Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: junho 5, 2017

II – SANTO HERMENEGILDO, MÁRTIR DA PURA E ÍNTEGRA COMUNHÃO CATÓLICA

Chegou ao conhecimento de Leovigildo o que tinha acontecido e, homem pacífico e até temeroso do que podia acontecer no seu reino se as coisas continuassem assim, não viu outra saída mais airosa que propor ao seu filho Hermenegildo que se retirasse para Sevilha com a esposa e filha e que ali desempenhasse o papel de Vice-Rei, o único responsável da coroa naquelas partes.

Foram estes primeiros meses em Sevilha uma de­lícia para aquele real casal. Encontraram o descanso e a liberdade de que careciam em Toledo.

Ingunda, já só com o seu querido Hermenegildo, procurou, como era natural, falar da sua fé e das diver­gências que existiam com a avó e como ela estava no erro como todos os que seguiam a doutrina pregada pelo herege Ario.

Ingunda orava muito para que o Senhor aplanasse os caminhos. Depois, a mesma Ingunda começou, com grande doçura e bondade, a falar-lhe da fé, dos ensina­mentos que lhe tinha dado a sua santa mãe Teodósia e o seu tio Leandro. Acudiram ao coração e à mente de Hermenegildo dias e factos maravilhosos. E, por fim, disse que estava decidido a dar o passo abjurando os seus erros e recebendo o baptismo católico.

A cerimónia fez-se com a maior pompa e solenidade.

Administrou-o o próprio tio Leandro que depois lhe conferiu o sacramento da Confirmação… e lhe pôs o nome de João, embora para a história, como já era muito conhecido com o nome de Hermenegildo, que lhe tinha sido imposto por sua mãe Teodósia, tivesse ficado com este mesmo nome para sempre.

Talvez até o tenham pensado os dois esposos e tenham consultado sobre isto o santo bispo de Sevilha, seu tio Leandro:

–     Meu Padre, estou decidido a abjurar os meus erros e a abraçar o catolicismo que vós, minha santa mãe e minha querida esposa, professais… Não quero por mais tempo resistir à graça que sinto no meu interior que me convida com insistência a dar este passo… Mas a minha dúvida é esta: convém, será bom para a fé católica, que eu, ao dar este passo o faça secretamente, apenas no meu interior, ou que o faça com toda a solenidade para que os outros saibam o que fez o filho do rei? Se o fizer assim, com solenidade, isso não será motivo de per­seguição contra a fé católica aumentando essa terrível perseguição que é capitaneada pela minha madrasta, a rainha, que se vai enfurecer e endurecer cada vez mais a sua posição?

–     “Parecem-me muito prudentes e comedidas as tuas dúvidas, querido sobrinho. Eu também venho sopesando, desde há tempos, ambas as atitudes mas inclino-me para que o faças com toda a solenidade e notoriedade para que se saiba que não tens medo e que a tua conversão está ciente de todas as consequências que te pode trazer. O dom da fortaleza que Dous concede aos que O seguem ser-te-á também concedido a ti nesta ocasião, e aos que por tua causa forem perseguidos”.

Assim se fez. Hermenegildo até mandou cunhar uma moeda em que fez escrever:

“Haereticum hominem devita “Afasta-te do homem herege”.

Os católicos de toda a Espanha sentiram-se re­confortados na sua fé e animados a prosseguir nos caminhos do Senhor, não obstante as perseguições.

Não ignorava Hermenegildo que quando o seu pai se inteirasse do sucedido a fúria da madrasta o levaria contra o próprio filho e, formando um grande exército, lutaria contra ele para o fazer desistir. Mas não lhe importava. Os dados já estavam lançados. Sentia-se muito reconfortado pela graça do Senhor…

Quando o pai teve conhecimento da notícia de que o filho se tinha feito católico, fustigado pela esposa Gosvinda, “encheu-se de imensa cólera”, dizem as Crónicas do tempo, e jurou acabar com esta rebeldia.

O    reino visigótico em Espanha, embora aparente­mente estivesse unido, na realidade havia muitas divi­sões e questões de uns contra os outros e não faltavam insatisfações e até insurreições.

Para apaziguar um pouco o reino da parte da Bética, que era a parte que ultimamente tinha sido arrebatada aos bizantinos, tinha enviado Leovigildo o seu filho; Hermenegildo. E agora este levantava-se contra ele passando-se para a religião católica contra a qual ele lutava. Leovigildo não sabe se debaixo desta conversão há algo mais, mas suspeita que sim.

