos, jamais tinha dado mostras de inimizade contra os católicos.

Preocupou-se com que os dois filhos recebessem o baptismo dos arianos mas não se opôs a que fossem enviados para Sevilha para ali, na escola que tinha aberto o tio S. Leandro e que gozava de grande fama, recebessem uma educação digna.

Quando chegaram os sobrinhos a Sevilha, Lean­dro sentiu uma grande alegria e também uma grande responsabilidade. Preocupou-se com que recebessem uma digna formação humanística e literária em todos os sentidos mas respeitou a crença que eles tinham recebi­do do pai e nunca lhes insinuou algo que os levasse a abjurar os erros arianos para aderir ao catolicismo. Ele preocupava-se sobretudo em dar-lhes uma esmerada educação nas virtudes humanas e nos princípios morais comuns a todas as religiões.

Era natural que sempre lhes falasse com dignidade e grande respeito da fé católica e de que era preciso respeitar e aceitar os que não pensam como nós.

Todos os seus companheiros admiravam a bonda­de e as virtudes dos dois irmãos e eles sentiram uma imensa tristeza quando deixaram as aulas para voltar para junto do pai, Leovigildo, para Toledo.

UMA MULHER MÁ

Quando Leovigildo ficou viúvo de Teodósia ainda não era rei de Espanha. Pouco depois, casou com Gosvinda viúva de seu irmão Atanagildo. Esta mulher, como contam as crónicas do seu tempo, era verdadeiramente cruel e sanguinária. Tratava-se de uma furibunda ariana, inimiga declarada do catolicismo, a que se propôs fazer uma guerra sem descanso.

Gostamos mais de ver o aspecto positivo que negativo das coisas mas, neste caso, cremos que não é exagerado dar o apelativo de “má” a esta mulher chamada Gosvinda que seria a madrasta de Hermenegildo e Recaredo. Os dois irmãos, embora não fossem católicos, levavam na alma a benéfica influência recebida do tio D. Leandro durante os anos que passaram em Sevilha.

Quando ficou viúva, Gosvinda pensou que já não podia levar a cabo a sua sanha contra os católicos mas viu, com alegria, a possibilidade de continuar com os seus diabólicos intentos quando o cunhado lhe pediu a mão em casamento.

O Papa São Gregório conta que esta perseguição, movida por iniciativa de Gosvinda, contra a Igreja Católica foi uma das mais terríveis sofridas pelos católicos durante toda a dominação visigótica. Foram-lhes confiscados todos os seus bens, foram lançados para os mais imundos calaboiços, foram açoitados e até martirizados por não quererem abraçar a religião ariana.

Há historiadores que atribuem a Gosvinda a res­ponsabilidade destas atrocidades. Às vezes, dizem, era ela própria que levava o crime à sua consumação arrancando os olhos e esquartejando os seus inimigos ainda vivos.

Era uma mulher que não se detinha perante qual­quer dificuldade contanto que levasse a cabo os seus satânicos intentos, mesmo que fossem contra os mem­bros da própria família como veremos.

Tanto Hermenegildo como Recaredo sentiram a morte da sua bondosa mãe e também o facto de se verem obrigados a abandonar a educação que tinham recebido do tio Leandro que os tinha instruído em tão sábias e prudentes doutrinas… Mas a hierarquia das suas vidas obrigava-os a voltar ao Palácio real, a Toledo, para junto do pai, o Senhor Rei…

Quando Hermenegildo chegou à idade de contrair matrimónio, seu pai, Leovigildo, pediu a Sigeberto I, rei dos francos, a encantadora filha Ingunda. Sigeberto estava casado com Brunequilda, filha de Atanagildo e Gosvinda. Portanto, Ingunda era neta da tristemente famosa Gosvinda, a quem já conhecemos, e sobrinha de Leovigildo, portanto parenta, em terceiro grau, do próprio Hermenegildo…

Parece que Hermenegildo terá nascido pelo ano 555, enquanto Ingunda nasceu em 567. Portanto, quando a princesa foi pedida em casamento tinha só uns 12 anos, coisa que era bastante comum naquele tempo, uma vez que, por razões de interesse, os ca­samentos entre príncipes se realizavam quase todos desta maneira.

Estamos em 579. A boda celebrou-se com a pompa e solenidade que o acontecimento requeria. A alegria e regozijo eram gerais entre todos os participantes. Todos felicitavam a recém chegada, quase uma menina, e todos exaltavam a sua grande beleza e os seus modos majestáticos…

A avó Gosvinda sentiu-se alegre por ver, pela pri­meira vez, a neta que despertava a admiração de todos. Todos brindavam pela felicidade daquele casamento que esperavam seria mais feliz que todos os que são narrados em contos de fadas.

Ingunda depressa ganhou o coração do seu esposo e viu que ele tinha um desejo muito grande de fazer o bem a quantos o rodeavam. Mas não contavam com a perfídia de uma mulher má, fanática da sua religião ariana.

A lua de mel dos primeiros dias durou pouco. Bem cedo se começaram a notar na corte rostos carrancudos e desconfianças uns dos outros.

Um historiador da época diz que “começou uma guerra sem quartel de uma fanática ariana contra uma simples cristã, ou melhor, uma inveja sem medida nem controle de uma anciã ridícula contra uma menina gra­ciosa e encantadora, que, além do mais, era sua neta”.

Gosvinda comprometeu-se, às boas ou às más, a levar a cabo o seu propósito de baptizar a neta nas águas do baptismo ariano.

Era lógico que, ao princípio, usasse o método da persuasão, da ternura, das carícias, dos presentes e os piropos pela sua grande beleza, a bondade do seu enteado Herrmenegildo e a fidelidade à sua religião ariana, a conveniência de que ela pensasse o mesmo que ele, etc. Para todos os argumentos a jovem princesa tinha respostas prontas e adequadas.

Os meus pais são católicos, e sempre o foram, e vivem muito felizes. Hermenegildo tem uns tios que são bispos e a sua própria mãe Teodósia era católica e morreu na religião católica… Por isso, peço-lhe, senhora avó, que não me moleste mais, porque eu nasci católica e pus como condição quando consenti no casamento com Hermenegildo, a quem amo e adoro mais que a mim mesma, que continuaria a ser católica… E assim mo prometeram…”

Vendo que não obtinha resultados, ela mudou de táctica e começou a atacá-la, em particular e em público, sempre que podia. Aos argumentos de que deveria ser rebaptizada, dizia a valente Ingunda:

– Basta-me ter sido baptizada uma só vez e regene­rada no Mistério da Santíssima Trindade, de que adoro as Três Pessoas iguais em tudo. Esta é a crença da minha alma e jamais me apartarei dela.

O andamento das coisas ia crescendo de dia para dia. Chegou um dia em que Gosvinda se atreveu a atacá-la brutalmente. Agarrando-a pelos cabelos, lançou-a em terra e calcou-a com raiva. Despojou a jovenzinha dos seus vestidos, cobertos de sangue, e ajudada por outras servas, meteu-a na balsa para baptizá-la segun­do o rito ariano.

(Continua)

Anúncios
Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica