Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Arquivos Diários: junho 16, 2017

CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO

CONTRIÇÃO E ATRIÇÃO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num trecho da sua encíclica “Haurietis Aquas”, promulgada em 15 de Maio de 1956:

«Com muita razão, pois, o Coração do Verbo Encarnado é considerado índice e símbolo do tríplice amor com que o Divino Redentor ama contìnuamente o Eterno Pai, e todos os homens. Ele é, antes de tudo, símbolo do Divino Amor, que n’Ele é comum com o Pai e com o Espírito Santo, e que só n’Ele, como Verbo Encarnado, se manifesta por meio do caduco e frágil instrumento humano, “pois n’Ele habita corporalmente a plenitude da Divindade”(Cl 2,9). Ademais, o Coração de Cristo é símbolo da enérgica Caridade, que infundida em Sua Alma, constitui o precioso dote da Sua Vontade Humana, e Cujos actos dão dirigidos e iluminados por uma dupla e perfeita ciência: A Beatífica e a Infusa. Finalmente, e isto de modo mais natural e directo, o Coração de Jesus é símbolo do Seu Amor sensível, já que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, plasmado no seio imaculado da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo, supera em perfeição, e portanto em capacidade perceptiva, qualquer outro organismo humano.

Instruídos pelos Sagrados textos, e pelos símbolos da Fé acerca da perfeita consonância e harmonia reinante na Alma Santíssima de Jesus Cristo, e a respeito do facto de Ele haver dirigido, com finalidade Redentora, todas as manifestações do Seu tríplice Amor; com toda segurança podemos contemplar e venerar no Coração do Redentor Divino a Imagem eloquente da Sua Caridade e o testemunho da nossa Redenção, e como que uma mística escada para subir ao amplexo de “Deus Nosso Salvador”(Tit 3,4). Por isso, nas palavras, nos actos, nos ensinamentos, nos milagres, e especialmente nas obras mais esplendorosas do Seu Amor para connosco, com a Instituição da Divina Eucaristia, e Sua dolorosa Paixão e Morte, a benigna doação de Sua Santíssima Mãe, a fundação da Igreja para proveito nosso, e finalmente a Missão do Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre nós, em todas essas obras, repetimos, devemos admirar outros tantos testemunhos do Seu tríplice Amor, e meditar as pulsações do Seu Coração, com as quais Ele quis medir os instantes da Sua Peregrinação terrena até o momento supremo em que, como atestam os Evangelistas, “clamando com grande voz, disse: Tudo está consumado. E inclinando a cabeça entregou o espírito” (Mt 27,50);(Jo 19,30). Então o Seu Coração parou e deixou de bater, e o Seu amor sensível permaneceu como que em suspenso, até que triunfando da morte, Ele Se levantou do sepulcro. Depois que o Seu Corpo conseguiu o estado da Glória Sempiterna, Se uniu de novo à Alma do Divino Redentor, vitorioso da morte, o Seu Coração Sacratíssimo nunca deixou, nem deixará de palpitar, com imperturbável e plácida pulsação, NEM TÃO POUCO CESSARÁ DE DEMONSTRAR O TRÍPLICE AMOR COM QUE O FILHO DE DEUS SE UNE A SEU PAI ETERNO E À HUMANIDADE INTEIRA, DE QUEM É, COM PLENO DIREITO, A CABEÇA MÍSTICA.»

 

O danado princípio da liberdade religiosa, destruindo todo o Dogma, toda a Moral, e toda a sã Filosofia, necessàriamente arruinou, de direito e de facto toda e qualquer possibilidade de contrição e de atrição. Efectivamente, se se concebe a Religião, ou ausência dela, como matéria de livre opção do indivíduo, extingue-se qualquer sombra, por remota que seja, de obrigatoriedade objectivamente conformadora da inteligência e da vontade. O resultado é o ATEÍSMO. E no caso de ainda restar alguma religiosidade, o “deus” assim concebido, mais não é do que um lúgubre fantasma do verdadeiro Deus Nosso Senhor, totalmente insusceptível de mover à contrição e até mesmo à atrição. Nunca podemos olvidar, que mesmo a atrição tem que constituir um acto estritamente Sobrenatural, pelo qual, sob o influxo da Graça de Deus, não só detestamos o pecado, por causa do castigo, mas também procuramos, objectivamente, remover todo o afecto ao mal; na expressão dos Padres do Sagrado Concílio de Trento:”Começamos a amar a Deus”. Neste quadro conceptual, a Santa Madre Igreja sempre ensinou, que a atrição é um acto integralmente Sobrenatural, pela moção da Graça, pelos motivos da dor, que são o castigo Sobrenatural do Inferno, e pela finalidade que é a salvação Eterna no Reino dos Céus. Ora o “deus” de Descartes, o “deus” de Newton e do deísmo em geral, não só não impõe castigos, como renega totalmente a Ordem Sobrenatural, a única pela qual podemos e devemos ser salvos.  Porque não basta para a atrição o receio, e até o pavor, de uma punição natural, não, é necessário que seja de um castigo Sobrenatural. Assinale-se também, que a atrição tem que ser objectiva, porque o receio do castigo Divino deve redundar na detestação Sobrenatural do mal em sentido eminentemente objectivo. COMO ESTAMOS INFINITAMENTE LONGE DAS ELUCUBRAÇÕES DO MAÇÓNICO VATICANO 2 SOBRE A DIGNIDADE HUMANA, INDEPENDENTEMENTE DA VERDADE E DO BEM OBJECTIVOS!  

Se a atrição é medularmente impossível no modernismo; muito mais a contrição, a qual implica necessária e antecedentemente a Caridade perfeita, o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas. Porque se na atrição É A RECEPÇÃO DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA, COM A RESPECTIVA ABSOLVIÇÃO, QUE IRRADIA NA ALMA A CARIDADE PERFEITA, SEM A QUAL NINGUÉM SE PODE SALVAR; NA CONTRIÇÃO PERFEITA OS PECADOS SÃO DETESTADOS, FORMALMENTE, SÓ POR OFENDEREM A DEUS NOSSO SENHOR, PORQUE VIOLAM A LEI INCRIADA DA VERDADE E DO BEM INFINITO, PORQUE DISSIPAM O SANGUE PRECIOSÍSSIMO DE NOSSO SENHOR, DERRAMADO NA CRUZ. Constitui Dogma de Fé que a contrição perfeita obtém de Deus, imediatamente, o perdão dos pecados mortais e veniais, pois que necessàriamente integra o desejo de recorrer ao Santo Tribunal da Penitência, logo que seja possível.

É muito salutar, edificante e Sobrenaturalmente purificador, que possamos, com o auxílio da Graça Divina, sentir não apenas a contrição perfeita, mas também a atrição dos nossos pecados. Efectivamente, tal nos conservará num estado de maior humildade, bem como de maior adoração pela Soberania Divina.    

A razão última pela qual a contrição perfeita perdoa os pecados, deve procurar-se na sua maior OBJECTIVIDADE, porque se insere directamente na Essência da Verdade e do Bem, no Fundamento dos fundamentos, na Realeza absoluta d’Aquele que É. Ao passo que a atrição começa por se apoiar no interesse próprio daquele que sofre, ou sofreria, o castigo Eterno; embora posteriormente proceda a uma objectivação, na exacta medida em que começa a detestar, não apenas o castigo – o que seria servilismo e não atrição – MAS O MAL EM SENTIDO OBJECTIVO E UNIVERSAL; E É PRECISAMENTE AQUI QUE COMEÇA A AMAR A DEUS.

A contrição e a atrição, conquanto Sobrenaturais, são realidades paradigmáticas das nossas vicissitudes aqui na Terra, enquanto esperamos merecer o Céu. Existem pessoas tão profundamente ancoradas na Verdade e no Bem, tão exaltantemente possuídas do amor a Deus, durante toda a sua vida, que a sua peregrinação terrena constitui uma impressionante linha recta de uma inexaurível e inabalável objectividade. Outras porém, caminham vacilantes, o seu acesso à Verdade é pautado por múltiplos acidentes que as obrigam a reflectir sobre si próprias, e só paulatina e sofridamente, com muito apoio de bons sacerdotes, de familiares e de amigos, acedem à plena objectividade; e nela só permanecendo com o continuado concurso de outrem.

Uma coisa é certa: No modernismo, que na forma mais extrema equivale a ateísmo, não havendo recta concepção Sobrenatural de Deus, NÃO PODE EXISTIR VERDADEIRA OBJECTIVIDADE, MESMO NO CONHECIMENTO INTELECTUAL NATURAL, E CONSEQUENTEMENTE NÃO PODE EXISTIR UMA REAL DISTINÇÃO ENTRE O BEM E O MAL. NÃO PODE HAVER QUALQUER ESPÉCIE DE CONTRIÇÃO NEM ATRIÇÃO, APENAS MÁGOA POR DANOS SOCIAIS CAUSADOS. Por isso Bergoglio utiliza o aforismo ateu “vive e deixa viver,”isto é: Não provoques danos sociais e ecológicos, os únicos que existem. Todavia as verdadeiras raizes das excentricidades blasfemas de Bergoglio encontram-se todas nos documentos do Vaticano 2, pois foi aí que SE DEMOLIU A INCONDICIONALIDADE DA FÉ CATÓLICA.

Mas o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus – É INCONDICIONAL! A fuga e a renúncia a tudo o que possa ofender a Deus, mortal ou venialmente – É INCONDICIONAL! A profissão positiva da Fé e da Moral católica, na consecução e concretização de uma operação moral tendencialmente Santa – É INCONDICIONAL!

Exactamente porque os Novíssimos do Homem são absolutamente incondicionais, e o modernismo arruinou também os Novíssimos. Porque no modernismo o próprio conceito de imortalidade natural da alma foi obliterado. E se é assim, para quê envidar qualquer esforço para praticar o Bem?

A distinção absoluta e incondicional entre o Bem e o mal é tão imperativa, que não existe uma só  página da Bíblia em que ela se não imponha, vigorosa e irrevogàvelmente, ao leitor.

Da contrição e da atrição só ficou isenta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria Nossa Senhora; mesmo os maiores santos, pelo menos venialmente, pecaram.

E não se pense que no Antigo Testamento, pelo facto de não haver Sacramentos pròpriamente ditos – ou seja sinais sensíveis da Graça que instrumentalmente causam – não existiriam sinais legais e rituais dessa mesma Graça. A circuncisão constituía o sinal instituído para demonstrar o perdão do pecado original. Os sacrifícios de animais, os quais incorporavam as atitudes Latrêutica, Eucarística, Expiatória, e Impetratória, figuravam, ainda que muito imperfeitamente, o Sacrifício Supremo de Nosso Senhor, renovado incruentamente no Altar, e revelavam a contrição e atrição no seio do povo eleito, que embora também imperfeitas, peregrinavam em direcção à Plenitude da Revelação e à perfeição da Caridade Sobrenatural. Como proclamou o Profeta Isaías: “Haurireis com gáudio, as Águas da Fonte do Salvador” (Is 12,3).

Não olvidemos que sem o Sacrifício do Calvário não poderiam existir, nem a contrição, nem a atrição, pois o pecado de Adão ao encerrar as Portas do Céu, secara igualmente as fontes da Graça.

Como afirmava o Papa Pio XII, assim como na Sua vida mortal Nosso Senhor peregrinou na Terra um caminho de imensa Misericórdia que culminou na Cruz; assim no Reino dos Céus continua, através do ano Litúrgico, percorrendo as sendas da santificação do Seu Corpo Místico, derramando incessantemente as Graças que nos mereceu “de condigno”, e que Sua Santíssima Mãe, “de congruo”, mediou.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 11 de Junho de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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