–        Não intentará também o meu filho unir-se aos católicos de outros povos limítrofes à Bética e aliado a eles, irá levantar-se contra mim?

Leovigildo mandou uma embaixada ordenando ao filho:

–        “Vem imediatamente a Toledo pois temos graves assuntos de Estado para tratar!”

Hermenegildo despediu a embaixada com este recado:

–        “Dizei a El Rei, meu senhor e pai, que não posso aceder ao seu pedido e que estou entregue à luta com os meus irmãos destas partes que ele me confiou.”

Entretanto, Hermenegildo tratou de pedir ajuda aos chefes das povoações vizinhas e até às mais longín­quas. Leovigildo, por sua parte, vendo-se desobedeci­do tratou também de formar o seu exército. A esposa, Gosvinda, não pôde conter o ódio que guardava no seu coração contra a neta e contra o enteado e disse ao esposo:

“Serás um rei cobarde e um mau seguidor do aria­nismo se não te lançares contra ele e se não acabares com ele, com ela e com o seu próprio filho que, natural­mente, no dia de amanhã, vai seguir as suas pisadas.

Leovigildo reuniu o seu exército… e pediu ajuda aos reis vizinhos. Outro tanto fez Hermenegildo que se proclamou rei do seu pequeno império Bético.

Alguém talvez possa interpretar mal o facto de um filho se revoltar contra o pai ou pensar que o filho vai contra a unidade da Pátria. Não se trata disso. Aqui lutava-se por um ideal e por conservar uma fé, uma crença a que o pai quer obrigar o filho e outros que se­guem o cristianismo. Hermenegildo pediu ajuda e auxílio aos príncipes que podiam ser seus aliados porque são católicos ou lhe devem favores para que o auxiliassem na luta a favor da fé, não para consolidar o seu reino nem para o tirar ao pai, a quem respeita e ama de todo o coração, embora não partilhe das suas ideias religiosas.

O reinado de Hermenegildo foi muito breve. Che­garam até nós algumas moedas com a sua efígie e a legenda: “Omnes nobis obediant”, isto é, “Que todos nos obedeçam.”

Também uma curiosa inscrição que, traduzida, diz:

–    “Jesus Cristo. Em nome do Senhor: No segundo ano do reinado de nosso Senhor o rei Hermenegildo, a quem faz perseguir o rei seu senhor pai Leovigildo, na cidade de Sevilha, pelo duque Aión”…

A luta tornou-se muito desigual. Hermenegildo esta­va consciente de que o exército do pai era superior ao seu por isso duvidou muito se devia declarar-lhe guerra e mais ainda, se, por delicadeza de consciência, seria correcto fazê-lo, Mas, por fim, as suas convicções reli­giosas pesaram mais que a bravura do seu minguado exército e, para defender a fé, lançou-se à luta.

Leovigildo comprou vilmente um dos chefes gre­gos que tinha lutado a favor de Hermenegildo. Outro abandonou-o, até que Leovigildo sitiou Sevilha.

Após dois anos de assédio, a bela cidade de Sevi­lha ficou totalmente destruída. Hermenegildo fugiu para Córdova mas antes já tinha dado ordens para que a esposa e o filho o precedessem. Hermenegildo pediu refúgio numa igreja. Isto acon­teceu no ano de 584.

Neste tempo as igrejas gozavam, em todo o territó­rio nacional do privilégio de asilo e, por isso, nenhuma autoridade podia fazer mal ou causar qualquer dano a quem se encerrava nelas.Hermenegildo pensou: – Assim evito que meu pai derrame o meu sangue e evito que eu mesmo cause dano ao meu pai.

Leovigildo provocou uma escaramuça contra o filho mais velho e, para fazer as pazes ninguém melhor que o seu irmão Recaredo, pois o pai sabia que tinham um grande apreço um pelo outro. Recaredo ignorava a cila­da que lhe tinha armado o próprio pai e que ele mesmo ia ser instrumento dessa refinada maldade. Enviou, pois, o filho Recaredo a rogar-lhe e a suplicar-lhe que Hermenegildo se entregasse pois só assim salvaria a vida e teria o perdão do pai..

Quando os dois irmãos se encontraram abraçaram-se ternamente e Recaredo disse-lhe, da sua parte, com toda a sinceridade, mas da parte do pai, com grande mentira:

–    “Venho para te levar ao nosso pai. Prostra-te diante dele e ele tudo te perdoará e te devolverá todos os teus poderes e dignidades”.

– Agradeço-te deveras, querido irmão, mas não sei se o nosso pai foi sincero quando te enviou com esta missão. Prefiro que venha ele próprio e que me comu­nique pessoalmente o que te mandou dizer.”

Ao encontrar-se com o pai, este invectivou-o dizen­do que ele se tinha portado mal e, sem querer escutar as suas desculpas, tirou-lhe as vestes reais e mandou que o metessem no cárcere.

Tinha razão Hermenegildo ao duvidar da veracidade do pai ao enviar-lhe o irmão Recaredo para lhe pedir que se entregasse e que tudo voltaria a ser como antes.

Enfurecido, o pai lançou-lhe em rosto todos os seus erros e o facto de se ter revoltado contra ele… Sem contemplações, enviou-o, desterrado, para Valência, para um lúgubre calabouço e, pouco depois, talvez ; pelo ano 585, para um cárcere ainda mais hediondo para Tarragona.

Pobre Hermenegildo! Já não era aquele valente general e aquele zeloso apóstolo de Jesus Cristo por cuja causa tinha lutado tão denodadamente e com tanto ardor.

Todos o tinham abandonado. Está carregado de ca­deias impostas pelo próprio pai e carregado de cilícios, que, voluntariamente, ele juntou, para se parecer mais com Cristo chagado por nosso amor.

Hermenegildo encontra-se absorto nos seus pen­samentos de eternidade. Agora só lhe interessa a vida eterna que espera com toda a ânsia. Ele sabe que ali o espera a sua mãe e vários parentes seus que também tinham morrido confessando a Cristo.

Passa os dias entregue à oração e preparando-se para bem morrer pois sabe a sorte que o espera e sus­peita que esta não tardará a chegar.

 

Um dia, tem a surpresa de uma visita do próprio pai. Este entra no cárcere e faz-lhe toda a espécie de promessas para ele abjurar a religião católica e aceitar o arianismo. Hermenegildo despreza-as com veemência mas fica extenuado depois daquela dura batalha entre a natureza e o espírito.

No fim aparece-lhe um anjo que o consola e anima nas suas dores ao mesmo tempo que lhe diz:

-“Fizeste bem, Hermenegildo. Continua a ser fiei à fé que professas em nosso Senhor Jesus Cristo. Sem­pre terás a ajuda da graça.

Aproximava-se a festa da Páscoa e Hermenegildo ; pediu que um sacerdote católico lhe levasse a Eucaristia e que, ao mesmo tempo, o ouvisse em confissão.

Como resposta, enviaram-lhe um bispo ariano que lhe disse:

–        “Se aceitares receber a Eucaristia das minhas mãos, o teu pai te perdoará tudo e tudo voltará a ser como antes. Caso contrário, assinará a sentença da tua morte.

–        Retira-te daqui, bispo herege, não preciso dos teus serviços. Haverá alguém que me dê o que tu não me podes dar.

Hermenegildo entregou-se nos braços da Divina Providência. Não há dúvida, embora não o digam as Actas, que o Senhor terá enviado o seu anjo para o alimentar com o Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo que ele tão ardentemente desejava receber.

Na tarde de 13 de Abril do ano de 585, por ordem de Leovigildo, entrou no calabouço o soldado Sisberto e, com uma machadada, cortou-lhe a cabeça.     ‘

A graça de Deus por meio de Hermenegildo não se fez esperar.

Foi a paga que o filho amigo deu à crueldade do pai. Este sentiu profundamente a sua grande crueldade ao ter dado a morte ao próprio filho e arrependeu-se dos seus pecados. Chamou o cunhado São Leandro, confessou todos os seus pecados e recomendou-lhe que estivesse atento e formasse bem o filho Recaredo.

Pouco depois, Recaredo, já rei em vez do pai, abju­rou a heresia e converteu-se ao catolicismo. Por isso, São Gregório Magno, íntimo amigo de São Leandro, afirmou:

–     “Esta mudança maravilhosa da conversão de toda a Espanha ao catolicismo não se teria realizado de nenhum modo, se Santo Hermenegildo não tivesse derramado o seu sangue pela verdade” …

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